Resenhas

É REAL: VOCÊ PRECISA ASSISTIR “A VERDADEIRA HISTÓRIA DE NED KELLY”

“A Verdadeira História de Ned Kelly”

Sherlock Holmes existiu? Cleópatra existiu? Ned Kelly existiu? Sei lá, e você? Chegando ao final desse 2020 caótico, será que você realmente existiu?

Algumas histórias são boas demais para serem contadas apenas uma vez. E a gente já sofre o suficiente quando resolve insistir nesse apego à realidade. Vamos apenas apreciar uma boa narrativa com cenografia e atuações incríveis (não estou falando da sua vida, estou falando desse filme).

Fiquei transtornada com “A Verdadeira História de Ned Kelly”, que estreia dia 22 nos cinemas e eu pude desfrutar antecipadamente, no conforto da minha cabine digital (leia-se: largada no sofá com a minha gata Bibi). Sendo honesta, eu pouco sabia sobre Ned Kelly. Sempre confundia com o Billy The Kid. Agora ficou bem claro para mim.

A história de Ned Kelly, dizem que é real, já foi contada cerca de 20 vezes entre séries, documentários, minisséries, curtas e filmes. Não sei se você já ouviu falar. Ned Kelly foi tipo o Lampião deles, um cara que sofreu algumas injustiças aqui e ali, teve seu orgulho ferido e juntou um bando para se vingar.

Isso em uma livre interpretação minha.

Em “A Verdadeira História de Ned Kelly”, lançado em 2019 lá fora e chegando por aqui só agora, temos um novo olhar para essa epopeia, em uma roupagem muito mais crua, meio gay friendly (não somos todos?), violenta, pesada mesmo. E eletrificante, como está sabiamente destacado no cartaz.

Aqueles fimes que você assiste pensando “o que é isso, eu só tenho seis anos”. Por aí.

“A Verdadeira História de Ned Kelly”

Justin Kursel, diretor do filme, disse que pensou na narrativa como uma música punk. É bem nessa pegada mesmo. Enquanto nos chocamos com a nudez, a crueza dos diálogos, a brutalidade das cenas de luta, a sensação que fica é de que o filme é todo um corte na carne. Muito real, muito chocante. E impossível de parar de olhar.

Muito desse impacto é crédito de George MacKay, que dá vida ao Ned Kelly punk dessa nova versão. Você pode conhecer MacKay de 1917, quando ele fez aquele soldado azarado que corre bastante, mesmo todo lascado. Aqui ele repete a resistência corporal e acrescenta mais toneladas de fúria. O Ned Kelly de MacKay é pura insanidade, força e ódio.

Como se fosse pouco, ainda temos as participações estreladas de Russell Crowe, Nicholas Hoult, Charlie Hunnam, e Essie Davis, entre outros. Eu assisti ao filme todo pensando “caramba, eles fizeram mesmo isso?”. A gente vive com a sensação de que o mundo lá fora acabou, mas aparentemente algumas coisas foram feitas antes. Como esse filme. O que me deixa muito feliz.

Por isso, eu acho que você deveria assistir também. De 1880 para cá, quando Ned Kelly existiu (existiu?) é claro, muita coisa rolou. Entre versões de outras versões, boatos e exageros, ele sobreviveu por sua loucura e brutalidade, tendo sua história sendo recontada até hoje.

E hoje chegou a versão definitiva desse narrativa.

Acha que estou exagerando? Olha o trailer. Na moral?

Ned Kelly existiu? Não sei, mas eu estou me sentindo viva horrores depois desse filme dele.


Com distribuição da A2 Filmes, “A Verdadeira História de Ned Kelly” chega aos cinemas em 22 de outubro. Eu assisti ao filme antes por cortesia da A2 Filmes (contem comigo para tudo).

Futebol

ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO: SUÁREZ VAI EMBORA, MESSI FICA (TRISTE) (E VAI FICAR AINDA MAIS)

Bom, gente. É preciso muito sangue frio e sobriedade aqui, para poder analisar a situação a partir de um viés semiótico neutro, destituído da vontade de sair matando.

Após longa novela (você soube tudo aqui), Messi fica no Barcelona. Não sem antes dar uma entrevista já histórica, onde não esboça um traço sequer de alegria, involuntariamente espelhando a fisionomia de um brasileiro normal que pula da cama e só coloca o chinelo para se considerar “no trabalho”.

É difícil a escolha de Messi, preservando família em detrimento a processar o clube por ter faltado com a palavra na coisa do acordo de poder sair sem multas no final da temporada. Ficou um disse-me-disse, onde todos estão errados e até que meio certos. No fim, é tudo uma questão de interpretação algo que, sabemos, nunca foi o forte em seres humanos (carece fontes desse tópico no meio animal), ainda mais envolvendo dinheiro.

Gostaria de estar escrevendo sobre a beleza da vida e como meu cabelo fica perfumado com Óleo de Coco, porém esse assunto se torna banal (coisa que não é) quando observamos esse novo desdobramento: Messi fez de tudo para ir embora, fez de tudo para Suárez ficar. E deu tudo errado, como quando você planeja uma noite inteira de diversão jogando The Sims e a luz acaba já às 17h. O destino é implacável em destruir seus sonhos, e ele tem pressa para isso.

As coisas vão ficando mais poéticas quanto mais sofridas, haja vista que a poesia é um modo de dar vazão a dores inevitáveis.

Divago. Voltando ao assunto, o fato de Messi ficar contra sua vontade já é algo que todos assimilamos, inclusive o próprio. Resignação é a palavra forte da nossa vida e da dele. Em uma atualização rápida do que aconteceu desde o meu último post, quando tudo ainda era confuso sobre a situação do jogador argentino no clube, o que tivemos, foi:

Cronologia sem datas, pois o tempo é um conceito que nos impuseram para vender relógio e calendário de mesa:

  • Messi fica. Não por querer, mas porque os filhos choraram pra não sair da cidade, e o Barcelona chorou em ameaças de uma multa de 70 quaquilhões de notas de 200 reais.
  • Começa a doer a barriga do Suárez. Após a demissão por telefone, ele finge que foi só uma noite ruim e vai treinar normalmente, como se nada.
  • “Como se nada” se torna uma das minhas expressões favoritas, e passo a buscar chances de usá-la.
  • Messi esboça seu primeiro sorriso em meses, durante treino ao lado dEle (Suárez).
  • Voltam as conversas sobre Suárez sair do Barcelona.
  • Messi se mantém calado, como uma mulher de 36 anos (eu) que espera que o silêncio ostensivo seja suficiente para que os outros entendam o motivo de tanto silêncio.
  • Suárez é incensado como um jogador grandioso (que ele é), mas que está em fase complicada (idem), o que torna seu valor de venda muito caro e muito barato ao mesmo tempo.
  • As negociações continuam.
  • Messi não sorri mais.
  • Não acho mais nenhuma oportunidade de usar “como se nada”.
  • Meu gato senta perigosamente do meu lado na mesa, arriscando deitar no teclado e perder todas as edições desse texto.
  • Suárez é anunciado como nova contratação do Atlético de Madrid.

Caralho, viu.

A partir daí, muitos sentimentos. É mesmo estranho, em 2020 o digital vai substituir o sentimento. Tudo o que sabemos vem do Instagram e do Twitter dos envolvidos. Rei da Social Media, o Barcelona até faz algumas homenagens e tenta vender essa saída como pela porta da frente, mas devido a tudo que aconteceu, a gente sabe que não foi bem assim.

Suárez marcou 198 gols em seus seis anos de Barcelona, e o que me preocupa é pensar que vai ficar sempre esse número horrível. Faltavam só dois gols. Para além disso, o uruguaio é o terceiro maior artilheiro da história do clube. E o amor da vida do Messi, caso ainda não tenha ficado claro.

Infelizmente, Suárez cabe apenas no coração de Messi e não mais nos projetos do clube catalão, por isso a demissão. Já oficial, a saída de Suárez rendeu diversos reposts de stories no perfil do dentuço no Instagram, lamentando a saída e falando que “bola pra frente” diga-se de passagem, um dos ditados mais assertivos e literais de maneira hilária quando falamos de futebol.

Dois conteúdos, no entanto, eram os mais esperados: o post oficial do Suárez sobre a saída, para a gente ver se ele falaria do Messi ou não, e o post oficial do Messi sobre a saída do Suárez, para a gente ver o que ele falaria.

Já temos ambos. Minha tela tá aparecendo aí pra vocês? Vou compartilhar o ppt, apesar de que hoje minha internet tá bem ruim.

Suárez optou por um sóbrio carrossel simples de seis imagens, com fotos dele e da família com seus troféus, além dessa foto posada no dia da despedida (Sergi bem no canto pra poder ser cropado com facilidade). Messi não é mencionado na legenda, e aparece nessa única foto, distante. Se desse para cortar a tristeza com uma faca, eu estaria agora procurando como amolar as minhas, que já estariam sem fio.

Interessante observar também como a legenda da postagem, em espanhol e inglês, evidencia o homem sentimental que é Suárez, exaltando o clube apesar da traição, lembrando muito o menino de 17 anos que entrou escondido no estádio do Barcelona e disse que um dia jogaria ali.

É foda.

A elegante maneira com que Suárez construiu seu post oficial de despedida, sem postar uma foto de cueca sacudindo as joias da família para a câmera, e sem mencionar Messi, nos dá um indicativo de que vem mais por aí. Suárez é um homem elegante, sim, mas também é bem nervosinho. Estão tirando dele o amor de sua vida. Isso não pode ficar assim. Eu acho que vem mais por aí, não sei não. Aguardem. Eu estou aguardando.

Dias depois, rompendo seu silêncio ensurdecedor nas redes sociais, Messi fez o post de despedida para o seu amor. Vamos começar pelas imagens escolhidas nesse literal carrossel de emoções.

  1. Foto do dia da despedida, linguagem corporal que grita “aqui não podemos”. Em que pese o terno belíssimo do Suárez e a questionável obsessão de Messi por jeans feios, fica claro quem manda aqui (o coração).
  2. Foto de um pós jogo em um passado distante onde podíamos nos tocar. Tente tirar os olhos da mão possessiva do Suárez na nuca do Messi e observe a pele impecável de ambos, indicativo de uma boa noite de muita conversa e entendimento debaixo dos lençóis, se é que me entendes, provável motivo da escolha dessa foto entre tantas.
  3. Caindo feito uma jaca no poço sem fundo do sentimentalismo, uma foto representando o famigerado hábito do casal de beber mate, bebida amarga como o fim de um grande amor. Tem uma música do Engenheiros do Hawaii sobre chimarrão que diz assim: “há um muro de concreto entre nossos lábios, há um Muro de Berlim dentro de mim”. Acho que é sobre isso.
  4. Existe a teoria de que Anto, Messi, Sofi e Suárez são um quadrisal (ou uma simples suruba), como na impressionantemente gráfica canção “Felices Los 4” do cantor Maluma. Ainda a confirmar.
  5. Confirmado.
  6. Colocar a família toda no meio é um modo de lembrar que são muitos os laços que unem esse romance.
  7. Quem é que nunca deu um abraço apertado só pra sentir o cheiro do cangote da pessoa? É uma das táticas mais comuns. Apesar do que tenta dizer a foto 1, essa aponta o que já sabemos, que o sentimento de “amor” não é algo que possa ser controlado. Assim, o carrossel se fecha em um círculo perfeito: abre com um panorama de como Messi e Suárez estão agora (forçadamente separados), conta toda a história de amor, mistura de casais, mate, títulos e reuniões em família e termina com um teaser do futuro, indicando que ainda estarão sempre juntos de alguma forma.

É o que queremos acreditar, mas estou me adiantando. Precisamos ainda analisar a legenda, o que vamos fazer agora. É bem menos protocolar do que a do post do Suárez, pegue os lencinhos de papel.

Já tinha pensado nisso, mas hoje entrei no vestiário e a ficha caiu de verdade. Como vai ser difícil não continuar compartilhando o dia a dia com você, tanto no campo quanto fora dele. Sentirei muita falta. Foram muitos anos, muitos mates, almoços, jantares … Muitas coisas que nunca serão esquecidas, todos os dias juntos.

Vai ser estranho te ver com outra camisa e muito mais te enfrentar. Você merecia sair como o que é: um dos jogadores mais importantes da história do clube, conseguindo coisas importantes tanto coletiva quanto individualmente. E não que te expulsassem, como fizeram. Mas a verdade é que a esta altura nada mais me surpreende.

Desejo a você tudo de bom neste novo desafio. Eu te amo muito, te amo muito. Até logo, amigo.

Amigo. Encerro aqui esse post.

Brincadeira.

Acho que qualquer pessoa aqui que já se aventurou por um webnamoro sabe que relacionamento à distância é complicado. Claro, olhando pelo viés da pandemia, esse é o padrão atual e não deve assustar. Porém, uma coisa é ficar fazendo Zoom com uma paquera descompromissada, outra totalmente diferente é acreditar no poder da conexão de internet para curar um relacionamento de anos que foi feito de pandeiro por diretores de clube.

Não sei como nossos heróis lidarão com essa nova realidade. Mais uma vez, as redes sociais nos darão todas as informações que podemos ter, ainda que não todas as que gostaríamos.

O que esperar do futuro?

Honestamente, se no limiar do final de 2020 você ainda espera algo do futuro, recomendo que se feche para o mundo e proteja a si mesmo desse diamante puro de otimismo que você é.

Em uma abordagem menos cínica, o que posso dizer é que agora a perspectiva é de que o Kissuco desse imbróglio “Messi trabalhando forçado no Barcelona” ferva ainda mais.

Confira o que temos:

  • Messi jogando sem a menor vontade, esperando o próximo fim de contrato, em um cenário pandêmico onde campeonatos acontecem apenas para manter a máquina girando.
  • Suárez em um novo clube, rival do Messi, o que abre todo um novo leque de narrativas de fanfic do subgênero lovers then enemies then lovers extremely hard.
  • Ainda esperamos o post oficial do Suárez dedicado apenas para o Messi.
  • Ainda pode acontecer algum desdobramento por conta do tom constrangedoramente “eu só acho engraçado que…” a respeito do Barcelona no post de Messi.

Vejam que me tornei a mais baixa casta do jornalismo (sou contadora), criando uma narrativa a partir de posts em redes sociais. Mas era isso ou ficar aqui chorando sozinha com minhas teorias.

De modos que vamos seguir assim, aguardando novas postagens e tendo que encarar essa dura realidade onde dois homens não podem mais amar e precisam seguir em frente em clubes separados, como se nada.

Como se nada.

Futebol

ARE YOU READY FOR IT? TUDO SOBRE A REPUTATION TOUR DE LEO MESSI

Mesmo que você seja rocker demais e não curta a cantora soft indie pop country Taylor Swift, deve lembrar do advento que foi quando, tem uns anos aí, ela rompeu com a imagem de santinha boazinha que tolera tudo e se assumiu uma grande cobra venenosa (correndo para que Naja pudesse caminhar). Na época, todo mundo ficou “kkkk nossa, que exagero“, mas no fundo pensou “pior que é foda, o pessoal passou dos limites com ela”.

E esse é todo o contexto que você precisa ter porque, honestamente? Quem se importa? O que ficou mesmo foi essa quebra de personagem, essa mudança inesperada e dramática, que a gente acha graça e debocha, rindo no Twitter e pensando no travesseiro: puts, queria.

É o símbolo, né? Os signos da nossa cultura. Mas o que estou dizendo?

Hoje eu estava tranquila, literalmente cuidado da minha vida, se você considerar que lavar louça hoje é a minha vida, quando chegam as notificações de todos os lados a respeito da saída de Messi do Barcelona. Sendo eu hoje, segundo levantamento feito por mim, a maior autoridade em Messi na mídia mundial, é natural que a notícia 1. seja da minha alçada; 2. não me pegue de surpresa.

Ainda assim, tudo me magoa.

Tentando entender o que de fato aconteceu e preenchendo todos os fatos que não aceito com romantismos que só vão me magoar ainda mais em um futuro muito próximo, trago aqui a cronologia dos fatos que culminaram na virada de mesa de Messi, que após 20 anos de clube simplesmente amarrou um post it no pé de uma pomba e arremessou a penosa por sua janela até acertar a cabeça do técnico Koeman. O post it dizia apenas “Seu bosta!”.

Ou pelo menos isso foi o que se soube.

Que seja. A seguir, como Messi foi de santinho abobalhado que come doce de leite e chora (se reconheceu? recomendo terapia) para a cobra vingativa que aproveitou uma cláusula ambígua de contrato e deu um cagaço de 700 milhões de Euros em seu clube do coração para salvar o emprego do seu verdadeiro amor, Luiz Suárez.

Ah, por que você achou que não era sobre isso, né?

Você está falando com Tati Lopatiuk, biografa informal de Lionel Messi e inventora do ship #Messuarez. Tudo é sobre isso. Se não é, eu faço ser.

Are You Ready For it?

Tudo o que Neymar toca vira bosta – o começo do imbróglio

Lembra de junho, julho… Agosto de 2019? Era outra vida, né? Era bom demais. Mas foi ali que começou a azedar a linda história do Messi com o Barcelona. Até então, Messi sempre foi um lindo anjo bonzinho que nunca reclamava de nada. Porém, por volta dessa época, houve uma negociação, que acabou não dando em nada, sobre uma possível volta do Neymar para o Barcelona. Pois é. Mas não deu certo e o Messi ficou muito puto.

Como todos sabem (hola, advogados do Messi, o print pro processo contra mim começa aqui), Neymar foi o primeiro amor extra-conjugal de Messi. Com a saída do brasileiro para o PSG, a história de amor dos dois ficou muito mal resolvida (leia o livro 1 da minha série O Evangelho Segundo Leo Messi para saber mais). Isso foi em 2017. Em 2019, houve essa tentativa de volta, que não rolou, e sobre a qual Messi se pronunciou contra o Barcelona pela primeira vez: “Não sei se fizeram todo o possível“, disse o argentino. Quer dizer, bravo. Isso aí era o Messi bravo. A declaração chocou a todos, foi praticamente o Bad Blood dele.

O fator Griezmann – pão francês na frança é só pão

Vamos lembrar que lá em 2017, quando o Neymar saiu do Barcelona, foi complicado porque ele, junto com o Messi e o Suárez, formavam o trio de ataque dos sonhos, o famigerado MSN. Após essa quebra, foram várias as tentativas de recriar essa mágica, mas não dava muito certo. Coutinho, embora um anjinho lindo, esforçado e puro, não conseguiu (mas rendeu um bom affair, leia o livro 2 das minhas fanfics).

Só que não tinha jeito. Nem Neymar voltaria, nem ninguém conseguia ocupar o seu espaço. Enquanto isso, o romance entre Messi e Suárez se intensificava (leia minha thread) (saiba tudo no livro 3). E nisso, ainda em julho de 2019, chegava Griezmann para sepultar qualquer chance do pai voltar a ficar on no Barcelona. Isso também desagradou Messi, o que fez o argentino até mesmo tratar mal (dizem) o francês Griez, um pobre rapaz sem costume de lavar o cabelo que só queria ser feliz e ganhar muito dinheiro!

No fim, o Messi até acabou se envolvendo com o Griez (leia o livro 4), mas não foi lá aquelas coisas e Messi já estava até aqui com ninguém ouvi-lo sobre seus pitacos de escalação.

E ficaria pior.

O calado não vence: big reputation, big reputation, ooh you and me would be a big conversation, ah

A partir do momento que foi estabelecido que Neymar não voltaria e que seu substituto seria essa coisa aí chamada Griezmann, Messi passou a ser mais vocal, vamos colocar assim, sobre qualquer coisa no clube que lhe causasse descontentamento. Vale dizer que a insatisfação de Messi vinha não só de não ter sua opinião levada em conta, basicamente, mas porque ele via (e qualquer um podia ver) (e todos nós estávamos vendo) que o Barcelona já não rendia tanto com o time como estava. E que ficava cada vez mais unicamente sob sua responsabilidade as vitórias do Barcelona. Especialistas afirmam que entre o meio de 2019 e o meio de 2020 Messi chegou a desenvolver uma hérnia sentimental de tanto carregar o Barcelona nas costas.

Enquanto isso, o mundinho Barça desabava. No começo de 2020, Valverde, o icônico técnico do Barcelona e muito respeitado por Messi, é demitido. Algum tempo depois, Messi vai ao Instagram dizer para terem cuidado ao reclamar dos jogadores do Barcelona, dizendo que não era para colocar todos no mesmo “balaio”. Seja qual balaio Messi estivesse, imagina-se que vários estavam se formando no clube, indicando um racha na equipe após a troca de técnico.

Outras questões marcaram o começo de 2020, quando em março, com o início da pandemia, Messi se envolveu em toda aquela treta de redução do salário dos jogadores. Ele pediu para não pressionarem o elenco. Ninguém estava pressionando o elenco, todo mundo estava nervoso. Calma, Messi.

Entre junho e julho de 2020, Messi foi notícia ao literalmente dar as costas e ignorar as orientações do auxiliar Sarabia. Coisa que ele, sempre muito educado, jamais faria. Após mais uma derrota inevitável, Messi foi enfático, dizendo que o Barcelona tinha sido muito fraco na temporada.

Nesse ponto, já era clara a insatisfação de Messi. Seja por falta de voz, seja pelas decisões arbitrárias dos dirigentes. E aí chegou agosto, mês do desgosto, e aconteceu a gota d’água.

Nobody puts Suarez in a corner

Após algumas derrotas e vergonhas, mais um técnico cai e chega Koeman, um safado que já teve passagem no Barcelona e nessa volta, chega com a missão de ser pau mandado da diretoria. Mas estou me exaltando.

Eu já mencionei o pisão de 8×2 que o time levou do Bayern? Nem precisa, né? Risos.

Estando o time um bosta, Koeman, como qualquer Head de Criação em seu lugar, chega querendo mudar tudo achando que entende muito do trabalho do pessoal que é chão de fábrica (spoiler: não entende). Entre seus primeiros e mais polêmicos desmandos, Koeman pega o telefone, desbloqueia a tela, e telefona para Suárez para demiti-lo, em uma ligação de menos de um minuto de duração.

Swifters, vejam como a história se conecta. Foi exatamente do mesmo jeito que o Joe Jonas terminou com a Taylor.

Suárez não é só o amor da vida de Messi, embora isso pese mais do que tudo (na minha opinião de historiadora). O uruguaio é também o terceiro maior artilheiro da história do Barcelona e, sim, o maior garçom de Messi, servindo taças de vinho em casa e passes à gol em campo. Toda a trajetória de Suárez foi jogada no lixo com o telefonema, o que é uma pena e uma vergonha em qualquer nível que se observe.

E isso, somado a todo o cenário que se desenhou desde o ano passado, mais o vexame recente na Champions, mais uma certa preguicinha de estar 20 anos no mesmo emprego, mais a conversa que Koeman teve com Messi, dizendo que ele perderia todos os seus privilégios(???) no time, mais o fato de mandarem embora literalmente (estou em uma fase de dizer muito “literalmente”) o único sorriso no rosto de Messi fez com que o jogador desse um basta!!! e arremessasse o pombo metafórico na cabeça do Koeman, como falamos lá no começo.

Mas não foi só uma pomba. Messi, tão ardiloso quanto sua musa inspiradora Taylor “Big Rep” Swift, tinha uma carta na manga para sair dessa por cima.

A cobra que mordia: Messi faz seu truque final

Agora você deve estar pensando (eu sei o que você está pensando): mas cacetada, o Messi pedir as contas assim do nada, ele vai perder todo o FGTS dele, tinha que esperar os caras demitirem ele!

Os caras nunca vão demitir ele. Por que o contrato do Messi foi feito aos 13 anos de idade, em um guardanapo de papel, do tanto que esse asno ama essa merda desse clube. Que ódio.

Desculpe. Hoje estou um pouco sentimental.

O fato é: Messi ama o Barcelona. Muito. Desde criança. E por todo esse tempo, o que a gente sente é que a diretoria sempre contou com esse fator sentimental da história de Messi com o Barça, com o fato de que ele ama o clube mais do que tudo, para fazer o que bem entendia, acreditando que Messi, esse santinho bobo, jamais sairia do seu time do coração.

Porém, o homem só aguenta até certo ponto. Messi poderia continuar ali ouvindo bosta por mais uns anos e curtir tranquilo sua aposentadoria? Poderia. Mas por mais que ele ame o Barcelona, ele não ama mais do que ama o Suárez.

Por favor, não me interrompa enquanto estou falando de amor.

Por isso, Messi pegou um brecha em uma das cláusulas do seu contrato e achou um jeito de sair do Barcelona sem pagar um centavo sequer de multa. Em algum ponto do documento, se menciona que o jogador pode sair do time sem multa após o final da temporada. Em um ano normal isso se daria em maio. Com a pandemia e o isolamento social, esse período ficou nebuloso, já que houve paralisação dos jogos. Em tese, a temporada só acabou agora. Por isso, só agora, já por aqui com tudo, Messi pede demissão e periga sair de graça do Barcelona, em uma artimanha fiscal sem precedentes.

Mas dizem…. Dizem que por mais que essa cláusula realmente exista e tenha esse entendimento tão subjetivo, Messi a usou como falsa ameaça. Só para dar um susto nos caras, já que mediante a apresentação da sua carta de demissão hoje (a pomba passa bem), ainda existe um período de uma semana para negociação. Durante esses sete dias, Messi tentaria trazer Suárez de volta, como condição para ele mesmo ficar.

Não é fanfic (nunca foi, leia o livro 5 da minha série), Messi realmente estaria disposto a esse blefe para salvar a carreira do seu amor Luchito.

No entanto, mesmo que não seja isso… A janela de contratações termina em duas semanas. Qualquer que seja o plano de Messi, esse é o prazo máximo para ele se movimentar. Em setembro, já saberemos se ele estará aposentado vivendo de renda em Santa Catarina, feliz da vida com Suárez no Barcelona, em um grande comeback a la Tieta do Agreste ou, essa opção também existe, em um novo clube que tenha cacife para bancá-lo. Dizem que esse time seria o Manchester City.

Eu não sei de mais nada. Eu apenas choro em posição fetal e espero. Enquanto escrevo esse texto, é madrugada em Barcelona. Qualquer decisão que vá ser tomada, já está encaminhada e prestes a ser revelada.

Veremos. O próximo álbum da Taylor Swift depois de Reputation é Lover.

Eu quero acreditar.

Dicas

10 chick lits modernas para aquecer o coração

Para quem cresceu lendo chick lit, ou livro de mulherzinha, como chamam por aí, é um pouco complicado seguir encontrando boas obras nesse gênero na vida adulta, quando nossa visão de amor muda um pouco e a gente já evoluiu tanto. Além disso, a partir das conversas que o movimento feminista ampliou no decorrer dos últimos anos, é difícil hoje ler as histórias “água com açúcar” como as que líamos dez ou quinze anos atrás e não problematizar.

A boa notícia é que, ao contrário do que se pode pensar, esse gênero não parou no tempo. É claro, ainda existe por aí muita coisa datada e de mau gosto nas prateleiras. Mas também existem muitos títulos modernos, que sabem falar de amor como hoje queremos ouvir. E ainda com aquele toque romântico que nos encantou lá no começo da nossa jornada como leitor.

A seguir, trago a minha lista de dez chick lits modernas favoritas. São histórias de amor, com romance, paixão e humor, mas sem ferir ninguém. Além do seu coração, é claro.

Importante! Clicando no título dos livros, você será direcionado para a página deles na Amazon. É possível comprar na versão física ou ebook. Comprando por esse link, você garante uma pequena comissão para mim, sem acréscimo no valor final da compra.

Lendo de cabeça para baixo, de Jo Platt

Esse livro me fez rir e chorar com a história de uma recém-divorciada que trabalha em uma loja de livros e tem um vizinho muito bonito e bonzinho. A escrita é super fluente e chique, uma coisa meio Um Lugar Chamado Notthing Hill, sabe? É daqueles livros que fazem você se sentir super refinada por estar lendo um romance de alto nível que é, no final das contas, mais uma história de amor super clichê. Porque a gente ama ser erudita, mas ama ainda mais um clichê.

Aliança de casamento, por Jasmine Guillory

Falando em clichê, esse é um clássico: eles se conhecem no elevador e o moço convida a moça para ser namorada “falsa” dele em um casamento. Ela topa, é claro. Esse é um livro especialmente interessante porque o casal é inter-racial, o que rende algum caldo. Além disso, eles moram em cidades diferentes, e amor à distância acaba sendo outro elemento importante da trama.

Minha vida (não tão) perfeita, por Sophie Kinsella

Kinsella é rainha do gênero e soube adaptar suas histórias para os dias de hoje. Prova disso é esse seu título, um dos mais recentes, que conversa bem com o que a gente vive no cotidiano. Aqui a nossa heroína finge ter uma vida perfeita nas redes sociais. Na vida real, a história é outra, e isso acaba se virando contra ela quando contratempos a obrigam a cair na real. E, claro, no meio disso, surge uma história de amor inesperada.

Uma noite com Audrey Hepburn,
por Lucy Holliday

Primeiro de uma série, esse livro traz a história de uma moça meio maluquinha que, um belo dia ao voltar para casa, se depara com Audrey Hepburn em seu sofá. Ainda sem saber se é sonho ou delírio, o fato é aceito e logo temos Hepburn ajudando a protagonista em seus casos amorosos. É hilário e muito fofo.

E se acontece?, por Melanie Harlow e David Romanov

Esse livro incrível tem todos os elementos que a gente ama em uma chick lit: casal que começa se detestando, depois ficam próximos, depois ficam juntos, uma química irresistível, cenas hilárias e outras super quentes. A diferença é que… é uma história de amor entre dois homens. Um dos melhores romances que já li, vai surpreender você também.

O ar que ele respira, por Brittainy C. Cherry

Foi lendo os famigerados romances de banca como Júlia, Bianca e Sabrina, que muitas de nós começamos a amar chick lit. Hoje esse tipo de literatura ganhou um “banho de loja” e faz bonito nas prateleiras comuns, com títulos poderosos que se tornam best sellers entregando o que a gente mais ama: romances inevitáveis, heróis irresistíveis e a Cura Através do Amor. Cherry domina essa literatura muito bem e esse é só mais um dos seus livros maravilhosos. Sério, é paixão à primeira página.

O lado feio do amor, por Colleen Hoover

Gosta daquelas histórias de amor sofridas, onde os dois no casal são problemáticos, onde o drama impera e tudo parece sem solução? Esse livro é para você. Lágrimas, lágrimas e mais lágrimas, e ainda assim, é uma história incrível e impossível de parar de ler. Recomendo demais.

A melhor coisa que nunca aconteceu na minha vida, por Laura Tait e Jimmy Rice

Esse é daqueles romances bonitinhos onde dois jovens que já foram um casal se reencontram após anos e decidem ter uma segunda chance. É super leve e divertido. A narrativa, escrita a quatro mãos, é deliciosa.

Amor à segunda vista, por Mhairi McFarlane

Adoro esse livro, detesto essa capa, que conta muito pouco da grandeza desse romance. Também na linha “ex-casais que se reencontram”, esse ainda traz elementos que somam à discussão, como bullying, gordofobia e mais. Bem interessante, brilhantemente construído e mais, extremamente divertido e inspirador.

Beijando horrores, por Tati Lopatiuk

Gosto tanto de chick lit que já escrevi mais de dez, nos mais variados formatos. Mas essa é a minha favorita, porque é a mais recente e, também, porque foi a que mais me diverti escrevendo. E ainda me divirto muito com ela, relendo de vez em quando. É a história de uma garota um pouco atrapalhada que começa em um novo emprego se envolve em uma paixão bem improvável.

Gostou da lista? Espero que ela inspire suas próximas leituras. 🙂

Dica final: mesmo que você não tenha um Kindle é possível ler ebooks pelo app do Kindle no seu celular ou tablet ou pelo próprio site da Amazon, no seu navegador. Esse artigo aqui explica certinho, é bem simples.

Brain Dump*

Imagina, não precisa

Photo by Bruce Christianson on Unsplash

Nunca tinha sonhado com meu primo até que ele morresse, assim como nunca tinha passado um tempo tão grande presa em casa de modo que cada sonho meu, onde ando por lugares, frequento bares, vejo a rua mais de perto, parecesse uma idealização dolorosa da vida que estou deixando de viver. Também é fácil, é claro, se comprazer com a morte abrupta e injusta de uma pessoa de trinta e poucos anos de idade e fazer dessa morte um bom ponto de referência pessoal de toda a vida que deixou de ser vivida.

Quero fazer desse texto o menos triste possível, dentro do que posso. Também quero falar o menos possível dos sonhos em si, porque, você vai concordar comigo, a única pessoa que liga para os nossos sonhos é a gente mesmo. E eu digo isso em todos os sentidos, e você entende isso em todos os sentidos e pelo menos nisso, concordamos. Em conversas de escritório, papos furados em mesas de bar, falar “sonhei um negócio engraçado” é sempre a chave para fazer a mente do seu interlocutor voar, e nunca da maneira que você acha que ela está voando.

Sempre que sonho com meu primo, estamos em alguma aventura. Alguma coisa inesperada, drinks diferentes, passeios de carro. Ele me diz algo muito interessante que esqueço assim que acordo, mas fica aquele peso de que, por alguns instantes, eu soube uma boa solução para algo que, acordada, não vejo como problema. Navegando pelo duro ano de 2020, tudo parece um problema, mas eles vão se apequenando conforme olhamos o cenário completo. O problema é que olhar o cenário completo também é um problema daqueles, então só resta você em posição fetal sentindo dores e se sentindo culpado por senti-las.

Mas eu falava do sonho, ainda que tenha dito que falaria pouco dele. Estamos em um bar com um cardápio maluco, cada drink custa caro e vem muito pouco na taça, o que já entendemos como um indício do forte teor alcoólico dessas bebidas. Nos sentamos à mesa e percebo que estamos sem máscaras, o que me sinto inibida de questionar, já que meu primo já está morto mesmo. Ele não parece se preocupar, quem sabe eu devesse me preocupar, mas fica tudo um pouco invertido em nossas prioridades ao beber em um bar com um defunto.

Não lembro de uma frase sequer que trocamos, porém olhando agora o calendário, vejo que hoje faz exatos dois anos da sua morte, então era uma celebração? Foi uma celebração, nós brindamos. Isso eu lembro. Assim como lembro que, no sonho, assim que saímos desse bar, andamos de carro pela Paulista, o que nunca fizemos, e era um dia lindo de Sol.

Um dia tão lindo de Sol como esse que me recebeu hoje de manhã, assim que acordei.

Momentos felizes parecem borrados ultimamente. A indulgência faz você comer o seu sorvete favorito no intervalo do almoço, então como fazer de um momento no sofá vendo série algo especial? Estou há semanas presa nas mesmas reprises, sem forças para começar algo novo. Os projetos de quarentena são todos diluídos em momentos isolados de euforia.

Porém, como disse, não posso reclamar. Está tudo bem, dentro do possível. Mais do que bem. Revisando meu diário, notei que junho foi o mês mais feliz desse ano, para mim. Vários motivos, e olha que o cenário não é nada fácil. Então, sem lágrimas.

Mas quis contar isso. Do sonho. De como nossa mente acha jeitos de voar por aí, ainda que conscientemente a gente acene constrangido dizendo “imagina, eu estou bem, não precisa!”. Bom, quem sabe precise.

Eu sou feliz, eu estou bem. De verdade mesmo. No entanto, contudo, toda vida, foi bom voar por aí.

É bom poder voar por aí, e a gente sempre encontra os nossos próprios meios.

Resenhas

Meu top 5 livros (de 38 lidos) até o momento em 2020!

Chegamos à metade do ano, o que em qualquer perspectiva que se olhe, já é um feito e tanto. No campo do entretenimento, os livros têm sido um bom alento, ajudando a gente a se distrair da nossa rotina enclausurada e quase sem futuro.

Para 2020, tracei duas metas literárias: não comprar livros físicos, lendo só por e-book, e ler no mínimo 60 livros no ano. Por enquanto, junho terminando, está indo tudo bem. Tenho lido prioritariamente títulos do Kindle Unlimited, serviço do qual voltei a ser assinante, e também tenho uma wishlist literária na Amazon, onde checo diariamente quais dos meus livros desejados está em oferta. Se estiver por menos de 10 reais, eu compro, e assim vou alimentando minha biblioteca virtual e tendo sempre algo diferente para ler.

Nesse ritmo, já li 38 livros esse ano, o que me coloca adiantada em minha meta. Olhando a lista dos livros lidos, percebo que li menos chick lit do que gostaria, apesar de ser meu gênero literário favorito. É que não tenho gostado de nenhuma, aí estou tentando outras paragens.

No mais, vamos de infográfico.

E agora, a parte realmente divertida: escolhi os 5 livros que mais gostei até agora em 2020. É até surreal ver esses títulos, alguns lidos antes da quarentena, e pensar que eu lia no metrô, na rua, etc. Agora todas as minhas leituras são em casa. Outro ponto é que li boas biografias, um gênero que há tempos não lia. Acho que tenho procurado histórias mais sérias, é isso.

Mas isso são questões. Vamos logo ao que interessa, os melhores do ano até agora.

Será que esses cinco se manterão no topo nos próximos meses? Honestamente, espero que não, afinal ainda quero encontrar muitos outros livros incríveis daqui até o final do ano.

De qualquer modo, segue a lista com os links do meu Top 5 na Amazon:

E você, o que tem lido nesses dias?

Contos

Sonhos não envelhecem: a história de Lilica Rocambole

A jovem adulta Lilica Rocambole com seus três gatinhos

Lilica Rocambole chegou em Willow Creek com apenas uma ambição: constituir família e ser a orgulhosa mãe de um universitário. Um sonho tradicionalista, alguns diriam, mas ela não se importava com a opinião alheia. Bonita e possuidora de uma vultuosa soma em dinheiro proveniente de meios escusos, alcance financeiro estava longe de ser um problema. Adquiriu um sobrado moderno e colorido nas cercanias de Foundry Cove, já mobiliado, e deu início ao seu plano de vida.

Apenas para ocupar seu tempo e para ter uma base sólida na criação do seu sonhado filho, Lilica entrou para o setor da educação, começando em um cargo menor em uma escola. Seu progresso foi rápido e logo as promoções vieram, a colocando como uma figura do alto escalão do setor educacional.

Com dinheiro, uma boa profissão e um objetivo claro, logo Lilica se deu conta de que faltava apenas mais um passo para dar início oficial ao seu projeto de vida. Ela precisava se casar. No mínimo. Frequentando a vida noturna de Brindleton Bay, cidade próxima, no bar Patas Salgadas ela conheceu Danilo. Foi paixão mútua e à primeira vista. Ele era um cara bonito, simpático, devorador de livros e entusiasta da vida ao ar livre. Eles riam muito juntos e ela sempre conseguia convencê-lo a doar seu tempo. Eram, em todas as instâncias, o casal perfeito.

O namoro se desenrolou de maneira natural e logo eles estavam casados, mesmo sendo tão jovens. Em alguns momentos, Lilica se perguntava se devia “se amarrar” tão cedo, mas olhando para Danilo, ele era tudo o que ela esperava em um homem digno de assumir a posição de marido e pai de seu filho. Então, por que esperar?

Ainda aproveitaram muito a vida de recém-casados, até chegarem à vida adulta. Deram festas, tiveram encontros, fizeram oba-oba no chuveiro e foram à museus, parques e casas noturnas. Adotaram um gato, o arisco Eltinho. Danilo tinha temperamento um pouco explosivo, ficava furioso sem motivo, mas compensava cuidando bem da casa e de Lilica. Com alma de artista, e seguro pela boa condição financeira da esposa, optou por não trabalhar e assim se dedicar ao lar. Fez uma horta no quintal, onde tentava todo tipo de experimentação hortifrutigranjeira. Aprendeu a pescar e a pintar.

O primeiro quadro de boa qualidade que Danilo pintou foi de Lilica, já grávida do primeiro filho deles. A gravidez foi totalmente planejada. Lilica continuou a trabalhar, pois acreditava que ter uma mãe professora seria um bom exemplo para o filho vindouro. Supersticiosa, dançou muita música alternativa na sala de casa e comeu muitas cenouras plantadas por Danilo como simpatia para que da gravidez viesse um menino.

E deu certo. Entre o tempo de uma colheita e outra da hortinha, e depois de adotarem mais dois gatos, a calada Lady Gaga e a falante Taytay, nascia o tão esperado filho de Lilica, Guilherme.

Guilherme foi um bebê grudento e uma criança genial. Desde pequeno, foi ensinado a focar nos estudos e priorizar a escola à diversão. Ficou entre os melhores alunos diversas vezes, sempre com as tarefas em dia e apresentando com louvor seus trabalhos extra disciplinares. Em um passeio com o pai no Parque Pedra do Filhote, em Brindleton Bay, conheceu outras crianças, entre elas Sérgio e Francisco. Francisco era maligno e só tratava mal Guilherme, então a amizade não progrediu. Já Sérgio tinha um temperamento mais amigável e se entusiasmava com todos os interesses de Guilherme, no que a amizade infantil se estabeleceu de imediato.

O Parque Pedra do Filhote

A vida de Lilica Rocambole parecia perfeita e dentro dos planos, com sua numerosa família contendo marido, um filho e três gatos. Vivendo só do trabalho para casa e se esforçando ao máximo para sempre ler para Guilherme antes do pequeno dormir, Lilica sentia que a vida podia ser como sempre sonhou. Mas também descobriu, da pior forma, que um sonho pode ter muitas nuances e nem todas contemplam suas verdades mais íntimas.

Ou como diriam em linguagem coloquial, quem procura, acha. A despeito dos planos perfeitos e todas as chances para realiza-los, a vida de Lilica começou a desandar. Tudo ruiu em um momento distinto, que ela poderia apontar com clareza para quem quisesse saber, como tantas vezes desabafou posteriormente com a melhor amiga Laura Caixão. Pois, a partir daquele ponto, foi como se uma sombra se colocasse na mansão dos Rocambole, tingindo tudo de mágoa e desesperança.

O que aconteceu foi que em uma tarde de domingo, em uma das muitas festas dadas na Mansão Rocambole, descendo as escadas, Danilo flagrou sua esposa Lilica beijando Summer Holiday, a vizinha da casa ao lado.

O choque foi enorme, e o temperamento explosivo de Danilo não ajudou. A relação de Danilo e Lilica se rompeu ali. A família desmoronou ali. Embora continuassem casados, não havia meios para a reconciliação. Obviamente, não ajudaria muito também se Lilica soubesse que, minutos antes de ser pega beijando a vizinha, essa mesma vizinha estava no andar superior dando ideia em Danilo, a ponto de eles quase irem para a cama juntos — só não foram porque Danilo sentiu um impulso irresistível de jogar pingue-pongue e perdeu o foco no colóquio amoroso.

Mas Lilica jamais saberia disso, uma visão ampla de narrador que se perde para o personagem e seu foco isolado. Lilica se culparia pelo resto da vida por aquele beijo em Summer, acreditando que foi o que destruiu seu casamento e que a culpa era só sua. Sempre se culparia e se perguntaria o que deu nela, sempre tão certinha, para ter tomado uma atitude daquela. Tédio? Curiosidade? Quem sabe a culpa fosse toda da Summer, a vizinha saída de um soft porn duvidoso do Multishow? É leviano demais tentar cravar apenas um desses fatores como o único responsável. Provável que tenha sido uma combinação de todos, e mais alguns que nem mesmo Lilica seria capaz de confessar. Fato é que a partir dali o casamento em si acabou e o relacionamento entre Lilica e Danilo se manteve apenas por conta das aparências e por Guilherme.

Após muitas fugas e doenças misteriosas como Boca de Pântano e Febre Gelada, o gatinho Eltinho faleceu. Foi mais um baque para a família e, já adolescente, Guilherme fortaleceu sua amizade com Sérgio. Descobriram novos interesses em comum e, nessa fase difícil, a personalidade pacífica do amigo ajudou Guilherme a superar o lar conflituoso e enlutado.

Um dia, em um passeio junto com Lilica pelo museu Descobertas em Grama Morta, outra atração turística de Brindleton Bay, Guilherme e Sérgio se beijaram pela primeira vez.

Guilherme ficou em êxtase, era o seu primeiro beijo e sua primeira paixão. Até então nunca pensara em sua orientação sexual, só sabia que gostava de Sérgio, sempre gostou. Prático como a mãe, traçou planos de vida incluindo um namoro com seu amigo de infância, como se fosse coisa do destino, feito para durar. Era um golpe de sorte em uma maré ruim, acreditou.

No dia seguinte, Sérgio quis ir para a casa de Guilherme depois da aula, no que o filho de Lilica entendeu como um sinal óbvio: seria o momento certo de pedir o loiro oxigenado em namoro, entre um beijo e outro.

Porém, chegando em casa, Sérgio já foi direto usar o computador. Como Guilherme estava com muita fome, pegou um prato de salmão grelhado que o pai fizera e deixou passar a grosseria, puxando conversas aleatórias. A tudo Sérgio reagia com hostilidade, o que foi minando a relação dos dois. Desesperado, Guilherme apelou para elogios e exortações positivas, mas não teve jeito. A briga verbal fatalmente veio e deixou explícito que o que acontecera no museu tinha sido no máximo um erro e no mínimo um evento que jamais se repetiria. Sérgio foi embora sem olhar para trás.

Naquela noite, Guilherme acordou chorando e subiu as escadas até o quarto da mãe para pedir um conselho: era verdade que ninguém no mundo gostava dele? Lilica abraçou o filho e afirmou que ele era muito amado, sim, bastava olhar à sua volta. Ser mãe também era isso.

Naquele ponto, Lilica e Danilo já eram idosos. Lilica saiu do emprego, buscando na aposentadoria um descanso depois de tantos anos de dedicação profissional. Sua relação com o marido Danilo estava mais amigável e eles até conseguiam rir e conversar sem brigas. Enquanto Guilherme estava no colégio, os dois passavam a tarde juntos cuidando da horta, assistindo à comédias ou jogando xadrez. Mas eles nunca mais voltaram a ter interações românticas, sejam avulsas ou um com o outro. Isso tinha ficado no passado, um toque amargo adicionado à história doce que Lilica um dia sonhou.

Grande e único foco da família, Guilherme corria para ser o melhor no Ensino Médio como tinha sido no Fundamental. Se esforçava com as tarefas e o aprimoramento de habilidades como lógica, debate e pesquisa. Quando a gatinha Lady Gaga faleceu, nem teve tempo de ficar triste, estava ocupado demais pensando em seu futuro. Era só o que sua mãe pedia dele, por isso ele se esforçava ao máximo.

A casa agora era ocupada apenas por Guilherme, Danilo, Lilica e a já idosa Taytay. Guilherme sabia que a morte rondava seu lar, já havia recebido as notificações e sabia como era o jogo. Por isso, se inscreveu na universidade tão logo pôde. Queria que a mãe tivesse logo o orgulho de saber que seu plano de vida tinha dado certo de algum modo, afinal.

Não deu tempo, sendo o destino tão abrupto quanto previsível. Em uma manhã qualquer, a Morte visitou novamente a mansão dos Rocambole e dessa vez ceifou a vida de Lilica, assim que ela acordou. Quase dá para dizer que ela morreu dormindo. Danilo ainda tentou argumentar com a Morte, porém não teve conversa. Estava tudo escrito, sem chance de revogação. De todos os sonhos de Lilica, só restaram uma família desfeita e uma urna com suas cinzas, que foi colocada junto às outras, dos gatos, no quintal do terraço.

Guilherme estava na aula quando da tragédia e, ao chegar em casa, a notícia terrível tornou amarga uma outra notícia impactante, mas essa boa: sua inscrição na universidade tinha sido aprovada. O filho de Lilica finalmente seria um universitário, como ela tanto sonhou.

Lilica, no entanto, morreu sem saber disso.

Epílogo

Em seu alojamento em Foxbury, Guilherme estuda.

Ainda que com o clima péssimo, a vida precisava continuar e Danilo precisava cuidar de seu filho. Com o humor muito triste pesando o coração de ambos, fez um bolo branco, colocou as velas e foi celebrado o aniversário de Guilherme. Datas não esperam. Guilherme era agora um jovem adulto e pronto para ir para Universidade. Temia deixar o pai sozinho e sabia que esse não era o plano de sua mãe, abandonar o velho assim, mas era preciso em função de um objetivo maior. Sem mais esperar, o jovem fez as malas e partiu cursar Belas Artes no Instituto Foxbury.

Assim que chegou no alojamento, Guilherme escolheu seu quarto e colocou trancas nas portas para que ninguém mais entrasse. A tristeza, dizia o calendário, ainda duraria 40 dias. Disposto à honrar a memória da mãe, Guilherme tratou de fazer as tarefas diárias antes mesmo de começar a frequentar as aulas da universidade, o que ainda demoraria três dias. Estava na varanda do alojamento estudando quando recebeu o telefonema: seu pai, Danilo, havia falecido.

Desnorteado, Guilherme pensou que seria uma boa ideia voltar em casa e buscar Taytay, único ente familiar ainda vivo de seu lar desmoronado. Convidou Sérgio para acompanhá-lo nessa viagem — ainda que a relação estivesse estremecida no âmbito amoroso, continuavam amigos.

Chegando à mansão Rocambole, qual não foi a surpresa de Guilherme ao descobrir que o imóvel estava trancado, inacessível. Bateu à porta e não pôde entrar: ninguém mais morava lá. Com os pais falecidos e Guilherme morando no alojamento, a gatinha Taytay foi posta para adoção e a casa foi esvaziada à revelia do primogênito.

Guilherme se viu no meio da rua, sem absolutamente nada. Perdera os pais, os gatos, a casa, a herança da mãe e até sua primeira paixão, já que o tratamento de Sérgio mesmo ali era puramente de amizade.

Não havia mais nada a ser feito. Parado na frente da casa que um dia foi sua e contemplando toda a história que foi vivida para que ele chegasse até ali, Guilherme decidiu que viveria um dia de cada vez e todos eles com uma missão: honrar o sonho de sua mãe.

Assim, pegou o celular e chamou um carro para voltar ao alojamento. Sozinho. A aula começava em dois dias e ele ainda tinha muito o que fazer. Depois pensaria em imóveis, relacionamentos amorosos ou diversão. Precisava primeiro se formar, e sendo o melhor da turma. Essa era sua única prioridade e sua missão. Faria isso por sua mãe, Lilica Rocambole, e assim todos poderiam saber a mulher que ela tinha sido.

Gameplay ainda em curso, jogado no The Sims 4 com os pacotes de expansão Vida Universária e Gatos & Cães. A história de Guilherme ainda está sendo escrita.

Resenhas, Séries

Queer Eye: todos os episódios, do pior para o melhor

Sim, esse texto contém spoilers. Também, pudera.

Reboot do reality show Queer Eye For Straight Guy, de 2003, a série americana Queer Eye surgiu em 2008. Repaginada, a nova versão chegou com a missão de ampliar a mensagem da série original. Onde Queer Eye For Straight Guy lutou por tolerância, Queer Eye vinha lutar por aceitação.

Com um lançamento tímido, Queer Eye acabou caindo nas graças do público e se tornando um fenômeno da Netflix. Entram na conta desse sucesso a clareza e leveza com que temas como racismo, homofobia, transfobia e outros são tratados na série, mas também conta muito, é claro, o carisma dos cinco Fabulosos, como são chamados, dessa edição: Antoni Porowski, especialista em comida e vinho; Tan France, especialista em moda; Karamo Brown, especialista em cultura; Bobby Berk, especialista em design; e Jonathan Van Ness, especialista em cuidados pessoais.

Em pouco mais de dois anos, Queer Eye já teve cinco temporadas, além de uma edição especial no Japão, reformando a vida e o guarda-roupa de pessoas pelo mundo afora em exatos 47 episódios. Ainda que a série busque ser um espelho de como as pessoas devem ser tratadas, sejam elas quem forem, nem sempre deu tudo certo. Alguns episódios e falas foram questionáveis, além de toda a temporada do Japão, que segue como um docinho um pouco difícil de engolir e muito criticado até hoje.

No entanto, olhando o quadro geral, Queer Eye já teve muito mais acertos do que erros. São muitas histórias de vida ganhando representação por meio do programa, muitas vivências sendo incensadas, ganhando a atenção que deveriam ter todos os dias. Por isso, por todos esses acertos, é que vale falar de Queer Eye, que vale ser fã de Queer Eye e vale, acima de tudo, torcer pela série e esperar que ela continue ainda por muitos anos trazendo narrativas que todos precisam conhecer.

Como fã da série, listo abaixo todos os episódios, do pior para o melhor, segundo um único critério: meu gosto pessoal. Para ser justa com os acertos da mesma forma que se é justa com os erros, nenhum episódio foi deixado de fora dessa lista, nem mesmo os questionáveis, muito menos os sublimes.

Mas é uma lista pessoal. Por isso, não fique bravo se as minhas escolhas não baterem com as suas. Até porque, Queer Eye é sobre aceitar as diferenças, lembra?

47. Dega Don’t (S1 E3)

Honrando as raízes do programa, esse episódio traz um makeover para alguém muito hétero, como esse ex-fuzileiro fã de automobilismo. Até funciona bem porque o personagem tem bom humor e se mostra aberto às mudanças propostas, mas o clima é estranho. Não ajudou muito, na verdade piorou tudo, a gag infeliz de simular uma batida policial no meio da estrada, fazendo o Karamo ser interrogado por um policial “brincalhão”. Karamo aliás, não tem descanso nesse episódio, tendo que ensinar ao personagem o básico sobre o motivo de, sim, vidas negras importarem. É certo que o consultor de cultura tem essa função quase social no programa, mas colocá-lo para dialogar com um cara que não é racista “por pouco” foi bem intenso e até insensível com o Fab5. Eu quero dizer, rolou até boné MAGA, o que dá um desgosto profundo na gente.

46. Big Little Lies (S2 E6)

Entre quase 50 episódios, alguns se tornam esquecíveis, enquanto outros ficam marcados na memória pelo tanto que você detestou. Big Little Lies atende com gosto a segunda opção. Afinal, como não se arrepiar de ódio ao lembrar de Arian, um cara que recebe a visita dos Fab5 para finalmente criar coragem de contar para a mãe que nunca se formou na faculdade? Seria um lindo caso de superação, se Arian não mentisse na sala para Bobby e logo em seguida mentisse na cozinha para Antoni. No meio do episódio, os Fabulosos já nem sabiam mais qual era a história real do cara, muito menos a gente. Mentiroso e esquivo, Arian não parecia estar pronto para (ou sequer desejar) a ajuda que estava recebendo, o que torna esse episódio um dos mais constrangedores da série toda. Sem contar que ele ficava melhor de barba, viu Jonathan?

45. When Robert Meet Jamie (S3 E4)

Aqui temos um episódio totalmente esquecível e sem carisma, onde um homem precisa retomar sua autoconfiança faltando poucos dias para seu casamento. Felicidades ao casal.

44. Soldier Returns to Home (S4 E7)

Voltando para casa, um soldado americano pede por ajuda para se reconectar com sua família. Um episódio quase esquecível, não fosse pelo crime do Antoni colocando ervilha no macarrão Carbonara, além da pintura antiga da parede da casa, que parecia… bom, parecia um pinto, o que resultou em risadas incontroláveis dos dois lados da tela.

43. Lost Boy (S3 E2)

Conflito de gerações! Vida ao ar livre! Nesse episódio, um quase hippie é repaginado para poder se aproximar de seu filho adolescente. Nada demais, realmente, exceto pela surpreendente e não-solicitada confissão do Bobby de que sua primeira experiência sexual fora em um acampamento como aquele. Risos.

42. Baby on Board (S3 E8)

Uma ajudinha para uma família prestes a receber mais um bebê. Única coisa adorável e digno de nota é a filhinha do casal, que na aula de culinária não tem medo de apontar para o Antoni e dizer “Você é meu namorado!”. A cara do Antoni de espanto, medo e constrangimento é impagável.

41. Ehrod & Sons (S3 E6)

Já deu para perceber que a temporada 3 foi sofrível, né? Bonitinho, mas sem tanto carisma, esse é o episódio em que um viúvo é ajudado a ter um novo ânimo para seguir sua vida cuidando das duas filhas pequenas. Um ponto lindo dessa história foi o Bobby decorando a sala com um baú de madeira para as crianças, com a caligrafia da falecida mãe das meninas esculpida na tampa. Aí eu chorei, na moral.

40. From Hunter to Huntee (S3 E1)

Um episódio maravilhoso onde uma mulher só usa roupa camuflada. Até a lingerie, tudo! É absolutamente perfeito. Esse episódio causou um pouco de revolta na população porque o Antoni levou a personagem para jantar, ao invés de lhe ensinar a cozinhar algo. Mas fazia sentido, um dos principais problemas era que ela não saia de casa nunca. Levá-la ver o mundo lá fora, além da sua rotina como caçadora, foi um presente que a emocionou a olhos vistos. Como estilo, esse episódio consolida a French Tuck como signature transformation do Tan, que apesar de todos os memes olha pra personagem, olha para a câmera e diz: “Cala a boca tudo mundo, eu vou dar a ela uma French Tuck sim“. Quem somos nós para discordar?

39. The Renaissance of Remington (S1 E6)

Como makeover e história de vida, provalvemente um dos menos marcantes. No entanto, é legal ver aqui o começo da construção de Bobby como o Fab5 que carrega o programa nas costas: ao transformar a casa “herança de vó” do personagem em uma residência moderna e cheia de personalidade, nosso amado Bobbers mostra a que veio.

38. Japanese Holiday (Especial Japão – E1)

A temporada especial no Japão é delicada de ser ranqueada, já que o choque de cultura é tão grande que tornou os episódios estranhos, meio enroscados, dificílimos de se apreciar por completo. De todo modo, esse é bonitinho por trazer uma mulher cujo sonho era viver um romance desses de filme. Com o makeover ela se sentiu mais pronta para batalhar por isso, mas o mais legal (e doce!) de ser ver foi mesmo ela flertando e sendo mimada horrores pelos Fab5.

37. Make Ted Great Again (S2 E8)

Uma graça de episódio, onde o prefeito de uma cidadezinha precisa de um boost de confiança para poder conquistar mais por sua população. No entanto, mais uma vez Jonathan comete o erro de tirar a barba do personagem e o resultado é terrível.

36. Fathers Knows Fish (S5 E8)

Um pai que dá duro em sua peixaria e sonha em abrir um restaurante próprio. O episódio é legal, mas parece ser mais um daqueles em que o personagem não está pronto ou quer receber o makeover. Entra em jogo também, claro, a tal masculinidade tóxica que impede os homens de colocarem os sentimentos à mostra. De qualquer forma, foi um pouco decepcionante ver como o pai não conseguiu de coração se reconectar com a filha mais velha, que saiu de casa e por isso o magoou enormemente. Deu para perceber que ele teimava em aceitar suas desculpas, o que deu um ar agridoce ao episódio.

35. How Wanda Got Her Groove Back (S4 E4)

Um episódio muito difícil, mas notável pelo esforço de uma mãe bailarina super rigorosa para conseguir se aproximar das filhas, que sofriam com seu alto nível de cobrança. Porém, o alívio é que episódios envolvendo dança sempre são divertidos e uma chance do Jonathan mostrar mais da sua personalidade carismática e fabulosa.

34. Stoner Skates by (S4 E3)

A filha do cara chama ele de “homem-criança”, então por aí você já vê. Mas é um episódio bonitinho, principalmente pelo surto do Antoni ao conhecer o corgi da casa. O especialista em vinhos e comida simplesmente perde a compostura, em um de seus momentos mais adoráveis na série.

33. Farme to Able (S4 E8)

A absoluta revolução que os Fab5 fizeram na vida desse fazendeiro recém-divorciado é de emocionar. Além de transformar o celeiro em uma marca, com um restaurante onde eram servidos os produtos vindos direto da fazenda, é de tocar o coração ver o quanto aquele homem estava precisando de um carinho como esse. E o impacto enorme que teve para a vida dele ser ajudado por “cinco caras gays”, coisa que ali naquela realidade era algo pouco usual. Esse episódio tem todo um clima gostoso e caseiro de dia de chuva, fazenda e comida feita com amor. E, ah, o pavor hilário do Karamo com animais e do Tan com lama foram tudo para mim.

32. Unleash the Sexy Beast (S2 E3)

Um fofo esse personagem, um pai de família que quer voltar a se sentir sexy depois de muito tempo não vivendo, mas apenas existindo. Muito do sucesso de um makeover vem do carisma do personagem, que aqui funciona muito bem, entregando um episódio daqueles que você assiste inteiro com um sorriso no rosto. “Como eu vou viver sem meus Fab5?”, ele pergunta chororso ao final do episódio. É o que a gente se pergunta ao final toda temporada, Leo…

31. Bellow Average Joe (S1 E7)

Considero esse um dos episódios mais delicados ao tratar de depressão. Joe é um comediante que deveria ter algum sucesso, mas não consegue ir para frente. “Se ele não trabalha e vive em casa, como não tem tempo de cozinhar?”, pergunta Antoni, ao que Karamo responde: “Ele está ocupado tendo depressão”. E é bem isso. Os fabulosos tentam ajudar e até conseguem em algum nível, criado um site para Joe divulgar seu trabalho. Infelizmente, meses depois ele deletou o site, alegando não estar conseguindo lidar com toda a atenção que o programa trouxe – um amargo lembrete de que curar feridas internas é uma caminhada mais longa do que participar de um simples makeover.

30. Camp Rules (S1 E5)

Bobby merecia o Oscar, o Grammy e o passe livre para tomar conta da minha vida após esse episódio onde ele reforma a casa de uma família cristã com seis filhos. O esforço brutal de dar conta dessa missão em apenas uma semana é algo que marcou demais os fãs da série, em um episódio extremamente satisfatório de se ver, principalmente se você tem mania de organização.

29. Father of the Braid (S5 E3)

Um pai que precisa aprender a viver sozinho agora que a filha vai casar. Esse é um dos episódios mais doces da série, além de ter momentos ótimos de redenção, como o personagem finalmente se livrando das roupas que a ex-mulher (folgada!) deixou na sua casa após o divórcio. É tocante também ver a felicidade do personagem com a “reforma” dos seus dentes: esse tipo de problema é um limitador para muitas pessoas, por isso é tão bonito ver as pessoas conseguindo voltar a sorrir confiantes após uma visita milagrosa ao dentista.

28. Hose Before Bros (S1 E8)

Uma das primeiras e mais impactantes atuações de Bobby, que aqui reforma apenas e tão somente uma estação de bombeiros. O clima feliz desse episódio zero drama e zero conflito é a essência do que a gente mais ama em Queer Eye: pessoas boas sendo ajudadas pelos nossos heróis. Obviamente, o inesperado crush do Karamo no bombeiro parecido com o Superman também cativou bastante o nosso coração.

27. Saving Sasquatch (S1 E2)

O cabelo maluco, a casa com potencial, mas uma bagunça. Esse é um daqueles episódios clássicos de homens externando em caos domiciliar o caos interno que querem a todo custo ignorar. A maior reforma nesses casos é sempre ajudar a pessoa a se reconectar consigo mesma, gostar mais de si. Esse episódio brilha por isso, transformando um cara tímido e altamente negativo em alguém capaz de dar uma festa em casa com discurso e tudo para falar sobre a importância do seu trabalho. Inspirador.

26. Sloth to Stay (S3 E7)

Outro episódio onde homens criados para esconder o que sentem têm a oportunidade de florescer. Aqui temos um gamer introvertido ao extremo que com a ajuda dos Fab5, consegue erguer a cabeça e ser mais participativo no seu grupo de amigos. Às vezes, tudo o que a gente precisa é de alguém nos motivando e nos permitindo acreditar que a gente consegue. Os Fab5 fazem isso.

25. Yass, Australia! (Bônus S2)

Como extra da segunda temporada, os Fab5 vão até a Austrália visitar a cidade de Yass, escolhida muito provavelmente por esse nome incrível. São muitas piadinhas enquanto vemos a reforma do bar e da pessoa de George, um fazendeiro local muito simpático. É gostoso de ver o clima de férias dos fabulosos nesse episódio (tão tranquilos que a reforma da casa quase atrasa), além da alegria de George por ter seus dentes reformados e poder sorrir no casamento da filha.

24. On Golden Kenny (S4 E5)

Um solteirão solitário recebe a ajuda dos Fab5 para reformar a casa e começar a socializar mais. Até aí tudo bem, o que quebra a gente é quando inventam de arrumar um cachorro para o cara e é de morrer a fofura com que dog e personagem se conectam. Um dos episódios mais preciosos da série no sentido de conseguir tocar o coração do personagem e da gente.

23. The Ideal Woman (Especial Japão – E3)

Uma desenhista de mangá tem a ajuda dos Fab5 e da comediante e atriz Naomi Watanabe para redescobrir sua feminilidade. Para além do conceito flutuante de “feminilidade”, aqui mais uma vez a história se sobressai por mostrar uma pessoa extremamente frágil e solitária recebendo carinho e atenção como todo mundo deveria ter acesso em dias normais. É bonito por isso.

22. Body Rocky or Bust (S5 E10)

Pesado! Um dono de academia de ginástica que simplesmente parou de se cuidar há pelo menos dez anos. O sentimento de fracasso, a vergonha por não ter “dado certo” e a comparação gigante com a irmã famosa (o plot twist, Deus!) são palpáveis, e por isso o makeover é tão impactante. Daqueles episódios de assistir e ficar de coração quentinho (além de, é claro, Tan France de Adidas, para delírio dessa fãnzoca das três listras).

21. DJ’s Repeat (S5 E6)

O cara mora em uma casa de dois pisos: no térreo mantém tudo arrumado e recebe a família, no segundo andar tem enlatados no armário de roupas. Meu pai amado, a bagunça! Apesar dos conflitos internos, todos abordados por Karamo, é um episódio divertido com o thirsty dos Fab5 com o corpo esculpido do DJ personagem dessa história. Além das vinhetas dolorosamente constrangedoras, e por isso adoráveis, de cada um dos fabulosos dizendo que tipo de DJ’s eles seriam.

20. A Decent Proposal (S2 E2)

Cachoeiras de lágrimas nesse episódio onde um cinéfilo desgrenhado quer se aprumar para fazer um pedido de casamento digno de Oscar para sua amada. E deu tudo certo, é um dos episódios mais lindos por isso. Além do alívio cômico do Antoni achando um pacotinho com dentes(?) na casa, e o Karamo dizendo que o Bobby não tem como ser romântico se ele sequer tem sentimentos. Eu amo um grupo.

19. To Gay or Not To Gay ( S1 E4)

Um gay “discreto e fora do meio” (risos) recebe os fabulosos para uma reforma geral com o intuito de encorajá-lo a sair do armário para sua madrasta e se reconciliar com o passado. Poderoso e emocionante, esse foi o primeiro episódio da série a trazer um gay para o makeover, mostrando a mudança de posicionamento com a série original, que só “reformava” homens héteros.

18. Silver Lining Sweeney (S5 E7)

É comovente a história da mãe que precisa aprender a aceitar ajuda das três filhas crescidas, além de lidar com o declínio da saúde do marido. E seria apenas um episódio choroso, não fosse pelo magnetismo pessoal da personagem, uma mulher divertida, vibrante e hilária em seus gostos pessoais abertamente cafonas. Um teste de resistência para Tan, mas um deleite para o resto do cast e todos nós.

17. A Tale of Two Cultures (S4 E6)

Culturas colidindo nesse episódio onde uma mulher latina poderosa e orgulhosa de suas raízes busca aprimorar seu estilo para passar mais confiança ao negociar por mais eventos culturais em sua vizinhança. Um episódio importante sobre xenofobia, onde Karamo tem uma participação crucial indo bater de porta em porta falar com os vizinhos que já hostilizaram a personagem. E temos um momento icônico, com as vovozinhas da família falando que a receita de avocado do Antoni está correta sim, o que é a sua redenção, depois de tanto meme com a obsessão pela fruta.

16. Preaching Out Loud (S5 E1)

Bobby já parece um pouco mais tranquilo quanto ao seu trauma igrejas e religião, então esse é um episódio onde ele consegue se soltar e fazer maravilhas. Aqui temos um pastor gay extremamente tímido com dificuldade de se relacionar e trazer mais gente para a comunidade da sua congregação. Apesar da conversa de igreja liberal pareça mais prometer do que realmente fazer pelos que foram e são historicamente oprimidos pela religião, as pessoas ali aparentam ter boa intenção. E além disso, a reforma no quarto do pastor, com aqueles vitrais absurdos, vale todo seu tempo de telespectador.

15. The Handyman can (S2 E4)

Um homem abandonado esteticamente e com uma paixão questionável pelo festival Burning Man pede ajuda para arrumar suas coisas antes de se mudar. O episódio como um todo não tem grandes surpresas, além do destaque para transformação suave aplicada por Tan e Jonathan. São os minutos finais, no entanto, com uma decisão inesperada do personagem, que tomam a gente pelo coração. O choro é inevitável, é um final feliz daqueles.

14. The Anxious Activist (S5 E5)

Graciosa demais a personagem desse episódio, uma mocinha que mora em uma república e se preocupa tanto com seu ativismo que acaba esquecendo de cuidar de si mesma. Aqui chama atenção o cuidado com o ecologica e politicamente correto em toda a transformação, desde as roupas vindo de brechó até os móveis feitos todos de materiais reaproveitados ou de segunda mão. E a garota é muito fofa, com um estilo incrível.

13. The North Philadelphia Story (S5 E4)

Esse é um daqueles episódios em que o Karamo brilha fazendo o que ele faz de melhor: mediar conflitos. Nesse caso, ele coloca frente a frente filho e mãe, que estavam distantes por desentendimentos do passado. É emocionante para a gente, mas principalmente para Antoni, que não fala com seus pais e parece especialmente tocado pelos conselhos de Karamo para Tyreek, o personagem da vez. Também vemos uma ligação importante dessa história com Bobby que, assim como Tyreek, já morou na rua. Da mesma forma que acontece em toda a quinta temporada, os Fab5 estão mais abertos a invadirem a área de especialidade uns dos outros, o que permite momentos incríveis de troca como esses do Antoni e do Bobby. E, ah, não perca a cena final, com uma thirst trap impagável do Antoni, de graça.

12. Crazy in Love (Especial Japão – E2)

Vivendo no Japão, Kan se sente excluído por sua sexualidade. A missão dos Fab5 é lhe proporcionar mais confiança para que ele possa viver a sua verdade e ainda apresentar o namorado para a família. É um episódio muito doce e especial, apesar da dureza do preconceito que deflagra. Kan é precioso demais e merece toda a felicidade do mundo.

11. Bedazzled (S2 E7)

Não sei se Elton John chegou a assistir esse episódio. Espero que sim. Sean é um rapaz extremamente educado, gentil e talentoso que toca piano nas redondezas e se monta para o palco segundo a orientação de sua vó, o que quer dizer que ele se veste como se tivesse 70 anos. Mas Sean quer usar cores mais vibrantes, materiais poderosos, e é aí que os Fab5 entram em ação, construindo uma das reformas mais inspiradoras da série.

10. Paging Dr. Yi (S5 E9)

Às vezes, no turbilhão das suas ambições, trabalho duro e vida cotidiana, pode acontecer de você esquecer de si mesmo. Esse episódio é muito sobre isso, ao mostrar a história de Dr. Yi, uma jovem pediatra prestes a começar no emprego dos sonhos em um hospital renomado. No processo de conquistar esse cargo tão sonhado, ela acabou deixando a educação da filha pequena com o marido, e hoje se sente “sobrando” no núcleo familiar. Os Fab5 entram em ação e fazem da história de Yi um despertar para muitas de nós que estamos por aí colocando tudo antes de nós mesmas.

9. Sky’s the Limit (S2 E5)

Os Fabulosos ajudam um homem trans se recuperando de uma mastectomia a dar uma festa de agradecimento pelo apoio dos amigos, em um dos episódios mais emocionais da série. Vale dizer que nenhum dos Fab5 era (ou é) totalmente versado em cultura trans para fazer esse episódio, mas não deixaram de mostrar que estão ali para aprender. Principalmente Tan, que com toda a delicadeza conduz o makeover de estilo de Skyler, dosando tudo o que o personagem “sempre quis” vestir como homem com o que fica melhor nele fisicamente para aquele momento. Um episódio para chorar muito, de alegria, definidor do quanto essa série é importante para levar visibilidade sobre as minorias para o público geral. Aliás, vale ler essa entrevista do próprio Skyler sobre como foi participar do programa.

8. Disable But Not Really (S4 E2)

Provavelmente o episódio mais crucial do Karamo na série como mediador de conflitos, aqui temos um ex-rebelde que precisa mudar de vida após ficar paraplégico em uma briga envolvendo arma de fogo. É função de Karamo facilitar os meios de curar essa ferida emocional e ele o faz da maneira mais incrível possível, ao mediar uma conversa entre Wesley e o homem que o deixou paraplégico. É tenso, mas libertador, ver Wesley conversar com essa pessoa, entender o seu lado da questão e, por fim, conseguir perdoá-la. Esse episódio, aliás, é todo sobre liberdade, uma liberdade que é viabilizada com a reforma de Bobby na casa de Wesley, a tornando ampla e acessível. A liberdade está também na consultoria de moda de Tan, que entende as necessidades de Wesley e pensa com ele em roupas que funcionem melhor para pessoas que estão em cadeira de rodas. Por fim, é libertador também para Tan, que em um momento de troca conta para Wesley que só “saiu do armário” para sua família quando entrou para o Queer Eye (e aí não tinha mais como esconder) – o que foi um momento decisivo e de impacto em sua vida. Não é um episódio fácil, mas conquistar a liberdade também não é. Episódios como esses, no entanto, nos dão a esperança de que é possível.

7. Black Girl Magic (S3 E5)

Jess é uma garota lésbica negra que, ao ser rejeitada por sua família, encontra abrigo no afeto de pessoas que realmente se importam com ela. Esse é mais um episódio extremamente emocional sobre aceitação e amor, onde o destaque é a personalidade cativante de Jess, uma garota doce e divertida apesar de todos os perrengues. Aqui também temos mais de Bobby e Tan se abrindo sobre suas batalhas pessoais, demonstrando uma vulnerabilidade que é o que torna esse cast tão precioso.

6. Groomer Has It (S5 E2)

“Eu tento de tudo, mas parece que a vida me atrapalha…” Uma van caindo aos pedaços era tudo o que Rahanna tinha em seu serviço de banho e tosa de pets, mas ali estavam todos os seus sonhos de ser uma empreendedora de sucesso. Antes, é claro, ainda eram necessárias algumas reformas externas e pessoais. Os Fab5 entram em ação e fazem esse um dos episódios mais bonitos e positivamente histéricos da série. Rahanna é uma garota negra e muito alta (quase dois metros de altura!), pelo o que sempre sofreu de baixa-estima. Além disso, um namorado infiel em um relacionamento estagnado não ajudavam. Karamo do your thing e coloca os dois para conversar. Vai dar certo? Não sabemos, mas o moço garante que sim. Enquanto isso, toda a marca de Rahanna é reformulada e um desfile canino (rindo) acontece para comemorar. Temos de volta a obsessão de Antoni por corgis e mais: além da reforma na casa, os Fab5 presenteiam Rahanna com uma van nova e equipada para ela continuar com seu empreendimento e finalmente decolar. Como Tan diz: é um exagero de gastos para um episódio? Provavelmente sim, mas Rahanna merece. Um episódio delicioso, cheio de risadas, gatos, cachorros, aprendizados e os Fab5 se emocionando com uma história como há tempos não víamos na série.

5. Bringing Sexy Back (Especial Japão – E4)

Olha, eu sei que o Especial Japão é problemático, mas será que a gente pode atentar para a densidade desse episódio aqui? Um casal juntos há sete anos, que já não se fala mais, se toca ou sequer faz sexo. Eles ainda se amam, só que perderam o jeito de se aproximar um do outro e nessa distância crescente se fez um muro que parece intransponível. Até os Fab5 chegarem, claro. O personagem é o marido do casal, um diretor de rádio que precisa superar sua excruciante timidez para dizer à mulher que ama que ainda precisa dela, ainda a deseja e que eles devem continuar juntos. É absolutamente lindo e perfeito, nos fazendo pensar em como deixamos as situações saírem do nosso controle pelo simples medo de tomar uma atitude. Felizmente para Makoto e sua esposa, ainda deu tempo de consertar.

4. Jones Bar B-Q (S3 E3)

É para chorar feito bebê com esse episódio inspirador sobre duas irmãs donas de uma van de churrasco e detentoras de um molho secreto que garante uma clientela fiel. Uma rápida cirurgia dental é o gatilho para incrementar a confiança de uma delas e nos fazer cair aos prantos em posição fetal com a conquista de uma felicidade tão simples e valiosa. Nos dois anos de série, nunca houve personagens tão cativantes e merecedores de apoio como as irmãs Jones.

3. Without Further Ado (S4 E1)

Chegando à quarta temporada, cada Fabuloso já é um fandom em si, por isso nada mais justo do que usá-los como personagens auxiliares. É o caso dessa pérola vibrante do entretenimento, onde os Fab5 viajam até a cidade natal de Jonathan e fazem o makeover de uma de suas professoras do tempo de adolescente. A alegria histérica de Jonathan em rever sua escola é contagiante, assim como são tocantes as histórias que ele compartilha de um passado não tão distante, quando a bomba explosiva de autoconfiança que ele é hoje ainda estavam em formação. E, é claro, como esquecer a reforma monumental que Bobby conduz na sala de descanso dos professores ou do momento apoteótico em que Jonathan corta o mullet balzaquiano da professora? Esse episódio também traz um ensinamento de moda muito precioso do Tan, que fala sobre você se vestir do mesmo jeito por anos, mesmo aquele estilo não te representando mais, porque é “seguro”. Que você precisa olhar pra si mesmo de tempos em tempos e rever seu estilo, porque a gente muda o tempo todo e estar vestido de uma maneira que nos representa contribui muito para a nossa autoestima. Isso me tocou muito, e toda a felicidade que esse episódio traz faz dele um dos meus favoritos, que revejo sempre.

2. You Can’t Fix Ugly (S1 E1)

Esse episódio é importante por tantos motivos! Sendo a estreia da série, é digno de nota como eles conseguiram imprimir com tanta propriedade qual era o espírito desse projeto, trazendo um reboot que atualiza e amplia o valor e o significado da série original. E o personagem não poderia ser melhor, um homem já idoso, desacreditado do seu potencial, buscando por um amor, mas achando impossível porque “você não pode consertar a feiura”. Acho que todo mundo já se sentiu assim, pensando que pode fazer de tudo, mas é “feio” mesmo e não tem conserto para isso. A forma como os Fab5 acolhem esse homem e mudam a vida dele – e o seu modo de ver a vida – é definitiva para ele e para nós: a partir dali não existe muita saída para o público. Ou você ama a série ou você não vai seguir com ela. Eu escolhi amar e nunca me arrependi.

1. God Bless Gay (S2 E1)

Mamma Tammye é uma devota religiosa com um filho gay, que abre os braços para receber uma reforma de estilo dos Fabulosos. Parecia só isso, mas a verdade é que a personalidade incrível de Tammye se sobrepõe a qualquer tentativa de protagonismo por parte dos Fab5. É Mamma Tammye quem ouve, ensina, dá conselhos e acolhe cada um deles, fazendo do episódio um dos mais catárticos da série. A maneira com que ela pega cada um deles pela mão e diz o motivo dele ser especial para o mundo é de se debulhar em lágrimas, o que todos fazem, mas especialmente Antoni, que quebra com tanto sentimento sendo colocado para fora. É um episódio muito importante também para Bobby, que começa nem pisando na igreja, por conta de todos seus traumas passados, mas acaba ele também se permitindo aceitar as diferenças e rever seus conceitos. Um episódio lindo e perfeito sobre aceitação e amor ao próximo, que mostra a religião como ela realmente deveria ser, onde sobram lições e esperanças para cada um de nós. Daqueles que você revê sempre que precisa renovar a fé nas pessoas, o que hoje em dia é uma necessidade quase diária.

Sem mais episódios para ranquear ou emocional para continuar, encerro aqui esse post, na esperança de que Queer Eye seja renovada ainda por mais 89 temporadas, e continue nos ensinando, mas também evoluindo e se tornando cada vez melhor.

E sempre com looks incríveis, a gente agradece.

Filmes, Resenhas

SAGA CREPÚSCULO: assisti aos 5 filmes e olha só o que deu

ATENÇÃO: Este artigo contém spoilers dos filmes da saga Crepúsculo, que você mesmo falou que nunca vai assistir.

Puxa vida. Como falar de Shakespeare? Como falar de Machado de Assis? Como falar dos Beatles ou de Janela Indiscreta? Como falar de Crepúsculo? Como falar dos clássicos?

É difícil. Mas a missão do escritor, do historiador e do pensador é essa, por isso eu, que sou escritora, historiadora e pensadora, fiz esse esforço colossal de me debruçar na mais densa dessas obras e peguei todos os filmes da saga Crepúsculo para assistir e resenhar aqui para você. Não foi fácil. A complexidade de tais filmes vai além do meu raso entendimento de vida. No entanto, assim é o trabalho do crítico pop. Que sou eu. Eu sou crítica pop. Ao final dessa aventura, muito foi aprendido, pouco foi compreendido e ainda mais foi questionado. Foi uma coisa louca. Trago tudo isso para você agora. A seguir. Vamos lá?

Crepúsculo (2008) – Dir. Catherine Hardwicke

Os livros da saga Crepúsculo, da americana Stephenie Meyer, já eram sucesso quando o primeiro filme da franquia foi lançado, em 2008. Estrelado pelos coitados Robert Pattinson, Kristen Stewart e Taylor Lautner, que nem sabiam no que estavam se metendo, o filme é geralmente o único que as pessoas já viram nessa história. Era o meu caso, Crepúsculo foi minha única reprise nessa aventura.

De cara, o filme já chama a atenção pelas cores pavorosas, tudo cinza e azul morte. Michael Bay ficaria orgulhoso, Hardwicke aqui nos faz ter calafrios, mas não pelos motivos que ela queria. A caracterização dos vampiros, como se tornou icônico, é de um pálido brutal e cômico. Brutal e cômico, aliás, são adjetivos que podem definir esse filme como um todo.

A história? Filha de pais separados, Bella (Kristen Stewart) decide passar uma temporada com o pai. Chegando na cidade, ela começa as aulas na escola dali e se encanta pelo misterioso Edward “The Hair” Cullen (Robert Pattinson), um adolescente que parece ter 30 anos de idade e é sério, babaca e infeliz como qualquer pessoa transitando nessa faixa de idade.

Correndo pelas beiradas, trotando feito um cachorrão grandão, está Jacob (Taylor Lautner), vizinho de Bella, um rapaz caloroso que parece querer mais do que amizade. Infelizmente, Bella está hipnotizada demais pelo gélido amor de Edward para perceber.

Não demora, Bella e Edward começam a se envolver, apesar de tudo parecer ser muito proibido, perigoso e peculiar (PPP). Logo Bella descobre o motivo de tanto mistério: Edward é um (say it!!!) vampiro. Cruzes! Isso seria suficiente para afastar Bella, mas Stephenie Meyer não leu tanto Shakespeare à toa: agora sim é que nossa heroína quer ficar com este homem PPP e viver esse romance muito PPP.

Nessas, o que era para ser uma bela história de amor acaba se tornando uma grande celeuma, pois outros vampiros começam a questionar o fato de Bella, uma humana, estar de trelelê com vampiros. Vocês vão comer ou não? Aquela coisa. A saída para o casalzinho continuar junto seria Bella se tornar vampira, mas essa é uma decisão um pouco complicada para uma garota de 16 anos e burra. O que fazer? Enquanto isso, o amor adolescente clama por uma resolução. Bella não pode nem beijar Edward direito, pois ele é muito voluptuoso e ela é virgem. Meu pai amado, é difícil demais ser jovem, Bella só queria dar uns beijos (e algo mais), eu hein.

Apesar do cafona de tudo, Crepúsculo é sim um bom filme. Não podemos desprezar suas cenas antológicas, como a batalha do beisebol e o Edward segurando o carro para não machucar a Bella. A trilha sonora é ótima. Por outro lado, a interpretação de Robert Pattinson é limitada e dolorosa, assim como a de Kristen Stewart, o que nos dá um norte de como esse casal era endgame desde o começo. Fato curioso é saber que RPatz nem sabia do que se tratava o filme e aceitou fazer parte dele apenas para estar do lado de Stewart, por quem tinha se encantado ao assistir Na Natureza Selvagem, onde a atriz tem pequena participação. Nascidos um para o outro, até certo ponto, os atores começaram a namorar já durante a produção de Crepúsculo, em uma história paralela cujos desdobramentos patéticos veremos mais à frente.

No fim das contas, em Crepúsculo, tudo se resolve de alguma forma, apesar de Bella não ter exatamente o que quer. Foi salva dos vampiros mais bravos e está com Edward, naquelas. O garoto ama sua humana, no entanto hesita em trazê-la para o vampirismo. E qual seria a saída, se eles querem transar? É brutal e cômico.

Lua Nova (2009) – Dir. Chris Weitz

Uma realidade mais quente nos aguarda em Lua Nova, filme seguinte da série e tido como o pior da franquia. Honestamente, eu já vi piores, mas eu também vejo muita coisa.

Dando prosseguimento à história, o filme traz um Edward sumido Em Busca de Se Encontrar e uma Bella toda grunge, as roupas cada vez mais horríveis, solitária demais. Essa solidão é a brecha para que ela se aproxime do vizinho Jacob, que cortou o cabelo, ficou grandão, parou de usar camiseta e está mais do que disposto a preencher a lacuna deixada no coração da nossa mocinha.

É aí que ficamos sabendo, embora já desconfiássemos, é que Jacob é um Lobisomem!!! Uma raça inimiga dos vampiros, então você imagina o climão. Desenganada pela literatura fantástica, Bella fica um pouco balançada, e Jacob não deixa de apontar os motivos pelos quais ela não deve se aliar aos dentuços. Atento aos prejuízos do webnamoro cósmico, o holograma de Edward persegue e protege Bella de todos os esses perigos, ainda que a estética fragilizada do ator não contribua para incrementar a nossa confiança.

No fim das contas, Bella segue deixando Jacob na gaveta das amizades e fica por isso mesmo. Por conta de uma série de cálculos, sonhos e demais metodologias equivocadas, Edward quase se mata, mas acaba retornando à cidade e propõe à Bella um acordo: ou ela se transforma em vampira depois da formatura, pelas dentadas de Alice, outra vampira do clã, ou se transforma pelas dentadas de Edward, assim que eles se casarem.

É o pedido de casamento mais esquisito da história, por isso Bella nem responde e o filme termina assim em aberto.

Eclipse (2010) – Dir. David Slade

Cacetada, bicho, qual a dificuldade em manter um mesmo diretor para dois filmes seguidos em uma franquia? Nessa em particular, isso não parece ter sido sequer uma questão. E vamos de terceiro filme, com uma abordagem totalmente diferente das anteriores.

Eclipse traz Bella preparando o terreno para se tornar vampira, ainda que um tanto incerta sobre isso. Para ajudar, Jacob intensifica a sedução, então nos vemos em um inóspito triângulo amoroso entre Bella, Edward e Jacob. Em linhas gerais, é uma mulher tendo que decidir entre um defunto e um cachorro. Existe uma terceira opção óbvia (sumir dali e ter um relacionamento saudável com um ser humano normal), mas a Bella sendo a Bella… A garota se transforma no poste mais mijado do cinema mundial, com dois seres sobrenaturais metidos em disputas patéticas por sua atenção.

E é claro que no meio disso as famílias se envolveriam, então temos uma grande disputa entre Lobos e Vampiros. Quem ganha com isso é só a Bella, a nossa querida sonsa que fica ali no meio sendo a Suíça do rolê e deixando que todos se matem por ela. Verdade seja dita, a garota consegue a luta e a união entre as raças, mesmo com aquele jeitinho blasé.

Algo que eu adoro nesse filme é como eles constroem a tridimensionalidade dos personagens secundários, simplesmente colocando pessoas aleatórias para conversar com a Bella e contar a história de suas vidas desde o século XV. Sendo o boneco de pano das duas raças, vampiros e lobos, Bella é levada de lá pra cá conforme a narrativa da história precisa ser contextualizada. O que ela tem a ver com isso é indiferente.

No mais, Edward continua negando sexo para Bella, achando que vai matar a garota com o pau centenário dele. Eu tenho lá minhas dúvidas, mas deixo para vocês as teorias. Terceiro filme e o máximo que tivemos foi uns beijinhos sem sal. Força, guerreira.

Por fim, Bella decide que vai casar, sim, com o Edward. Não adiantou nada tomar anabolizantes, Jacob.

Amanhecer – Parte 1 (2011) – Dir. Bill Condon

Ai, honestamente, é de partir o coração ver as fotos de bastidores desse filme e saber toda a merda que rolou depois, mas vamos que vamos.

Esse é o filme mais soft do casal, na medida em que Bella e Edward finalmente se casam e têm alguns momentos de paz, felicidade e amor, a história já abre com isso. Curiosamente, ninguém questiona o fato de uma menina de 18 anos estar se casando com um rapaz com pouco mais do que isso (atribuído). Normal. Grande festa na família, brindes pavorosos são feitos na festa e vamos de celebração.

De todos os lugares do mundo, a Lua de Mel se passa no Brasil. Isso aí era da época que o país ainda investia em turismo e divulgação internacional, cultura, etc. Outros tempos. É enternecedor ver Edward falando português, RPatz treinou e tudo. Já Bella não faz tanto esforço, está mais preocupada em consumir logo (e várias vezes) o casamento. Não é assim tão simples quando seu carisma e grau de sedução é quase nulo, como é o caso. As cenas dela de lingerie fazendo pose são de urrar de constrangimento. Ainda assim, temos momentos bem bonitinhos e sensuais (kk) do casal finalmente fazendo o que queria fazer desde o começo dessa infame história.

E é comendo um galeto, ainda no Brasil, que Bella se dá conta de que pegou barriga. Tudo acontece muito rápido quando uma humana engravida de um vampiro, aparentemente. Eles voltam para casa mais do que depressa, e agora a treta é manter a Bella viva durante essa gravidez de risco. Caso não tenha ficado claro, um bebê assim inter-espécies tem grande potencial de nascer um monstrengo perigoso. Quem diria. Cuidado aí no Tinder, meninas.

E o que tinha tudo para ser apenas mais um filme ruim se torna de extremo mau gosto com as cenas grotescas do parto de Bella, além da figura em si do bebê, um protótipo robotizado que já virou cult.

Para sobreviver ao parto, Bella é transformada em vampiro por Edward, que tentou evitar isso o quanto pôde. Não deu.

Amanhecer – Parte 2 (2012) – Dir. Bill Condon

Bill Condon fez uma pra Deus ver e se consagrou como o único diretor a assinar dois títulos da saga. Tudo isso pensando no sentido de unidade desse arco final da trama, onde a história de um livro foi dividida em dois filmes.

E olha, nem precisava tanto esforço. Chegando nesse ponto, a fórmula pronta de “Bella se envolve em enrascada com alguma raça sobrenatural aleatória” já anda com as próprias pernas, precisando de muito pouco para funcionar.

No filme final da saga, Bella acorda com fome. Agora ela é uma vampira, e das bravas. Cabe à Edward educá-la, para além das funções parentais do casal, agora com a menina Renesmee (que nome!) também crescendo à galope. O banho de loja da Alice deu resultados e agora Bella parece quase bem vestida, embora ainda com aquele jeitão jeca dela. Outra nota triste para esse filme, parece que dessa vez acertaram cabelo e maquiagem dos vampiros, mas agora de que adianta?

E, caramba, Bella e Edward finalmente podem transar propriamente e sem medo, já que são da mesma espécie. E dá-lhe fazer a cabaninha dos Cullen-Swan ferver na madrugada.

Tumultuando esse cenário idílico, lá vem de novo os Volturi, de olho na menina Renesmee, que é um bicho diferente por ser meio humana, meio vampira. Às vezes penso se não falta uma ocupação para os Volturi, um emprego de meio período que seja, para que eles tivessem o que fazer e parassem de arrumar treta.

Em todo caso, Bella e sua nova família (a anterior, com pai e tudo, foi prontamente deixada de lado) se unem em mais um confronto, meu senhor, quem é que aguenta mais um confronto. Acho que todo mundo pensou isso também porque, no fim, era tudo apenas um sonho vívido e nada aconteceu. Eu, hein.

Para coroar uma história terrível como um todo e ultrajante em vários momentos, Amanhecer Parte 2 fecha com um novo arco extremamente de mau gosto, que é a revelação de que a menina Renesmee é o imprinting do Jacob. Ou seja, a menina que acabou de nascer é a alma gêmea daquele Lobo marmanjo, que fica cercando ela por todos os lados. Incrível como ninguém acha isso problemático, o filme termina com Bella e Edward curtindo a vidinha de casados e com muita aventura para viver sendo vampiros, enquanto a filha deles é literalmente largada nas mãos do Jacob, seu guardião além-vida.

É no mínimo inacreditável, beirando o criminoso. Embora não seja meu lugar de fala criticar alienação parental no âmbito sobrenatural, na minha opinião esse imbróglio fecha essa história já complicada com um laço de fita feito de pura bosta.

Se é que podemos colocar assim.

Saldo final e outros sentimentos

Se você chegou até aqui, quero te parabenizar e agradecer. Sei que não é fácil, apesar de todo o meu talento como historiadora, pensadora, escritora, crítica pop e todas as outras coisas que inventei lá em cima.

Assistindo aos cinco filmes da saga, o saldo final que fica é que Crepúsculo é, antes de tudo, a batalha de uma garota para fazer sexo com o cara que ela escolheu. No meio do caminho, outros coitados tentam, raças entram em conflito, a humanidade em si não colabora, mas não tem jeito. Essa garota quer dar pro Edward e nada pode detê-la. Seria uma história comum de qualquer mulher tentando exercer sua sexualidade, mas colocaram uns vampiros e lobos no meio e deu nisso. E assim, temos uma história ridícula de um jeito hilário, cheia de falhas de roteiro, além de interpretações e caracterizações terríveis. E dolorosamente longa.

Bom mesmo, eu acho, é só o primeiro filme. Apesar das cores questionáveis, Crepúsculo tem sim uma história interessante, além de uma trilha sonora que amarra a trama e dá o tom anos 2000 da produção. Mesmo em sua cafonice, é uma peça perfeita. Já os filmes seguintes, parece que deram um murro no nosso estômago e vão empurrando a gente com pequenos chutes no baço, ladeira abaixo.

Por fim, é ainda mais triste saber que RPatz e Stewart namoraram durante a saga toda, para ela traí-lo publicamente um pouco antes do lançamento do último filme, quando já tinham quase quatro anos de namoro. É a última pá de cal nesse túmulo de vampiro, deixando tudo com um gosto amargo.

Mas é aquela coisa, né. Todo clássico tem seu lado triste. Você compara com Shakespeare, por exemplo. É complicado e, na dúvida, prefiro fazer como Robert Pattinson, Kristen Stewart e Taylor Lautner, esses coitados, e simplesmente tentar esquecer que tudo isso um dia aconteceu.

Apesar de todos os cinco filmes estarem disponíveis no Prime Video para você assistir quando quiser; foi onde assisti, aliás.

Ainda assim, sugiro esquecer. O segredo do clássico é ficar guardado na estante, mantendo a aura de intocável, sem jamais ser revisitado.

Façamos o mesmo com a saga Crepúsculo.

Filmes, Processo Criativo, Resenhas, Séries

SPACE JAM: a primeira fanfic esportiva

Space Jam (1996) – Dir. Joe Pytka

Atenção: esse texto contém spoilers de um fime de quase 30 anos atrás, um filme baseado em acontecimento reais (“baseado” naquelas, é disso que se trata o texto).

Quando eu digo “a primeira fanfic esportiva”, quero deixar claro que estou ampliando o conceito de “primeira” de modo a caber na definição necessária para mim aqui: a primeira que eu me lembre, mas não é como se eu estivesse tentando lembrar.

Escrever é, antes de tudo, lembrar só do que interessa no momento.

Escrever é um longo e doloroso “não, e detalhe!!!” conspiratório e impreciso.

Deixando de lado as divagações sobre o processo de escrita, trago hoje para nossa discussão (estou rindo) o filme Space Jam, que teve um breve revival na memória afetiva coletiva por conta de uma série de fatores que podem ser resumidos em apenas dois: um documentário sobre Michael Jordan na Netflix, o filme em si entrar para o catálogo da plataforma.

Depois de assistir a The Last Dance, o tal documentário, na verdade uma série documental, uma docusérie (adoro essa palavra?), assisti ao filme Space Jam e conheci muitos fatos que me eram novidade (o que posso fazer, não conheço tudo). De fato, fiquei transtornada de maneira pouco saudável (rindo de novo) com a conexão entre essas duas incríveis peças de entretenimento com fortes doses pop e catalisadoras de conceitos como um esporte de malucos jogando bola em um aro lá no alto.

Senão, vejamos.

The Last Dance (2020) – Dir. Jason Hehir

Em um impressionante compilado de imagens exclusivas e roteiro lapidado com a maestria de um gênio (dá vontade, né Match Day: FC Barcelona?), The Last Dance cobre a temporada de 1997-98 dos Chicago Bulls, mostrando de maneira intimista essa que foi uma das temporadas mais icônicas do time, quando perseguiam o hexa da NBA. Além disso, o doc mostra um background de como o time chegou até ali, tendo o ponto de vista de Michael Jordan, a maior estrela do Bulls e do esporte em si, como fio condutor da história.

Dentro dessa narrativa, The Last Dance também mostra detalhes dos momentos anteriores à temporada 1993–94, quando Jordan brevemente se aposentou do basquete para jogar beisebol. Pois é.

Foi vendo o documentário que percebi que é exatamente nesse ponto que o filme Space Jam se conecta com a história real do que aconteceu e cria uma versão ficcional do que poderia ter sido. Ou seja, faz uma fanfic.

Uma fanfic esportiva.

A primeira fanfic esportiva. Que eu saiba.

Trazendo esse que é de longe o melhor misturadão de contratos comerciais já visto no cinema, Space Jam combina animação com gente de carne e osso para contar a história de como Michael Jordan foi escalado para defender os Looney Tunes em um jogo de basquete contra alienígenas dispostos a escravizar desenhos animados. Uau!

E, na verdade, tudo isso acontece no filme quando Jordan está em sua aposentadoria do basquete, jogando beisebol, e é escalado por Pernalonga e sua turma. Quer dizer, eles pegam esse fato real (a aposentadoria) e criam um universo paralelo, onde Jordan é sugado por essa realidade alternativa e convencido a jogar basquete com desenhos animados.

Ainda uma história melhor do que Crepúsculo.

Mas o filme é incrível, mesmo. Para além da nostalgia (que eu não tenho, sou capaz de rever filmes de 30 anos atrás e me impactar como se me fossem inéditos), Space Jam conversa com realidade e fantasia unindo dois mundos através de uma história fácil de se conectar, pois realmente aconteceu – até certo ponto.

Fanfic é um gênero literário considerado menor justamente por ter essa abordagem vista quase como preguiçosa: você pega personagens que já existem, conceitos que já existem, fatos que já existem, e cria um pouquinho em cima. É um gênero de entrada para muitas pessoas que estão começando a escrever, porque te dá uma base sólida para criar sua história, construindo em cima de coisas reais e permitindo que você se arrisque só até se sente seguro.

Pensar nessas características como demérito, no entanto, é um pouco limitado. Afinal, de Shakespeare para cá, o que é realmente novo? Tudo o que criamos é uma cópia de uma cópia, uma soma de várias coisas que consumimos como cultura e transformamos em outro produto. Um produto novo, mas com algo que lembra outra coisa que você viu antes – o que te dá a segurança para consumir em paz.

É como a capa do DVD que vem escrito “Se você gostou de tal filme, vai gostar desse”.

Claro, Space Jam não foi pensado como fanfic. Nem sei se fanfic era algo em 1996. Mas é interessante ver como essa estrutura de narrativa “vamos pegar isso que aconteceu e imaginar o que aconteceria se” que é a coluna vertebral da fanfic, não é preguiçosa ou mirim: ela está presente em tudo.

Na conclusão do filme, logo após a batalha nas quadras, Jordan retorna da aposentadoria e volta para os Bulls. Assim como aconteceu na vida real, quando em 1995 o Black Cat liderou o Chicago Bulls a mais 3 títulos consecutivos nos anos seguintes.

Quer dizer, o full circle perfeito, que coloca Space Jam como não só a primeira (rindo ainda), mas a melhor fanfic esportiva já escrita.

Apesar de que tem uma concorrente forte vindo aí.

Aproveito esse texto para contar (a minha cara nem arde) que estou com uma nova fanfic no ar no Wattpad. Livro número cinco da minha série, dessa vez trago uma versão alternativa para um acontecimento em especial: a noite de 26 de dezembro de 2019, quando o jogador Luiz Suárez renovou seus votos de casamento com sua esposa Sofia. Em Aconteceu Naquela Noite, a minha fanfic, no entanto, a verdade do que ocorreu no evento é outra. O livro vai ser publicado aos poucos (apesar de já estar pronto nos meus arquivos) e você pode ler de graça aqui.

Criar uma realidade alternativa para o que estamos vivendo não é novo e, a julgar pelo mundo lá fora, não vai deixar de ser usado tão cedo. Poder rever essas histórias na TV ou criá-las de próprio punho é um privilégio em um mundo onde os privilégios se afunilam. Enquanto imaginamos novas possibilidades, mais malucas, mais românticas, mais felizes, independente do produto final obtido, uma coisa é certa: ao menos, ainda estamos conseguindo sonhar.

Em um dia como hoje, em dia como esses que temos vivido, ter isso já é muito. Ás vezes, é quase tudo o que temos.