Resenhas

Episódio a episódio: The Crown, a 3ª temporada

Chega a ser patético o quanto The Crown me impacta, seja pela narrativa elegante, os figurinos maravilhosos ou mesmo por essa curiosidade de ver a vida alheia como uma novela. Sem falar na coisa de ser rei, de ser rainha, algo que como boa plebeia eu considero extremamente chique.

É triste ser colonizada como sou, eu fico simplesmente em surto e até choro em alguns episódios, como se esses velhacos milionários beirando a fossilização eminente fossem realmente relevantes para a minha vida prática. Não são. O que não me impede, é claro, de gastar horas vendo a série deles, chorando por eles, escrevendo posts sobre eles.

Essa temporada nova de The Crown foi muito aguardada, por trazer atrizes do calibre de Olivia Colman (até ontem ninguém, hoje em dia tudo) e Helena Bonham Carter (do nada, livre de Tim Burton). Interpretando a Rainha Elizabeth e sua irmã Margaret, respectivamente, as duas tinham a desafiadora missão de superar as atrizes que davam vida à essas personagens da vida real até a temporada passada. Deu certo?

Isso é o que você vai saber (ou não) a seguir, no meu “episódio a episódio” da temporada três de The Crown, que trago logo a seguir, como se não tivesse mais nada para fazer na vida.

⚠ Atenção! Antes que você prossiga a leitura, vale dizer que o conteúdo a seguir contém spoilers. Spoilers de coisas que aconteceram literalmente 60 anos atrás, mas ainda assim, para o leitor sensível e que não pode ser contrariado nem por um segundo: spoilers.

A terceira temporada de The Crown:

01 – Olding: A temporada nova já chega com os dois pés nos peitos com a morte do querido(!) e contraditório(?) Churchill. A Rainha tem um momento fofo com ele, dizendo que, na verdade, é lógico, o estimou muito e ele foi muito importante para ela. Temos aquele momento de adaptação de entender e nos chocar com os novos atores interpretando os personagens que já conhecemos, Olivia Colman não para de fazer beicinho e a Margaret de Helena Bonham Carter parece apenas uma Marla Singer com dinheiro, mas vamos dar um voto de confiança.

02 – Margaretology: Ah bom, agora sim. HBC tem seu momento de brilhar, em um episódio inteirinho para ela mostrar o quanto Margaret continua sendo maluquinha & deprimida, indo em uma missão de tentar agradar o então presidente dos EUA e garantir uma graninha para a Coroa. Também descobrimos que o casamento da Margaret com o arromb*do do fotógrafo continua sendo aquela coisa louca de ciúmes e descaso, o que magoa e coloca tudo em perspectiva.

03 – Aberfan: Onde somos informados que a Rainha não chora (também, pudera, não tinha animação da Disney na época). Uma puta tragédia mata mais de 100 crianças em um desabamento de uma mineiradora – e a Rainha demora meses para ir lá visitar a população em luto, sendo que nem derrama uma lágrima sequer. Puxado.

04 – Bubbikins: Chegando nesse ponto da temporada, você percebe que a narrativa está meio travada. Não existe uma ligação forte entre um episódio e outro, não está fluído. É como se fosse o Modern Love da aristocracia: cada episódio é uma história isolada. Neste em especial, temos um vislumbre ótimo da mãe do Philip, a sogra da Rainha, a Princesa Alice da Grécia. A idosa parece ser apenas maluca, no entanto ao ser forçada (por falta de dinheiro) a ir morar com a monarquia, você entende que vida sofrida ela teve. E aí, nisso, o próprio Philip, ou Bubbikins como a mamãe o chama, tem a chance de perdoar sua genitora. E se perdoar também.

05 – Coup: Aqui você larga a mão mesmo e pensa: bom, vamos reparar nos looks, porque essa coisa de política já deu. Pelo o que eu entendi, alguém foi deposto e aí estava armando um golpe para cima do primeiro-ministro – nessa temporada interpretada pelo mesmo homem que faz Austin Powers. Nisso, o pau torando nos partidos políticos e a Rainha faz o quê? Ela vai para a França ver coisa de cavalo, meu bem. Por que ela notou que os cavalos dela estavam indo mal nas competições, então ela pegou e foi pra uns países aí ver como cuidam dos cavalos, pois o método real estava defasado. Isso nos rendeu lindas cenas da Rainha comendo ao ar livre, cavalos legais de se ver correndo e… Ficou por isso? Não entendi muito bem. Ela precisou voltar às pressas para resolver a coisa do golpe (o que ela resolveu simplesmente falando duro com as pessoas) e os cavalos mesmo a gente não teve como saber se foram fazer cursinho para correr melhor ou se a ideia simplesmente ficou esquecida no churrasco.

06 – Tywysog Cymru: Depois dessa primeira metade de temporada absolutamente irregular e fraca em carisma, o episódio 6 chega nos fazendo gritar porque logo na primeira cena temos ele, o Príncipe Charles!!! Já crescido, simplesmente um homem, somos (re)apresentados ao cidadão que um dia partiria o coração da Lady Di e o nosso! E sabe o pior de tudo? Ele é um rapaz bonito, bom e totalmente adorável! É horrível isso! É isso que The Crown faz com a gente, faz a gente sentir empatia pelo Príncipe Charles! Nesse episódio, ele está lá tranquilo na facul quando a Rainha chama ele e o obriga a passar 3 meses no Paìs de Gales para aprender galês – e em galês e no País de Gales fazer sua investidura como Príncipe do País de Gales. Ou seja, manda ele nesse cursinho intensivo para ele poder ser apresentado à sociedade como príncipe e futuro rei (kk, a Rainha hoje já tem 93 anos e passa longe de cemitério). Nisso, tem todo o conflito que o Charles não queria nada daquilo, mas ele é tão cordato e extremamente educado que vai e aprende muito sobre o Pais de Gales e si mesmo, etc. Inferno. Inferno de episódio perfeito.

07 – Moondust : Dando prosseguimento à sua missão de dar enfoque às narrativas masculinas em uma série sobre uma Rainha, The Crown traz nesse episódio o impacto brutal que a primeira viagem do homem à Lua teve nos sentimentos do Príncipe Philip, aqui em crise de meia-idade e todo cheio de não-me-toques. A cena em que o marido da Rainha tenta entrevistar os astronautas, fazendo umas perguntas tão tontas de criança de 13 anos, foi uma das mais constrangedoras da temporada. Ao mesmo tempo, chega um padre novo na paróquia que abre um AAA espiritual para homens de meia-idade que estão perdidos na vida em relação a projetos & sonhos. Relutante a princípio, o Príncipe Philip acaba entrando no clube, finalmente entendendo que ir pra Lua é fácil, difícil é viver aqui na Terra. Força, homens.

08 – Dangling Man: Mais um episódio para fechar ciclos, aqui reencontramos o Duque de Windsor, lembra dele? O tio da Rainha, que abdicou da Coroa pelo amor de uma mulher e foi exilado em Paris. Pois, interpretado por Cid Moreira, o homem está nas últimas, então a Rainha vai até a França visitá-lo e se despedir. Um episódio muito bonito e emocional (depois de Aberfan, a Rainha já consegue chorar), onde também sabemos mais de Charles: o Duque revela à mãe do rapaz que eles se comunicavam por cartas e que Charles vê muito do Duque em si mesmo. Ou seja, um homem deslocado da família, incompreendido e que ainda vai acabar sendo escorraçado dali por querer ser quem é. Premonitório? Não, porque os roteiristas já escreveram sabendo o que aconteceu na história. Ainda assim, causa arrepios.

09 – Imbroglio: Tudo, absolutamente tudo o que eu sempre quis. Aqui a gente conhece sabe quem? Camilla Parker!!! Que na época era só uma jovem cabeluda e se chamava Camilla Shand, seu nome de solteira. Gente, eu nem sabia que o Charles era apaixonado por ela desde jovem! Pois bem, aqui mostra como eles gostavam um do outro e chegaram a se relacionar. Mas como a Camilla era meio da pá virada e tava saindo com o outro cara também, o Parker, a família real interviu e achou um jeito de separar o Príncipe desse que foi seu verdadeiro amor! Aí apressou o casamento da Camilla com o Parker e mandou o Charles em uma missão de 8 meses no Caribe! E o Charles ficou triste para um caralho porque ele amava a Camilla, mas ela não era “wife material”, sabe? Saco! Nossa, eu chorei demais nesse episódio. Um episódio bom, inclusive, para notar como a Rainha vai ficando cada vez mais dura e implacável com o passar dos anos. Nossa! A cena em que o Charles fala que está sendo silenciado, que ninguém deixa ele ser ele mesmo e ela responde na cara dele que ninguém quer ouvir a voz dele, puts! Imagina ouvir isso da sua mãe? Força, Charles. Kkkk, só eu mesmo, preocupada com o Príncipe Charles.

10 – Cri de Coeur: Já estava ficando um pouco angustiante ver Helena Bonham Carter como figurante de luxo, eu acho que os roteiristas pensaram isso também, então deram um episódio todinho para ela, mais um, e que episódio! Aqui Margaret finalmente entende que seu casamento é um fracasso, o safado do fotógrafo com uma amante que ele nem procura esconder. Ela surta em seu jantar de aniversário – que ele nem foi! – e a família real defende o cara, ainda por cima. Aí a Margaret despiroca mesmo, pega uma amiga e vai viajar para as praias, onde arranja um boy toy e se permite curtir a vida um pouquinho – vamos colocar dessa maneira. No entanto, nada é fácil, a imprensa descobre, vira tudo um grande escândalo e ela decide se divorciar do fotógrafo – apenas o segundo divórcio em toda a história da família real. Comoção! Cenas lindas, lindas, da HBC ao piano, linda demais de chapéu e cantando. No fim, o boy toy mete o pé também e ela acaba sozinha e tenta se matar, o que é triste demais. A cena da Margaret e a Rainha conversando sobre a relação delas é Emmy tape, você pode ter certeza. E o Emmy vem! Outra coisa, é a comemoração do jubileu da Rainha, o que quer dizer que já são 25 anos no poder. Puxa, como o tempo passa rápido quando a gente está se divertindo! A série termina nesse tom meio melancólico de retrospectiva e o peso amargo das nossas decisões, dando um ar de que o couro vai moer mesmo é na próxima season, onde o Charles vai conhecer a Diana e vai ser TUDO.

Ainda que de começo meio irregular, eu gostei bastante dessa nova temporada. Olivia Colman fez bonito assumindo o posto que antes era da perfeita Claire Foy – como sabíamos que ela faria. Interpretar a Rainha Elizabeth não é fácil, por todos os motivos, mas também porque ela fala menos a cada temporada e sobrou para Olivia, nessa, se fazer impactante tendo como recurso principal apenas olhares profundos e torcidas de boca.

Helena Bonham Carter também foi bem, apesar de ser estranho vê-la em roupas formais. Ela realmente brilhou no episódio final, espero que seja reconhecida por isso em premiações futuras.

Para mim, no entanto, e isso já deve ter sido notado, a grande surpresa (boa!) dessa season foi mesmo o Príncipe Charles. Interpretado absolutamente sem erros pelo orelhudo Josh O’Connor (quem é este homem? onde ele esteve?), ele dá um nó na gente, nos fazendo sentir empatia por um personagem que nos acostumamos a ver como vilão.

Para a próxima temporada, espero muito mais dele (provavelmente interpretado por outro ator mais velho, ô sorte) e muito mais de todas essas jóias, caras e bocas, dramas e dores de pessoas brancas, velhas e pornograficamente ricas.

Ansiosa desde já!

Brain Dump*

Ano que vem eu quero fazer menos

The Crown ( 2016 – )

Eu estava para dizer um milhão de coisas, e no fim pareceu que nada tinha importância, ainda mais quando colocado em perspectiva. A vida de quem busca validação em tudo é excruciante e tem dias longos. Às vezes, eu gostaria de garantir apenas um grande “ok” geral que me permitisse seguir no automático, sem ficar a cada 30 segundos checando mentalmente se está tudo bem.

De uma maneira magnética e inesperada, esse CD novo do Cigarettes After Sex, de cômico título “Cry”, me cativou como nada nunca antes.

São músicas extremamente melancólicas, o que em geral detesto, mas deve ter ali algum ASMR que me prende sem que eu precise me preocupar com a coerência do meu gosto musical.

Digo “inesperada” porque eu nunca tinha ouvido essa banda. E, no entanto, hoje, esse CD é só o que consigo ouvir quando quero focar ou me desconectar da vida para poder focar.

E enquanto me preparo para aceitar o peso enorme de ter meus desejos realizados, assisto a filmes e séries, me alimentando dessas narrativas paralelas. Existem momentos que são especiais para degustar a indústria da cultura, onde inesperadamente algum tipo de vibração boa emana da vida e faz com que esses produtos pop pareçam ser mais do que realmente são.

O que chamo de “momento de rara beleza”.

Tive um momento de rara beleza em alguma madrugada desse feriadão, quando decidi que não era muito tarde da noite para ver “O Operário”, aquele do Christian Bale em que ele está magro horrores.

“The Machinist”, Diretor: Brad Anderson (2004)

Tem dias que você fica horas rodando pelos catálogos de streaming e não escolhe nada. Tem dias que você bate o olho em um título e pensa “é esse”. Honestamente, eu nem sabia do que se tratava o filme – o que hoje é meu método padrão para consumir algo cultural: nem saber do que se trata.

Me vi hipnotizada pela magreza doentia do Bale e mais a trama tão paranoica e absolutamente triste. Depois fui ler sobre o filme e fiquei magoada em níveis brutais com o fato de não ter rendido sequer uma indicação ao Oscar para o ator.

Coisas que só comprovam que emagrecer para caralho, muitas vezes, não leva nada e está longe de ser a solução para tudo.

De qualquer modo, foi alguma coisa ficar vendo esse filme de madrugada e no escuro, tendo que aceitar o fato de que ele me estava me causando medo. E aí, me questionar “medo de quê, minha filha?”.

Sem dúvida, medo do que a nossa cabeça pode fazer a gente se tornar. E aí, sei lá como, o que vivenciei assistindo aquele filme, somado à atmosfera perfeita que me rodeava enquanto eu o assistia, fez com que ele se tornasse melhor do que provavelmente é, sendo alçado à categoria de filme inesquecível para mim. Assim, do nada.

Também tive o mesmo medo – e momentos felizes – em curtir (uso “curtir” de maneira totalmente livre, como se tivesse idade para isso) a nova temporada de The End of the F***ing World. Aliás, me espanta o quanto essa série é subestimada.

The End of the F***ing World (2017 – )

Nessa nova jornada, o que mais me emocionou foi como a série manteve o padrão e, ao mesmo tempo, mudou tudo ao fazer os personagens romperem com o que conhecíamos deles. Mais maduros, saindo da adolescência, Alissa e James são menos o esteriótipo do adolescente problemático “sociopata” e mais jovens adultos lidando com todas as merdas que tornaram eles as pessoas que são hoje.

Em uma palavra? Tudo.

Nesses momentos de rara beleza, seja assistindo a um filme ou série, caminhando sem rumo em um parque no sábado de manhã, deixando que a vida me convença que eu posso ser feliz na maneira com que quem eu amo me sorri, eu digo isso sem medo de ser piegas, eu decidi que quero fazer cada vez menos.

Estou exausta de correr na vida como um hamster dentro de uma roda, sempre vivendo tudo à milhão e sem viver de fato. Me espalhando em opiniões, posts e fotos que não me trazem retorno algum além da ansiedade de receber esse retorno. Por isso, decidi que quero menos, para poder aproveitar de fato o que tenho, e assim ter mais. Quero ler menos, consumir menos, ser mais sobre mim do que sobre a narrativa fictícia do outro. Quero estar em menos lugares ao mesmo tempo e estar por completo onde estiver.

Não quer dizer que eu vou virar uma ermitã. Não com esse celular que eu tenho, com tantos apps legais. E não se engane, eu ainda amo o escapismo que o entretenimento me traz, não vou abandoná-lo. De fato, é por amar tanto que eu quero menos, para poder sentir de verdade.

Se ainda é cedo para fazer planos de ano novo, eu não sei. De todo modo, me sinto feliz em fazê-los, em ver a minha vida como algo ordenado e claro, para o qual eu posso tecer planos. Algo que só foi possível após muita tempestade. Logo, nada mais justo do que aproveitar da melhor maneira possível.

Ou seja, assistindo a nova temporada de “The Crown”, que inclusive está incrível.

Brincadeira. 😉

Ano que vem eu quero fazer menos, e viver momentos de rara beleza cada vez mais.

Resenhas

KLEXOS, Corleone: faixa a faixa, finalmente chegamos

Qualquer um que tenha cruzado a Ponte da Fraternidade, fronteira entre o Brasil e Argentina, em uma noite de sábado com a simples intenção de comprar apenas alguns potes de doce de leite, mas chegando lá tenha encontrado todo tipo de iguaria alimentícia diferenciada e rica em sabores pode entender bem o conceito de ser surpreendido em sua euforia e expectativa.

Trazendo essa metáfora para uma vivência que contemple mais pessoas do que as que já tiveram a chance de estar ao Sul do nosso país, imagine uma viagem de carro onde você vai curtindo o caminho, o que já está ótimo, mas chegado ao seu destino, aí é que a diversão começa.

Foi assim que me senti ouvindo pela primeira vez KLEXOS, novo EP da iguaçuense Corleone.

Mas para falar sobre KLEXOS, preciso voltar um pouco antes na nossa viagem para dar à você o total conceito complexo do que é ter uma banda de rock na qual confiar e amar em pleno 2019.

A Corleone surgiu em 2006, você imagina, o mundo era outro. Em uma cena rock tão simples de coração quanto inventiva, em Foz do Iguaçu, no Paraná, a gente tinha todo tipo de banda e cada uma trazia algo de novo e interessante para as nossas noites do interior: Visão Alternativa, Poronga Joke, Receita Federaus, Pantufas Vermelhas, entre outras. E tinha a Corleone. Com um repertório básico de covers e algumas canções próprias, a banda foi trilhando seu caminho, com muita teimosia e sinceridade em um cenário que ia morrendo com o passar dos anos. E enquanto o mundo ia mudando e as bandas iam acabando, a Corle continuava.

Em 2017 chegou o primeiro EP real oficial, o It Must Be The Wave. Com uma pegada meio Arctic Monkeys da fronteira em suas seis faixas autorais, esse lançamento trazia um tom mais melancólico, mesmo nas canções mais pesadas.

Era como uma viagem de carro, você olhando pela janela, sentindo o vento no rosto e pensando na sua vida. Não com tristeza, mas com algum tipo de sentimentos mais contemplativo.

São seis músicas para mostrar para você a beleza de todos esses tons azuis. Deve ser a onda.

Já em 2018, chega o single Rinding the Storm. Aqui a banda acelera um pouco, mostrando que está a caminho de algo – e no caminho certo.

Mais uma vez, as letras vão além do simples exercício de alguma mensagem de amor, trazendo a densidade de um hino motivacional sem clichê nenhum. Je suis your brand new colors / Je suis your golden god tonight .

Momentos importantes e belos que nos trouxeram até aqui, essa linda segunda-feira de outubro de 2019, quando a Corleone lança seu segundo EP e a sensação é de que finalmente chegamos.

Em KLEXOS, a banda finalmente desce do carro e coloca os pés em seu destino final. São 5 faixas, todas enérgicas e cheias de vontade, mostrando que vale a pena estar vivo e que valeu passar todos esses anos batendo cabeça pela estrada.

Faixa a faixa, o que temos em KLEXOS é:

  1. Bixby: a música que abre o EP ainda traz um pouco da sonoridade dos trabalhos anteriores, mas já mostra a que veio quando acelera o que estamos acostumados a ouvir com a Corleone. O rifzinho no terço final da música é tudo para mim, e meu alimento dia e noite. Tá chorando por quê, Arctic Monkeys? Os meninos já foram embora.
  2. Bitter Water: Ao que tudo indica, essa é aquela música em que você volta do bar com duas Heineken, entrega uma para a sua garota e vocês dançam um pouco, rindo. Tão sexy quanto uma noite de sábado que já está garantida do que pode ser, porque você tem alguém a quem amar e ela é linda, eu gosto do ar correto de amor tranquilo e sexo garantido que essa música traz.
  3. Unicorn: Tentei confirmar com o pessoal, mas não há nada factual que comprove minha teoria de que são anjos no backing vocal dessa música. Eu acho que são – e dentro desse reduto cultural chamado “meu blog”, só a minha opinião importa. De todo modo, vale dizer, essa é a mais divertida do EP, e perfeita pela força com que mostra sua intenção.
  4. Tiger Her: Essa música fala sobre Roller Derby, superação dando no couro das adversidades, se vestir feito uma rockstar e ser o orgulho de um grunge dos anos 90. Eu amo o crescendo da melodia e como ela é motivacional sem ser piegas. Eu adoro o fato de ela ser uma homenagem para alguém especial – e se você descobrir sozinho quem é essa pessoa sem eu precisar dizer que sou eu, é um favor que você me faz.
  5. Dirty Glass: Encerrando o EP, temos essa canção cheia de raiva e peso, lembrando um pouco do motivo de ainda estarmos tentando. O desfecho perfeito, a canção tem tudo o que estamos acostumados a ouvir na Corle, mas com uma roupagem sutilmente diferente, mostrando que a evolução tem a ver, em primeiro lugar, com continuar sendo quem você é.

Produzido e gravado em São Paulo, no Estúdio Costella, KLEXOS tem o frescor de uma banda cheia de otimismo, entusiasmo e amor por sua caminhada. Depois de tanto andar por aí, finalmente chegamos. Gosto de saber que em pleno 2019, o rock não só não morreu, como ainda surge por aí e nos chacoalha pelos ombros nos tirando para dançar através de bandas como a Corleone.

Para você que tem essa vivência, é como cruzar a Ponte da Fraternidade e descobrir que o Casino ainda está aberto mesmo sendo tão tarde.

É o seu dia de sorte.


Ouça KLEXOS no Spotify. Saiba mais sobre a Corleone e acompanhe seu trabalho pelo Twitter, Instagram e Facebook.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI: Dia nada – Pra mim já deu

Não sou de encerrar projetos pela metade, mas sinceramente pra mim já deu. Não gostei dos temas e, embora acredite firmemente que é possível sim escrever sobre qualquer coisa, não vou ficar aqui gastando tutano em conteúdo que não acrescenta em nada.

Eu tenho o maior respeito pelo meu tempo e pelo meu esforço. Por extensão, também tenho respeito por vocês, três pessoas que formam minha audiência nesse blog.

Então, encerramos por aqui. E vamos focar no que interessa, escrever sobre o que realmente se tem vontade. E aprender com essa lição.

Grata.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 15: Achievements

Aos meus ouvidos caipiras, “achievements” parece nome de comida, mas na verdade é uma palavra inglesa para “realização”.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer que me preocupa um pouco a quantidade de prompts desse desafio que remetem a conquistas, objetivos e realizações, como já vimos anteriormente em temas como ambition, goals e mesmo em productivity. Eu se sou uma pessoa com alguma baixa estima por não me sentir realizando coisas, ficaria ainda mais desanimada com esses temas, afinal parece até uma cobrança para que você mostre que está “dando certo” na vida. Caramba, pessoal, em quinze dias ter que escrever pelo menos três vezes sobre seus feitos é algo no mínimo estranho. Ninguém tem tanto sucesso na vida assim – e, caso tenha, não vai ser uma pessoa com um blog.

Os blogueiros são, por definição, pessoas que escrevem sobre suas frustrações, não para contar vantagem.

Tendo dito isso, eu me recuso a escrever mais um post sobre o que já fiz ou realizei esse ano ou na vida, estou simplesmente cansada dessa ostentação que só cria ansiedade e rivalidade. Desse modo, prefiro transformar esse post em um metapost, um exercício de metalinguagem onde eu fico só falando do meu texto e não desenvolvo o texto em si de fato.

Parece uma boa ideia, certo? No entanto, pensando melhor, não. É uma péssima ideia. Eu detesto metalinguagem e me sinto incomodada em produzir um conteúdo nessa vertente.

Diante dessa sinuca de bico que eu mesma me coloquei por conta dos meus ideais, encerro por aqui, de maneira inconclusiva e pouco lógica, esse texto.

Mas encerro com dignidade, provando o meu ponto.

Eu acho.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 14: Productivity

Produtividade, eis um assunto no qual me espalho.

Sou obcecada por ser produtiva. Alguma má função nos meus genes, provavelmente, vai saber, o caso é que tenho fixação por extrair cada segundo do dia em alguma atividade útil. Por conta disso, sou uma pessoa extremamente chata, que não relaxa por um minuto sequer.

O lado bom, eu nunca vou me atrasar em um compromisso com você e provavelmente vou fazer tudo por você no seu lugar, para garantir que está sendo feito.

O lado ruim, como já foi dito, eu sou um porre de pessoa.

Não vou ficar dando dica de app aqui, isso não é o Tecnoblog, mas gostaria de apontar quais são os aplicativos que hoje validam e incentivam a pessoa produtiva moderna que sou. Com a ajuda dessa tecnologia, hoje todos podem ser ansiosos digitais, como eu, ou em uma leitura mais otimista, uma pessoa produtiva e com apps. Que sou eu.

Por exemplo, eu uso o Steps, que traça uma meta diária de passos. Com isso, nenhum passo meu é em vão, tudo é produtividade. Esses dias, fui almoçar com uma amiga e nós só sabíamos muito por cima o lugar onde o restaurante ficava. Ficamos caminhando por quase horas até achar, e eu apenas sorria: isso ajudava na minha meta diária de caminhada. Um pessoa que precisa caminhar 12 mil passos por dia jamais está perdida, ela sempre está em uma missão.

Para listar todos os filmes e séries que assisto, fazendo com que mesmo um momento de lazer se transforme em uma tarefa realizada com sucesso, tenho o IMDB e o TV Time, respectivamente. Graças a esses aplicativos eu posso te dizer que hoje, no dia da graça de 15 de outubro de 2019 (escrevo atrasada, sim, mesmo uma vida controlada desanda), eu já assisti a 91 filmes no ano. Além disso, o app de séries conta que já vi mais de 4.500 episódios de série durante toda a minha vida (sim, eu cataloguei), sendo que no último mês eu assisti a 47 episódios.

Dados como esses me validam como pessoa e me acalmam. É por isso que uso também o GoodReads, onde marco todas as minhas leituras. Até o presente momento, li 47 livros em 2019, sendo que a minha meta é 52 títulos.

Para além disso, esse ano publiquei dois livros.

Por fim, gostaria de dizer que essa é a minha vida e eu não acho ela ruim. De verdade, me sinto feliz e realizada por acordar às 5am em um sábado porque preciso caminhar por 10km e ainda faxinar a casa. Ao fim de tudo, me sinto bem em ser produtiva e realizar coisas.

Nesse dia mesmo, no sábado, depois de todas as tarefas concluídas, me joguei no sofá e assisti ao delicioso filme de terror psicológico em um crescendo retumbante Clímax, do cineasta argentino (que ainda não trabalhou com o Ricardo Darín, olha que diferente?) Gaspar Noé. Foi ótimo ver um monte de gente sofrendo na tela por conta do abismo da droga, mais uma validação para mim, a pessoa certinha e careta, ansiosa digital que jamais vai se atrasar em um compromisso com você.

O que deve valer de alguma coisa.

Desnecessário dizer, mesmo assim estou dizendo, contabilizei o filme de sábado no meu aplicativo de filmes.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 13: Helping

Viver não tem sido fácil. Essa é uma lista de 10 coisas que estão ajudando:

  • A oitava temporada de The Office
  • Fazer algum tipo de exercício todo dia para bater a minha meta no app Steps
  • Acordar cedo e acreditar que estou sendo útil por isso
  • Almoçar em um restaurante vegano que é R$29 incluindo suco e sobremesa
  • Estar adiantada na minha meta de leitura do ano
  • A possibilidade de estar empregada ano que vem
  • A descoberta do pão na chapa com requeijão (não na saída) da Padaria Segredo dos Pães
  • Projetos pessoais como esse, que me dão um motivo
  • A estreia da nova temporada de The End of The F***ing World em novembro
  • A ideia que eu tive para o meu livro número 12
Resenhas

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 12: goals

Um dos meus objetivos para o ano era ler pelo menos 52 livros. Calculei que não escreveria nada para 2019 (que piada, publiquei 2 livros) e assim teria tempo de ler, em média, um livro por semana.

Chegando na reta final de 2019, vejo que consegui, de um jeito ou de outro, cumprir meu goals literário. Já li mais de 40 livros até agora, a se conferir no meu GoodReads (me adiciona lá!) e tudo se encaminha para bater essa meta e ultrapassá-la.

Tendo dito isso, fiz uma lista rápida dos 5 melhores livros que li até agora. Espero que ela seja superada até o final do ano – e, se for, volto aqui para contar.

Importante: quase todos os livros dessa reduzida lista estão de graça na Amazon. Clicando no link embutido no título de cada livro, você é redirecionado direto para a página dele na Amazon, onde pode ler mais sobre a obra e conferir opções de compra.

Os Criadores de Coincidências, por Yoav Blum

Esse é um livro bem doido e bom, sobre jovens que trabalham criando coincidências. As coisas se complicam quando o coração entra em jogo e eles começam a criar coincidências em benefício próprio para que seus relacionamentos aconteçam como eles desejam. Não se preocupe, não é nada piegas, na verdade é bem interessante e divertido. O livro tem menos de 400 páginas e você lê rapidinho, porque é bem cativante mesmo.

E Se Acontece?, por Melanie Harlow e David Romanov

Por definição, livros escritos à quatro mãos sempre me fascinam, sobretudo se não terminam com assassinato mútuo entre os escritores até o final do processo. No caso de E Se Acontece?, aparentemente deu tudo certo, os autores tem até uma seção de comentários finais contando como conseguiram unir seus cérebros para criar essa história. A história do livro, aliás, é muito boa. Não costumo ler sinopse e nem vou escrever uma aqui para você, mas resumindo bem, se trata de um caso de amor bem improvável, quente e bonitinho. A história foi escrita pela Melanie, e o David dava alguns pitacos meio de “consultoria” do meio em que a trama é inserida. O resultado é uma romcom gay nada fantasiosa e super fofa.

Favores vulgares: A história real do homem que matou Gianni Versace, por Maureen Orth

Depois de ver American Crime Story: Versace, eu fiquei um pouco desacreditada do grau de loucura das pessoas envolvidas e fui atrás de entender melhor. Isso me levou a ler o livro que inspirou a série. Embora um pouco datado em sua visão de mundo, Favores Vulgares é um importante documento de sua época, mostrando não só as motivações do homem que matou um dos maiores estilistas da história, mas também como a sociedade (e a família) o adoeceu tanto a ponto de levá-lo a cometer tal crime. Bem interessante. Falei mais sobre esse livro em uma resenha completa aqui.

Escrito em Algum Lugar, por Vitor Martins

Segundo definição própria, Vitor Martins escreve histórias de jovens gays desbravando o mundo enquanto conversam horrores. É isso o que temos nesse conto, que me pegou de jeito contanto a história de dois caras que se conhecem na fila para comprar ingresso do show de uma boy band. O que mais gosto nesse livro é a maneira como o Vitor usa uma história casual para falar sobre pertencimento e sobre como as coisas que amamos nos definem e nos ajudam a encontrar a nossa voz. Me senti extremamente validada e vista.

Variações Enigma, por André Aciman

Do mesmo autor de Me Chame Pelo Seu Nome, esse romance traz a história de um homem comum em busca do amor (como todos nós), fragmentando essa busca em várias histórias curtas que se conectam em diferentes níveis. A delicadeza e a poesia que Aciman usa como motor dessa narrativa é, para mim, o maior trunfo da trama toda. Sabe aqueles autores que conseguem enxergar e traduzir absolutamente todo o impacto sentimental de uma situação? Aciman é assim, e por isso ele é um romancista perfeito.


Por enquanto, esses são os meus favoritos do ano. Vamos ver o que esses poucos meses restantes de 2019 ainda me reservam, literariamente falando.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 11: Fear

Rapaz, se tem uma coisa que eu tenho é medo. Não na vibe Regina Duarte, é mais no sentido verdadeiro da palavra.

Desse modo, o medo é tanto que, indecisa sobre qual deles abordar aqui, resolvi fazer uma lista rápida de tudo que me causa arrepios:

  • Fantasmas
  • Móveis que estalam de noite
  • Pessoas que puxam conversa comigo por conta da minha tatuagem do Palmeiras
  • Sair de casa sem a carteira
  • Perder minha carteira
  • Me atrasar para qualquer evento ou acontecimento banal
  • Assar um bolo e ficar ruim
  • Pegar uma caneta e ela estar seca
  • Entrar em um restaurante e ser a única cliente
  • Filmes de medo
  • Séries de medo
  • Livros de medo
  • Ter um tuíte com mais de 10k RT e com isso atrair atenção indesejada
  • Precisar explicar em voz alta o teor das minhas fanfics do Messi
  • Tomar decisões
  • Olhar o meu saldo bancário
  • Cachorro
  • Andar sozinha na rua quando anoitece
  • Quando meus gatos ficam com o olhar parado e começam a miar para o nada
  • Que meus dentes caiam
  • Dormir de preto e ter pesadelos
  • Comidas apimentadas
  • Pegar uma fila enorme e ser a fila errada
  • Abrir um pacote de bolacha e ter formigas.

Eu poderia continuar eternamente, mas agora fiquei mexida por tocar em todos esses tópicos. Me retiro. Até o próximo post.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI – Dia 10: Hopeful

Esperançosa? Com essa economia?

Falando sério, não dá. Até tento em alguns momentos, mas é só abrir o Twitter ou qualquer outra rede social e você é soterrado por tanta notícia ruim que é impossível manter a fé.

Tudo é ultrajante e desesperador, em níveis que são ultrapassados a cada dia. O que é terrível sob qualquer ponto de vista, deixando a gente exausto só de começar a pensar.

Mesmo aqueles recortes raros onde algo de bom acontece são capazes de trazer algum tipo de tristeza. E nem é por cinismo, o que acontece é que você vê aquilo e pensa no quanto precisa se agarrar naquela notícia para acreditar que as coisas vão ficar bem.

Eu não acho que as coisas vão ficar bem.

Uma saída possível é a negação, apagando todas as redes sociais e vivendo de literatura e séries na TV.

Tenho vontade de tentar.