Dicas

10 chick lits modernas para aquecer o coração

Para quem cresceu lendo chick lit, ou livro de mulherzinha, como chamam por aí, é um pouco complicado seguir encontrando boas obras nesse gênero na vida adulta, quando nossa visão de amor muda um pouco e a gente já evoluiu tanto. Além disso, a partir das conversas que o movimento feminista ampliou no decorrer dos últimos anos, é difícil hoje ler as histórias “água com açúcar” como as que líamos dez ou quinze anos atrás e não problematizar.

A boa notícia é que, ao contrário do que se pode pensar, esse gênero não parou no tempo. É claro, ainda existe por aí muita coisa datada e de mau gosto nas prateleiras. Mas também existem muitos títulos modernos, que sabem falar de amor como hoje queremos ouvir. E ainda com aquele toque romântico que nos encantou lá no começo da nossa jornada como leitor.

A seguir, trago a minha lista de dez chick lits modernas favoritas. São histórias de amor, com romance, paixão e humor, mas sem ferir ninguém. Além do seu coração, é claro.

Importante! Clicando no título dos livros, você será direcionado para a página deles na Amazon. É possível comprar na versão física ou ebook. Comprando por esse link, você garante uma pequena comissão para mim, sem acréscimo no valor final da compra.

Lendo de cabeça para baixo, de Jo Platt

Esse livro me fez rir e chorar com a história de uma recém-divorciada que trabalha em uma loja de livros e tem um vizinho muito bonito e bonzinho. A escrita é super fluente e chique, uma coisa meio Um Lugar Chamado Notthing Hill, sabe? É daqueles livros que fazem você se sentir super refinada por estar lendo um romance de alto nível que é, no final das contas, mais uma história de amor super clichê. Porque a gente ama ser erudita, mas ama ainda mais um clichê.

Aliança de casamento, por Jasmine Guillory

Falando em clichê, esse é um clássico: eles se conhecem no elevador e o moço convida a moça para ser namorada “falsa” dele em um casamento. Ela topa, é claro. Esse é um livro especialmente interessante porque o casal é inter-racial, o que rende algum caldo. Além disso, eles moram em cidades diferentes, e amor à distância acaba sendo outro elemento importante da trama.

Minha vida (não tão) perfeita, por Sophie Kinsella

Kinsella é rainha do gênero e soube adaptar suas histórias para os dias de hoje. Prova disso é esse seu título, um dos mais recentes, que conversa bem com o que a gente vive no cotidiano. Aqui a nossa heroína finge ter uma vida perfeita nas redes sociais. Na vida real, a história é outra, e isso acaba se virando contra ela quando contratempos a obrigam a cair na real. E, claro, no meio disso, surge uma história de amor inesperada.

Uma noite com Audrey Hepburn,
por Lucy Holliday

Primeiro de uma série, esse livro traz a história de uma moça meio maluquinha que, um belo dia ao voltar para casa, se depara com Audrey Hepburn em seu sofá. Ainda sem saber se é sonho ou delírio, o fato é aceito e logo temos Hepburn ajudando a protagonista em seus casos amorosos. É hilário e muito fofo.

E se acontece?, por Melanie Harlow e David Romanov

Esse livro incrível tem todos os elementos que a gente ama em uma chick lit: casal que começa se detestando, depois ficam próximos, depois ficam juntos, uma química irresistível, cenas hilárias e outras super quentes. A diferença é que… é uma história de amor entre dois homens. Um dos melhores romances que já li, vai surpreender você também.

O ar que ele respira, por Brittainy C. Cherry

Foi lendo os famigerados romances de banca como Júlia, Bianca e Sabrina, que muitas de nós começamos a amar chick lit. Hoje esse tipo de literatura ganhou um “banho de loja” e faz bonito nas prateleiras comuns, com títulos poderosos que se tornam best sellers entregando o que a gente mais ama: romances inevitáveis, heróis irresistíveis e a Cura Através do Amor. Cherry domina essa literatura muito bem e esse é só mais um dos seus livros maravilhosos. Sério, é paixão à primeira página.

O lado feio do amor, por Colleen Hoover

Gosta daquelas histórias de amor sofridas, onde os dois no casal são problemáticos, onde o drama impera e tudo parece sem solução? Esse livro é para você. Lágrimas, lágrimas e mais lágrimas, e ainda assim, é uma história incrível e impossível de parar de ler. Recomendo demais.

A melhor coisa que nunca aconteceu na minha vida, por Laura Tait e Jimmy Rice

Esse é daqueles romances bonitinhos onde dois jovens que já foram um casal se reencontram após anos e decidem ter uma segunda chance. É super leve e divertido. A narrativa, escrita a quatro mãos, é deliciosa.

Amor à segunda vista, por Mhairi McFarlane

Adoro esse livro, detesto essa capa, que conta muito pouco da grandeza desse romance. Também na linha “ex-casais que se reencontram”, esse ainda traz elementos que somam à discussão, como bullying, gordofobia e mais. Bem interessante, brilhantemente construído e mais, extremamente divertido e inspirador.

Beijando horrores, por Tati Lopatiuk

Gosto tanto de chick lit que já escrevi mais de dez, nos mais variados formatos. Mas essa é a minha favorita, porque é a mais recente e, também, porque foi a que mais me diverti escrevendo. E ainda me divirto muito com ela, relendo de vez em quando. É a história de uma garota um pouco atrapalhada que começa em um novo emprego se envolve em uma paixão bem improvável.

Gostou da lista? Espero que ela inspire suas próximas leituras. 🙂

Dica final: mesmo que você não tenha um Kindle é possível ler ebooks pelo app do Kindle no seu celular ou tablet ou pelo próprio site da Amazon, no seu navegador. Esse artigo aqui explica certinho, é bem simples.

Resenhas

Meu 2019 em livros: 58 livros lidos e 2 publicados

The Marvelous Mrs. Maisel (2019)

Bom, eu de fato ainda estou lendo um livro e pretendia ler mais dois até o final do ano, mas o GoodReads mandou o resumo de leituras de 2019, então acredito que é hora de parar.

Que seja.

Em 2019 eu li 58 livros e escrevi/publiquei 2, o que dá um número respeitável que no fim das contas não muda a vida de ninguém – e muito pouco a minha. Falando primeiro dos livros que li em 2019, o GoodReads nos proporciona um belo infográfico com base nas nossas leituras do ano. Infelizmente não tenho todo o conhecimento necessário em tecnologia para trazer esse infográfico para cá, então vamos de improviso.

Em que momento eu li quase 13 mil páginas? O tempo passa rápido quando você está se divertindo, não se pode negar. De todo modo, nessas 12.522 páginas, esses foram os livros lidos por mim em 2019:

Minha meta para 2019 era ler 52 livros, o que daria cerca de um por semana. No fim, acabei lendo 58, um pouco mais, apesar de ter passado por semanas em que não lia nada. Tive períodos em que enjoei de ler e larguei os livros, principalmente quando estava focada em escrever os meus. No entanto, no último trimestre voltei com força total à literatura, o que me ajudou a recuperar o tempo perdido na meta, batê-la e superá-la.

Eu leio principalmente e-book e, a partir do próximo ano, pretendo abolir de vez os livros físicos da minha vida. Para mim já não faz mais sentido uma estante cheia de livros, quero eliminar esse tipo de peso (literal!) na minha casa. E, claro, ler no Kindle ou no app dele no celular, é infinitamente mais prático.

Outra coisa que fiz esse ano foi finalmente cancelar minha assinatura no Kindle Unlimited. Já assinava o serviço há anos e em 2019 percebi que estava lendo dele “por obrigação”, só porque já estava pago. Há tempos não via nada de interessante nas ofertas do serviço e ainda assim só lia de lá para não perder o investimento. O resultado era uma porção de leitura que não me acrescentava nada e me roubava tempo de ler os livros que realmente queria e não estavam na plataforma.

Assim, cancelei o Unlimited e criei uma lista de desejos dos livros que quero ler. Por ali, monitoro diariamente as variações de preço e, quando surge uma oferta, compro o livro, um livro que eu queira mesmo ler.

Tendo dito isso, sem mais delongas, vamos ao…

📚🏆 Prêmio Tati Lopatiuk de livros lidos em 2019 📚🏆

Mais impactante: O espetáculo mais triste da Terra, por Mauro Ventura
Se Não Desisti Foi Por Pouco: Te devo uma, por Sophie Kinsella
Encantador do Início ao Fim: Lendo de cabeça para baixo, por Jo Platt
Aqueceu o Coração: E Se Acontece?, por Melanie Harlow
Ensinou a Viver: Só garotos, por Patti Smith
Desgraçou Minha Cabeça: Você Nasceu Para Isso, por Michelle Sacks
Me Senti Jovem:  Escrito em algum lugar, por Vitor Martins
Apoie seu Artista Local: Nossas Cores, por Adriel Christian
Mulherão da P0rra: As Garotas, por Emma Cline

O Grande Favorito & Mais Amado de 2019:

🌟 Variações Enigma, por André Aciman 🌟

O ano de 2019 foi intenso para o André Aciman, para dizer o mínimo. O autor de “Me Chame Pelo Seu Nome” lançou a tão esperada continuação da trama de Elio e Oliver e o romance, com o título de “Me Encontre” foi… Uma decepção plenamente esquecível, para ser bem educada.

No entanto, Aciman é um romancista incrível. Isso não muda. E em “Variações Enigma“, romance que não tem nada a ver com o arco Elio/Oliver, isso se pode ver com perfeição. Uma experiência sensorial sobre o amor, Aciman consegue se superar a cada página desse livro de 2018. Tudo é doce, real e pungente na narrativa do autor. Seu personagem, Paul, fala diretamente conosco – falando de si mesmo, desnuda o nosso próprio coração.  Foi o melhor livro que li em 2019 e já entrou para os favoritos da vida.

💋🤓 Os meus livros em 2019 💋🤓

Eu comecei 2019 tentando encontrar um caminho para um projeto de 2018. Estava enrolada no desenvolvimento desse que seria meu décimo e último livro. Algumas conversas com a minha melhor amiga, e até uma abordagem no assunto com meu terapeuta, depois, eu consegui encontrar o caminho e finalizar o projeto. Assim, no final de abril publiquei “desaparecer“, uma história com um pé no sobrenatural e o outro no romance.

Depois disso, tinha prometido que não escreveria nunca mais. Mas isso, é claro, não queria dizer nada. Poucos meses, depois comecei a escrever outra história, simplesmente porque a inspiração parecia ser boa demais para ser jogada fora. Me diverti bem mais escrevendo essa trama, sem o peso de ser a última, sem a necessidade de provar nada. Meu compromisso era apenas escrever a história de amor mais farofa que poderia imaginar. E tenho muito orgulho do resultado. “Beijando Horrores” foi publicado em setembro.

Ambos os livros, assim como meus outros cinco romances, estão disponíveis na Amazon. Você pode saber mais sobre todos os meus livros aqui.

💞🤙 E para 2020? 💞🤙

Pois é, não sei. Ainda não saiu a meta literária para o próximo ano no GoodReads, o que ainda me dá um tempo para pensar. Eu imagino que para 2020 eu precise reduzir o ritmo de leitura, por conta de outros projetos pessoais, então no fim a minha meta para o ano deve ser algo entre 12 e 25 livros, mas ainda vou decidir antes de cravar o número final.

Quanto à escrever livros, esse é um plano ainda mais distante. E dessa vez é sério! Eu realmente acho que já escrevi tudo o que podia, e se for fazer algo em 2020, vai ser alguma fanfic super sem compromisso. E ainda, assim, não garanto nada.

Mas a gente vai se falando… E, ah, me encontre no GoodReads! Eu sempre posto por lá resenhas rápidas de todos os livros que leio.

Resenhas

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 12: goals

Um dos meus objetivos para o ano era ler pelo menos 52 livros. Calculei que não escreveria nada para 2019 (que piada, publiquei 2 livros) e assim teria tempo de ler, em média, um livro por semana.

Chegando na reta final de 2019, vejo que consegui, de um jeito ou de outro, cumprir meu goals literário. Já li mais de 40 livros até agora, a se conferir no meu GoodReads (me adiciona lá!) e tudo se encaminha para bater essa meta e ultrapassá-la.

Tendo dito isso, fiz uma lista rápida dos 5 melhores livros que li até agora. Espero que ela seja superada até o final do ano – e, se for, volto aqui para contar.

Importante: quase todos os livros dessa reduzida lista estão de graça na Amazon. Clicando no link embutido no título de cada livro, você é redirecionado direto para a página dele na Amazon, onde pode ler mais sobre a obra e conferir opções de compra.

Os Criadores de Coincidências, por Yoav Blum

Esse é um livro bem doido e bom, sobre jovens que trabalham criando coincidências. As coisas se complicam quando o coração entra em jogo e eles começam a criar coincidências em benefício próprio para que seus relacionamentos aconteçam como eles desejam. Não se preocupe, não é nada piegas, na verdade é bem interessante e divertido. O livro tem menos de 400 páginas e você lê rapidinho, porque é bem cativante mesmo.

E Se Acontece?, por Melanie Harlow e David Romanov

Por definição, livros escritos à quatro mãos sempre me fascinam, sobretudo se não terminam com assassinato mútuo entre os escritores até o final do processo. No caso de E Se Acontece?, aparentemente deu tudo certo, os autores tem até uma seção de comentários finais contando como conseguiram unir seus cérebros para criar essa história. A história do livro, aliás, é muito boa. Não costumo ler sinopse e nem vou escrever uma aqui para você, mas resumindo bem, se trata de um caso de amor bem improvável, quente e bonitinho. A história foi escrita pela Melanie, e o David dava alguns pitacos meio de “consultoria” do meio em que a trama é inserida. O resultado é uma romcom gay nada fantasiosa e super fofa.

Favores vulgares: A história real do homem que matou Gianni Versace, por Maureen Orth

Depois de ver American Crime Story: Versace, eu fiquei um pouco desacreditada do grau de loucura das pessoas envolvidas e fui atrás de entender melhor. Isso me levou a ler o livro que inspirou a série. Embora um pouco datado em sua visão de mundo, Favores Vulgares é um importante documento de sua época, mostrando não só as motivações do homem que matou um dos maiores estilistas da história, mas também como a sociedade (e a família) o adoeceu tanto a ponto de levá-lo a cometer tal crime. Bem interessante. Falei mais sobre esse livro em uma resenha completa aqui.

Escrito em Algum Lugar, por Vitor Martins

Segundo definição própria, Vitor Martins escreve histórias de jovens gays desbravando o mundo enquanto conversam horrores. É isso o que temos nesse conto, que me pegou de jeito contanto a história de dois caras que se conhecem na fila para comprar ingresso do show de uma boy band. O que mais gosto nesse livro é a maneira como o Vitor usa uma história casual para falar sobre pertencimento e sobre como as coisas que amamos nos definem e nos ajudam a encontrar a nossa voz. Me senti extremamente validada e vista.

Variações Enigma, por André Aciman

Do mesmo autor de Me Chame Pelo Seu Nome, esse romance traz a história de um homem comum em busca do amor (como todos nós), fragmentando essa busca em várias histórias curtas que se conectam em diferentes níveis. A delicadeza e a poesia que Aciman usa como motor dessa narrativa é, para mim, o maior trunfo da trama toda. Sabe aqueles autores que conseguem enxergar e traduzir absolutamente todo o impacto sentimental de uma situação? Aciman é assim, e por isso ele é um romancista perfeito.


Por enquanto, esses são os meus favoritos do ano. Vamos ver o que esses poucos meses restantes de 2019 ainda me reservam, literariamente falando.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 01: Ghost

“A Maldição da Residência Hill” é um bom exemplo de produto de entretenimento que mescla fantasmas com ARTE.

Tenho uma história envolvente recheada de misticismo barato envolvendo fantasmas (ou ghosts, no original do nosso desafio).

Sempre fui muito medrosa nesse sentido, ao mesmo tempo em que adorava me embalar na perigosa euforia de ler livros do Stephen King — um autor que tem como principal objetivo borrar as calças do leitor, seja pela mente, seja pelo coração.

Hoje eu vejo que ler tantos (e quase todos) do King (já notaram como parece pedante o autor se chamar REI?) foi o que amaciou os meus nervos para, muito recentemente, lá pelo meio de 2018, eu começar a encarar sem tanto medo os filmes de fantasma. Muito dessa transformação também é crédito do meu amigo pessoal Bruno Frika, que foi me dando o caminho das pedras nesse seara. Sendo um grande entendido dos filmes horripilantes, Frika foi me indicando títulos e assim eu comecei a ver todos, percebendo que não são tão assustadores assim. De fato, estando a situação do país como está, às vezes o filme de medo é a coisa menos assustadoras que você vê no dia, comparado com as notícias no jornal.

Dessa forma, hoje eu posso dizer que o tal do filme de fantasmas é um dos meus gêneros favoritos dentro da indústria cinematográfica. Não obstante, eu continuo sendo uma pessoa que morre de medo de assombração. Tal dualidade entre ser fã e mesmo assim temer aparições de entidades do além dá um gostinho da minha personalidade conflituosa e complexa.

O que me torna tão diferente e tão igual a todos nós.

Processo Criativo

Quando você escreve 10 livros, você precisa se explicar

É cansativa a vida a escritora independente (Imagem: Jane The Virgin / divulgação)

Fica mais fácil se você fizer um infográfico, então eu fiz.

Bom, meninas. Eu já contei essa história aqui diversas vezes e das mais diversas formas, então, pelo menos uma vez na vida, que vai ser agora, vou tentar ser prática: nos últimos cinco anos eu escrevi dez livros.

Livros de 50 páginas, livro de 300 páginas. Trilogias e duologias, histórias que completas formam um arco definitivo, universos que se visitam ou se olham à distância, coexistindo dentro da minha mente e da minha obra.

Como isso começou? Em 2014, com um câncer e o tempo “livre” durante a quimioterapia. Depois, curada, continuei no mesmo embalo da escrita. Foi um bom exercício de escapismo. Rendeu dez histórias, então deve ter sido útil, também, de alguma forma.

Mas sempre que eu vou contar que já escrevi dez livros, me perguntam por onde começar a ler meus trabalhos. Acabei compreendendo que fica mais fácil se eu fizer um gráfico explicando tudo. Então eu fiz.

Escrevi livros de romance, fanfics, histórias sobrenaturais, enredos românticos piegas e também dei voz à homens tristes e bravos tentando lidar consigo mesmos. Falei sobre garotas que querem desaparecer e outras que olhando para o lado acabam por se encontrar. Falei de tudo o que povoou minha mente e coração nesses últimos cinco anos e antes, coloquei nesses livros tudo o que a minha mente imaginativa, carente e carinhosa já imaginou um dia.

Está tudo aí. Eis o mapa:

Se interessou por algum? Estão todos disponíveis em formato digital, alguns até de graça. Basta clicar e começar a ler.

Leia:

Este é o meu mundo todo, que compartilho com você. Depois me conta o que achou. Vou adorar saber o que essas histórias todas causaram em você, e se elas te tocaram de alguma forma.

Agora vamos criar coisas novas.

Resenhas

Resenha: “Favores Vulgares”

Darren Criss como Andrew Cunanan em “American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace” (2018)

O livro sobre a história real do homem que matou Gianni Versace

A jornalista Maureen Orth trabalhava em um perfil sobre Andrew Cunanan, que já havia matado quatro pessoas em um intervalo de doze dias, para a Vanity Fair quando Versace foi assassinado e Cunanan apontado como principal suspeito. Nesse ponto, ela era a pessoa que mais sabia sobre Cunanan, a única que estava realmente atenta a ele, enquanto a polícia de três estados se debatia entre quem era o responsável pela investigação e se “valia a pena” elucidar crimes cometidos por um gay contra outros gays.

Pois é.

Antes de ser publicada, a matéria de Orth foi editada às pressas para incluir o homicídio de Versace, o quinto crime da conta de Cunanan. Até que ele fosse encontrado, morto por suicídio oito dias depois de assassinar o estilista italiano, a jornalista já tinha a base do que se tornaria “Favores Vulgares”. Acrescentada extensa pesquisa sobre a vida de Cunanan e inúmeras entrevistas com conhecidos, familiares e amigos, mais do que um perfil de um serial killer, o livro é um estudo profundo sobre a cena gay nos EUA dos anos 90.

São 400 páginas que retratam como a imprensa, a sociedade e a polícia viam a explosão da AIDS e da cultura gay naqueles dias. Cunanan levou muito tempo para começar a ser caçado principalmente por verem seus crimes como simples “brigas entre gays”, algo como o nosso famoso “briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Havia ainda o medo das famílias em ver seus parentes serem “desonrados” após a morte, tendo sua imagem vinculada a um gay, como ele. E nisso, Cunanan seguiu cruzando fronteiras e matando. Assim, matou dois homens com quem se envolveu (sendo um deles o “amor da sua vida”), matou um homem para roubar seu carro, matou um bilionário que até hoje não se sabe se era seu amante ou pai de seu amante e, por fim, matou Versace — seu grande ídolo, que ele achava que não merecia todo sucesso e dinheiro que tinha, pois tinha vindo “do nada” e era muito menos talentoso que ele, Cunanan.

Produto de sua época, o livro é de 1997, “Favores Vulgares” hoje soa datado e preconceituoso em algumas passagens. Ao buscar entender as motivações de Cunanan, Orth por vezes mergulha em achismos e pré-conceitos baseado apenas no fato do criminoso ser gay ou praticante de BDSM. Seguindo uma linha cronológica, ela tece teorias para o que Cunanan sentia desde a sua infância. No entanto, quando os crimes começam a acontecer, ela deixa de lado os “quem sabe?” e se atém os fatos. Afinal, não tem como saber. O que levou Cunanan a assassinar brutalmente cinco pessoas?

Não temos respostas exatas em “Favores Vulgares”, mas as entrevistas e depoimentos inéditos trazidos por Orth são valiosos para a construção da narrativa (que ficou ainda mais clara na série ACS: Versace, baseada no livro) do que foi a vida de Andrew Cunanan. Uma pessoa que foi levada a acreditar desde cedo que o mundo lhe devia muito, e cuja frustração ao perceber que não era bem assim foi sublimada com drogas, álcool e sexo. E, fatalmente, teve por isso sua vida engolida por um espiral de vício e desamor, deixando crescer dentro de si uma bomba de ódio e rejeição que culminou em uma série de assassinatos, deixando cinco vítimas.

Seis, se formos contar o próprio Cunanan.

Para quem viu a série da FOX, chega a ser assustador descobrir que algumas cenas, diálogos e acontecimentos retratados nas telas realmente aconteceram. A emblemática cena de Cunanan dançando na boate e respondendo que é um serial killer quando um flerte lhe pergunta a profissão. Ele pedindo que um de seus namorados (que posteriormente seria sua primeira vítima) lhe dê presentes que ele mesmo comprou, só para impressionar outro homem em quem Cunanan estava interessado. A delicada e doentia relação com a mãe, os atos desmedidos de proteção do pai. O que vemos na versão televisiva do livro de Orth é bem pouco romantizado e muito próximo do que ela averiguou em sua pesquisa. Em que pese que na TV a linha do tempo da história é mexida para dar mais emoção à narrativa, basicamente tudo o que é mostrado aconteceu mesmo. As mentiras de Cunanan, seus relacionamentos confusos, os delírios de grandeza, a sua degradação gradual. Tudo.

Por esses motivos, ainda que o tema seja pesado, “Favores Vulgares” é uma leitura incrível. A despeito das escorregadas no tom, Orth consegue conduzir muito bem a narrativa, sem entediar e nem se prender demais em detalhes técnicos. Além disso, é um trabalho colossal de pesquisa que merece respeito.

Por fim, e talvez mais importante que tudo isso, se trata de um livro importante no debate da saúde mental. E para entendermos, de uma vez por todas, a cuidarmos do modo como vemos o mundo e o que esperamos dele.


Você pode encontrar o livro “Favores Vulgares“na Amazon, em sua edição em português, por esse link.

Brain Dump*

Como o sentimento vai do coração ao cérebro

Exames de consciência durante uma leitura

Oliver Sacks morreu, então é bom que você procure em outros livros as razões para o seu cérebro funcionar do jeito que funciona. Enquanto terapia ainda não é uma possibilidade, uma saída possível é distrair a cabeça ficando por dentro de casos ainda mais terríveis que o seu, a pobre menina triste por nada.

Estou lendo esse agora, de um neurologista que escreve sobre temas complexos da mente humana usando palavras amenas. De um modo geral, até onde chegou minha leitura, é tudo um emaranhado de conceitos tão subjetivos quanto perder o amor de alguém. É difícil.

Espremendo bastante, você consegue entender. Como eu disse, como perder o amor de alguém.

De tudo, dois casos narrados no livro me chamaram a atenção até o momento. Vou falar deles, do modo como eu os compreendi.

O primeiro caso é do rapaz que perdeu a capacidade de aprender coisas novas. Soa meio desesperador, e realmente é. Esse rapaz sofreu um acidente que deixou sequelas no cérebro. Desse modo, ele agora não aprende nada que lhe é ensinado e nem consegue depreender nada do que acontece com ele. Por exemplo, ele pode baixar um app no celular, mexer e usar em um dia. No outro, já não lembra mais como faz. Ele pode se envolver com alguém, mas não é capaz de conduzir aquela relação, pois não aprende nada sobre a pessoa.

É como se a mente dele tivesse estacionado. Funciona, mas não evolui, posto que não agrega mais o que de novo surge.

Nesse livro a abordagem do estudioso é entender como o que sentimentos é registrado pelo cérebro. Tudo bem você sentir dor, mas como é que você sabe que está sentindo dor? Quando é que tomamos consciência do que sentimos? Quando nosso cérebro reconhece um sentimento? Quer dizer, o sentir por sentir não seria nada, se a gente não pensasse sobre ele. Você pode romancear e dizer que seu coração foi partido, mas como é que seu cérebro sabe que você se magoou tanto?

Então, o neurologista do livro fez um experimento com o rapaz que não aprende. Durante uma semana, fez com que o moço fosse sempre na mesma cafeteria comprar café. Lá, era atendido em dias alternados por três garçons diferentes: um malvado, um bonzinho e um neutro.

Descobriu-se que, mesmo que hostilizado, por não aprender com sua experiência, o moço não era capaz de evitar, por exemplo, no dia seguinte, de ser atendido pelo malvado que lhe atendera de maneira rude no dia anterior. Ele não aprendera que aquela pessoa era cruel, então não aprendera a evitá-la.

Da mesma forma, se notou que ele podia ser atendido eternamente pela pessoa boazinha, sem reconhecer seu carinho, pois não aprendia que ela era capaz de ser melhor para ele do que os outros.

Ao fim da semana de testes, o autor mostrou para o rapaz retratos dos três garçons que lhe atenderam. E pediu que o moço apontasse qual lhe parecia mais confiável, embora o moço não lembrasse dos seus rostos e não lembrasse das interações que trocaram (lembrar também é um aprendizado, perceba).

Mesmo sem ter conhecimento, o moço apontou o garçom bonzinho como aquele que lhe parecia uma pessoa melhor. Ele não lembrava da experiência que tivera com ele, mas de algum modo sentia que aquela pessoa era a mais confiável entre as três. Ele não era capaz de aprender coisas novas, mas de algum modo, em seu coração, ele sabia.

Ele não aprendia nada, no entanto ainda resistia em seu cérebro a capacidade de sentir.

O outro caso era o da mulher incapaz de sentir medo. Dito assim até parece que ela era uma heroína que saía pela madrugada defendendo os cidadãos incautos, eu sei. O ponto, no entanto, era outro.

Essa moça nasceu com uma falha no cérebro que a tornava inapta para reconhecer expressões faciais que demonstravam medo. Ou seja, ela conhecia a dor, a raiva, o amor, a felicidade. Mas se você a encarasse com medo, ela não era capaz de entender, pois não conhecia essa sensação. Nasceu sem ela.

No livro, o neurologista conta que essa moça sofrera muito durante toda a vida, sendo vítima de vários golpes e de pessoas que se aproveitavam de sua “inocência” e “coração aberto”. Por ser como era, a moça se tornara uma pessoa muito expansiva, solta. Ela beijava, conversava, abraçava e interagia com toda e qualquer pessoa que lhe surgisse na frente. Ela confiava em todos. Sem medo, lembra?

Para ela, o medo era um conceito entendível, que já lhe fora explicado diversas vezes. Ainda assim, ela não era capaz de senti-lo. Como você aprende a sentir algo? Isso não existe, não se você não tem esse sentimento dentro de você. Ou você sente ou não sente, não tem como forçar. E assim, a mulher sem medo vivia sua vida de maneira totalmente exposta.

Perigoso, se você for pensar.

No entanto, diz o autor, ela era a pessoa mais feliz que ele já conhecera. Apesar dos prejuízos (materiais e sentimentais) que a falta de medo já haviam lhe causado, ela compensava em alegria o que de ruim acontecera. Mesmo as experiências negativas não eram capazes de prepará-la para o futuro. Ela não podia evitar de se meter em enrascadas, pois o aprendizado não trazia o medo consigo. O medo não existia para ela. E, assim, ela viveu uma vida inteira sem saber os riscos que corria, sem aprender com o que de mau lhe acontecia. E sem sofrer por isso.

São dois casos que me fizeram pensar. Em como o sentimento vai do coração até o cérebro. E do que realmente vale sentir algo, se você não é capaz de compreender esse sentimento. Será que a gente é capaz de compreender tudo o que se passa no nosso coração? Será que sentir ou deixar de sentir algo pode nos levar a uma vida melhor?

Eu não tenho essas respostas. Infelizmente. Sigo lendo, então.


O livro que estou lendo se chama “O Mistério da Consciência”, de António Damásio. Eu ainda não terminei de ler, então é provável que ainda escreva novamente sobre ele, se eu continuar aprendendo algo com a leitura. Você pode encontrar o livro para a venda através deste link.

Resenhas

Leia mulheres: Loredana Frescura e Lindsey Kelk

Photo by Montse Monmo on Unsplash

Com títulos diversificados, Editora Fundamento traz o amor sob a perspectiva de mulheres em diferentes fases da vida.

O amor é tema constante na literatura feminina. E ele aparece nela de várias formas.

Seja com o idealismo romântico comum da adolescência ou sob o viés comedido de alguém já mais maduro, temos sempre na literatura feita por mulheres um bom lugar para encontrar as mais variadas histórias de amor.

Um exemplo desse olhar feminino para o mais nobre dos sentimentos é o romance da italiana Loredana Frescura, “Vejo o Mundo Nos Seus Olhos”.

Lançado no Brasil pela Editora Fundamento, o romance conta a história de uma adolescente descobrindo o amor. Com forte pegada romântica, temos a trajetória de Constância, uma menina apaixonada e sentimental, que vê em seu interesse amoroso algum tipo de perfeição. Algo que logo é derrubado pela realidade, como não poderia deixar de ser.

O primeiro amor é sempre algo impactante, que deixa marcas e define em maior ou menor grau como lidaremos com as relações amorosas no decorrer de nossas vidas. Com seu romance curto e poético, Loredana nos mostra como vemos o amor com muito mais pureza e idealismo no começo de nossas vidas.

Uma característica interessante do livro é que ele é escrito em quatro mãos, junto com o professor italiano Marco Tomatis. Em uma dinâmica muito interessante, Loredana é responsável pelos capítulos narrados pela personagem feminina, e Marco escreve os trechos que trazem o viés do protagonista masculino da história.

Se trata de uma abordagem poética sobre o primeiro amor, em um livro curtinho e delicioso de ler.

Em contraponto aos devaneios adolescentes do primeiro namoro está “Eu Amo Paris”, de Lindsey Kelk.

Terceiro livro da série “Eu Amo” (você pode ver a resenha do livro um aqui e do livro dois aqui), nesse volume nossa heroína Angela desbrava o solo parisiense, enquanto precisa aprender a lidar com um namoro subitamente em crise.

O olhar de Angela para o amor é diferente do de Constância, a protagonista de “Vejo o Mundo Nos Seus Olhos”, é claro. No auge dos seus vinte e poucos anos, depois de passar alguns apuros em seus casos, Angela também amadureceu como personagem.

Em comparação com os livros anteriores da série, as trapalhadas e imprevistos estão ali ainda, sim, mas é possível notar que a personagem de Lindsey Klerk vem em uma crescente de amadurecimento. Desse modo, o que temos nesse Livro 3 é uma trama muito mais coesa e centrada, sem deixar de lado o humor e o improvável que lhe é característico.

Um ponto notável de “Eu Amo Paris”, e da literatura de Lindsey Klerk em geral, é como a trama consegue ser leve e ao mesmo tempo abordar sem frivolidade os questionamentos da personagem. Como uma jovem mulher independente, Angela precisa lidar com questões como ciúmes, rivalidade entre mulheres e os dilemas de morar ou não junto com o namorado. Tudo isso sem perder o bom humor e procurando surtar o mínimo possível — algo que a gente conhece bem.

Assim, seja para relembrar os encantos da descoberta do amor ou para aprender junto a lidar com ele na vida adulta, sempre haverá um livro incrível escrito por uma mulher disposto a te ajudar. ❤


Livros recebidos em parceria pela Editora Fundamento. Você pode adquirir Vejo o Mundo Nos Seus Olhos e Eu Amo Paris através do site da editora.

Resenhas

Leia mulheres: Lindsey Kelk e Kate Atkinson

Photo by Thought Catalog on Unsplash

Títulos da Fundamento trazem autoras falando sobre amor e suspense em livros sequenciais, sempre com muito humor e delicadeza.

Estava lendo aqui os livros que a Fundamento me enviou em cortesia, dois títulos escritos por mulheres, e que integram séries literárias, e parei para pensar: quantas autoras que escrevem séries de livros a gente conhece?

Claro, assim de cabeça o primeiro nome que nos vem é J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter. Um caso de sucesso entre, possivelmente, milhões de tentativas. Escrever livros sequenciais é um desafio enorme. Se já é difícil manter uma história que apresente qualidade e “interessância” constante por 300 páginas, imagine repetir essa fórmula por mais dois ou três livros? Sem dúvida, é um dom que vem para poucos. No caso das escritoras sobre as quais falaremos hoje, esse dom veio com muita propriedade.

Títulos da Fundamento trazem aos holofotes as autoras de livros sequenciais.

Para começar, vamos falar de “Eu ❤ Hollywood”, título de Lindsey Kelk e segunda obra da série “Eu ❤”. Já falamos de Kelk aqui e do quanto a sua trajetória é inspiradora: de ghost writter a talento contratado pela HarperCollins, gigante da literatura feminina.

Em “Eu ❤ Hollywood”, a britânica Kelk novamente brinca com a fantasia feminina de mudar de cidade e mudar completamente de vida. Aqui, nossa heroína Angela Clark se vê tendo que ir para a cidade dos famosos em busca de uma entrevista com um grande galã de cinema.

Deslumbramento, paqueras, uma boa dose de inconsequência e temos todos os ingredientes para uma chick lit perfeita. Para a série “Eu ❤”, Kelk criou a fórmula de sempre levar sua protagonista para uma cidade diferente a cada livro, criando novas aventuras e novos interesses amorosos. Neste segundo livro da saga, a fórmula ainda está fresca e viva em sua ousadia. O livro dois não repete esquemas do um e temos uma aventura realmente diferente para a jornalista Clark. Com muito humor e leveza, como aprendemos ser característica da autora. É uma excelente continuação e não deixa nada a dever para o livro que inicia a série, outra pérola da Fundamento.

Já a inglesa Kate Atkinson empresta outro tipo de verniz aos seus livros seriados. Com forte pegada de suspense e mistério em sua escrita, seus livros são tão populares que o personagem Jackson Brodie, um ex-policial que se tornou investigador particular, acabou virando protagonista de uma série televisiva da BBC de Londres. A escritora já recebeu vários prêmios literários por sua obra e, em 2011, foi agraciada pela rainha Elizabeth II com o título de Membro da Ordem do Império Britânico por serviços prestados à literatura.

Em “Saí Cedo, Levei Meu Cachorro”, único título da autora traduzido para o Brasil, temos Jackson Brodie em mais uma aventura. O romance é o quarto livro da autora a trazer seu consagrado personagem e o faz em uma trama que mistura passado e presente para contar contar uma história que está longe de ter apenas um lado. O livro conta história de três personagens em paralelo: Jackson Brodie, o ex-policial que atualmente trabalha como detetive particular; Hope MacMaster, uma mulher que procura Brodie para descobrir quem são seus pais biológicos; e Carol Braithwaite, uma garota de programa que fora assassinada há mais de 25 anos e teve o caso arquivado por “força maior”. Em uma narrativa onde a brutalidade é vencida pela ternura, a história desses três personagens se conecta para contar essa trama cheia de mistério e, inesperadamente, humor.

Se temos muitas autoras que escrevem livros em série? Acredito que sim e estas são um bom exemplo de como essa arte é preciosa. Lindsey Klerk e Kate Atkinson, cada uma a seu modo, acrescentam doçura e força à literatura mundial, um livro de cada vez.


Livros recebidos em parceria pela Editora Fundamento. Você pode adquirir Eu ❤ Hollywood e Saí Cedo, Levei Meu Cachorro através do site da editora.

Resenhas

Leia mulheres: Dawn French e Anne Holt

Imagem: Dawn French (© Rob Greig) e Anne Holt (Ole Gunnar Onsøien / NTB scanpix)

Títulos da Fundamento mostram a diversidade da literatura feminina

Ainda de carona com as postagens do Dia da Mulher, falo hoje sobre dois livros que li recentemente e mostram o quanto a literatura feminina pode ser diversa.

Tanto na comédia como no suspense policial, gêneros quase que diametralmente opostos, temos aqui bons exemplos de como a literatura feita por mulheres é forte e enriquecedora.

Para começar, temos A Maravilha das Pequenas Coisas, da britânica Dawn French.

French é uma atriz e comediante britânica famosa pelas séries de TV French & Saunders e The Vicar of Dibley. Mas é provável que você a conheça mesmo por sua participação em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, onde ela interpreta a Mulher Gorda, o retrato que guarda a entrada da Torre da Grifinória ou por As Crônicas de Narnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, onde ela fez a Sra Castor.

Com forte veia de comédia, French traz em A Maravilha das Pequenas Coisas uma história hilária, de uma família improvável e comum ao mesmo tempo.

Lançado pela Fundamento recentemente, o livro de French tem o formato inesperado de diário, onde a narrativa de uma família é contada pelo ponto de vista de três de seus membros: a filha adolescente revoltada, o filho que pensa que sabe tudo da vida e a mãe, uma mulher tentando agradar à todos.

Achei esse modo de contar a história muito curioso. Aos poucos vamos nos identificando mais com este ou aquele personagem (eu adorei o filho, um dândi moderno que se considera um Oscar Wilde incompreendido) e nos vemos inseridos na história da família.

A grande graça de A Maravilha das Pequenas Coisas acaba sendo nem tanto as boas tiradas dos personagens, principalmente da mãe, que perdida se vê em uma situação definidora e passa por ela lindamente, mas sim a doçura com que percebemos a figura da família em nossa vida.

Com a mãe, a filha e o filho, cada pequeno mundo desse universo ajuda a formar um todo que enternece quando percebemos que toda família é maluca. E, por isso mesmo, toda família é maravilhosa.

French Dawn sabe como ninguém mostrar toda essa ternura com muito humor e, por fim, nos vemos rindo de passagens do livro que lembram a nós mesmos em nossas histórias com nossos irmãos, irmãs e, principalmente, com nossas mães, que sempre fazem de tudo para nos ver felizes.

Vinda de outra formação e experiência, temos a literatura da norueguesa Anne Holt.

Já falei aqui sobre ela, quando li dois dos seus outros livros lançados pela Fundamento: Números de Azar e Demônio ou Anjo. Grande nome da literatura de suspense, Anne Holt é uma das escritoras de tramas policiais mais bem-sucedidas da Noruega e já teve seus livros editados em 25 países.

Em 1222, seu lançamento mais recente no Brasil, temos a policial Hanne (protagonista também de Números de Azar e Demônio ou Anjo, além de A Deusa Cega) novamente em ação, dessa vez em um cenário totalmente atípico: ilhada na neve a 1222 metros de altitude, após um acidente isolar todos os passageiros, incluindo ela mesma, de um trem em um hotel. Todos precisam ficar ali até que uma impiedosa nevasca chegue ao fim. E, para piorar esse cenário, um assassinato misterioso ocorre no hotel.

Hanne é impelida a resolver o caso, embora seja uma policial já aposentada. E, contra toda a sua relutância, terá que tomar alguma atitude antes que mais crimes ocorram. É interessante observar como a autora soube trabalhar bem com a questão do envelhecimento da personagem. Conhecemos Hanne como uma policial ativa e jovem, em A Deusa Cega, de 1993, e assim a vemos nos livros seguintes da autora, podendo acompanhar a evolução da personagem. Em 1222, ela já é uma senhora de idade avançada, com limitações de mobilidade, mas ainda com a conhecida perspicácia e personalidade forte que a tornaram uma policial renomada.

1222 é, quem sabe, o melhor livro de Anne Holt. A autora parece muito à vontade e totalmente em seu elemento, construindo uma trama de suspense com todos os ingredientes que esse gênero costuma ter, e nem por isso sendo previsível ou tedioso. Pelo contrário, assim como é forte a personagem Hanne, é forte a escrita de Anne, que nos entrega mais um de seus livros incríveis e densos, perfeitos para uma leitura que faz o coração acelerar e o cérebro pensar.

Entre as gargalhadas de Dawn French e os arrepios de Anne Holt, sugiro que fiquemos com as duas. São dois livros que ensinam de maneira diferentes e acrescentam demais. Recomendo fortemente a leitura de ambos!


Livros recebidos em parceria pela Editora Fundamento. Você pode adquirir A Maravilha das Pequenas Coisas e 1222 através do site da editora.