
Acredite, você consegue aderir aos livros virtuais
Tenho um Kindle há pouco menos de dois anos. Oscilo entre momentos de leitura voraz, até dois livros por semana, e de preguiça retumbante, quando me enrolo por quase um mês para terminar um livro de 250 páginas. Seja como for, é sempre bom tê-lo por perto.
Falo especificamente do Kindle porque é o que eu tenho, mas as vantagens de se ter um leitor digital não se restringem a esse modelo — e são vários no mercado. É sempre uma livraria que cria o seu leitor digital e o coloca no mercado. Pela Livraria Cultura, temos o Kobo; o Lev é da Saraiva. E tem o Kindle, da Amazon. Com algumas variações técnicas entre si, todos servem para o que você precisa: ler mais. Não precisa ler um milhão de livros por ano para o investimento valer à pena. Pode ser, apenas, uma página por dia. Isso já é ler mais!
Nesse ponto, a grande diferença entre livro físico e livro digital quem sabe seja essa. Se você fica por uma semana com um livro na bolsa e não o lê, fatalmente desiste de ficar carregando aquele peso e joga o livro pro canto. Com o e-reader, tão levinho, fino e imperceptível no meio da bagunça da mochila, isso dificilmente vai acontecer. O que acaba se tornando uma chance maior de retomar a leitura quando você finalmente estiver a fim.
Sem contar que o leitor digital cabe centenas de livros e você pode ler qual quiser, quando quiser. Sabe aquilo que a internet te ensinou de ter tudo ao mesmo tempo agora? Os leitores digitais te entregam de bandeja. E você já se imaginou carregando dezoito livros físicos porque não sabe qual ler naquele dia? Pois é…
Estou sempre defendendo a bandeira do e-reader, pois vejo que tê-lo realmente dá um gás nas nossas leituras. Eu sei que ele é recomendado massivamente “para quem lê muito”, mas acho que não é só para isso. O e-reader também é para quem lê pouco. E é, principalmente, para quem quer retomar o hábito da leitura.
Acredito que, do mesmo jeito que mudamos a nossa maneira de encarar a TV, a música e os jornais, também precisamos mudar a forma de encarar os nossos hábitos de leitura. Isso é possível com o leitores digitais.
Quando eu digo para alguém que já li dez livros esse ano (o que é pouco dentro dos meus padrões, mas é o que consigo nesse ritmo de vida atual), sempre tenho suspiros tristes como resposta. “Queria ler mais, também. Queria ter tempo para ler…”, é o que sempre ouço. A questão é que eu também não tenho tempo!
Ainda vemos a leitura de um livro como um momento sagrado. Algo que precise de um ritual a ser seguido, em que você senta perto da lareira, pés pro ar no sofá e roupa limpinha, então coloca seus óculos de leitura e abre a primeira página daquele catatau de mil páginas. As coisas não são mais assim. Ninguém mais tem tempo para isso (para nada!) e precisamos aproveitar cada brecha se queremos ler algo. Por isso, os livros virtuais são tão importantes.
A verdade é que eu arranjo tempo para ler porque eu não paro para ler. Eu leio enquanto estou esperando ônibus. No banheiro, fazendo número um ou dois. Leio enquanto estou tomando café da manhã ou enquanto espero o delivery entregar o meu jantar. Não precisa ser todo dia e muito menos o dia todo. Não precisa ser um capítulo inteiro. Muitas vezes, não precisa nem ser uma página inteira. Você lê um trecho, pensa naquilo de modo não esquecer por completo assim que tirar os olhos e segue em frente na sua rotina.
Assim como vamos pulando de uma rede social para outra, de uma conversa para outra e de uma atividade para outra, vamos incluindo a leitura em nossa rotina nesses intervalos entre isso e aquilo.
Tirar a leitura do pedestal e inclui-la no cotidiano: essa é, quem sabe, é a maior vantagem do e-reader. Mas não é a única.
Falando do Kindle, que é o que conheço melhor, ainda existem mais facilidades para ler o que quiser, quando quiser, quanto quiser. Para começar, ele tem um app para mobile que é uma mão na roda. Com ele, eu leio do iPhone mesmo. É ótimo para você dar um tempo do FOMO de redes sociais. Você vai lá no app para ler uma página só, ali enquanto espera uma reunião começar, e quando viu já leu três e evitou de ficar se irritando com Twitter ou Facebook. Não se esqueçam, ler é algo que acalma. Acalma ainda mais se você usa a literatura para te tirar do vórtex de ansiedade que são as redes sociais.
Ainda sobre o aplicativo, se você tem receio e acha que não vai se adaptar à leitura na tela, pode usar o app para se testar, antes de se decidir pelo leitor digital. Se bem que com o tempo que a gente passa diante do celular, acho que isso de não conseguir ler na telinha já não serve mais de desculpa…
Mas e os livros? Tem muitos? Tem todos os que vemos na livraria? Sim! E até mais! É comum livros mais antigos ou muito procurados se esgotarem rapidamente nas livrarias quando são relançados. Nas livrarias virtuais, eles nunca acabam. Sem contar o fato de serem mais baratos e de você não ficar juntando volumes em casa. Você deixa para comprar a versão física apenas daquele livro que gostou demais ou que gostaria de presentear alguém.
Mais uma vez puxando a sardinha pro meu queridinho Kindle, ele tem um catálogo expandido: é o Kindle Unlimited, serviço onde por R$19,90 por mês você tem acesso à imensidão do catálogo da Amazon “de graça”. Não tem os grandes lançamentos assim que saem, mas não demora a chegar. O Quarto de Jack, livro que originou o filme oscarizado ano passado, por exemplo, já está lá para ler de modo gratuito para quem assina o serviço. E os primeiros trinta dias são grátis…
Assim, mesmo que você não tenha o costume de ler muito, acaba indo no embalo da facilidade de adquirir o livro e de poder lê-lo a qualquer instante. Por isso eu digo que os leitores virtuais não são só para os ratos de biblioteca. Todo mundo pode criar o hábito e fazer dele algo divertido. É muito divertido, aliás! Para mim, não é muito diferente de um jogo. Eu escolho os livros que quero, leio no meu tempo, estou sempre por dentro do que de novo está rolando no mercado literário e tenho mais um passatempo para aqueles minutinhos em que estou à toa e sinto que deveria estar fazendo algo.
Aí você vem me dizer: “Ah, mas eu não consigo ler muito, perco o foco…”. Se eu consegui prender a sua atenção até aqui (mesmo que você tenha ido e voltado entre abas e apps), você consegue ler o suficiente para começar um livro e ser envolvido por ele. Vai por mim. Você deveria ter um leitor digital, sim!
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