Resenhas

Meu 2019 em livros: 58 livros lidos e 2 publicados

The Marvelous Mrs. Maisel (2019)

Bom, eu de fato ainda estou lendo um livro e pretendia ler mais dois até o final do ano, mas o GoodReads mandou o resumo de leituras de 2019, então acredito que é hora de parar.

Que seja.

Em 2019 eu li 58 livros e escrevi/publiquei 2, o que dá um número respeitável que no fim das contas não muda a vida de ninguém – e muito pouco a minha. Falando primeiro dos livros que li em 2019, o GoodReads nos proporciona um belo infográfico com base nas nossas leituras do ano. Infelizmente não tenho todo o conhecimento necessário em tecnologia para trazer esse infográfico para cá, então vamos de improviso.

Em que momento eu li quase 13 mil páginas? O tempo passa rápido quando você está se divertindo, não se pode negar. De todo modo, nessas 12.522 páginas, esses foram os livros lidos por mim em 2019:

Minha meta para 2019 era ler 52 livros, o que daria cerca de um por semana. No fim, acabei lendo 58, um pouco mais, apesar de ter passado por semanas em que não lia nada. Tive períodos em que enjoei de ler e larguei os livros, principalmente quando estava focada em escrever os meus. No entanto, no último trimestre voltei com força total à literatura, o que me ajudou a recuperar o tempo perdido na meta, batê-la e superá-la.

Eu leio principalmente e-book e, a partir do próximo ano, pretendo abolir de vez os livros físicos da minha vida. Para mim já não faz mais sentido uma estante cheia de livros, quero eliminar esse tipo de peso (literal!) na minha casa. E, claro, ler no Kindle ou no app dele no celular, é infinitamente mais prático.

Outra coisa que fiz esse ano foi finalmente cancelar minha assinatura no Kindle Unlimited. Já assinava o serviço há anos e em 2019 percebi que estava lendo dele “por obrigação”, só porque já estava pago. Há tempos não via nada de interessante nas ofertas do serviço e ainda assim só lia de lá para não perder o investimento. O resultado era uma porção de leitura que não me acrescentava nada e me roubava tempo de ler os livros que realmente queria e não estavam na plataforma.

Assim, cancelei o Unlimited e criei uma lista de desejos dos livros que quero ler. Por ali, monitoro diariamente as variações de preço e, quando surge uma oferta, compro o livro, um livro que eu queira mesmo ler.

Tendo dito isso, sem mais delongas, vamos ao…

📚🏆 Prêmio Tati Lopatiuk de livros lidos em 2019 📚🏆

Mais impactante: O espetáculo mais triste da Terra, por Mauro Ventura
Se Não Desisti Foi Por Pouco: Te devo uma, por Sophie Kinsella
Encantador do Início ao Fim: Lendo de cabeça para baixo, por Jo Platt
Aqueceu o Coração: E Se Acontece?, por Melanie Harlow
Ensinou a Viver: Só garotos, por Patti Smith
Desgraçou Minha Cabeça: Você Nasceu Para Isso, por Michelle Sacks
Me Senti Jovem:  Escrito em algum lugar, por Vitor Martins
Apoie seu Artista Local: Nossas Cores, por Adriel Christian
Mulherão da P0rra: As Garotas, por Emma Cline

O Grande Favorito & Mais Amado de 2019:

🌟 Variações Enigma, por André Aciman 🌟

O ano de 2019 foi intenso para o André Aciman, para dizer o mínimo. O autor de “Me Chame Pelo Seu Nome” lançou a tão esperada continuação da trama de Elio e Oliver e o romance, com o título de “Me Encontre” foi… Uma decepção plenamente esquecível, para ser bem educada.

No entanto, Aciman é um romancista incrível. Isso não muda. E em “Variações Enigma“, romance que não tem nada a ver com o arco Elio/Oliver, isso se pode ver com perfeição. Uma experiência sensorial sobre o amor, Aciman consegue se superar a cada página desse livro de 2018. Tudo é doce, real e pungente na narrativa do autor. Seu personagem, Paul, fala diretamente conosco – falando de si mesmo, desnuda o nosso próprio coração.  Foi o melhor livro que li em 2019 e já entrou para os favoritos da vida.

💋🤓 Os meus livros em 2019 💋🤓

Eu comecei 2019 tentando encontrar um caminho para um projeto de 2018. Estava enrolada no desenvolvimento desse que seria meu décimo e último livro. Algumas conversas com a minha melhor amiga, e até uma abordagem no assunto com meu terapeuta, depois, eu consegui encontrar o caminho e finalizar o projeto. Assim, no final de abril publiquei “desaparecer“, uma história com um pé no sobrenatural e o outro no romance.

Depois disso, tinha prometido que não escreveria nunca mais. Mas isso, é claro, não queria dizer nada. Poucos meses, depois comecei a escrever outra história, simplesmente porque a inspiração parecia ser boa demais para ser jogada fora. Me diverti bem mais escrevendo essa trama, sem o peso de ser a última, sem a necessidade de provar nada. Meu compromisso era apenas escrever a história de amor mais farofa que poderia imaginar. E tenho muito orgulho do resultado. “Beijando Horrores” foi publicado em setembro.

Ambos os livros, assim como meus outros cinco romances, estão disponíveis na Amazon. Você pode saber mais sobre todos os meus livros aqui.

💞🤙 E para 2020? 💞🤙

Pois é, não sei. Ainda não saiu a meta literária para o próximo ano no GoodReads, o que ainda me dá um tempo para pensar. Eu imagino que para 2020 eu precise reduzir o ritmo de leitura, por conta de outros projetos pessoais, então no fim a minha meta para o ano deve ser algo entre 12 e 25 livros, mas ainda vou decidir antes de cravar o número final.

Quanto à escrever livros, esse é um plano ainda mais distante. E dessa vez é sério! Eu realmente acho que já escrevi tudo o que podia, e se for fazer algo em 2020, vai ser alguma fanfic super sem compromisso. E ainda, assim, não garanto nada.

Mas a gente vai se falando… E, ah, me encontre no GoodReads! Eu sempre posto por lá resenhas rápidas de todos os livros que leio.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 04: Loneliness

Sei pouca coisa sobre a solidão além de que ela só é boa quando acontece por opção própria. Muito se fala sobre curtir a própria companhia e ver valor em fazer tudo sozinho, no entanto para mim essa só é uma alternativa que pode ser encarada como totalmente saudável se ela não é a única que você tem.

Tenho noção do quanto dói estar sozinho. Às vezes, é preferível estar longe de si mesmo do que sendo sua única companhia. Não tenho muita vivência sobre isso, entretanto. Não que eu seja uma pessoa sempre cercada de gente ao meu redor. A questão é que tenho poucas pessoas na minha vida e tenho a sorte de tê-las sempre presentes de alguma forma. De modo que solidão é algo que pouco experimentei no meu cotidiano.

E como o que não vivo, escrevo – como dizia o poeta -, lembrei agora que tenho um livro todinho sobre uma moça que vive o suprasumo da solidão. Se chama Despertar, como você pode ver na imagem da capa, que leva direto para o livro na Amazon.

Despertar conta a história de Luíza, uma menina super solitária que mora em São Paulo e tem uma rotina mega pacata, até desenvolver um crush no metrô e ter com essa situação inesperada várias mudanças no meu modo de encarar a vida.

Quando escrevi esse livro, não tinha muito em mente além da vontade de contar uma história sobre alguém que “desperta para a vida” através do amor. Eu nem me pretendia soar tão melancólica assim, mas escrevendo você chega a lugares que muitas vezes não eram o destino final a princípio.

Gosto bastante dessa história, por mais suspeito que dizer isso soe, porque mostra a solidão de uma maneira quase poética, com uma boa perspectiva. Luiza não é infeliz por ser solitária, no entanto ela sabe que poderia ser mais feliz se essa realidade mudasse. A chave está, então, em entender isso e buscar uma mudança que caiba no que ela precisa sem mudar a essência de quem ela é.

E no fim, eu acho que é isso. A solidão não é um problema, se ela for a sua escolha. Se o caso não for esse, é importante buscar outras saídas. Você não precisa mudar sua vida por completo, apenas ajustar aqui e ali, até se sentir bem como gostaria de se sentir.

Processo Criativo

Escreva um livro, assista a TV, tanto faz: tudo é escapismo pop e romântico

A segunda temporada de Elite chegou com os dois pés no peito do fã. Still a better love story than Twilight, a novelinha espanhola tem em sua cafonice e dramas desmedidos o trunfo inesperado que conquista pelo coração mesmo o streamer (fiquei em dúvida sobre usar a palavra “telespectador”, um termo hoje tão raso quanto chamar uma pessoa com celular de “datilógrafo”) mais resistente.

Gosto dessa série porque ela é como se Gossip Girl fosse feita com vontade, o que sabemos que não foi. Os crimes, o sexo, a beleza inatingível de todo (eu disse todo) o elenco, os looks, e, ah, o fato de ser em espanhol. Toda vez que a Lucrécia(!) chama alguém de cariño eu desisto de ser ruim com os outros. Toda vez que o Ander beija o Omar eu penso, bom, quem sabe (eu disse quem sabe) o mundo tenha salvação.

Nessa nova temporada, os conflitos se intensificam e extrapolam de um jeito absurdo. A tensão acerca do crime misterioso da vez só não é maior do que a que ronda absolutamente todos os relacionamentos da trama. Até o sonso do Samu, o nosso Ted Mosby latino, consegue ter alguma expressividade. E quem rouba a cena, mais uma vez, é Lucrécia, que precisa provar sua esperteza incontáveis vezes, enquanto, um a um, todos que ela ama a traem pelas costas de algum jeito.

Não me peça para falar de Guzman, eu choro.

Assistindo a essa novelinha, eu me senti mais segura sobre estar no caminho certo com meu novo livro, esse que lancei essa semana. Eu estava finalizando a escrita dele quando a S2 de Elite chegou. Estava bem desmotivada de tudo, como qualquer autor independente sempre está, e os dissabores vivenciados pelos personagens da série me deram força para viver. Não tem jeito, mesmo a história mais cafona precisa ser contada. Só existe um modo de fazê-lo, que é o seu.

No entanto, eu insisto, é cansativo demais fazer todo o trabalho sozinha. Chegando ao meu livro de número onze (insira aqui o gif do JVN dizendo can you believe?), eu me vejo em um ponto onde não tenho mais para onde ir. É como uma droga na qual você é viciado há tanto tempo que não tem mais a opção de tentar parar. Dizendo isso até parece algo muito inspirador ou mesmo pedante. Me acredite, não é nenhum dos dois.

Quando lancei meu décimo livro, prometi que seria o último. Infelizmente, não consigo parar de ter ideias e não consigo parar de escrevê-las. Gostaria de não tê-las mais, e poder dedicar minha energia a outras coisas, como bordado ou artesanato em gesso, por exemplo. Tais atividades não tem uma comunidade ao seu redor que sempre é mais talentosa e bem-sucedida que você, eu acho. Escrever um livro e soltá-lo no mundo, fazendo dele o instrumento mais frágil pelo qual você luta por aceitação é de um sangue frio que eu nunca imaginei que teria. Já fiz isso dez vezes. O meu coração hoje é um pandeiro surrado.

Ainda assim, fiz isso mais uma vez.

Beijando Horrores, o meu décimo primeiro livro, lançado essa semana, é mais uma tentativa de me fazer ser ouvida. Escrever histórias é necessário. Se não para todos, é para mim. Estava quieta no meu canto quando, vítima de mais uma inspiração insuportável e pouco prática, em menos de três meses escrevi a história exata que eu estava precisando ler. Romance, pegação, humor, tudo em uma narrativa simples e rápida, feita para desanuviar a cabeça mesmo.

Não sei se o mundo precisa ler esse livro, mas eu precisava escrevê-lo. Quem sabe meu único compromisso seja esse: comigo mesma. De fato, escrevendo Beijando Horrores, você nota já pelo nome do livro, o meu único compromisso era terminar cada capítulo me sentindo feliz horrores comigo mesma.

Isso eu consegui. Foi assim que comecei e foi assim que conclui essa história. Divertimento puro em um tempo em que nada nos é mais caro do que conseguir terminar o dia sorrindo. Curar o mundo está se tornando uma tarefa progressivamente mais difícil, não conseguimos curar nem a nós mesmos. Da minha parte, fiz o que sei e o que posso: inventei uma história. Caprichei no romance. Coloquei algumas piadinhas. Acreditei, eu quis acreditar, que essa história poderia ser divertida e útil para alguém. Assim como foi para mim criá-la.

Tem uns produtos pop que a gente consome e nos impactam de maneira perene. Mesmo hoje sendo tudo tão descartável e feito para consumo imediato, algumas histórias ficam ecoando na nossa mente por dias, semanas, meses ou até anos. Eu ainda lembro do quanto Call Me By Your Name mexeu comigo. O romance de Jim e Pam, em The Office, foi meu alimento dia e noite por um bom tempo.

Às vezes, no limiar de uma crise existencial causada pela nossa vida a cada dia mais dolorosa, é uma cena boba que nos salva. Seja na TV, na música ou nos livros.

Escapismo pop e romantismo é a minha receita para salvar o mundo. E eu só posso salvar o mundo lá fora começando pelo meu aqui dentro. Cansada de tudo, escrevi mais um livro. Feito Guzman, chorando feito um imbecil por nada, os dentes grandes que mal cabem na boca, eu fiz um escândalo dentro de mim e transformei em uma história de incríveis 261 páginas. Submeti essa história em um concurso. Dormi menos e me alimentei pior, perdi o foco, não foquei em mais nada.

Agora está aí. Se você precisar dela, está aqui. Disponível na Amazon, tendo seu valor por conta do seu preço. Esperando que te atinja com os dois pés no peito, como sabemos que você precisa.

Se não a cultura pop, o que mais faria isso por você? Carboidratos?

Brain Dump*

Messi e Suárez em Ibiza: todo mundo aqui vai sofrer

Falar sobre a origem do meu ship #Messuárez ou do trabalho jornalístico que tenho feito no decorrer dos últimos anos cobrindo essa perigosa amizade seria como falar da origem do mundo, Big Bang e a extinção dos dinossauros: é tudo muito antigo e confuso, não vale a pena.

O jovem hoje só quer saber do agora.

Vindo desse contexto histórico preguiçoso e apressado (diria “dinâmico”, vendo pelo lado positivo), é com um fervoroso ataque de pelanca emocional que recebemos cada nova atualização dessa duplinha. A última da vez: de férias em Ibiza, Messi e Suárez estavam (já acabou a folga) vivendo o sonho (“living the dream”, no original), indo a festivais de música, descansando à tarde na piscina, esquecendo de passar protetor solar e esticando seus corpos atléticos no chão forrado de toalha – mas ainda super quente – de embarcações de luxo onde tudo é de graça porque já foi pago muito antes.

Como qualquer casal com dinheiro o suficiente para não precisar se esconder, mas sabendo que o mistério é bom para apimentar a relação, Messi e Suárez têm um calendário fixo de maneiras gostosas para aproveitar cada momentinho de folga.

Esses homens dão a vida por suas carreiras profissionais, a reforma trabalhista só aleja o pobre, eles podem e vão curtir cada benefício que seus salários astronômicos proporciona.

Sonhos gelados em 2016

Quando esfria eles vão para a Disney, o que parece correto e até mesmo óbvio. Quem não gostaria de ter seu amor abençoado pelo Mickey? Dizem que do alto de alguns castelos de princesa é onde finalmente podemos ser nós mesmos.

Quando a vida parece muito cinza, eles colocam seus matching shortinhos e viajam o mundo em busca de um lugar ao Sol em qualquer ponto do planeta que tenha hotéis child friendly. Até ontem(!), o meu momento favorito desses dias idílicos era a temporada de verão de 2017, quando eles passaram uns dias no iate do Fábregas e ressignificaram o short Adidas como arapuca do desejo.

Qual o comprimento do seu short Adidas, leitor? Cabe a reflexão após essas fotos.

Foram momentos bacanas de muito corpo à mostra e risadas sem ter fim. Eu também sempre me espanto com a popularidade dos chinelos Havaianas ao redor do mundo, apesar de que o ponto do texto não é esse.

No entanto, apesar de todo o carisma dessas lembranças, a temporada 2019 das férias #Messuárez veio com tudo e quebrou paradigmas – e também alguns copos, acho.

Em Ibiza até ontem, nossos garotos tiveram momentos que foram TUDO, como o tal festival de música onde vimos Messi dançando e sendo bobo com a Anto, além de memoráveis vídeos sigilosos de Suárez e Messi conversando enquanto todos dançavam (perdi o link, mas teve isso).

Os beijos ficam para depois, às escondidas.

Fez um sucesso absurdo também a coisa da briga na boate. Assumindo uma nova faceta em sua taciturna personalidade (será crise de meia-idade?) (hoje a crise é a cada dez anos, li num livro), Messi deu uma de troublemaker e reagiu com perplexidade e mutismo (classic messi) quando em uma casa noturna uns barriga de cavalo aleatórios vieram puxar briga. Com seu bbzinho Suárez por perto e Anto sempre de radar ligado, Messi saiu de lá escoltado por seguranças. Como todo acontecimento histórico, a notícia fez a população refletir. No caso, a reflexão foi: nossa, quem iria querer brigar com o Messi, ele é tão bonzinho!

Por favor, não confunda bottom com bonzinho.

Esse é um erro que muitos cometem.

De modos que essa temporada 2019 foi muito emocionante e intensa, nos mais variados sentidos (vou deixar assim porque não sei apontar mais de um). Como biógrafa do casal, me sinto feliz em ter esse conteúdo sendo produzido. Ontem a cereja do bolo foi mesmo a foto dos dois juntos no iate, publicada primeiro no perfil do Suárez e depois no perfil do Messi (eles sempre fazem isso).

Vou colocar a foto aqui de novo, porque eu quero e porque ela tem várias questões que trataremos logo a seguir.

ai papai

Honestamente, é algo intrigante como o Messi pode usar shorts tão curtinhos sendo que, dizem, ele guarda um segredo tão grande. Mas esse é um problema de logística que eu deixo para vocês elucidarem sozinhos em seus momentos de folga, quem sabe no ônibus voltando do trabalho ou em casa enquanto preparam o miojo.

Outra questão é como o Suárez sempre emagrece rapidinho quando quer – e ele só não quer quando o Barcelona exige. Voltando hoje para os treinos, já temos fotos do jogador fininho e bronzeado se exercitando. Aos colega de trabalho, ele segredou: mano, e o messi que quase levou uma na orelha na balada esse final de semana? kk

Quer dizer, eu acho que ele fez isso. Mas eu sou ficcionista.

E assim encerramos a temporada de férias! Infelizmente, a menos que você seja herdeiro, nem todo o dinheiro do mundo vai evitar que você precise trabalhar em algum momento. Por isso, agora guardamos essas memórias em nossos corações e seguimos em frente para temporada 19/20 do futebol espanhol, que promete ser uma bosta como sempre é.

Alegria!

Em tempo: ainda não tive notícia se o Messi já voltou para Barcelona. O último post dele até o momento é dessa foto dos dois juntos esquentando as costas no piso quente, o que é até melancólico, um réquiem de bons momentos e também a confirmação de uma mensagem implícita: esse é o homem da minha vida e é por ele que eu sigo aqui.

Mas eu sou ficcionista.


Leia minha trilogia “O Evangelho de Leo Messi” gratuitamente no Wattpad e fique por dentro de toda a trajetória amorosa do casal #Messuárez. Baseado em fatos reais (sou ficcionista).

Processo Criativo

Quando você escreve 10 livros, você precisa se explicar

É cansativa a vida a escritora independente (Imagem: Jane The Virgin / divulgação)

Fica mais fácil se você fizer um infográfico, então eu fiz.

Bom, meninas. Eu já contei essa história aqui diversas vezes e das mais diversas formas, então, pelo menos uma vez na vida, que vai ser agora, vou tentar ser prática: nos últimos cinco anos eu escrevi dez livros.

Livros de 50 páginas, livro de 300 páginas. Trilogias e duologias, histórias que completas formam um arco definitivo, universos que se visitam ou se olham à distância, coexistindo dentro da minha mente e da minha obra.

Como isso começou? Em 2014, com um câncer e o tempo “livre” durante a quimioterapia. Depois, curada, continuei no mesmo embalo da escrita. Foi um bom exercício de escapismo. Rendeu dez histórias, então deve ter sido útil, também, de alguma forma.

Mas sempre que eu vou contar que já escrevi dez livros, me perguntam por onde começar a ler meus trabalhos. Acabei compreendendo que fica mais fácil se eu fizer um gráfico explicando tudo. Então eu fiz.

Escrevi livros de romance, fanfics, histórias sobrenaturais, enredos românticos piegas e também dei voz à homens tristes e bravos tentando lidar consigo mesmos. Falei sobre garotas que querem desaparecer e outras que olhando para o lado acabam por se encontrar. Falei de tudo o que povoou minha mente e coração nesses últimos cinco anos e antes, coloquei nesses livros tudo o que a minha mente imaginativa, carente e carinhosa já imaginou um dia.

Está tudo aí. Eis o mapa:

Se interessou por algum? Estão todos disponíveis em formato digital, alguns até de graça. Basta clicar e começar a ler.

Leia:

Este é o meu mundo todo, que compartilho com você. Depois me conta o que achou. Vou adorar saber o que essas histórias todas causaram em você, e se elas te tocaram de alguma forma.

Agora vamos criar coisas novas.

Processo Criativo

Como eu publiquei 3 livros de uma só vez

Photo by Thought Catalog on Unsplash

Não parece fácil e realmente não é — mas também não é impossível

Tem essa história que eu sempre conto de como sempre escrevi sobre tudo, mas não escrevia ficção porque tinha vergonha (!) de escrever diálogos. Aí meu marido me disse que isso era a única coisa que me impedia de criar coisas maiores, o que era uma grande besteira. Então, eu simplesmente parei com essa bobagem de ter vergonha e comecei a escrever romances, histórias de ficção.

Incrível como as suas maiores limitações geralmente são apenas coisas da sua cabeça. Difícil mudar isso, mas tendo essa noção, o caminho da mudança fica muito mais suave.

O primeiro livro que escrevi na vida se chama All Across The World. Ele foi um trabalho bruto e brutal, quase físico, já que, enquanto o escrevia, eu estava em tratamento de quimioterapia de um câncer de intestino. De certa forma, escrever era um alívio no meio da realidade dura que eu vivia então. Ele foi publicado no Wattpad e eu escrevia um capítulo e já publicava, uma clara atitude de quem está louca de remédios. A revisão era pífia, o planejamento era inexistente. Eu queria apenas escrever enquanto estava viva.

All Across The World gerou entrevistas para portais de notícias, um fandom (que resiste bravamente até hoje), mais de 18 mil visualizações no Wattpad e duas continuações: uma direta, que saiu como All Across The World 2 e um tipo de spin off, intitulado Perto.

São romances novelescos, chick lit sem medo de ser piegas. Moça encontra rapaz. Tem muito do meu coração ali, bastante erros de principiante e etc, mas o mais importante é que esses livros carregam a minha verdade mais profunda: a certeza de que para escrever um livro você não precisa ser o Bukowski ou a Ferrante. Você não precisa ter tudo pronto. Não precisa saber de tudo ou fazer milhões de cursos para te dar alguma confiança.

Você só precisa começar. Ter uma ideia e trabalhar por ela.

Pode ser que leve anos, mas você consegue.

Essas são as primeiras capas de AATW, meu primeiro livro. A primeira, claramente feita no paint por mim. A outra foi feita depois, pelo Tico. ❤

Nesse ponto, preciso esclarecer que All Across The World surgiu como uma fanfic do Daniel Johns, ex-líder da silverchair e atual artista andrógino do pop eletrônico (Jesus!). Eu me inspirei muito nele nos meus dias de doença porque ele cantou muito sobre seus problemas de saúde (artrite, anorexia, depressão) e ele, tipo, SOBREVIVEU. Eu também queria sobreviver.

Então, inventei Nicky, essa moça paulistana que conhece um cara misterioso e se apaixona por ele, até que um dia… Nada de novo, mas para mim era um mundo sendo descoberto. E consegui imprimir a minha marca ali, criando uma história cativante, divertida e adorável (isso foi o que me contaram).

Capas originais do livro dois. Mais uma vez, a primeira capa eu fiz no paint. Anos depois, o Tico faria essa nova para mim. ❤

O segundo livro surgiu logo em seguida, continuando aquela história. Nicky estava de volta com aventuras ainda mais loucas. Criei algumas tramas paralelas para dar sustentação e, nisso, um personagem que tinha surgido apenas para criar um conflito acabou crescendo muito. Com o final do livro dois, achei que ele merecia um desfecho só dele. Foi aí que surgiu “Perto”.

Capa original de Perto. Essa eu não importunei o Tico e fiz no PicMonkey!

“Perto” foi importante para mim como escritora porque foi o primeiro romance “não-fanfic” que escrevi. Aqui eu já estava um pouco mais experiente — e não estava mais doente — então pude trabalhar um pouco mais a minha ideia, escrever com mais calma e desenvolver melhor os personagens e a minha escrita.

Todos esses três livros foram publicados no Wattpad em menos de dois anos. Como eu disse, eu tinha muita pressa em estar viva.

Eu ainda escreveria mais dois contos (“Invisível” e “Malvarrosa”) no Wattpad, até criar coragem de começar a publicar na Amazon.

Então, fiz o caminho inverso, fui do fim para o começo: peguei esses dois últimos contos e levei para lá como teste. Deu certo, escrevi um terceiro (sexto?) livro, este inédito, Despertar, e publiquei direto na Amazon.

Tendo passado quase quatro anos, com esses seis livros escritos (e mais uma curta fanfic #NeyMessi, pois uma vez fanfiqueira, sempre fanfiqueira!), eu sentia que estava na hora de criar uma história totalmente nova. Quem sabe até uma trama que não fosse uma história de amor, algo totalmente diferente do que já fiz, sabe?

Porém, eu sentia também que faltava alguma unidade na minha obra, porque essa trilogia de AATW estava jogada no Wattpad e os outros livros estavam bonitinhos na Amazon. Parecia que algo estava fora do lugar, incompleto e injusto.

Foi quando me dei conta de que para andar para frente, eu precisaria parar um pouco e dar uma boa olhada para trás. Antes de seguir naquele turbilhão de um novo romance, precisava parar e deixar a casa arrumada. A solução me veio com clareza: eu teria que trilhar o caminho das pedras novamente, pegar aqueles primeiros livros e revisá-los adequadamente para levá-los para a Amazon e deixar minha bibliografia unificada.

Escrever um livro é difícil, reescrever é infinitamente pior. Em agosto de 2017 eu comecei esse processo, que fez com que eu me odiasse, risse de mim, sentisse orgulho e vontade de morrer, tudo ao mesmo tempo.

Em um primeiro momento, a principal preocupação da revisão era tirar o verniz de fanfic da história, então eu mudei nomes de alguns dos personagens e adaptei características que os tornavam caricatos nesse sentido.

Depois, tratei de tirar algumas referências que já soavam datadas, além de, é claro, corrigir enganos e até alguns erros de digitação. Por último, tentei ver o livro como um todo (algo inédito no caso dos dois primeiros, que foram escritos capítulo a capítulo) e tornar a história mais coesa. Foi o momento de tomar a história novamente pelas mãos e ver o que podia mudar, o que tinha que ser cortado.

Nisso muita coisa mudou e foi eliminada, porque quando você escreve um capítulo por semana (e as pessoas esperam a semana toda por esse capítulo), você acaba fazendo-o mais extenso do que deveria, para “durar mais” para o leitor. Em um livro único, essas partes a mais precisavam ser enxugadas, em prol de tornar o livro mais dinâmico. Os capítulos também precisavam ser menores, para dar ao leitor a sensação de que ele leu mais rápido (sim, tem isso), então houve essa reestruturação também.

Para além desses aspectos práticos, foi também um tremendo exercício de olhar para a minha escrita, ver o quanto eu tinha mudado, o que eu pensava de início e como poderia seguir adiante depois de tudo isso. Foi um processo muito trabalhoso, intenso de sentimentos, mas valeu a pena porque eu queria isso. Eu quero isso, então não desistiria jamais.

Ainda pensando na necessidade de desvincular da fanfic (“All Across The World” é o nome de uma música da silverchair), eu precisava de um título novo para os dois primeiros livros da série — “Perto” seguiria sendo “Perto”. Isso é um assunto muito delicado, mudar o título de um livro é como tirar a toalha de uma mesa posta. Conversando com o fandom, chegamos juntas a um novo nome, que condizia com a história e com o meu alinhamento como escritora: Encantamento. Uma palavra só, como em todos os meus livros posteriores. Uma palavra forte e bonita, como a história que ela agora passaria a dar nome.

Meus amigos Tico & Jules mais uma vez entraram em ação e produziram novas capas, tão lindas quanto ver um sonho se realizar com o suor do seu trabalho.

E então, passados quatro anos desde a primeira página escrita e oito meses desde o começo da revisão mais terapêutica que já fiz na vida, eu tinha meus primeiros três livros prontos para serem publicados na Amazon e ganharem o mundo (sendo o mundo tão vasto quanto um Kindle pode dizer).

É com muito orgulho que os apresento agora para você.

Encantamento 1, Encantamento 2 e Perto. Mais uma vez, capas do mais do que talentoso Tico.

Orbitando em missões espaciais pelos confins do universo, astronautas podem ver mesmo da Lua que eu sou a pessoa mais feliz deste planeta. Ao meu lado, meu marido pode ver o quanto estou feliz. Julie, minha melhor amiga, tem recebido incontáveis áudios meus onde eu apenas grito, com uma calma que não tenho, um infinito “aaaaaaaaaaaaaaa” febril e entusiasmado.

Essa é a minha maior realização. E, ao mesmo tempo, é só a primeira.

Com o lançamento desses três livros, encerro um ciclo. Essa foi a minha primeira “era” como escritora. Foram as minhas primeiras experimentações, a época de dar a cara a tapa.

E o que eu aprendi? Escrever não é fácil, mas você precisa tentar. Publicar não é impossível, mas você precisa correr atrás. Seus amigos de verdade continuarão ao seu lado mesmo você só tendo um assunto por quatro anos seguidos. Todo trabalho vale o esforço quando chega ao final.

Escrever pode curar sua alma ao estraçalhar ela todinha. E vai ser bom para você.

Por último? Ah, sim. Eu aprendi que escrever diálogos não é nenhum bicho de sete cabeças. Aliás, hoje eu até escrevo contos inteiros só de diálogos!

Com esses seis livros na rua, eu volto para dentro de casa. E recomeço a criar. Limpo a estante dessas velhas ideias e personagens que me acompanharam por tantos anos e abro espaço para o novo. Dou a vocês essas histórias, para que as conheçam ou as revisitem.

É tudo lindo e maravilhoso, tudo feito com um amor que sempre tive e uma coragem que eu nem sabia que tinha.

Obrigada a todos que estiveram comigo nessa jornada.

Alex, Julie, Tico, Carol e Daniel Johns (poxa, lógico): eu não conseguiria sem vocês.

Aguardem novas histórias. E curtam muito essas, enquanto isso.


Encantamento 1, Encantamento 2, Perto, Invisível, Malvarrosa e Despertar. Você pode encontrar todos os meus livros à venda em formato digital na Amazon. Já Amor em Jogo, a minha fanfic #NeyMessi, você lê gratuitamente no Wattpad.

Estou produzindo meu oitavo livro, ainda com o título provisório de “A Mulher Que Todo Dia Desaparecia”. Não prometo data, mas a intenção é publicar ainda este ano pela Amazon.

Processo Criativo

Exercitando a escrita: sem medo do mudar um pouquinho os rumos

Imagem: Death to Stock

Ou como escrevi uma história de 11 mil palavras em 20 dias

Trabalhando de casa há quase três meses, percebo a minha criatividade brotar nos momentos mais inesperados. E percebo também que já não tenho mais tanto medo dela, deixo as ideias chegarem e tento tratar de resolver o conflito de “escrevo ou não escrevo?” o quanto antes e da maneira mais prática possível: escrevendo. Não tem jeito, o único jeito de fazer é fazendo.

Eu estava no meu horário de almoço, assistindo na TV a um jogo do Barcelona do dia anterior. Macarrão e carne moída escorriam com o calor (guardem essa frase), quando a câmera deu um close no rosto do Messi. O jogador argentino parecia triste com algo que não podíamos adivinhar, mas parecia vir de fora das quatro linhas. Eu pensei:

Cara, o Messi deve estar triste demais sem o Neymar.

No dia seguinte, eu já tinha 500 palavras de uma fanfic sobre a saída do Neymar para o PSG e como isso afetou sua relação com o Messi. Eu não queria escrever uma fanfic naquele momento. Eu não queria escrever nada. Tentei por 24 horas fugir de escrever essa história. Eu tenho mais o que fazer e, além do mais, quem é que precisa de uma fanfic em pleno 2017? E, no entanto, lá estava eu, empolgadíssima com pesquisa, ideias de estrutura para o livro e onde poderia hospedá-lo.

Messi e Neymar. Só de pensar dá um pouquinho de vergonha. Mas, caramba, a ideia era tão boa! Pensando com cinismo, tudo isso é um pouco ridículo. A coisa é que eu não conseguia parar de pensar nessa ideia. Tentei negociar. Escrever aquela história me era irresistível e eu podia resolver rapidinho, contanto que começasse logo. Então, fiz um acordo comigo mesma de terminar com isso de uma vez, tirar aquela ideia da frente para poder voltar para a outras em que já estava trabalhando.

Estou desde o começo do ano revisando livros que escrevi de 2014 em diante. Atualmente na revisão do quinto livro (são seis) e quase terminando, me vi em um ponto em que já estava saturada. Ainda amo aqueles personagens e suas histórias, mas sinto que já tive o tanto deles que era bom. Meu senso de continuidade (existe isso?) me cobra, diz que não posso deixar esse trabalho sem conclusão, preciso terminar essa revisão, colocar tudo no ar e aí seguir em frente. A grande questão é que pode acabar se tornando desmotivador confrontar diariamente uma escrita de quase cinco anos atrás. Embora eu ainda me reconheça nela, mudei muito meu modo de pensar uma história, e muitos vícios de escrita que eu tinha quando comecei me incomodam hoje. Olhando com objetividade o que escrevi nos meus primeiros livros, consigo enxergar todas as minhas intenções por trás de cada linha e ainda que esteja meu coração ali, nem de longe aquela escrita representa como eu escreveria um livro agora.

Então, durante a revisão dos livros, sempre me vinha um pensamento: “eu não escreveria assim hoje”. E de tanto pensar, se tornou uma provocação. Como você escreveria, então? Após aquelas primeiras 500 palavras, percebi com surpresa e muita alegria que a ideia da fanfic #NeyMessi era uma alternativa rápida de provar para mim mesma que meu caminho mudou. E isso me motivaria a voltar para a revisão com mais confiança assim que terminasse essa história em particular.

Comecei no dia 05 de novembro e terminei no dia 25 do mesmo mês. Foram quase doze mil palavras. Nesses 20 dias de intensivão de escrita, me diverti horrores, me atormentei entre me considerar um gênio e um lixo, e me realizei ao ver que posso escrever sobre o que eu quiser. Veja, não é que eu saiba escrever sobre o que eu quiser. Mas eu posso. Não preciso me justificar ou esperar aprovação alheia. Não preciso nem mesmo fazer sentido. Eu faço isso por mim e posso fazer o que eu quiser.

Rápido como começou, o desafio terminou. Hoje o livro está sendo lançado e está do jeito que eu queria que ele fosse, sem tirar nem pôr. E estou feliz demais por ter me permitido seguir em frente com essa ideia, mesmo que a princípio ela parecesse tão fora do que eu podia ou precisava.

Aprendi duas coisas ao escrever esse livro: um livro nunca é sobre o que você acha que é. E você só vai descobrir sobre o que é o seu livro escrevendo-o. Não tem como ficar divagando, imaginando, pensando como seria. Essa ideia vai te assombrar pelo resto da vida e te deixar empacado nela. Escreva logo a porcaria do livro, do artigo, do conto, do textão. Escreva logo e ao invés de ter uma grande e nebulosa ideia na gaveta, tenha dezenas de pequenas grandes ideias espalhadas por aí que postas em prática te prepararão para a Grande Ideia Definitiva que ainda chegará. Não se esqueça que escrever é um exercício no qual você fica melhor com a prática. E não tem como escrever dez livros sem escrever primeiro um.

(se bem que eu acho que essa Grande Ideia Definitiva nunca chega, porque quando ela parece vir, você já quer outra coisa, veja o meu caso, desesperada com cada nova ideia que tenho).

PS: Ah, sim. O livro está disponível completo gratuitamente no Wattpad. Macarrão e carne moída escorriam com o calor é uma das frases do capítulo inicial dele. Achei que merecia essa piada interna, depois de tanta loucura. 🙂

Processo Criativo

Capítulo Trinta e Quatro

Imagem: Death to Stock

Muito perto do fim

“E quem sou eu nesse cenário? A boa menina que vivia entre livros, sem ambição alguma. Agora, mais perto dos trinta que dos vinte, eu tenho o mundo em minhas mãos. Em três anos viajei e trabalhei mais do que na minha vida inteira. Me tornei alguém mais forte e mais esperta. Daniel surgiu para mudar minha vida por completo, me ensinou praticamente tudo o que sei hoje. Me deu a malícia e a ambição. Me tirou de onde eu estava e me deu algo no que investir: eu mesma. Mas me soltando no mundo me prendeu a ele. E agora já não sei se consigo me soltar: por amá-lo, por precisar dele. Por querê-lo. Mesmo com os altos e os baixos.

Ainda assim, preciso tentar. Quando chego em casa, ele está a minha espera e me estuda com o olhar enquanto tiro casaco e calçados. Passo por ele e ele me puxa pela mão. Me faz sentar em seu colo e me beija. Eu o amo tanto. Não sei o que fazer com ele e nem comigo. Seguro seu rosto com gentileza entre as mãos. O abraço e ele me pede desculpas. Não sei pelo o que, mas aceito. Vamos para o quarto sem trocar mais palavra alguma, deitamos na cama, quando ele me abraça e sinto sua respiração se acalmar quando finalmente adormece. Silêncio e solidão, adormecemos juntos. Não importa em que lugar do mundo estejamos, Daniel sempre tem apenas a mim e eu sempre tenho apenas a ele.

Estamos afundando juntos, eu já não tenho mais a menor dúvida. Uma descida vertiginosa que terá o seu inevitável baque final em breve, eu já posso sentir.”

Trecho de “All Across The World”, meu primeiro romance, escrito em 2014 e prestes a ser publicado em formato digital pela Amazon.

Processo Criativo

Diário de uma revisão

Foto: Julie Fernanda

Dois anos depois, corações ainda pulsam

Em um universo paralelo, Pedro e Gabo ainda vivem. Sentados à mesa do Mickey’s, o bar sujo da esquina, eles bebem cerveja e riem, dez ou vinte anos depois da última página.

Renascerão em breve, uma história lapidada para que possa ser contada novamente. Beijando boas lembranças, cortando as inspirações ruins, nenhum livro será mais uma válvula de escape para frustrações. Aqui só será permitida a beleza. Sem mágoas, sem indiretas, sem projeções. O retrato fiel do que tenho a oferecer, vindo do material emocional que só pertence à mim.

Nicky renascerá. Divertida, doce, forte e coesa.

Daniel renascerá. Irresistível, pessoa que evolui através do amor.

Pedro renascerá. O homem forte que descobriu a si mesmo.

Eu renascerei. Dona de mim e do que produzo. Auto suficiente e durona. Plena e íntegra. Eu serei quem eu sempre fui, quem eu sofri tanto para ser.

E serei minha.

Processo Criativo

A jornada solitária de escrever um livro

Foto: Death to Stock

Aprendendo com o exercício de estar só

Comecei a escrever em agosto do ano passado o meu sexto livro. Tive a ideia para a história em uma noite de segunda-feira em que cheguei em casa especialmente cansada do trabalho. Deitada na cama com a cara afundada no travesseiro, o primeiro capítulo apareceu inteiro na minha cabeça e não tive outra alternativa senão levantar da cama, ligar o notebook e começar a escrever. Agora, faltando três capítulos para o fim, o que pensei a princípio para a história que quero contar já mudou inúmeras vezes.

Essas mudanças, longe de me desesperar, me motivam. Significam que finalmente estou me apropriando do argumento frágil que foi o sopro inicial deste livro. Peguei aquela ideia, a moldei como sabia e a transformei em algo. Doze capítulos prontos, o livro já tem um rosto e me convence que é bonito. Eu aprendi com ele, também. Principalmente sobre mim.

Uma coisa sobre escrever um livro, você nunca deixa por completo de pensar nele. Longe do ideal romântico do escritor atormentado, madrugadas em claro escrevendo embalado por doses de uísque e música blues, eu penso no meu livro enquanto estou me exercitando na academia. No banho ou ao lavar a louça. Se a reunião de trabalho atrasa. Enquanto estou descendo a rua à caminho do trabalho. Eu escrevo meu livro dentro do ônibus, uma mão digita no celular, a outra assume a responsabilidade de me manter firme no sacolejar daqueles cinquenta minutos que ao final me levarão para casa e me deixarão mais perto de ter um livro pronto quando finalmente for hora de descer.

Eu escrevo enquanto meu marido joga video game e também quando acordo mais cedo aos sábados e não consigo voltar a dormir. E penso o tempo todo na história que estou criando. Músicas me fazem lembrar, conversas ouvidas me inspiram, pessoas e seus trejeitos me trazem exemplos de como meus personagens podem ser.

Tudo isso dentro da minha cabeça. Meus outros livros eu publicava capítulo a capítulo, como um romancista do século passado com seus fascículos no jornal. Recebia feedback imediato dos leitores, o que acabava por interferir no meu modo de seguir com a história. Este não. Este é só meu. É o livro mais meu que já escrevi.

Existe o medo de, ao publicar, ninguém gostar. Só vou saber depois. Será que vão rir daquela piadinha que coloquei no começo do capítulo dois? Entenderão a referência do final deste mesmo capítulo? Será que terão dó de mim ao perceber que ousei tentar este ou aquele estilo no diálogo da página noventa? Fico um pouco angustiada. Sendo só meu, ele está protegido inclusive do fracasso. E se ninguém ler?

Todas essas questões e inseguranças não são nada além do reflexo das minhas próprias questões e inseguranças que já tenho normalmente em se tratando de qualquer assunto ou empreitada que invente de me meter. A diferença de encará-las através da produção de um livro é que elas tomam forma de uma maneira diferente dentro de você. É o mais introspectivo dos processos, por mais que tente dividi-lo com alguém que se importe em te ouvir, o mundo que você criou para sua história é absolutamente seu. Só depende de você. Só presta contas à você.

Um autor conhecido uma vez disse que o ruim de parar de fumar é que ele sentia que tinha perdido um amigo. Quando fumava, parava um pouco pra pensar na vida e nele mesmo. Escrever um livro é o cigarro mais longo que você fuma. Encostada no muro esperando a chuva passar, meu livro é a minha companhia e penso nele em longas tragadas.

Mudo cenas, invento motivações, coloco muito do meu coração ali. Não durmo sem reler pelo menos um capítulo e acabar mudando isso ou aquilo. Ao olhar a capa, já pronta, uma alegria inunda meu peito. Foi bom ter tido aquela ideia inicial, eu gosto mais de mim agora que tenho esse desafio. A história que criei é tão linda, eu adoro quando a protagonista sorri. Eu estou escrevendo o livro que gostaria de ler. Quando adolescente, queria ser escritora daqueles livros de banca de jornal tipo Julia, Bianca, Sabrina. Escrevendo eu realizo esse sonho como posso.

No exercício de escrever, calada e sozinha, me redescubro como alguém de quem eu gosto e sinto orgulho, pois estou fazendo algo que um dia só ousei sonhar. Perto do fim, se torna óbvio que vou sentir saudade quando terminar. Eu aprendi tanto com esse livro. A ideia de que mudei com ele se esclarece na minha mente. Acho que não mudei, não. Só me descobri um pouco mais com essa solidão que ele me trouxe. E, além do mais, acabei de conferir aqui: o primeiro capitulo é o único que permanece intacto desde aquele rascunho inicial que me fez levantar da cama e criar essa história.

Depois dali, tudo mudou.