Futebol

ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO: SUÁREZ VAI EMBORA, MESSI FICA (TRISTE) (E VAI FICAR AINDA MAIS)

Bom, gente. É preciso muito sangue frio e sobriedade aqui, para poder analisar a situação a partir de um viés semiótico neutro, destituído da vontade de sair matando.

Após longa novela (você soube tudo aqui), Messi fica no Barcelona. Não sem antes dar uma entrevista já histórica, onde não esboça um traço sequer de alegria, involuntariamente espelhando a fisionomia de um brasileiro normal que pula da cama e só coloca o chinelo para se considerar “no trabalho”.

É difícil a escolha de Messi, preservando família em detrimento a processar o clube por ter faltado com a palavra na coisa do acordo de poder sair sem multas no final da temporada. Ficou um disse-me-disse, onde todos estão errados e até que meio certos. No fim, é tudo uma questão de interpretação algo que, sabemos, nunca foi o forte em seres humanos (carece fontes desse tópico no meio animal), ainda mais envolvendo dinheiro.

Gostaria de estar escrevendo sobre a beleza da vida e como meu cabelo fica perfumado com Óleo de Coco, porém esse assunto se torna banal (coisa que não é) quando observamos esse novo desdobramento: Messi fez de tudo para ir embora, fez de tudo para Suárez ficar. E deu tudo errado, como quando você planeja uma noite inteira de diversão jogando The Sims e a luz acaba já às 17h. O destino é implacável em destruir seus sonhos, e ele tem pressa para isso.

As coisas vão ficando mais poéticas quanto mais sofridas, haja vista que a poesia é um modo de dar vazão a dores inevitáveis.

Divago. Voltando ao assunto, o fato de Messi ficar contra sua vontade já é algo que todos assimilamos, inclusive o próprio. Resignação é a palavra forte da nossa vida e da dele. Em uma atualização rápida do que aconteceu desde o meu último post, quando tudo ainda era confuso sobre a situação do jogador argentino no clube, o que tivemos, foi:

Cronologia sem datas, pois o tempo é um conceito que nos impuseram para vender relógio e calendário de mesa:

  • Messi fica. Não por querer, mas porque os filhos choraram pra não sair da cidade, e o Barcelona chorou em ameaças de uma multa de 70 quaquilhões de notas de 200 reais.
  • Começa a doer a barriga do Suárez. Após a demissão por telefone, ele finge que foi só uma noite ruim e vai treinar normalmente, como se nada.
  • “Como se nada” se torna uma das minhas expressões favoritas, e passo a buscar chances de usá-la.
  • Messi esboça seu primeiro sorriso em meses, durante treino ao lado dEle (Suárez).
  • Voltam as conversas sobre Suárez sair do Barcelona.
  • Messi se mantém calado, como uma mulher de 36 anos (eu) que espera que o silêncio ostensivo seja suficiente para que os outros entendam o motivo de tanto silêncio.
  • Suárez é incensado como um jogador grandioso (que ele é), mas que está em fase complicada (idem), o que torna seu valor de venda muito caro e muito barato ao mesmo tempo.
  • As negociações continuam.
  • Messi não sorri mais.
  • Não acho mais nenhuma oportunidade de usar “como se nada”.
  • Meu gato senta perigosamente do meu lado na mesa, arriscando deitar no teclado e perder todas as edições desse texto.
  • Suárez é anunciado como nova contratação do Atlético de Madrid.

Caralho, viu.

A partir daí, muitos sentimentos. É mesmo estranho, em 2020 o digital vai substituir o sentimento. Tudo o que sabemos vem do Instagram e do Twitter dos envolvidos. Rei da Social Media, o Barcelona até faz algumas homenagens e tenta vender essa saída como pela porta da frente, mas devido a tudo que aconteceu, a gente sabe que não foi bem assim.

Suárez marcou 198 gols em seus seis anos de Barcelona, e o que me preocupa é pensar que vai ficar sempre esse número horrível. Faltavam só dois gols. Para além disso, o uruguaio é o terceiro maior artilheiro da história do clube. E o amor da vida do Messi, caso ainda não tenha ficado claro.

Infelizmente, Suárez cabe apenas no coração de Messi e não mais nos projetos do clube catalão, por isso a demissão. Já oficial, a saída de Suárez rendeu diversos reposts de stories no perfil do dentuço no Instagram, lamentando a saída e falando que “bola pra frente” diga-se de passagem, um dos ditados mais assertivos e literais de maneira hilária quando falamos de futebol.

Dois conteúdos, no entanto, eram os mais esperados: o post oficial do Suárez sobre a saída, para a gente ver se ele falaria do Messi ou não, e o post oficial do Messi sobre a saída do Suárez, para a gente ver o que ele falaria.

Já temos ambos. Minha tela tá aparecendo aí pra vocês? Vou compartilhar o ppt, apesar de que hoje minha internet tá bem ruim.

Suárez optou por um sóbrio carrossel simples de seis imagens, com fotos dele e da família com seus troféus, além dessa foto posada no dia da despedida (Sergi bem no canto pra poder ser cropado com facilidade). Messi não é mencionado na legenda, e aparece nessa única foto, distante. Se desse para cortar a tristeza com uma faca, eu estaria agora procurando como amolar as minhas, que já estariam sem fio.

Interessante observar também como a legenda da postagem, em espanhol e inglês, evidencia o homem sentimental que é Suárez, exaltando o clube apesar da traição, lembrando muito o menino de 17 anos que entrou escondido no estádio do Barcelona e disse que um dia jogaria ali.

É foda.

A elegante maneira com que Suárez construiu seu post oficial de despedida, sem postar uma foto de cueca sacudindo as joias da família para a câmera, e sem mencionar Messi, nos dá um indicativo de que vem mais por aí. Suárez é um homem elegante, sim, mas também é bem nervosinho. Estão tirando dele o amor de sua vida. Isso não pode ficar assim. Eu acho que vem mais por aí, não sei não. Aguardem. Eu estou aguardando.

Dias depois, rompendo seu silêncio ensurdecedor nas redes sociais, Messi fez o post de despedida para o seu amor. Vamos começar pelas imagens escolhidas nesse literal carrossel de emoções.

  1. Foto do dia da despedida, linguagem corporal que grita “aqui não podemos”. Em que pese o terno belíssimo do Suárez e a questionável obsessão de Messi por jeans feios, fica claro quem manda aqui (o coração).
  2. Foto de um pós jogo em um passado distante onde podíamos nos tocar. Tente tirar os olhos da mão possessiva do Suárez na nuca do Messi e observe a pele impecável de ambos, indicativo de uma boa noite de muita conversa e entendimento debaixo dos lençóis, se é que me entendes, provável motivo da escolha dessa foto entre tantas.
  3. Caindo feito uma jaca no poço sem fundo do sentimentalismo, uma foto representando o famigerado hábito do casal de beber mate, bebida amarga como o fim de um grande amor. Tem uma música do Engenheiros do Hawaii sobre chimarrão que diz assim: “há um muro de concreto entre nossos lábios, há um Muro de Berlim dentro de mim”. Acho que é sobre isso.
  4. Existe a teoria de que Anto, Messi, Sofi e Suárez são um quadrisal (ou uma simples suruba), como na impressionantemente gráfica canção “Felices Los 4” do cantor Maluma. Ainda a confirmar.
  5. Confirmado.
  6. Colocar a família toda no meio é um modo de lembrar que são muitos os laços que unem esse romance.
  7. Quem é que nunca deu um abraço apertado só pra sentir o cheiro do cangote da pessoa? É uma das táticas mais comuns. Apesar do que tenta dizer a foto 1, essa aponta o que já sabemos, que o sentimento de “amor” não é algo que possa ser controlado. Assim, o carrossel se fecha em um círculo perfeito: abre com um panorama de como Messi e Suárez estão agora (forçadamente separados), conta toda a história de amor, mistura de casais, mate, títulos e reuniões em família e termina com um teaser do futuro, indicando que ainda estarão sempre juntos de alguma forma.

É o que queremos acreditar, mas estou me adiantando. Precisamos ainda analisar a legenda, o que vamos fazer agora. É bem menos protocolar do que a do post do Suárez, pegue os lencinhos de papel.

Já tinha pensado nisso, mas hoje entrei no vestiário e a ficha caiu de verdade. Como vai ser difícil não continuar compartilhando o dia a dia com você, tanto no campo quanto fora dele. Sentirei muita falta. Foram muitos anos, muitos mates, almoços, jantares … Muitas coisas que nunca serão esquecidas, todos os dias juntos.

Vai ser estranho te ver com outra camisa e muito mais te enfrentar. Você merecia sair como o que é: um dos jogadores mais importantes da história do clube, conseguindo coisas importantes tanto coletiva quanto individualmente. E não que te expulsassem, como fizeram. Mas a verdade é que a esta altura nada mais me surpreende.

Desejo a você tudo de bom neste novo desafio. Eu te amo muito, te amo muito. Até logo, amigo.

Amigo. Encerro aqui esse post.

Brincadeira.

Acho que qualquer pessoa aqui que já se aventurou por um webnamoro sabe que relacionamento à distância é complicado. Claro, olhando pelo viés da pandemia, esse é o padrão atual e não deve assustar. Porém, uma coisa é ficar fazendo Zoom com uma paquera descompromissada, outra totalmente diferente é acreditar no poder da conexão de internet para curar um relacionamento de anos que foi feito de pandeiro por diretores de clube.

Não sei como nossos heróis lidarão com essa nova realidade. Mais uma vez, as redes sociais nos darão todas as informações que podemos ter, ainda que não todas as que gostaríamos.

O que esperar do futuro?

Honestamente, se no limiar do final de 2020 você ainda espera algo do futuro, recomendo que se feche para o mundo e proteja a si mesmo desse diamante puro de otimismo que você é.

Em uma abordagem menos cínica, o que posso dizer é que agora a perspectiva é de que o Kissuco desse imbróglio “Messi trabalhando forçado no Barcelona” ferva ainda mais.

Confira o que temos:

  • Messi jogando sem a menor vontade, esperando o próximo fim de contrato, em um cenário pandêmico onde campeonatos acontecem apenas para manter a máquina girando.
  • Suárez em um novo clube, rival do Messi, o que abre todo um novo leque de narrativas de fanfic do subgênero lovers then enemies then lovers extremely hard.
  • Ainda esperamos o post oficial do Suárez dedicado apenas para o Messi.
  • Ainda pode acontecer algum desdobramento por conta do tom constrangedoramente “eu só acho engraçado que…” a respeito do Barcelona no post de Messi.

Vejam que me tornei a mais baixa casta do jornalismo (sou contadora), criando uma narrativa a partir de posts em redes sociais. Mas era isso ou ficar aqui chorando sozinha com minhas teorias.

De modos que vamos seguir assim, aguardando novas postagens e tendo que encarar essa dura realidade onde dois homens não podem mais amar e precisam seguir em frente em clubes separados, como se nada.

Como se nada.

Futebol

ARE YOU READY FOR IT? TUDO SOBRE A REPUTATION TOUR DE LEO MESSI

Mesmo que você seja rocker demais e não curta a cantora soft indie pop country Taylor Swift, deve lembrar do advento que foi quando, tem uns anos aí, ela rompeu com a imagem de santinha boazinha que tolera tudo e se assumiu uma grande cobra venenosa (correndo para que Naja pudesse caminhar). Na época, todo mundo ficou “kkkk nossa, que exagero“, mas no fundo pensou “pior que é foda, o pessoal passou dos limites com ela”.

E esse é todo o contexto que você precisa ter porque, honestamente? Quem se importa? O que ficou mesmo foi essa quebra de personagem, essa mudança inesperada e dramática, que a gente acha graça e debocha, rindo no Twitter e pensando no travesseiro: puts, queria.

É o símbolo, né? Os signos da nossa cultura. Mas o que estou dizendo?

Hoje eu estava tranquila, literalmente cuidado da minha vida, se você considerar que lavar louça hoje é a minha vida, quando chegam as notificações de todos os lados a respeito da saída de Messi do Barcelona. Sendo eu hoje, segundo levantamento feito por mim, a maior autoridade em Messi na mídia mundial, é natural que a notícia 1. seja da minha alçada; 2. não me pegue de surpresa.

Ainda assim, tudo me magoa.

Tentando entender o que de fato aconteceu e preenchendo todos os fatos que não aceito com romantismos que só vão me magoar ainda mais em um futuro muito próximo, trago aqui a cronologia dos fatos que culminaram na virada de mesa de Messi, que após 20 anos de clube simplesmente amarrou um post it no pé de uma pomba e arremessou a penosa por sua janela até acertar a cabeça do técnico Koeman. O post it dizia apenas “Seu bosta!”.

Ou pelo menos isso foi o que se soube.

Que seja. A seguir, como Messi foi de santinho abobalhado que come doce de leite e chora (se reconheceu? recomendo terapia) para a cobra vingativa que aproveitou uma cláusula ambígua de contrato e deu um cagaço de 700 milhões de Euros em seu clube do coração para salvar o emprego do seu verdadeiro amor, Luiz Suárez.

Ah, por que você achou que não era sobre isso, né?

Você está falando com Tati Lopatiuk, biografa informal de Lionel Messi e inventora do ship #Messuarez. Tudo é sobre isso. Se não é, eu faço ser.

Are You Ready For it?

Tudo o que Neymar toca vira bosta – o começo do imbróglio

Lembra de junho, julho… Agosto de 2019? Era outra vida, né? Era bom demais. Mas foi ali que começou a azedar a linda história do Messi com o Barcelona. Até então, Messi sempre foi um lindo anjo bonzinho que nunca reclamava de nada. Porém, por volta dessa época, houve uma negociação, que acabou não dando em nada, sobre uma possível volta do Neymar para o Barcelona. Pois é. Mas não deu certo e o Messi ficou muito puto.

Como todos sabem (hola, advogados do Messi, o print pro processo contra mim começa aqui), Neymar foi o primeiro amor extra-conjugal de Messi. Com a saída do brasileiro para o PSG, a história de amor dos dois ficou muito mal resolvida (leia o livro 1 da minha série O Evangelho Segundo Leo Messi para saber mais). Isso foi em 2017. Em 2019, houve essa tentativa de volta, que não rolou, e sobre a qual Messi se pronunciou contra o Barcelona pela primeira vez: “Não sei se fizeram todo o possível“, disse o argentino. Quer dizer, bravo. Isso aí era o Messi bravo. A declaração chocou a todos, foi praticamente o Bad Blood dele.

O fator Griezmann – pão francês na frança é só pão

Vamos lembrar que lá em 2017, quando o Neymar saiu do Barcelona, foi complicado porque ele, junto com o Messi e o Suárez, formavam o trio de ataque dos sonhos, o famigerado MSN. Após essa quebra, foram várias as tentativas de recriar essa mágica, mas não dava muito certo. Coutinho, embora um anjinho lindo, esforçado e puro, não conseguiu (mas rendeu um bom affair, leia o livro 2 das minhas fanfics).

Só que não tinha jeito. Nem Neymar voltaria, nem ninguém conseguia ocupar o seu espaço. Enquanto isso, o romance entre Messi e Suárez se intensificava (leia minha thread) (saiba tudo no livro 3). E nisso, ainda em julho de 2019, chegava Griezmann para sepultar qualquer chance do pai voltar a ficar on no Barcelona. Isso também desagradou Messi, o que fez o argentino até mesmo tratar mal (dizem) o francês Griez, um pobre rapaz sem costume de lavar o cabelo que só queria ser feliz e ganhar muito dinheiro!

No fim, o Messi até acabou se envolvendo com o Griez (leia o livro 4), mas não foi lá aquelas coisas e Messi já estava até aqui com ninguém ouvi-lo sobre seus pitacos de escalação.

E ficaria pior.

O calado não vence: big reputation, big reputation, ooh you and me would be a big conversation, ah

A partir do momento que foi estabelecido que Neymar não voltaria e que seu substituto seria essa coisa aí chamada Griezmann, Messi passou a ser mais vocal, vamos colocar assim, sobre qualquer coisa no clube que lhe causasse descontentamento. Vale dizer que a insatisfação de Messi vinha não só de não ter sua opinião levada em conta, basicamente, mas porque ele via (e qualquer um podia ver) (e todos nós estávamos vendo) que o Barcelona já não rendia tanto com o time como estava. E que ficava cada vez mais unicamente sob sua responsabilidade as vitórias do Barcelona. Especialistas afirmam que entre o meio de 2019 e o meio de 2020 Messi chegou a desenvolver uma hérnia sentimental de tanto carregar o Barcelona nas costas.

Enquanto isso, o mundinho Barça desabava. No começo de 2020, Valverde, o icônico técnico do Barcelona e muito respeitado por Messi, é demitido. Algum tempo depois, Messi vai ao Instagram dizer para terem cuidado ao reclamar dos jogadores do Barcelona, dizendo que não era para colocar todos no mesmo “balaio”. Seja qual balaio Messi estivesse, imagina-se que vários estavam se formando no clube, indicando um racha na equipe após a troca de técnico.

Outras questões marcaram o começo de 2020, quando em março, com o início da pandemia, Messi se envolveu em toda aquela treta de redução do salário dos jogadores. Ele pediu para não pressionarem o elenco. Ninguém estava pressionando o elenco, todo mundo estava nervoso. Calma, Messi.

Entre junho e julho de 2020, Messi foi notícia ao literalmente dar as costas e ignorar as orientações do auxiliar Sarabia. Coisa que ele, sempre muito educado, jamais faria. Após mais uma derrota inevitável, Messi foi enfático, dizendo que o Barcelona tinha sido muito fraco na temporada.

Nesse ponto, já era clara a insatisfação de Messi. Seja por falta de voz, seja pelas decisões arbitrárias dos dirigentes. E aí chegou agosto, mês do desgosto, e aconteceu a gota d’água.

Nobody puts Suarez in a corner

Após algumas derrotas e vergonhas, mais um técnico cai e chega Koeman, um safado que já teve passagem no Barcelona e nessa volta, chega com a missão de ser pau mandado da diretoria. Mas estou me exaltando.

Eu já mencionei o pisão de 8×2 que o time levou do Bayern? Nem precisa, né? Risos.

Estando o time um bosta, Koeman, como qualquer Head de Criação em seu lugar, chega querendo mudar tudo achando que entende muito do trabalho do pessoal que é chão de fábrica (spoiler: não entende). Entre seus primeiros e mais polêmicos desmandos, Koeman pega o telefone, desbloqueia a tela, e telefona para Suárez para demiti-lo, em uma ligação de menos de um minuto de duração.

Swifters, vejam como a história se conecta. Foi exatamente do mesmo jeito que o Joe Jonas terminou com a Taylor.

Suárez não é só o amor da vida de Messi, embora isso pese mais do que tudo (na minha opinião de historiadora). O uruguaio é também o terceiro maior artilheiro da história do Barcelona e, sim, o maior garçom de Messi, servindo taças de vinho em casa e passes à gol em campo. Toda a trajetória de Suárez foi jogada no lixo com o telefonema, o que é uma pena e uma vergonha em qualquer nível que se observe.

E isso, somado a todo o cenário que se desenhou desde o ano passado, mais o vexame recente na Champions, mais uma certa preguicinha de estar 20 anos no mesmo emprego, mais a conversa que Koeman teve com Messi, dizendo que ele perderia todos os seus privilégios(???) no time, mais o fato de mandarem embora literalmente (estou em uma fase de dizer muito “literalmente”) o único sorriso no rosto de Messi fez com que o jogador desse um basta!!! e arremessasse o pombo metafórico na cabeça do Koeman, como falamos lá no começo.

Mas não foi só uma pomba. Messi, tão ardiloso quanto sua musa inspiradora Taylor “Big Rep” Swift, tinha uma carta na manga para sair dessa por cima.

A cobra que mordia: Messi faz seu truque final

Agora você deve estar pensando (eu sei o que você está pensando): mas cacetada, o Messi pedir as contas assim do nada, ele vai perder todo o FGTS dele, tinha que esperar os caras demitirem ele!

Os caras nunca vão demitir ele. Por que o contrato do Messi foi feito aos 13 anos de idade, em um guardanapo de papel, do tanto que esse asno ama essa merda desse clube. Que ódio.

Desculpe. Hoje estou um pouco sentimental.

O fato é: Messi ama o Barcelona. Muito. Desde criança. E por todo esse tempo, o que a gente sente é que a diretoria sempre contou com esse fator sentimental da história de Messi com o Barça, com o fato de que ele ama o clube mais do que tudo, para fazer o que bem entendia, acreditando que Messi, esse santinho bobo, jamais sairia do seu time do coração.

Porém, o homem só aguenta até certo ponto. Messi poderia continuar ali ouvindo bosta por mais uns anos e curtir tranquilo sua aposentadoria? Poderia. Mas por mais que ele ame o Barcelona, ele não ama mais do que ama o Suárez.

Por favor, não me interrompa enquanto estou falando de amor.

Por isso, Messi pegou um brecha em uma das cláusulas do seu contrato e achou um jeito de sair do Barcelona sem pagar um centavo sequer de multa. Em algum ponto do documento, se menciona que o jogador pode sair do time sem multa após o final da temporada. Em um ano normal isso se daria em maio. Com a pandemia e o isolamento social, esse período ficou nebuloso, já que houve paralisação dos jogos. Em tese, a temporada só acabou agora. Por isso, só agora, já por aqui com tudo, Messi pede demissão e periga sair de graça do Barcelona, em uma artimanha fiscal sem precedentes.

Mas dizem…. Dizem que por mais que essa cláusula realmente exista e tenha esse entendimento tão subjetivo, Messi a usou como falsa ameaça. Só para dar um susto nos caras, já que mediante a apresentação da sua carta de demissão hoje (a pomba passa bem), ainda existe um período de uma semana para negociação. Durante esses sete dias, Messi tentaria trazer Suárez de volta, como condição para ele mesmo ficar.

Não é fanfic (nunca foi, leia o livro 5 da minha série), Messi realmente estaria disposto a esse blefe para salvar a carreira do seu amor Luchito.

No entanto, mesmo que não seja isso… A janela de contratações termina em duas semanas. Qualquer que seja o plano de Messi, esse é o prazo máximo para ele se movimentar. Em setembro, já saberemos se ele estará aposentado vivendo de renda em Santa Catarina, feliz da vida com Suárez no Barcelona, em um grande comeback a la Tieta do Agreste ou, essa opção também existe, em um novo clube que tenha cacife para bancá-lo. Dizem que esse time seria o Manchester City.

Eu não sei de mais nada. Eu apenas choro em posição fetal e espero. Enquanto escrevo esse texto, é madrugada em Barcelona. Qualquer decisão que vá ser tomada, já está encaminhada e prestes a ser revelada.

Veremos. O próximo álbum da Taylor Swift depois de Reputation é Lover.

Eu quero acreditar.

Resenhas, Séries

MATCHDAY INSIDE FC BARCELONA: Bom, o que eu esperava?

Série documental sobre clube de futebol massacra jovem, entenda:

Dizer que Luis Suárez fez um churrasco em casa em um domingo de 2018 é spoiler? Então, sim, esse texto contém spoilers.

Suárez nem mesmo cogita deixar o som ligado enquanto faz seu trabalho. Não se preocupa em criar um ambiente, esse conceito é supérfluo se o que se pretende ali é ser tão verdadeiro quanto possível. Suárez não é de criar ambientes, ele simplesmente aceita as coisas como são e as executa da melhor maneira possível. E embora não faça aquilo sempre, a rotina lhe é familiar: escolher os melhores cortes da carne, preparar as peças a seu modo, colocar na churrasqueira. Fazer o arroz e os acompanhamentos, tudo é parte do ritual. Quando boa parte da refeição já está encaminhada, Messi surge na varanda. Não tocou a campainha, não avisou antes, não foi anunciado: é de casa.

Ele e Suárez nem mesmo se cumprimentam, nem um “oi”, nada além de uma rápida de troca de olhar. Não é como se ficassem mais do que seis horas por dia sem se falar ou se ver, logo a proximidade constante torna tais formalidades desnecessárias. Messi traz uma embalagem de um açougue caro da cidade e a coloca na mesa. Suárez avisa que a mulher não estará presente porque está cuidado do filho mais novo, que está febril. A isso Messi também não responde, apenas acena com a cabeça. Inspecionando a embalagem recebida, Suárez comenta contrariado que já tem daquele corte, muitos quilos, todos já descongelados e prontos para irem ao fogo. “Não descongela esse, então”, Messi responde na defensiva, “deixa para fazer outro dia”.

Visivelmente incomodado pela falta de compromisso do amigo com seus rituais culinários, Suárez dá de ombros e volta a mexer nos espetos na churrasqueira, calado. Messi se acomoda por perto, braços cruzados, olhos atentos ao que o amigo faz. Mas não comenta nada, já deu bola fora com aquilo da carne “repetida”. Está com fome, o pior é isso, e acredita que o almoço ainda vai demorar. Questionar isso seria insanidade, no entanto. Suárez está bravo e, no fim das contas, deve saber o que está fazendo. Suárez sempre sabe.


Isso poderia ser um trecho de uma fanfic #Messuarez minha (pode ser que ainda se torne), mas não é. Se trata de uma cena de MatchDay: Inside FC Barcelona, série documental que estreou na Netflix agora em maio. Chegando nesse ponto, inteligente como só você é, já deve estar claro do que se trata: um longo apanhado de cenas de bastidores do clube, com momentos inéditos capazes de dar um boost na criatividade de qualquer fanfiqueira. Temos todos os detalhes da temporada 18/19 do clube da Catalunha e muita romantização a respeito desse que é um dos maiores times de futebol do mundo.

Sedenta por qualquer imagem em vídeo que mostre Suárez olhando para Messi com aquela mistura indelével de amor e ódio, absorvi compulsoriamente cada um dos oitos episódios disponíveis, levando seu conteúdo mais a sério do que seu próprio e improvável narrador, John Malkovich. Ao final, me sinto absolutamente desnorteada e pronta para escrever mais 25 fanfics, sendo que uma delas invariavelmente terá um delírio sobre Suárez fazendo um churrasco privê para seu amor Lionel Messi.

E tendo assistido ao que eu assisti em MatchDay: Inside FC Barcelona, fica até óbvio que seria assim. Cenas de bastidores, campeonatos ganhos, derrotas humilhantes, crianças iguais aos pais, jovens com suas tatuagens horríveis e penteados duvidosos decidindo o futuro de um time milionário. É claro que eu viraria refém desse conteúdo e foi o que aconteceu. Bom, o que eu esperava?

Assim como o próprio clube que documenta, MatchDay é um produto perfeito, asséptico, coeso e visualmente reconfortante. É o ASMR do documentário, assim como o Barcelona é o ASMR do futebol: é tudo tão bonito e certo que seu coração se acalma tão logo as cores azul e vermelho dominam a tela, pois você sabe que tais cores são sinônimo de paz e “nada pode dar errado”.

Narrada por John Malkovich (não pergunte), a série cobre a temporada 2018/2019 do Barcelona, dando conta da sua disputa pelos títulos dessa fase, o que inclui eventuais eliminações dolorosas cercadas de traumas. Cada episódio conta uma dessas batalhas (sempre os jogos cruciais, nunca as partidas que os levaram até ali) e traz um personagem de apoio para desenvolver a trama, como um torcedor com uma história de vida que se conecta com o Barça de maneira lacrimosa, um funcionário do clube que é muito carismático ou simplesmente um doidinho que viaja atrás do Barcelona onde quer que ele vá. Costurando a trama desse personagem anônimo com a de algum jogador decisivo na partida em questão, o mote da série é humanizar o clube, ao mesmo tempo em que nos presenteia com cenas de bastidores que parecem muito exclusivas, mas são, verdade seja dita, apenas aquilo que eles quiseram mostrar.

Sergi e Busquets, dois lordes carismáticos e bons.

Mas o que cativa mesmo em MatchDay, além da adorável pausa dramática que o americano Malkovich faz antes de falar qualquer nome latino especialmente complicado como Coutinho, é ver a trajetória de alguns personagens menos incensados pela torcida ou grande mídia, como Aleña, o francês Lenglet e o próprio Coutinho. Ofuscados pelas estrelas maiores do elenco, esses jogadores têm no documentário um espaço para mostrar a paixão pelo clube e o peso pessoal que é jogar em um time de tal porte.

E, claro, é incrível ver o Piqué se confirmando como o personagem goofy do cast, Suárez o gigante de bom coração e Messi, bom, Messi sendo o Messi e respondendo assim 🥺 a toda e qualquer interação. São os arquétipos que conhecemos brevemente pelos jogos e entrevistas e se confirmam nas cenas de bastidores de acelerar o coração, como aquela do Suárez puto no vestiário porque o Diego Costa xingou o Messi ou o Piqué sendo zoado por suas investidas fashion questionáveis a cada vez que chega para jogar.

Além de, cacetada, poder ver a reação da Shakira, esposa de Piqué, e o filho Milan, à derrota do Barcelona para o Liverpool por 4 a 0, que custou a eliminação do Barça na edição de 2018/2019 da Champions.

O fato do documentário trazer um episódio inteiro sobre essa eliminação histórica foi, inclusive, motivo para uma boa polêmica. Quando do lançamento da série, primeiro para Rakuten TV ainda em novembro do ano passado, os torcedores questionaram a necessidade de dar tanto destaque à um momento vexatório na história do clube. Mas olhando a série como um todo, que conta uma história tão perfeita e exemplar, o fato de eventos menos nobres terem seu espaço parece mais como proposital do que descuido: a intenção aqui também parece ser humanizar o clube, mostrando que mesmo o Deus Todo Poderoso Barcelona é passível de falhas.

No mais, momentos deliciosos que jamais esqueceremos. Os títulos muito almejados, o Messi freando o carro no sinal e encarando o Suárez enquanto conversam sobre uma caneleira, Piqué chegando de terno para um treino normal, o roupeiro do Barcelona que é best do Rakitic. Ao longo de suas quase 8 horas de duração, MatchDay: Inside FC Barcelona entrega uma narrativa perfeita até em seus erros, confortável e plasticamente indefectível.

É o Barcelona sendo o Barcelona. Bom, o que eu esperava? É perfeito.

Brain Dump*

Messi e Suárez em Ibiza: todo mundo aqui vai sofrer

Falar sobre a origem do meu ship #Messuárez ou do trabalho jornalístico que tenho feito no decorrer dos últimos anos cobrindo essa perigosa amizade seria como falar da origem do mundo, Big Bang e a extinção dos dinossauros: é tudo muito antigo e confuso, não vale a pena.

O jovem hoje só quer saber do agora.

Vindo desse contexto histórico preguiçoso e apressado (diria “dinâmico”, vendo pelo lado positivo), é com um fervoroso ataque de pelanca emocional que recebemos cada nova atualização dessa duplinha. A última da vez: de férias em Ibiza, Messi e Suárez estavam (já acabou a folga) vivendo o sonho (“living the dream”, no original), indo a festivais de música, descansando à tarde na piscina, esquecendo de passar protetor solar e esticando seus corpos atléticos no chão forrado de toalha – mas ainda super quente – de embarcações de luxo onde tudo é de graça porque já foi pago muito antes.

Como qualquer casal com dinheiro o suficiente para não precisar se esconder, mas sabendo que o mistério é bom para apimentar a relação, Messi e Suárez têm um calendário fixo de maneiras gostosas para aproveitar cada momentinho de folga.

Esses homens dão a vida por suas carreiras profissionais, a reforma trabalhista só aleja o pobre, eles podem e vão curtir cada benefício que seus salários astronômicos proporciona.

Sonhos gelados em 2016

Quando esfria eles vão para a Disney, o que parece correto e até mesmo óbvio. Quem não gostaria de ter seu amor abençoado pelo Mickey? Dizem que do alto de alguns castelos de princesa é onde finalmente podemos ser nós mesmos.

Quando a vida parece muito cinza, eles colocam seus matching shortinhos e viajam o mundo em busca de um lugar ao Sol em qualquer ponto do planeta que tenha hotéis child friendly. Até ontem(!), o meu momento favorito desses dias idílicos era a temporada de verão de 2017, quando eles passaram uns dias no iate do Fábregas e ressignificaram o short Adidas como arapuca do desejo.

Qual o comprimento do seu short Adidas, leitor? Cabe a reflexão após essas fotos.

Foram momentos bacanas de muito corpo à mostra e risadas sem ter fim. Eu também sempre me espanto com a popularidade dos chinelos Havaianas ao redor do mundo, apesar de que o ponto do texto não é esse.

No entanto, apesar de todo o carisma dessas lembranças, a temporada 2019 das férias #Messuárez veio com tudo e quebrou paradigmas – e também alguns copos, acho.

Em Ibiza até ontem, nossos garotos tiveram momentos que foram TUDO, como o tal festival de música onde vimos Messi dançando e sendo bobo com a Anto, além de memoráveis vídeos sigilosos de Suárez e Messi conversando enquanto todos dançavam (perdi o link, mas teve isso).

Os beijos ficam para depois, às escondidas.

Fez um sucesso absurdo também a coisa da briga na boate. Assumindo uma nova faceta em sua taciturna personalidade (será crise de meia-idade?) (hoje a crise é a cada dez anos, li num livro), Messi deu uma de troublemaker e reagiu com perplexidade e mutismo (classic messi) quando em uma casa noturna uns barriga de cavalo aleatórios vieram puxar briga. Com seu bbzinho Suárez por perto e Anto sempre de radar ligado, Messi saiu de lá escoltado por seguranças. Como todo acontecimento histórico, a notícia fez a população refletir. No caso, a reflexão foi: nossa, quem iria querer brigar com o Messi, ele é tão bonzinho!

Por favor, não confunda bottom com bonzinho.

Esse é um erro que muitos cometem.

De modos que essa temporada 2019 foi muito emocionante e intensa, nos mais variados sentidos (vou deixar assim porque não sei apontar mais de um). Como biógrafa do casal, me sinto feliz em ter esse conteúdo sendo produzido. Ontem a cereja do bolo foi mesmo a foto dos dois juntos no iate, publicada primeiro no perfil do Suárez e depois no perfil do Messi (eles sempre fazem isso).

Vou colocar a foto aqui de novo, porque eu quero e porque ela tem várias questões que trataremos logo a seguir.

ai papai

Honestamente, é algo intrigante como o Messi pode usar shorts tão curtinhos sendo que, dizem, ele guarda um segredo tão grande. Mas esse é um problema de logística que eu deixo para vocês elucidarem sozinhos em seus momentos de folga, quem sabe no ônibus voltando do trabalho ou em casa enquanto preparam o miojo.

Outra questão é como o Suárez sempre emagrece rapidinho quando quer – e ele só não quer quando o Barcelona exige. Voltando hoje para os treinos, já temos fotos do jogador fininho e bronzeado se exercitando. Aos colega de trabalho, ele segredou: mano, e o messi que quase levou uma na orelha na balada esse final de semana? kk

Quer dizer, eu acho que ele fez isso. Mas eu sou ficcionista.

E assim encerramos a temporada de férias! Infelizmente, a menos que você seja herdeiro, nem todo o dinheiro do mundo vai evitar que você precise trabalhar em algum momento. Por isso, agora guardamos essas memórias em nossos corações e seguimos em frente para temporada 19/20 do futebol espanhol, que promete ser uma bosta como sempre é.

Alegria!

Em tempo: ainda não tive notícia se o Messi já voltou para Barcelona. O último post dele até o momento é dessa foto dos dois juntos esquentando as costas no piso quente, o que é até melancólico, um réquiem de bons momentos e também a confirmação de uma mensagem implícita: esse é o homem da minha vida e é por ele que eu sigo aqui.

Mas eu sou ficcionista.


Leia minha trilogia “O Evangelho de Leo Messi” gratuitamente no Wattpad e fique por dentro de toda a trajetória amorosa do casal #Messuárez. Baseado em fatos reais (sou ficcionista).

Processo Criativo

Exercitando a escrita: sem medo do mudar um pouquinho os rumos

Imagem: Death to Stock

Ou como escrevi uma história de 11 mil palavras em 20 dias

Trabalhando de casa há quase três meses, percebo a minha criatividade brotar nos momentos mais inesperados. E percebo também que já não tenho mais tanto medo dela, deixo as ideias chegarem e tento tratar de resolver o conflito de “escrevo ou não escrevo?” o quanto antes e da maneira mais prática possível: escrevendo. Não tem jeito, o único jeito de fazer é fazendo.

Eu estava no meu horário de almoço, assistindo na TV a um jogo do Barcelona do dia anterior. Macarrão e carne moída escorriam com o calor (guardem essa frase), quando a câmera deu um close no rosto do Messi. O jogador argentino parecia triste com algo que não podíamos adivinhar, mas parecia vir de fora das quatro linhas. Eu pensei:

Cara, o Messi deve estar triste demais sem o Neymar.

No dia seguinte, eu já tinha 500 palavras de uma fanfic sobre a saída do Neymar para o PSG e como isso afetou sua relação com o Messi. Eu não queria escrever uma fanfic naquele momento. Eu não queria escrever nada. Tentei por 24 horas fugir de escrever essa história. Eu tenho mais o que fazer e, além do mais, quem é que precisa de uma fanfic em pleno 2017? E, no entanto, lá estava eu, empolgadíssima com pesquisa, ideias de estrutura para o livro e onde poderia hospedá-lo.

Messi e Neymar. Só de pensar dá um pouquinho de vergonha. Mas, caramba, a ideia era tão boa! Pensando com cinismo, tudo isso é um pouco ridículo. A coisa é que eu não conseguia parar de pensar nessa ideia. Tentei negociar. Escrever aquela história me era irresistível e eu podia resolver rapidinho, contanto que começasse logo. Então, fiz um acordo comigo mesma de terminar com isso de uma vez, tirar aquela ideia da frente para poder voltar para a outras em que já estava trabalhando.

Estou desde o começo do ano revisando livros que escrevi de 2014 em diante. Atualmente na revisão do quinto livro (são seis) e quase terminando, me vi em um ponto em que já estava saturada. Ainda amo aqueles personagens e suas histórias, mas sinto que já tive o tanto deles que era bom. Meu senso de continuidade (existe isso?) me cobra, diz que não posso deixar esse trabalho sem conclusão, preciso terminar essa revisão, colocar tudo no ar e aí seguir em frente. A grande questão é que pode acabar se tornando desmotivador confrontar diariamente uma escrita de quase cinco anos atrás. Embora eu ainda me reconheça nela, mudei muito meu modo de pensar uma história, e muitos vícios de escrita que eu tinha quando comecei me incomodam hoje. Olhando com objetividade o que escrevi nos meus primeiros livros, consigo enxergar todas as minhas intenções por trás de cada linha e ainda que esteja meu coração ali, nem de longe aquela escrita representa como eu escreveria um livro agora.

Então, durante a revisão dos livros, sempre me vinha um pensamento: “eu não escreveria assim hoje”. E de tanto pensar, se tornou uma provocação. Como você escreveria, então? Após aquelas primeiras 500 palavras, percebi com surpresa e muita alegria que a ideia da fanfic #NeyMessi era uma alternativa rápida de provar para mim mesma que meu caminho mudou. E isso me motivaria a voltar para a revisão com mais confiança assim que terminasse essa história em particular.

Comecei no dia 05 de novembro e terminei no dia 25 do mesmo mês. Foram quase doze mil palavras. Nesses 20 dias de intensivão de escrita, me diverti horrores, me atormentei entre me considerar um gênio e um lixo, e me realizei ao ver que posso escrever sobre o que eu quiser. Veja, não é que eu saiba escrever sobre o que eu quiser. Mas eu posso. Não preciso me justificar ou esperar aprovação alheia. Não preciso nem mesmo fazer sentido. Eu faço isso por mim e posso fazer o que eu quiser.

Rápido como começou, o desafio terminou. Hoje o livro está sendo lançado e está do jeito que eu queria que ele fosse, sem tirar nem pôr. E estou feliz demais por ter me permitido seguir em frente com essa ideia, mesmo que a princípio ela parecesse tão fora do que eu podia ou precisava.

Aprendi duas coisas ao escrever esse livro: um livro nunca é sobre o que você acha que é. E você só vai descobrir sobre o que é o seu livro escrevendo-o. Não tem como ficar divagando, imaginando, pensando como seria. Essa ideia vai te assombrar pelo resto da vida e te deixar empacado nela. Escreva logo a porcaria do livro, do artigo, do conto, do textão. Escreva logo e ao invés de ter uma grande e nebulosa ideia na gaveta, tenha dezenas de pequenas grandes ideias espalhadas por aí que postas em prática te prepararão para a Grande Ideia Definitiva que ainda chegará. Não se esqueça que escrever é um exercício no qual você fica melhor com a prática. E não tem como escrever dez livros sem escrever primeiro um.

(se bem que eu acho que essa Grande Ideia Definitiva nunca chega, porque quando ela parece vir, você já quer outra coisa, veja o meu caso, desesperada com cada nova ideia que tenho).

PS: Ah, sim. O livro está disponível completo gratuitamente no Wattpad. Macarrão e carne moída escorriam com o calor é uma das frases do capítulo inicial dele. Achei que merecia essa piada interna, depois de tanta loucura. 🙂