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#Disney101: A Bela Adormecida e Malévola

Malévola (2015)

Assistindo aos filmes da Disney depois de adulta

Nunca deixo de me encantar com as coincidências desse projeto. Nesse dia, tinha feito um caderninho todo temático da Malévola para presentear meu amigo. E quais filmes ele escolheu, sem saber disso? Pois é, Malévola e A Bela Adormecida.

Assistimos a essas duas obras primas do áudio visual enchendo a cara de Ben & Jerry’s em uma linda tarde ensolarada de sábado em que optamos por ficar enfurnados em casa vendo filme ao invés de sair e curtir a Paulista.

Em minha opinião, isso é que é viver.

Mas vamos às minhas impressões sobre os filmes.

A Bela Adormecida (1959)

Como qualquer ser humano com acesso básico a higiene, educação e civilidade, eu obviamente já conhecia a história da Bela Adormecida. A triste narrativa da princesa que ao nascer é amaldiçoada por uma bruxa, no que é condenada a cair no sono eterno quando completar 16 anos de idade.

No entanto, nunca tinha visto o filme. Nesse ponto do projeto, sem apontar culpados (bom, a Disney é a culpada), devo dizer que já estou exausta de princesa cuja única motivação é macho. Eu sei, era assim no começo, os tempos eram outros, hoje as coisas estão mudando (um beijo, Frozen), mas ainda assim fica esse ranço. Seguimos.

A versão de 1959 de A Bela Adormecida é muito importante para a história do cinema. Foi uma produção caríssima, a mais cara da história da Disney, que mesmo tendo lucrado muito não chegou a cobrir por completo seus custos. Por isso, entre outros motivos, após este filme o estúdio só voltaria a fazer contos de fadas exatos trinta anos depois, quando em 1989 lançou A Pequena Sereia.

Baseado em um conto de cinco ou seis parágrafos, A Bela Adormecida, o filme, teve sua trama encorpada para que pudesse ser levada às telonas e demorou cerca de dez anos para ficar pronto. Houve um cuidado especial da produção em criar a Princesa Aurora o mais diferente possível da Branca de Neve (1937), outra princesa com história similar, vítima de um feitiço que só pode ser quebrado com um beijo.

Bela Adormecida é das princesas com menos fala da história da Disney, tanto por seu destino cruel quanto por sua personalidade frívola. A moça descobre aos 16 anos que tem família, que é uma princesa, que está prestes a sucumbir a uma maldição, mas a única preocupação dela é se o moço que encontrou na Floresta poderá reencontrá-la. Eu sei, 16 anos, quem nunca, é uma fase que olha… Ainda assim, foi um pouco difícil de tolerar.

Dito isso, é preciso destacar que se trata de um filme lindo visualmente, sendo um dos mais especiais por ter Walt Disney envolvido diretamente em sua feitura. É um marco do cinema e por isso merece ser visto. Até por que, sem ele, não teríamos os desdobramentos que viriam depois.

O que nos leva ao segundo filme da tarde.

Malévola (2014)

Eu queria que a Angelina Jolie pessoalmente me perdoasse por todas as vezes que a vi como uma mulher detestável quando ela apenas, verdadeiramente, tinha a coragem que eu nunca tive. Nunca duvide de uma mulher poderosa.

Malévola foi uma obra quase totalmente pessoal de Jolie, fã desde a infância da vilã de A Bela Adormecida. Envolvida com o projeto desde seus primeiros passos, a atriz foi responsável pela produção executiva do filme e participou ativamente também das escolhas de roteiro, figurino, maquiagem e trilha sonora. Foi ela quem escolheu Lana Del Rey para dar nova voz ao clássico Once Upon a Dream”, música ícone da trama. Foi Jolie também quem trouxe a referência de Lady Gaga na era Born This Way para o look da sua personagem.

Mas a história? Malévola traz uma versão revisitada de A Bela Adormecida, contando a história pela ótica da vilã, a própria Malévola, interpretada por, claro, Angelina Jolie.

Com essa mudança de visão, muda também o foco, e a história ganha um respiro moderno. Não se trata apenas da humanização de uma vilã, mas de mostrar que toda história tem dois lados. E nem sempre é como a gente pensa…

Sem o cansativo véu da princesa indefesa, Malévola conta a história de uma mulher forte, poderosa, capaz de tudo para se vingar, mas que ainda guarda algum sentimento bom, apesar das muitas rasteiras da vida. É mesmo um filme muito fácil de relacionar a Angelina Jolie, uma mulher tão linda quanto forte, que por seu pulso firme é vista com um certo distanciamento que a torna inatingível.

Para mim, foi o favorito da tarde. Tanto por estar mais alinhado com nossa pauta atual, como por trazer algum tipo de humanização da própria Jolie, que teve ali a chance de realizar um sonho e mostrar mais de quem ela é de verdade.

O filme teve sequencia anunciada recentemente, com lançamento ainda sem data definida.

Já o nosso próximo encontro de #Disney101 deve ocorrer em algum sábado deste mês de abril. Vamos acompanhar.


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