Brain Dump*, Futebol, Séries

SQUID GAME: EU, HEIN?

Atenção: este post não contém spoilers de nada, siga em paz.

Neste final de semana eu resolvi fazer uma breve faxina digital nos meus pertences (digitais) e descobri, horrorizada, que o último post aqui tinha sido em janeiro deste ano. Janeiro! Quanta coisa aconteceu de lá pra cá, e você aí pensando que o último filme que eu vi foi Bridget Jones (quer dizer, é óbvio que você não estava pensando nisso, mas quem sabe poderia pensar e nada é mais torturante do que ficar pensando no que as pessoas podem pensar de você se é algo que você não gostaria que ficassem pensando de você).

De qualquer forma, pensei que já tava mais do que na hora de atualizar por aqui, só que ontem lancei minha nova newsletter (já assinou? assine aqui e descubra semanalmente o que eu penso) e fiquei obliterada por isso porque a plataforma levou 3 dias para me liberar de uma verificação que costuma ser automática.

O que se relaciona com o pseudo bug do milênio que tivemos ontem, uma saborosa loucurinha astral e tecnológica onde as principais redes sociais e comunicadores ficaram fora do ar por uma tarde inteira, nos dando o assombroso gostinho de liberdade virtual. São tantas amarras que nos prendem!

Nisso, eu vi um post da Loma no insta relembrando que blog é o futuro, isso era 5 da manhã de terça, hora em que lhes escrevo, então eu dei um pulo da cama e falei: vou escrever no meu blog.

Mas este não é um texto sobre eu escrevendo um texto.

Squid Game: só se fala em outra coisa

Febre do momento, a série Squid Game agrada todos os públicos: os que gostaram, os que não gostaram e os que nem assistiram. Por ser o único assunto possível para uma população magoada com a vida lá fora, o TV show (kk) acaba por reunir todas essas pessoas em volta do ódio e do amor por algo que, na verdade, nem tem tanta importância assim. É só uma série.

Eu assisti semana passada e fiquei impressionada com a ultraviolência e tudo, mas sendo uma costumaz consumidora de dramas coreanos, não foi como se a fórmula em si me impressionasse mais do que assistir uma série coreana de romance de 18 episódios de uma hora de duração onde o primeiro beijo só acontece no episódio 16. O pessoal por lá tem esse jeitão diferente e intenso mesmo. Mas aí virou essa loucura e, mesmo reconhecendo o mérito, não consigo deixar de pensar “tá bom, gente, chega” para essa obsessão que deixa a impressão de que esta é a única série que existe.

Outras séries que existem e estou assistindo por estes dias: Glow Up, Ted Lasso, Only Murders In The Building, Because This is My First Life (olha aí, uma série coreana!)… E Midnight Mass (apesar de que eu comecei toda animada e me desanimei quando percebi que era só uma outra versão de Haunted Hill (nada contra Haunted Hill, adoro, mas queria algo diferente dos mesmos atores interpretando os mesmos medos)).

Enfim, quem sabe a melhor resenha sobre Squid Game tenha vindo mesmo do Alex, em uma noite em que eu estava assistindo a série e ele sentou do meu lado por 30 segundos durante o episódio, disse “eu, hein?” e foi jogar video game. Talvez seja isso.

Mas este não é um texto para falar sobre Squid Game.

O que foi feito de Lionel Messi?

Em um dos meus momentos mais brilhantes (eleitos por mim), escrevi por aqui tempos atrás sobre as movimentações profissionais do Messi. De lá pra cá, aconteceram várias coisas, todas elas inimagináveis e ultrajantes e fico pensando que este é um tópico que merece atualização.

Jogando no PSG, Messi agora tem o privilégio de morar em um lugar fedido com uma vista linda, o que se conecta com o cotidiano de vários de seus fãs pelo mundo. Trocar de emprego no meio da pandemia foi um toque brutal de realidade que nosso astro viveu, colocando-o em par de igualdade comigo, por exemplo, que também dei este passo em 2021.

Sendo bastante honesta com vocês, o novo time do Messi é uma equipa que me causa pouco mais do que ojeriza, e eu prefiro limpar as caixinhas de areia dos meus gatos do que ver o PSG em campo, o que tem sido um grande dilema nesta minha vida de fã do Lionel. Agora com Suárez e Griezmann, o Atlético de Madrid é um time que me causa muito mais satisfação de ver jogar, então me divido entre continuar acompanhando o Barcelona, torcer involuntariamente pelo Atleti e suportar ver fotos do Messi abraçando o Neymar.

Mas este não é um texto sobre futebol.

Resumindo para vocês

Bom, pessoal, já está dando a hora de eu tomar banho e começar o dia, então vamos ficando por aqui. Espero que tenham gostado de todas essas atualizações e continuem fazendo todas as coisas de que vocês gostam e que servem na manutenção da sua felicidade cotidiana, como ter inspirações súbitas, assistir séries que todos estão assistindo e idolatrar argentinos que levam 8 jogos para fazer gol no novo time.

Fica aqui a promessa, fundamentada em absolutamente nada além de um desejo sincero e pouco prático, de continuar atualizando por aqui com mais frequência e encontrar um tema único sobre o qual postar e não fazer uma salada de fruta como foi este.

Mas este é um texto sobre eu voltando a fazer o que amo.

Filmes

O DIÁRIO DE BRIDGET JONES: VAMOS SER SINCEROS AQUI

Atenção: esse post contém spoilers de O Diário de Bridget Jones, um filme de literalmente 20 anos atrás.

No dia (ontem) em que Harry Styles é apontado como affair de uma idosa de 36 anos (a minha idade) e coloca a internet em alvoroço a respeito dos caminhos tortuosos do amor, me pego pensando em poucas coisas além do fato de como o meu cabelo está bonito e na necessidade súbita que sinto de rever O Diário de Bridget Jones, um clássico das comédias românticas. São sentimentos simples, conhecidos de qualquer mulher boba como eu, em momentos inesperados precisar rever um filme que já viu mil vezes. Principalmente se tiver o Hugh Grant no elenco. E é impressionante como esses assuntos todos se relacionam, que é inclusive o motivo deste post.

Revendo O Diário de Bridget Jones, percebo que resenhar esse filme é tão desnecessário quanto irresistível. É como resenhar, hoje, em pleno 2021, Romeu & Julieta ou ficar falando sobre os benefícios de comer pão de alho em uma tarde de domingo. Falar sobre isso é uma delícia, mas o que mais existe para ser dito? Existe alguma novidade além do óbvio? Quem começou essa discussão? E ao mesmo tempo, é um lugar seguro ficar falando desses assuntos tão queridos nossos, ainda mais em uma realidade como a que vivemos, onde nada é mais confortável do que o passado.

Pensar na vida enquanto come pão de alho é hoje o que de mais puro uma mulher pode desejar em se tratando de autocuidado.

Então, eu simplesmente me sento em frente à TV, sintonizo no streaming que teve a caridade de colocar O Diário de Bridget Jones em seu catálogo e dou play.

É comum rever filmes de décadas passadas e ficar catando quão problemáticos eles parecem agora. Claro, o mundo muda o tempo todo e com ele o nosso olhar para relacionamentos, questões de gênero, etc. Lançado em 2001, O Diário de Bridget Jones não escapa dessa análise, e logo percebemos as piadas politicamente incorretas, os personagens estereotipados, a absoluta ausência de negros no elenco e assim segue a lista… Ainda assim, a mensagem desse filme é, de alguma forma, tão íntima nossa que ele consegue se manter tão verdadeiro e poderoso atualmente quanto 20 anos atrás, quando o vimos pela primeira vez.

É inevitável também perceber como hoje seria impossível fazer um filme como O Diário de Bridget Jones, porque o mote todo da trama é simplesmente sobre uma mulher que quer um homem. Meio que qualquer homem, mas não qualquer homem. Porque é disso que se trata o filme. Jones quer emagrecer, beber menos, caber nessas calças, parar de ser incomodada pela mãe, deixar de se envolver com caras problemáticos… Ela quer tudo isso, mas acima de tudo, ela pura e simplesmente quer um namorado! E mesmo quando ela evolui e conquista muita coisa, ela ainda quer o namorado!

Isso é a mulher em seu estado bruto, e não me entenda mal quando eu digo isso. O que quero dizer é que, no fim das contas, assim como nas histórias atuais, todos nós queremos amar e ser amados. No entanto, hoje as tramas românticas buscam isso por outro caminho: amor próprio, um grupo empoderado de amigas, realização profissional, um namorado que soma, mas não é a razão de tudo. Porém, no fim do dia, mesmo que os filmes de amor dessa geração tenham mudado, ainda é a cena do beijo a que mais aguardamos, ainda é a certeza do amor o que mais esperamos como conclusão.

O Diário de Bridget Jones é dolorosamente verdadeiro porque chega nessa conclusão sem precisar fingir que isso não é o mais importante. Isso é o mais importante. Quando Bridget revira os olhos ao ouvir a mãe falar do filho dos Darcy que está na festa e daria um bom par, ela desdenha, mas também logo pensa “e se…” enquanto analisa as belas costas de Colin Firth.

É claro, quero o mundo, dinheiro, posses, carreira, uma pele incrível. Mas também quero o amor.

Inclusive, quero o caminho tortuoso que me leva a ele. Que é, mais uma verdade aqui, pode ser, bem divertido.

Bridget descobre o amor procurando por ele em todos os lugares. Não é todo mundo que se permite isso, ainda mais hoje em dia, Deus me livre amar alguém, eu sou feito de ferro, mármore e memes, não preciso de nada, e ela se mostra tão humana exatamente por isso, quando em todas as suas falhas, mostra seu desejo sincero por esse amor. Como não poderia deixar de ser, desejando ela erra e acaba caindo na lábia e no lindo olhar de Daniel Cleaver.

O Harry Styles daquela geração.

É uma absurdo isso. Eu preciso abrir esse parêntese.

Chega a ser hilário assistir a O Diário de Bridget Jones hoje e perceber como o queridinho de todas as mulheres vivas entre 0 e 110 anos, Harry Styles, é parecido com Daniel Cleaver, o personagem de Hugh Grant no filme. Não só fisicamente, na beleza descompromissada do homem magrelo e engraçado, no estilo ou nas roupas, mas em toda a aura que compõe o personagem e se vê refletida na persona do (atribuído) novo namorado de Olivia Wilde.

Uma idosa de 36 anos, como muitas de nós.

E, no fim, é esse grito que nós balzaquianas seguramos por quase 90 minutos de filme, esse clamor que vem desde lá da adolescência e que fica ecoando infinitamente depois de libertado de nossos corações. É sempre a mesma história. A busca por amor, os arquétipos envolvidos nessa busca. O Harry Styles sendo esperto e se aproveitando disso, para horror dos maridos incautos, desespero de nós que temos 16 anos eternos, da nossa fraqueza por homens com sotaque britânico e a carinha de que vai desgraçar nossa vida.

Eu falei com você, Taylor Swift.

Sendo O Diário de Bridget Jones basicamente um spin off de fanfic de Orgulho & Preconceito, um romance de 1813, você percebe a facilidade com que essa história cai suave sobre nós. Ao revisitar essa trama secular, a história de Bridget traz o conto de fadas puro e honesto da mulher que quer muitas coisas, mas a principal delas é ter um cara que a ama assim como ela é.

A busca pelo amor, vamos ser sinceros aqui, é o que nos move. Seja uma idealização ultrarromântica, seja o amor próprio, você trabalhando para ser o seu próprio véio da lancha. Seja qual for o cenário, no fundo sempre existe esse: o que todas nós queremos, a aventura de ser desejada por um Hugh Grant (Harry Styles) sem o menor compromisso, um Colin Firth indo comprar um bullet journal novo pra gente, a gente correndo de calcinha na neve (na neve!) por esse homem tão sério e seu, este homem é seu, sabe?

Nenhum filme de hoje entrega isso. Poucos relacionamentos na vida real conseguem.

E então, você está lá fazendo as suas coisas, o cabelo lindo, mas a vida um caos, dez meses em casa com medo, do nada Harry Styles aparece de mãos dadas com uma mulher? Daniel Cleaver, é você? Vida? O sentido da vida? Estamos em plena pandemia e ainda acontece o amor e seus erros??????

Puta merda, que notícia boa. Vou até colocar um pão de alho na airfryer e respirar fundo, revigorada.

Resenhas

Meu 2020 em livros: 60 livros lidos e 1 publicado

Em 2020, eu infelizmente não tive a elegância de Pirlo, mas aos trancos e barrancos, ao menos sobrevivi. O que já é muito.

Falando sobre livros, eu tinha colocado como meta ler 60 em 2020, e foi exatamente o que fiz, na risca. Nem um livro a mais, nem um livro a menos. O que só confirma que esse foi um ano em que fizemos apenas o mínimo para continuar seguindo.

De qualquer forma, foram boas leituras. Também escrevi algumas coisas e publiquei outras. Vamos falar de tudo isso aqui, na Central Sobre a Minha Vida que é esse SÍTIO NA INTERNET.

Comecemos falando sobre os livros que li e o meu já costumeiro ranking anual.

Chega a ser bizarro olhar a lista de livros de 2020 e pensar que a leitura de muitos deles aconteceu em uma realidade que não existe mais: dentro do metrô, em uma padaria tomando café, etc. Ler também tem muito disso, misturar o momento que você está vivendo com a história que se apresenta ali. E depois, quando você lembra de um livro que leu, lembra também de como você estava quando isso aconteceu.

Essas são as leituras e as lembranças que vou levar de 2020:

Como disse, minha meta de 2020 era ler 60 livros. Para isso, eu continuei usando o método de ter uma lista fixa na Amazon, e ir monitorando diariamente quais dos meus livros desejados entravam em oferta. Desse modo, fui adequando minha fila de leitura conforme surgia um preço bom. Também voltei com o Kindle Unlimited, porque consegui uma promoção. Diante disso, dá para dizer que, no geral, gastei pouco e li muito.

E assim construímos o pódio a seguir:

🏆📚 Prêmio Tati Lopatiuk de livros lidos em 2020📚🏆

5º lugar: Vermelho, Branco e Sangue Azul, por Casey McQuiston.

Esperei quase um ano até que esse livro entrasse em promoção e valeu a pena. Eu me emocionei e me surpreendi muito com a história desse amor jovem e proibido entre o filho da presidente dos EUA e o Príncipe da Inglaterra. A narrativa perfeita, divertida e leve, me inspirou muito nos meus próprios escritos.

4º lugar: Contato De Emergência, por Mary H. K. Choi.

Esse livro me marcou muito pela poesia inesperada da narrativa, tudo tão delicado e bonito! É sobre duas pessoas que se encontram em um momento crítico de suas vidas e, sem dar por isso, vão construindo juntos uma amizade e amor slow burn.

3º lugar: Eu, Elton John, por Elton John.

Me diverti horrores com essa leitura. Já sabia que Elton John é um grande artista, só não imaginava que ele era tão bom em contar histórias. E que histórias! O livro é enorme, mas você lê em um estalo, de tão divertido e fluído.

2º lugar: Scar Tissue, por Anthony Kiedis.

Outra biografia que me cativou muito. Não precisa ser fã do Kiedis ou de Red Hot Chili Peppers para se deixar levar por esse livro. Em uma narrativa meio onírica, absurdamente carismática, Kiedis vai contando seus feitos e a gente segue junto, hipnotizado.

lugar: Por que crianças matam – A história de Mary Bell, por Gitta Sereny

Um dos livros mais pesados que já li e acho que o mérito dele é justamente esse: trazer essa história terrível sendo contada de maneira tão inteligente e sensível que você não consegue parar de ler. A vida de Mary Bell, que aos 11 anos matou duas crianças, de 3 e de 4 anos, é revista em cada detalhe, nos ajudando a entender (jamais justificar) os motivos das suas ações.

✏⚽ Os meus livros em 2020 ⚽✏

Quanto à minha escrita, 2020 foi um ano em que eu tive muitas ideias, mas pouca energia para fazer algo com elas. É claro, foi um ano atípico, e por mais que o frenesi por se sentir produtivo tenha me atingido como atingiu tantas pessoas, por outro lado eu precisei lidar com o fato de que nem sempre a gente está com cabeça para criar.

No campo das realizações concretas, escrevi e publiquei uma fanfic, o quinto volume da minha série “O Evangelho Segundo Leo Messi”.

Trazendo uma versão ultrarromântica e, diriam, verídica, do que aconteceu na noite da renovação de votos de casamento de Luis Suarez, Aconteceu Naquela Noite está disponível de graça no Wattpad. Você pode ler aqui.

Já nos planos, projetos e sonhos em andamentos, a gente deixa para 2021. O que nos leva ao próximo tópico.

💡❤ Metas e projetos para 2021 na literatura ❤💡

Primeiro de tudo, quero concluir o meu romance Verão do Amor, sobre o qual já falei aqui quando do NaNoWriMo. A escrita está bem avançada, o que é tão reconfortante quanto desesperador e, sendo sincera, não quer dizer absolutamente nada. Espero tê-lo pronto até maio. Em alguns momentos, me pergunto em maio de que ano, mas vai dar tudo certo.

Eu tenho fé.

Além disso, pretendo escrever um conto curto, só para voltar a exercitar esse formato. Ainda não sei sobre o que seria esse conto, porém não tenho pressa. Um dia de cada vez. Não é como se a gente fosse sair daqui tão cedo.

E nas metas de leitura para 2021, venho com uma perspectiva diferente para o próximo ano: quero ler menos. Pois é. Estou cansada da minha própria obsessão. Quanto mais leio, mais me cobro sobre o que nunca vou ser ou conquistar, então é melhor focar em mim e tentar resolver isso de maneira mais consciente. Um livro de cada vez. Menos de quatro livro por mês.

Para 2021, quero ler apenas 30 livros.

Eu acho que vai ser ótimo. Nos vemos lá. Me encontre no GoodReads para saber em tempo real como isso está indo. 🙂

Processo Criativo

#NaNoWriMo ou o mês em que escrevi TODOS os dias

Bom, primeiro que é engraçado dizer “o mês em que escrevi TODOS os dias”, porque eu escrevo todos os dias sempre, o meu trabalho é escrever. É literalmente a minha profissão, fora de brincadeira. No entanto, nesse contexto aqui, o que quero contar é que em novembro eu escrevi todos os dias para o meu livro, o meu novo projeto, o meu livro de número 14, que ainda está em construção e teve um avanço enorme com o NaNoWriMo.

E o que é o NaNoWriMo, me pergunta você, os olhos vidrados, a sola do pé coçando porque nesse calor tá assim de mosquito embaixo da mesa. Eu explico. Não os mosquitos, essa eu deixo para a ciência. Já o NaNoWriMo, eu meio que consigo explicar.

NaNoWriMo, este é o site, o povo adora uma sigla, nada mais é do que o National Novel Writing Month, um desafio anual de escrita literária que acontece na internet durante todo o mês de Novembro. O projeto consiste em fazer os participantes escreverem um texto de 50 mil palavras entre 1º de Novembro até o dia 30 do mesmo mês.

Para ajudar nessa missão, a plataforma oferece vários conteúdos inspiradores e também técnicos, além de ferramentas para ajudar você no monitoramento da sua evolução na meta, e mais bagdes e conteúdos fofinhos que não acrescentam em nada, mas ficam lindos na tela. A ideia geral é que um conteúdo com 50 mil palavras já é um livro, então a promessa é de que, participando do desafio, no primeiro dia de dezembro você já tenha um livro pronto para publicar. E publique.

Claro que, na prática, não é tão simples assim. Ter 50 mil palavras não quer dizer que você tem um livro. No entanto, ter um rascunho de 50 mil palavras já é um começo e algo bem difícil de conquistar, e por isso considero esse desafio tão válido.

A iniciativa existe desde 1999 e eu já tentei participar outras vezes, sem sucesso. Dessa vez, decidi meio no improviso e rolou. Mais do que bater as 50k palavras, eu quis usar a plataforma para me ajudar a ter algum senso de organização na minha escrita para esse meu novo livro em questão, que andava bem caótica.

Então, peguei esse meu rascunho, já com 37 mil palavras, e decidi retrabalhar nele durante o NaNoWriMo. Assim, passei o mês reescrevendo basicamente tudo e descobrindo, palavra por palavra, aonde aquela história queria me levar.

Aqui e nas imagens a seguir, prints do meu perfil no NaNoWriMo.

Para ajudar também, e isso o NaNoWriMo não faz, mandei esse rascunho inicial para uma leitora beta, que me retornou com vários pontos onde eu poderia desenvolver melhor a história. Assim, eu tinha bastante no que trabalhar.

Vale dizer que o NaNoWriMo é muito (parece ser muito) sobre números, bater a meta, mas a verdade é que essa gameficação de ter que atingir 50 mil palavras impulsiona você a escrever mesmo naqueles momentos em que está meio blé e “sem inspiração” (já explico as aspas). E isso desbloqueia a sua criatividade não só para esses momentos, mas para quase todos.

Cada pessoa tem um processo diferente. Normalmente quando escrevo um livro, gosto da coisa romantizada de escrever durante 22 horas seguidas e depois ficar dez dias sem lembrar que existe o rascunho. Foi esse ritmo que fez, em parte, o meu rascunho começado em agosto estar tão longe de sua conclusão no começo de novembro. No entanto, quanto mais escrevo, seja profissionalmente, seja por hobby, mais entendo que enxergar a escrita como arte possível apenas pela inspiração é algo muito bonito, mas pouco prático. Em algum ponto do processo, você precisa arregaçar as mangas e se forçar um pouquinho para fazer acontecer.

Isso ficou muito claro para mim com o NaNoWriMo. Me forçando a escrever todos os dias, não é que eu chegava no meu rascunho e escrevia 100 palavras quaisquer só para bater meta. Na verdade, o que aconteceu é que passei a desdobrar o ato de escrever em mais possibilidades entre primeiro escrever tudo e depois revisar tudo, que era o meu ritmo padrão. Nem sempre eu tinha ideias de como avançar com a história, então eu voltava em algum ponto já definido e desenvolvia melhor, acrescentava uma cena, explicava melhor um contexto. Em outros dias, já chegava animada para um novo capítulo e avançava na trama — e avançava com mais qualidade, porque ali nos dias anteriores “sem inspiração” eu já tinha construído a “cama” para essas novas ideias.

A minha rotina de escrita seguiu a mesma durante todo o mês. Como acordo às 5h, era das primeiras coisas do meu dia, e me dava duas horas para escrever até começar a trabalhar (estou de home office). Nem sempre eu escrevia por duas horas inteiras, teve dias em que eu pensava por duas horas inteiras e escrevia três frases. Nesses momentos, lembrava sempre do que li na newsletter do Vitor Martins, de tentar escrever por pelo menos dez minutos. Muitas vezes, esses dez minutos viravam quinze, trinta e até 45, e assim ia. Às vezes, se tornavam dois turnos em horários distintos. Eu acho que nunca teve um dia em que escrevi apenas por 10 minutos de fato, mas muitos dos dias em que escrevi por horas não teriam acontecido se eu não tivesse me esforçado por aqueles dez minutos iniciais.

Por isso eu coloco aspas em “sem inspiração”, já que a inspiração é, na verdade, um conceito muito subjetivo e, mais do que tudo, uma ferramenta que precisa ser alimentada. É claro que ficar sentada bebendo uma cerveja pensando na história que você um dia vai escrever quando tudo der certo é uma delícia, mas a verdade é que essa inspiração só vai servir a você se você colocá-la em ação. Caso contrário, você só está se frustrando, desperdiçando a sua energia e as suas ideias em projetos que nem tem a coragem de começar. Porque, no fim, não importa se você acha que não sabe como colocar aquela ideia no papel, não importa se você acha que ainda não é o momento porque você não sabe como começar. Você precisa tentar de qualquer forma, porque é só fazendo que você descobre como fazer.

Além disso, o fato de escrever todos os dias mantém a história muito fresca e presente na sua memória. Como eu escrevo pela manhã, era muito comum passar o dia atenta a detalhes, músicas, filmes, conversas e histórias que eu presenciava e descobrir maneiras de aproveitar isso no meu texto.

Nos finais de semana, eu tentava mudar um pouco e escrever à noite. O que me mostrou que sou uma pessoa zero noturna, pois nesses dias minha história evoluía bem menos.

Ainda assim, sim, escrevi todos os dias. Em alguns dias, mais de 2 mil palavras, em outros, só 100. Em muitos, apagando 500 palavras e escrevendo 95, mas ainda assim, evoluindo.

E então, ontem, dia 30 de novembro, o NaNoWriMo chegou ao fim e o meu rascunho inicial de 37 mil palavras tinha se transformado em uma história muito mais aprofundada de 53.252 palavras.

Para além dos números e da meta batida, eu terminei o desafio pessoalmente muito satisfeita comigo. E sabendo muito mais, imensamente mais, sobre meus personagens e minha história, o que vai me possibilitar seguir a diante com muito mais facilidade e qualidade.

Eu avancei consideravelmente na história, corrigi rotas, aprendi mais sobre mim e sobre o meu processo de escrita. E agora? Pois é, esse é o próximo passo.

E agora?

Os meses após o NaNoWriMo são conhecidos na comunidade como “What Now?”. Nesse ponto, a ideia é que se foque em revisar o projeto e, estando pronto, publicar. Com alguma margem de erro, 50 mil palavras equivale a um romance de 150 páginas, o que já está ótimo para uma publicação regular.

No meu caso, no entanto, publicar ainda está bem longe nesse processo. Geralmente meus livros têm, de fato, 50 mil palavras. Para esse projeto, porém, eu sinto que ainda vou precisar de mais para concluir a história. Até por ter me aprofundado mais na escrita, descobri que existem alguns arcos que ainda preciso arrematar antes de dizer que o livro está pronto para suas muitas revisões, leitura de critique partner e leitura sensível, passos imprescindíveis antes da obra chegar ao público.

Assim, o que vou fazer agora é tirar uns dias de folga (se é que eu vou conseguir, estou tão envolvida!), tentar arejar meus pensamentos e voltar com tudo para concluir esse projeto. E isso, então, seguindo a rotina que aprendi com o desafio, e principalmente a regrinha dos dez minutos.

Tudo isso para dizer que, sim, valeu muito a pena participar do NaNoWriMo e que pretendo levar ele comigo de alguma forma não só para esse projeto, mas para tudo o que envolve a minha escrita.

E pensar que, em outubro, esse era um rascunho prestes a ser jogado fora simplesmente porque eu não via como continuar, por mais que amasse a história. Acho que o que o NaNoWriMo deixa de lição maior para mim é nunca desistir de algo que você quer de verdade, de todo coração. Você só precisa buscar os meios para fazê-lo, e eles estão todos por aí, incluindo dentro de você, apenas esperando que você se aproprie deles.

Filmes

STARDUST: SEMPRE ESTAR LÁ? EU DIRIA QUE NEM TANTO

O pessoal ficou nervoso de ansiedade, depois de ódio, com o lançamento de Stardust, uma biopic safada do David Bowie. Primeira coisa que você precisa saber é isso. Biopic safada. A partir daí, é tudo achismo e sangue nos olhos para atacar algo que você não conhece. Particularmente, uma das coisas mais gostosas da internet: atacar! Eu pessoalmente amo.

Só que eu sou uma profissional do audiovisual. Eu sou cinéfila. E se por um lado eu não conheço nada de David Bowie, por outro, esse lado que bate Sol, eu entendo muito de cinema. E mais, eu sou uma profunda entusiasta de filme ruim. Rapaz, me dá um filme ruim que eu me esbaldo.

Eu sou da opinião de que o filme ruim tem o mesmo exato valor de um filme bom. Acho que já falei isso aqui. É a mesma coisa. O sentimento de ver um filme ruim, as coisas que dá no cérebro, é o mesmo de ver um filme bom. Por isso eu gosto.

Então, eu falei. Vou ver esse filme. Essa biopic safada. Vamos nessa emoção. Qual a outra opção? Ficar no Twitter xingando prestadora de serviço? Pelo amor de Deus, acorda. Estamos em 2020. Vamos ver o filme.

1. O ator escolhido

Eu assisti ao filme e vou falar dele, sem spoilers. É claro que é sem spoilers, eu trabalho na indústria, eu sei o que estou fazendo e sei como fazer as coisas.

Tendo dito isso, primeiro de tudo: Johnny Flynn. Você vai respeitar o Johnny Flynn. O ator escolhido para viver David Bowie no filme Stardust é um ser humano como qualquer outro, quem sabe com um empresário pior que a média, eu posso concordar com isso, mas ainda assim… É uma situação complicada, cadê a sua empatia?

Fora de brincadeira, sou super fã do Johnny Flynn. De verdade. Ele é o protagonista de Lovesick, uma série britânica que eu adoro, divertidíssima, cujas três temporadas estão todas na Netflix. Depois assiste.

Além disso, Flynn é músico e tem mais de seis álbuns lançados. Ele é muito bom, canta e tudo. O som dele se parece um pouco com um Ed Sheeran que simplesmente desistiu de ter vida sexual, algo nesse sentido. Britânico tem disso, né? Vale ouvir, tem no Spotify.

Então, o que quero dizer… O johnny Flynn é ótimo! E eu acredito que ele entrou nesse projeto de coração, disposto a dar o seu melhor. O problema não é ele. O problema é só todo o resto que envolve essa produção, como veremos a seguir.

2. A trama

A trama não tem, amor. Vou ficar te devendo.

É piada minha, pessoal. O filme tem sim uma trama. Mas olha, nem parece. Acho que é um movimento assim do novo cinema, sabe? Meio pointless, maluquinho.

Parece o filme da Hebe (não estou falando das perucas): o filme mostra um recorte da vida do protagonista, só que é um recorte tão sem pé nem cabeça que você fica tipo???? Por que esse recorte???? E por que o recorte foi feito com uma motosserra enferrujada e não com uma tesoura, bem bonitinho? São questões.

De qualquer forma, Stardust aborda a fase do Bowie lá nos anos 70, quando ele tentava acontecer no mercado estadunidense com seu álbum The Man who Sold the World. Nessa jornada, ele encontra várias adversidades, ninguém acredita no seu talento, seu visual choca a sociedade (zzzzz), e ele se afunda em uma bad trip de casamento ruim, traumas familiares e esse mesmo medo que te assombra todas as noites, o medo do fracasso. Tranquilo.

Daria um bom filme? Daria. A maneira com que essa trama é apresentada, no entanto, é muito estranha. A narrativa começa do nada, você é jogado ali sem contexto, e fica difícil criar empatia. Durante as quase duas horas de filme, você espera qual vai ser o momento mágico em que o filme vai começar a fazer sentido dentro de uma linha razoável de raciocínio. Esse momento não acontece. É só um amontoado de cenas brevemente conectadas, onde a sensação maior é a de “Olha, a gente conseguiu fazer isso sem ter os direitos da música. Até que ficou bom, né?” (já falo disso).

No fim, termina que é uma história sem moral, sabe? Ok, ele quer acontecer nos EUA. Nada dá certo. Problemas na família. Normal. O que acontece para mudar? Sei lá, a vida. Do nada, Ziggy Stardust. Agora vai. Espera o que eu perdi? Nada, é só tudo jogado, mesmo. Você que lute.

3. A caracterização

Vivemos em uma sociedade em que a aparência conta mais do que tudo. Fato. Se esse filme tivesse uma produção legal, com uma caracterização bacana, ainda dava pra salvar. Não digo assim algo no nível Rocketman, eu não peço tanto. Só uma luz boa, sabe? Uns figurinos decentes, oh meu caralho, é do Bowie que estamos falando.

Bom, nem isso.

É engraçado pensar que o Bowie desse filme é o da mesma época da Christiane F., a famosa zé droguinha icônica, que era muito fã dele. O filme dela (de 1981) e esse parecem ter sido gravados no mesmo ano, inclusive.

Stardust é um filme escuro, manchado, sujo. Parece que foi gravado dentro de um pneu cheio de água parada, encostado em um terreno baldio. A caracterização é horrível, resultando em uma cópia de uma cópia do que Bowie vestia na época.

O pessoal reclamou muito das perucas. Honestamente, nem acho que elas são o problema principal nesse sentido. É ruim, ok, mas tudo ali é ruim. Me incomodou mais os dentes histericamente estragados que colocaram no Flynn. Ok, eu sei que Bowie não era o Bocão da Cepacol, entretanto… Os caras zoaram, viu?

Também é ruim a pele do Bowie de Stardust. Entendo que quiseram trazer o mais próximo de como era, mas galera… Se eu quisesse ver realidade eu abria o jornal. Deus me livre abrir o jornal. Podia ter um pouco de cuidado aqui. Se você não tem nada onde se destacar, não vai pegar um dos seus únicos trunfos e fazer dele um exercício de humildade.

Flynn é um homem bonito. Na luz certa e com seu talento, ele até parece um pouco com o Bowie. Com a make ruim, a prótese dentária ridícula e a peruca, porém, o que temos é um Bowie além do caricato. Constrangedor, pra dizer o mínimo.

4. As músicas

Eu simplesmente amei essa parte. Sabe o mais interessante nesse filme sobre o músico David Bowie? Não tem as músicas dele!!! É incrível! Maravilhoso! Inovador!

Eu fico encantada como conseguiram fazer esse filme com absolutamente nada. Nada. A produção não teve autorização da família e, logo, não teve os direitos para usar as músicas do cantor na trilha. E aí, como resolve?

Coloca o Bowie como um atormentado consumido pela comparação com os outros. O filme todo, ele só fala de outros artistas mais famosos e “melhores” do que ele. Cita vários. T-Rex, Rolling Stones, Iggy Pop… Nas cenas em que toca nos shows, ele faz covers desses artistas pelos quais sente inveja. O David Bowie, como sabemos, era um grande invejoso.

Puta merda, como eu amo.

David Bowie no EUA para promover seu novo álbum sem tocar uma música sequer dele. É perfeito.

Não que eu tenha conseguido pegar isso assim de cara. Como falei, conheço pouco de David Bowie. Minha favorita dele é Astronauta de Mármore. Nem essa toca no filme. Eu tenho certeza de que o Nenhum de Nós cederia os direitos, se pedissem com jeitinho.

Infelizmente, não rolou. Faltou iniciativa.

5. O que eu achei, afinal?

Acho que ficou bem óbvio, não é? Eu amei esse filme. De um jeito extremamente coeso, ele caiu no meu coração feito uma bigorna, para me lembrar que se tá ruim pra mim, também tá ruim pra todo mundo.

Quer fazer um filme, um livro, um bolo, um prédio, sei lá, mas não tem nada nas mãos para isso? Meu filho, faça! Tem gente que não faz e tá morrendo. Simplesmente faça! Acredite no seu potencial, oh inferno, meu filho, voa!

David Bowie mesmo morto e a contragosto nos ensina tanto… Puts!

Para não dizer que tudo são flores, falando sério aqui, usando essa analogia reversa, eu digo com total sinceridade que a sequência final do filme, com Flynn no palco como Ziggy Stardust é linda. Sério mesmo, é de arrepiar. Pra mim, é o melhor momento do filme. Apesar de nem saber que música é aquela que ele canta. Do Bowie não é. Deve ser alguma cantiga de roda britânica, essas músicas costumam ser de domínio público.

Se colocassem só aquela cena como trailer, eu acho que o filme poderia enganar muito mais pessoas.

Enfim. Um excelente filme. Experiência fantástica. Ainda bem que eu assisti. Qual era a outra opção mesmo? Xingar prestadora de serviço no Twitter?

Meu querido, eu sou cinéfila.


Stardust está disponível pela 44a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme está na biblioteca do evento até o dia 05 de novembro. Você pode alugar para assistir clicando aqui.

Resenhas

É REAL: VOCÊ PRECISA ASSISTIR “A VERDADEIRA HISTÓRIA DE NED KELLY”

“A Verdadeira História de Ned Kelly”

Sherlock Holmes existiu? Cleópatra existiu? Ned Kelly existiu? Sei lá, e você? Chegando ao final desse 2020 caótico, será que você realmente existiu?

Algumas histórias são boas demais para serem contadas apenas uma vez. E a gente já sofre o suficiente quando resolve insistir nesse apego à realidade. Vamos apenas apreciar uma boa narrativa com cenografia e atuações incríveis (não estou falando da sua vida, estou falando desse filme).

Fiquei transtornada com “A Verdadeira História de Ned Kelly”, que estreia dia 22 nos cinemas e eu pude desfrutar antecipadamente, no conforto da minha cabine digital (leia-se: largada no sofá com a minha gata Bibi). Sendo honesta, eu pouco sabia sobre Ned Kelly. Sempre confundia com o Billy The Kid. Agora ficou bem claro para mim.

A história de Ned Kelly, dizem que é real, já foi contada cerca de 20 vezes entre séries, documentários, minisséries, curtas e filmes. Não sei se você já ouviu falar. Ned Kelly foi tipo o Lampião deles, um cara que sofreu algumas injustiças aqui e ali, teve seu orgulho ferido e juntou um bando para se vingar.

Isso em uma livre interpretação minha.

Em “A Verdadeira História de Ned Kelly”, lançado em 2019 lá fora e chegando por aqui só agora, temos um novo olhar para essa epopeia, em uma roupagem muito mais crua, meio gay friendly (não somos todos?), violenta, pesada mesmo. E eletrificante, como está sabiamente destacado no cartaz.

Aqueles fimes que você assiste pensando “o que é isso, eu só tenho seis anos”. Por aí.

“A Verdadeira História de Ned Kelly”

Justin Kursel, diretor do filme, disse que pensou na narrativa como uma música punk. É bem nessa pegada mesmo. Enquanto nos chocamos com a nudez, a crueza dos diálogos, a brutalidade das cenas de luta, a sensação que fica é de que o filme é todo um corte na carne. Muito real, muito chocante. E impossível de parar de olhar.

Muito desse impacto é crédito de George MacKay, que dá vida ao Ned Kelly punk dessa nova versão. Você pode conhecer MacKay de 1917, quando ele fez aquele soldado azarado que corre bastante, mesmo todo lascado. Aqui ele repete a resistência corporal e acrescenta mais toneladas de fúria. O Ned Kelly de MacKay é pura insanidade, força e ódio.

Como se fosse pouco, ainda temos as participações estreladas de Russell Crowe, Nicholas Hoult, Charlie Hunnam, e Essie Davis, entre outros. Eu assisti ao filme todo pensando “caramba, eles fizeram mesmo isso?”. A gente vive com a sensação de que o mundo lá fora acabou, mas aparentemente algumas coisas foram feitas antes. Como esse filme. O que me deixa muito feliz.

Por isso, eu acho que você deveria assistir também. De 1880 para cá, quando Ned Kelly existiu (existiu?) é claro, muita coisa rolou. Entre versões de outras versões, boatos e exageros, ele sobreviveu por sua loucura e brutalidade, tendo sua história sendo recontada até hoje.

E hoje chegou a versão definitiva desse narrativa.

Acha que estou exagerando? Olha o trailer. Na moral?

Ned Kelly existiu? Não sei, mas eu estou me sentindo viva horrores depois desse filme dele.


Com distribuição da A2 Filmes, “A Verdadeira História de Ned Kelly” chega aos cinemas em 22 de outubro. Eu assisti ao filme antes por cortesia da A2 Filmes (contem comigo para tudo).

Futebol

ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO: SUÁREZ VAI EMBORA, MESSI FICA (TRISTE) (E VAI FICAR AINDA MAIS)

Bom, gente. É preciso muito sangue frio e sobriedade aqui, para poder analisar a situação a partir de um viés semiótico neutro, destituído da vontade de sair matando.

Após longa novela (você soube tudo aqui), Messi fica no Barcelona. Não sem antes dar uma entrevista já histórica, onde não esboça um traço sequer de alegria, involuntariamente espelhando a fisionomia de um brasileiro normal que pula da cama e só coloca o chinelo para se considerar “no trabalho”.

É difícil a escolha de Messi, preservando família em detrimento a processar o clube por ter faltado com a palavra na coisa do acordo de poder sair sem multas no final da temporada. Ficou um disse-me-disse, onde todos estão errados e até que meio certos. No fim, é tudo uma questão de interpretação algo que, sabemos, nunca foi o forte em seres humanos (carece fontes desse tópico no meio animal), ainda mais envolvendo dinheiro.

Gostaria de estar escrevendo sobre a beleza da vida e como meu cabelo fica perfumado com Óleo de Coco, porém esse assunto se torna banal (coisa que não é) quando observamos esse novo desdobramento: Messi fez de tudo para ir embora, fez de tudo para Suárez ficar. E deu tudo errado, como quando você planeja uma noite inteira de diversão jogando The Sims e a luz acaba já às 17h. O destino é implacável em destruir seus sonhos, e ele tem pressa para isso.

As coisas vão ficando mais poéticas quanto mais sofridas, haja vista que a poesia é um modo de dar vazão a dores inevitáveis.

Divago. Voltando ao assunto, o fato de Messi ficar contra sua vontade já é algo que todos assimilamos, inclusive o próprio. Resignação é a palavra forte da nossa vida e da dele. Em uma atualização rápida do que aconteceu desde o meu último post, quando tudo ainda era confuso sobre a situação do jogador argentino no clube, o que tivemos, foi:

Cronologia sem datas, pois o tempo é um conceito que nos impuseram para vender relógio e calendário de mesa:

  • Messi fica. Não por querer, mas porque os filhos choraram pra não sair da cidade, e o Barcelona chorou em ameaças de uma multa de 70 quaquilhões de notas de 200 reais.
  • Começa a doer a barriga do Suárez. Após a demissão por telefone, ele finge que foi só uma noite ruim e vai treinar normalmente, como se nada.
  • “Como se nada” se torna uma das minhas expressões favoritas, e passo a buscar chances de usá-la.
  • Messi esboça seu primeiro sorriso em meses, durante treino ao lado dEle (Suárez).
  • Voltam as conversas sobre Suárez sair do Barcelona.
  • Messi se mantém calado, como uma mulher de 36 anos (eu) que espera que o silêncio ostensivo seja suficiente para que os outros entendam o motivo de tanto silêncio.
  • Suárez é incensado como um jogador grandioso (que ele é), mas que está em fase complicada (idem), o que torna seu valor de venda muito caro e muito barato ao mesmo tempo.
  • As negociações continuam.
  • Messi não sorri mais.
  • Não acho mais nenhuma oportunidade de usar “como se nada”.
  • Meu gato senta perigosamente do meu lado na mesa, arriscando deitar no teclado e perder todas as edições desse texto.
  • Suárez é anunciado como nova contratação do Atlético de Madrid.

Caralho, viu.

A partir daí, muitos sentimentos. É mesmo estranho, em 2020 o digital vai substituir o sentimento. Tudo o que sabemos vem do Instagram e do Twitter dos envolvidos. Rei da Social Media, o Barcelona até faz algumas homenagens e tenta vender essa saída como pela porta da frente, mas devido a tudo que aconteceu, a gente sabe que não foi bem assim.

Suárez marcou 198 gols em seus seis anos de Barcelona, e o que me preocupa é pensar que vai ficar sempre esse número horrível. Faltavam só dois gols. Para além disso, o uruguaio é o terceiro maior artilheiro da história do clube. E o amor da vida do Messi, caso ainda não tenha ficado claro.

Infelizmente, Suárez cabe apenas no coração de Messi e não mais nos projetos do clube catalão, por isso a demissão. Já oficial, a saída de Suárez rendeu diversos reposts de stories no perfil do dentuço no Instagram, lamentando a saída e falando que “bola pra frente” diga-se de passagem, um dos ditados mais assertivos e literais de maneira hilária quando falamos de futebol.

Dois conteúdos, no entanto, eram os mais esperados: o post oficial do Suárez sobre a saída, para a gente ver se ele falaria do Messi ou não, e o post oficial do Messi sobre a saída do Suárez, para a gente ver o que ele falaria.

Já temos ambos. Minha tela tá aparecendo aí pra vocês? Vou compartilhar o ppt, apesar de que hoje minha internet tá bem ruim.

Suárez optou por um sóbrio carrossel simples de seis imagens, com fotos dele e da família com seus troféus, além dessa foto posada no dia da despedida (Sergi bem no canto pra poder ser cropado com facilidade). Messi não é mencionado na legenda, e aparece nessa única foto, distante. Se desse para cortar a tristeza com uma faca, eu estaria agora procurando como amolar as minhas, que já estariam sem fio.

Interessante observar também como a legenda da postagem, em espanhol e inglês, evidencia o homem sentimental que é Suárez, exaltando o clube apesar da traição, lembrando muito o menino de 17 anos que entrou escondido no estádio do Barcelona e disse que um dia jogaria ali.

É foda.

A elegante maneira com que Suárez construiu seu post oficial de despedida, sem postar uma foto de cueca sacudindo as joias da família para a câmera, e sem mencionar Messi, nos dá um indicativo de que vem mais por aí. Suárez é um homem elegante, sim, mas também é bem nervosinho. Estão tirando dele o amor de sua vida. Isso não pode ficar assim. Eu acho que vem mais por aí, não sei não. Aguardem. Eu estou aguardando.

Dias depois, rompendo seu silêncio ensurdecedor nas redes sociais, Messi fez o post de despedida para o seu amor. Vamos começar pelas imagens escolhidas nesse literal carrossel de emoções.

  1. Foto do dia da despedida, linguagem corporal que grita “aqui não podemos”. Em que pese o terno belíssimo do Suárez e a questionável obsessão de Messi por jeans feios, fica claro quem manda aqui (o coração).
  2. Foto de um pós jogo em um passado distante onde podíamos nos tocar. Tente tirar os olhos da mão possessiva do Suárez na nuca do Messi e observe a pele impecável de ambos, indicativo de uma boa noite de muita conversa e entendimento debaixo dos lençóis, se é que me entendes, provável motivo da escolha dessa foto entre tantas.
  3. Caindo feito uma jaca no poço sem fundo do sentimentalismo, uma foto representando o famigerado hábito do casal de beber mate, bebida amarga como o fim de um grande amor. Tem uma música do Engenheiros do Hawaii sobre chimarrão que diz assim: “há um muro de concreto entre nossos lábios, há um Muro de Berlim dentro de mim”. Acho que é sobre isso.
  4. Existe a teoria de que Anto, Messi, Sofi e Suárez são um quadrisal (ou uma simples suruba), como na impressionantemente gráfica canção “Felices Los 4” do cantor Maluma. Ainda a confirmar.
  5. Confirmado.
  6. Colocar a família toda no meio é um modo de lembrar que são muitos os laços que unem esse romance.
  7. Quem é que nunca deu um abraço apertado só pra sentir o cheiro do cangote da pessoa? É uma das táticas mais comuns. Apesar do que tenta dizer a foto 1, essa aponta o que já sabemos, que o sentimento de “amor” não é algo que possa ser controlado. Assim, o carrossel se fecha em um círculo perfeito: abre com um panorama de como Messi e Suárez estão agora (forçadamente separados), conta toda a história de amor, mistura de casais, mate, títulos e reuniões em família e termina com um teaser do futuro, indicando que ainda estarão sempre juntos de alguma forma.

É o que queremos acreditar, mas estou me adiantando. Precisamos ainda analisar a legenda, o que vamos fazer agora. É bem menos protocolar do que a do post do Suárez, pegue os lencinhos de papel.

Já tinha pensado nisso, mas hoje entrei no vestiário e a ficha caiu de verdade. Como vai ser difícil não continuar compartilhando o dia a dia com você, tanto no campo quanto fora dele. Sentirei muita falta. Foram muitos anos, muitos mates, almoços, jantares … Muitas coisas que nunca serão esquecidas, todos os dias juntos.

Vai ser estranho te ver com outra camisa e muito mais te enfrentar. Você merecia sair como o que é: um dos jogadores mais importantes da história do clube, conseguindo coisas importantes tanto coletiva quanto individualmente. E não que te expulsassem, como fizeram. Mas a verdade é que a esta altura nada mais me surpreende.

Desejo a você tudo de bom neste novo desafio. Eu te amo muito, te amo muito. Até logo, amigo.

Amigo. Encerro aqui esse post.

Brincadeira.

Acho que qualquer pessoa aqui que já se aventurou por um webnamoro sabe que relacionamento à distância é complicado. Claro, olhando pelo viés da pandemia, esse é o padrão atual e não deve assustar. Porém, uma coisa é ficar fazendo Zoom com uma paquera descompromissada, outra totalmente diferente é acreditar no poder da conexão de internet para curar um relacionamento de anos que foi feito de pandeiro por diretores de clube.

Não sei como nossos heróis lidarão com essa nova realidade. Mais uma vez, as redes sociais nos darão todas as informações que podemos ter, ainda que não todas as que gostaríamos.

O que esperar do futuro?

Honestamente, se no limiar do final de 2020 você ainda espera algo do futuro, recomendo que se feche para o mundo e proteja a si mesmo desse diamante puro de otimismo que você é.

Em uma abordagem menos cínica, o que posso dizer é que agora a perspectiva é de que o Kissuco desse imbróglio “Messi trabalhando forçado no Barcelona” ferva ainda mais.

Confira o que temos:

  • Messi jogando sem a menor vontade, esperando o próximo fim de contrato, em um cenário pandêmico onde campeonatos acontecem apenas para manter a máquina girando.
  • Suárez em um novo clube, rival do Messi, o que abre todo um novo leque de narrativas de fanfic do subgênero lovers then enemies then lovers extremely hard.
  • Ainda esperamos o post oficial do Suárez dedicado apenas para o Messi.
  • Ainda pode acontecer algum desdobramento por conta do tom constrangedoramente “eu só acho engraçado que…” a respeito do Barcelona no post de Messi.

Vejam que me tornei a mais baixa casta do jornalismo (sou contadora), criando uma narrativa a partir de posts em redes sociais. Mas era isso ou ficar aqui chorando sozinha com minhas teorias.

De modos que vamos seguir assim, aguardando novas postagens e tendo que encarar essa dura realidade onde dois homens não podem mais amar e precisam seguir em frente em clubes separados, como se nada.

Como se nada.

Futebol

ARE YOU READY FOR IT? TUDO SOBRE A REPUTATION TOUR DE LEO MESSI

Mesmo que você seja rocker demais e não curta a cantora soft indie pop country Taylor Swift, deve lembrar do advento que foi quando, tem uns anos aí, ela rompeu com a imagem de santinha boazinha que tolera tudo e se assumiu uma grande cobra venenosa (correndo para que Naja pudesse caminhar). Na época, todo mundo ficou “kkkk nossa, que exagero“, mas no fundo pensou “pior que é foda, o pessoal passou dos limites com ela”.

E esse é todo o contexto que você precisa ter porque, honestamente? Quem se importa? O que ficou mesmo foi essa quebra de personagem, essa mudança inesperada e dramática, que a gente acha graça e debocha, rindo no Twitter e pensando no travesseiro: puts, queria.

É o símbolo, né? Os signos da nossa cultura. Mas o que estou dizendo?

Hoje eu estava tranquila, literalmente cuidado da minha vida, se você considerar que lavar louça hoje é a minha vida, quando chegam as notificações de todos os lados a respeito da saída de Messi do Barcelona. Sendo eu hoje, segundo levantamento feito por mim, a maior autoridade em Messi na mídia mundial, é natural que a notícia 1. seja da minha alçada; 2. não me pegue de surpresa.

Ainda assim, tudo me magoa.

Tentando entender o que de fato aconteceu e preenchendo todos os fatos que não aceito com romantismos que só vão me magoar ainda mais em um futuro muito próximo, trago aqui a cronologia dos fatos que culminaram na virada de mesa de Messi, que após 20 anos de clube simplesmente amarrou um post it no pé de uma pomba e arremessou a penosa por sua janela até acertar a cabeça do técnico Koeman. O post it dizia apenas “Seu bosta!”.

Ou pelo menos isso foi o que se soube.

Que seja. A seguir, como Messi foi de santinho abobalhado que come doce de leite e chora (se reconheceu? recomendo terapia) para a cobra vingativa que aproveitou uma cláusula ambígua de contrato e deu um cagaço de 700 milhões de Euros em seu clube do coração para salvar o emprego do seu verdadeiro amor, Luiz Suárez.

Ah, por que você achou que não era sobre isso, né?

Você está falando com Tati Lopatiuk, biografa informal de Lionel Messi e inventora do ship #Messuarez. Tudo é sobre isso. Se não é, eu faço ser.

Are You Ready For it?

Tudo o que Neymar toca vira bosta – o começo do imbróglio

Lembra de junho, julho… Agosto de 2019? Era outra vida, né? Era bom demais. Mas foi ali que começou a azedar a linda história do Messi com o Barcelona. Até então, Messi sempre foi um lindo anjo bonzinho que nunca reclamava de nada. Porém, por volta dessa época, houve uma negociação, que acabou não dando em nada, sobre uma possível volta do Neymar para o Barcelona. Pois é. Mas não deu certo e o Messi ficou muito puto.

Como todos sabem (hola, advogados do Messi, o print pro processo contra mim começa aqui), Neymar foi o primeiro amor extra-conjugal de Messi. Com a saída do brasileiro para o PSG, a história de amor dos dois ficou muito mal resolvida (leia o livro 1 da minha série O Evangelho Segundo Leo Messi para saber mais). Isso foi em 2017. Em 2019, houve essa tentativa de volta, que não rolou, e sobre a qual Messi se pronunciou contra o Barcelona pela primeira vez: “Não sei se fizeram todo o possível“, disse o argentino. Quer dizer, bravo. Isso aí era o Messi bravo. A declaração chocou a todos, foi praticamente o Bad Blood dele.

O fator Griezmann – pão francês na frança é só pão

Vamos lembrar que lá em 2017, quando o Neymar saiu do Barcelona, foi complicado porque ele, junto com o Messi e o Suárez, formavam o trio de ataque dos sonhos, o famigerado MSN. Após essa quebra, foram várias as tentativas de recriar essa mágica, mas não dava muito certo. Coutinho, embora um anjinho lindo, esforçado e puro, não conseguiu (mas rendeu um bom affair, leia o livro 2 das minhas fanfics).

Só que não tinha jeito. Nem Neymar voltaria, nem ninguém conseguia ocupar o seu espaço. Enquanto isso, o romance entre Messi e Suárez se intensificava (leia minha thread) (saiba tudo no livro 3). E nisso, ainda em julho de 2019, chegava Griezmann para sepultar qualquer chance do pai voltar a ficar on no Barcelona. Isso também desagradou Messi, o que fez o argentino até mesmo tratar mal (dizem) o francês Griez, um pobre rapaz sem costume de lavar o cabelo que só queria ser feliz e ganhar muito dinheiro!

No fim, o Messi até acabou se envolvendo com o Griez (leia o livro 4), mas não foi lá aquelas coisas e Messi já estava até aqui com ninguém ouvi-lo sobre seus pitacos de escalação.

E ficaria pior.

O calado não vence: big reputation, big reputation, ooh you and me would be a big conversation, ah

A partir do momento que foi estabelecido que Neymar não voltaria e que seu substituto seria essa coisa aí chamada Griezmann, Messi passou a ser mais vocal, vamos colocar assim, sobre qualquer coisa no clube que lhe causasse descontentamento. Vale dizer que a insatisfação de Messi vinha não só de não ter sua opinião levada em conta, basicamente, mas porque ele via (e qualquer um podia ver) (e todos nós estávamos vendo) que o Barcelona já não rendia tanto com o time como estava. E que ficava cada vez mais unicamente sob sua responsabilidade as vitórias do Barcelona. Especialistas afirmam que entre o meio de 2019 e o meio de 2020 Messi chegou a desenvolver uma hérnia sentimental de tanto carregar o Barcelona nas costas.

Enquanto isso, o mundinho Barça desabava. No começo de 2020, Valverde, o icônico técnico do Barcelona e muito respeitado por Messi, é demitido. Algum tempo depois, Messi vai ao Instagram dizer para terem cuidado ao reclamar dos jogadores do Barcelona, dizendo que não era para colocar todos no mesmo “balaio”. Seja qual balaio Messi estivesse, imagina-se que vários estavam se formando no clube, indicando um racha na equipe após a troca de técnico.

Outras questões marcaram o começo de 2020, quando em março, com o início da pandemia, Messi se envolveu em toda aquela treta de redução do salário dos jogadores. Ele pediu para não pressionarem o elenco. Ninguém estava pressionando o elenco, todo mundo estava nervoso. Calma, Messi.

Entre junho e julho de 2020, Messi foi notícia ao literalmente dar as costas e ignorar as orientações do auxiliar Sarabia. Coisa que ele, sempre muito educado, jamais faria. Após mais uma derrota inevitável, Messi foi enfático, dizendo que o Barcelona tinha sido muito fraco na temporada.

Nesse ponto, já era clara a insatisfação de Messi. Seja por falta de voz, seja pelas decisões arbitrárias dos dirigentes. E aí chegou agosto, mês do desgosto, e aconteceu a gota d’água.

Nobody puts Suarez in a corner

Após algumas derrotas e vergonhas, mais um técnico cai e chega Koeman, um safado que já teve passagem no Barcelona e nessa volta, chega com a missão de ser pau mandado da diretoria. Mas estou me exaltando.

Eu já mencionei o pisão de 8×2 que o time levou do Bayern? Nem precisa, né? Risos.

Estando o time um bosta, Koeman, como qualquer Head de Criação em seu lugar, chega querendo mudar tudo achando que entende muito do trabalho do pessoal que é chão de fábrica (spoiler: não entende). Entre seus primeiros e mais polêmicos desmandos, Koeman pega o telefone, desbloqueia a tela, e telefona para Suárez para demiti-lo, em uma ligação de menos de um minuto de duração.

Swifters, vejam como a história se conecta. Foi exatamente do mesmo jeito que o Joe Jonas terminou com a Taylor.

Suárez não é só o amor da vida de Messi, embora isso pese mais do que tudo (na minha opinião de historiadora). O uruguaio é também o terceiro maior artilheiro da história do Barcelona e, sim, o maior garçom de Messi, servindo taças de vinho em casa e passes à gol em campo. Toda a trajetória de Suárez foi jogada no lixo com o telefonema, o que é uma pena e uma vergonha em qualquer nível que se observe.

E isso, somado a todo o cenário que se desenhou desde o ano passado, mais o vexame recente na Champions, mais uma certa preguicinha de estar 20 anos no mesmo emprego, mais a conversa que Koeman teve com Messi, dizendo que ele perderia todos os seus privilégios(???) no time, mais o fato de mandarem embora literalmente (estou em uma fase de dizer muito “literalmente”) o único sorriso no rosto de Messi fez com que o jogador desse um basta!!! e arremessasse o pombo metafórico na cabeça do Koeman, como falamos lá no começo.

Mas não foi só uma pomba. Messi, tão ardiloso quanto sua musa inspiradora Taylor “Big Rep” Swift, tinha uma carta na manga para sair dessa por cima.

A cobra que mordia: Messi faz seu truque final

Agora você deve estar pensando (eu sei o que você está pensando): mas cacetada, o Messi pedir as contas assim do nada, ele vai perder todo o FGTS dele, tinha que esperar os caras demitirem ele!

Os caras nunca vão demitir ele. Por que o contrato do Messi foi feito aos 13 anos de idade, em um guardanapo de papel, do tanto que esse asno ama essa merda desse clube. Que ódio.

Desculpe. Hoje estou um pouco sentimental.

O fato é: Messi ama o Barcelona. Muito. Desde criança. E por todo esse tempo, o que a gente sente é que a diretoria sempre contou com esse fator sentimental da história de Messi com o Barça, com o fato de que ele ama o clube mais do que tudo, para fazer o que bem entendia, acreditando que Messi, esse santinho bobo, jamais sairia do seu time do coração.

Porém, o homem só aguenta até certo ponto. Messi poderia continuar ali ouvindo bosta por mais uns anos e curtir tranquilo sua aposentadoria? Poderia. Mas por mais que ele ame o Barcelona, ele não ama mais do que ama o Suárez.

Por favor, não me interrompa enquanto estou falando de amor.

Por isso, Messi pegou um brecha em uma das cláusulas do seu contrato e achou um jeito de sair do Barcelona sem pagar um centavo sequer de multa. Em algum ponto do documento, se menciona que o jogador pode sair do time sem multa após o final da temporada. Em um ano normal isso se daria em maio. Com a pandemia e o isolamento social, esse período ficou nebuloso, já que houve paralisação dos jogos. Em tese, a temporada só acabou agora. Por isso, só agora, já por aqui com tudo, Messi pede demissão e periga sair de graça do Barcelona, em uma artimanha fiscal sem precedentes.

Mas dizem…. Dizem que por mais que essa cláusula realmente exista e tenha esse entendimento tão subjetivo, Messi a usou como falsa ameaça. Só para dar um susto nos caras, já que mediante a apresentação da sua carta de demissão hoje (a pomba passa bem), ainda existe um período de uma semana para negociação. Durante esses sete dias, Messi tentaria trazer Suárez de volta, como condição para ele mesmo ficar.

Não é fanfic (nunca foi, leia o livro 5 da minha série), Messi realmente estaria disposto a esse blefe para salvar a carreira do seu amor Luchito.

No entanto, mesmo que não seja isso… A janela de contratações termina em duas semanas. Qualquer que seja o plano de Messi, esse é o prazo máximo para ele se movimentar. Em setembro, já saberemos se ele estará aposentado vivendo de renda em Santa Catarina, feliz da vida com Suárez no Barcelona, em um grande comeback a la Tieta do Agreste ou, essa opção também existe, em um novo clube que tenha cacife para bancá-lo. Dizem que esse time seria o Manchester City.

Eu não sei de mais nada. Eu apenas choro em posição fetal e espero. Enquanto escrevo esse texto, é madrugada em Barcelona. Qualquer decisão que vá ser tomada, já está encaminhada e prestes a ser revelada.

Veremos. O próximo álbum da Taylor Swift depois de Reputation é Lover.

Eu quero acreditar.

Dicas

10 chick lits modernas para aquecer o coração

Para quem cresceu lendo chick lit, ou livro de mulherzinha, como chamam por aí, é um pouco complicado seguir encontrando boas obras nesse gênero na vida adulta, quando nossa visão de amor muda um pouco e a gente já evoluiu tanto. Além disso, a partir das conversas que o movimento feminista ampliou no decorrer dos últimos anos, é difícil hoje ler as histórias “água com açúcar” como as que líamos dez ou quinze anos atrás e não problematizar.

A boa notícia é que, ao contrário do que se pode pensar, esse gênero não parou no tempo. É claro, ainda existe por aí muita coisa datada e de mau gosto nas prateleiras. Mas também existem muitos títulos modernos, que sabem falar de amor como hoje queremos ouvir. E ainda com aquele toque romântico que nos encantou lá no começo da nossa jornada como leitor.

A seguir, trago a minha lista de dez chick lits modernas favoritas. São histórias de amor, com romance, paixão e humor, mas sem ferir ninguém. Além do seu coração, é claro.

Importante! Clicando no título dos livros, você será direcionado para a página deles na Amazon. É possível comprar na versão física ou ebook. Comprando por esse link, você garante uma pequena comissão para mim, sem acréscimo no valor final da compra.

Lendo de cabeça para baixo, de Jo Platt

Esse livro me fez rir e chorar com a história de uma recém-divorciada que trabalha em uma loja de livros e tem um vizinho muito bonito e bonzinho. A escrita é super fluente e chique, uma coisa meio Um Lugar Chamado Notthing Hill, sabe? É daqueles livros que fazem você se sentir super refinada por estar lendo um romance de alto nível que é, no final das contas, mais uma história de amor super clichê. Porque a gente ama ser erudita, mas ama ainda mais um clichê.

Aliança de casamento, por Jasmine Guillory

Falando em clichê, esse é um clássico: eles se conhecem no elevador e o moço convida a moça para ser namorada “falsa” dele em um casamento. Ela topa, é claro. Esse é um livro especialmente interessante porque o casal é inter-racial, o que rende algum caldo. Além disso, eles moram em cidades diferentes, e amor à distância acaba sendo outro elemento importante da trama.

Minha vida (não tão) perfeita, por Sophie Kinsella

Kinsella é rainha do gênero e soube adaptar suas histórias para os dias de hoje. Prova disso é esse seu título, um dos mais recentes, que conversa bem com o que a gente vive no cotidiano. Aqui a nossa heroína finge ter uma vida perfeita nas redes sociais. Na vida real, a história é outra, e isso acaba se virando contra ela quando contratempos a obrigam a cair na real. E, claro, no meio disso, surge uma história de amor inesperada.

Uma noite com Audrey Hepburn,
por Lucy Holliday

Primeiro de uma série, esse livro traz a história de uma moça meio maluquinha que, um belo dia ao voltar para casa, se depara com Audrey Hepburn em seu sofá. Ainda sem saber se é sonho ou delírio, o fato é aceito e logo temos Hepburn ajudando a protagonista em seus casos amorosos. É hilário e muito fofo.

E se acontece?, por Melanie Harlow e David Romanov

Esse livro incrível tem todos os elementos que a gente ama em uma chick lit: casal que começa se detestando, depois ficam próximos, depois ficam juntos, uma química irresistível, cenas hilárias e outras super quentes. A diferença é que… é uma história de amor entre dois homens. Um dos melhores romances que já li, vai surpreender você também.

O ar que ele respira, por Brittainy C. Cherry

Foi lendo os famigerados romances de banca como Júlia, Bianca e Sabrina, que muitas de nós começamos a amar chick lit. Hoje esse tipo de literatura ganhou um “banho de loja” e faz bonito nas prateleiras comuns, com títulos poderosos que se tornam best sellers entregando o que a gente mais ama: romances inevitáveis, heróis irresistíveis e a Cura Através do Amor. Cherry domina essa literatura muito bem e esse é só mais um dos seus livros maravilhosos. Sério, é paixão à primeira página.

O lado feio do amor, por Colleen Hoover

Gosta daquelas histórias de amor sofridas, onde os dois no casal são problemáticos, onde o drama impera e tudo parece sem solução? Esse livro é para você. Lágrimas, lágrimas e mais lágrimas, e ainda assim, é uma história incrível e impossível de parar de ler. Recomendo demais.

A melhor coisa que nunca aconteceu na minha vida, por Laura Tait e Jimmy Rice

Esse é daqueles romances bonitinhos onde dois jovens que já foram um casal se reencontram após anos e decidem ter uma segunda chance. É super leve e divertido. A narrativa, escrita a quatro mãos, é deliciosa.

Amor à segunda vista, por Mhairi McFarlane

Adoro esse livro, detesto essa capa, que conta muito pouco da grandeza desse romance. Também na linha “ex-casais que se reencontram”, esse ainda traz elementos que somam à discussão, como bullying, gordofobia e mais. Bem interessante, brilhantemente construído e mais, extremamente divertido e inspirador.

Beijando horrores, por Tati Lopatiuk

Gosto tanto de chick lit que já escrevi mais de dez, nos mais variados formatos. Mas essa é a minha favorita, porque é a mais recente e, também, porque foi a que mais me diverti escrevendo. E ainda me divirto muito com ela, relendo de vez em quando. É a história de uma garota um pouco atrapalhada que começa em um novo emprego se envolve em uma paixão bem improvável.

Gostou da lista? Espero que ela inspire suas próximas leituras. 🙂

Dica final: mesmo que você não tenha um Kindle é possível ler ebooks pelo app do Kindle no seu celular ou tablet ou pelo próprio site da Amazon, no seu navegador. Esse artigo aqui explica certinho, é bem simples.

Brain Dump*

Imagina, não precisa

Photo by Bruce Christianson on Unsplash

Nunca tinha sonhado com meu primo até que ele morresse, assim como nunca tinha passado um tempo tão grande presa em casa de modo que cada sonho meu, onde ando por lugares, frequento bares, vejo a rua mais de perto, parecesse uma idealização dolorosa da vida que estou deixando de viver. Também é fácil, é claro, se comprazer com a morte abrupta e injusta de uma pessoa de trinta e poucos anos de idade e fazer dessa morte um bom ponto de referência pessoal de toda a vida que deixou de ser vivida.

Quero fazer desse texto o menos triste possível, dentro do que posso. Também quero falar o menos possível dos sonhos em si, porque, você vai concordar comigo, a única pessoa que liga para os nossos sonhos é a gente mesmo. E eu digo isso em todos os sentidos, e você entende isso em todos os sentidos e pelo menos nisso, concordamos. Em conversas de escritório, papos furados em mesas de bar, falar “sonhei um negócio engraçado” é sempre a chave para fazer a mente do seu interlocutor voar, e nunca da maneira que você acha que ela está voando.

Sempre que sonho com meu primo, estamos em alguma aventura. Alguma coisa inesperada, drinks diferentes, passeios de carro. Ele me diz algo muito interessante que esqueço assim que acordo, mas fica aquele peso de que, por alguns instantes, eu soube uma boa solução para algo que, acordada, não vejo como problema. Navegando pelo duro ano de 2020, tudo parece um problema, mas eles vão se apequenando conforme olhamos o cenário completo. O problema é que olhar o cenário completo também é um problema daqueles, então só resta você em posição fetal sentindo dores e se sentindo culpado por senti-las.

Mas eu falava do sonho, ainda que tenha dito que falaria pouco dele. Estamos em um bar com um cardápio maluco, cada drink custa caro e vem muito pouco na taça, o que já entendemos como um indício do forte teor alcoólico dessas bebidas. Nos sentamos à mesa e percebo que estamos sem máscaras, o que me sinto inibida de questionar, já que meu primo já está morto mesmo. Ele não parece se preocupar, quem sabe eu devesse me preocupar, mas fica tudo um pouco invertido em nossas prioridades ao beber em um bar com um defunto.

Não lembro de uma frase sequer que trocamos, porém olhando agora o calendário, vejo que hoje faz exatos dois anos da sua morte, então era uma celebração? Foi uma celebração, nós brindamos. Isso eu lembro. Assim como lembro que, no sonho, assim que saímos desse bar, andamos de carro pela Paulista, o que nunca fizemos, e era um dia lindo de Sol.

Um dia tão lindo de Sol como esse que me recebeu hoje de manhã, assim que acordei.

Momentos felizes parecem borrados ultimamente. A indulgência faz você comer o seu sorvete favorito no intervalo do almoço, então como fazer de um momento no sofá vendo série algo especial? Estou há semanas presa nas mesmas reprises, sem forças para começar algo novo. Os projetos de quarentena são todos diluídos em momentos isolados de euforia.

Porém, como disse, não posso reclamar. Está tudo bem, dentro do possível. Mais do que bem. Revisando meu diário, notei que junho foi o mês mais feliz desse ano, para mim. Vários motivos, e olha que o cenário não é nada fácil. Então, sem lágrimas.

Mas quis contar isso. Do sonho. De como nossa mente acha jeitos de voar por aí, ainda que conscientemente a gente acene constrangido dizendo “imagina, eu estou bem, não precisa!”. Bom, quem sabe precise.

Eu sou feliz, eu estou bem. De verdade mesmo. No entanto, contudo, toda vida, foi bom voar por aí.

É bom poder voar por aí, e a gente sempre encontra os nossos próprios meios.