Resenhas

Resenhas rápidas: seis livros de setembro

O Quarto de Jack (2015)

Colocando a lista de leitura — e de resenhas — em dia!

Costumo resenhar todos os livros que leio, mas andei deixando esse hábito de lado nas últimas semanas. Hoje olhei no calendário e vi que fazia exatamente um mês que tinha lido o primeiro livro que deixei de resenhar aqui. Ao todo foram seis desde então.

Pra corrigir essa falha e deixar as postagens em dia, resolvi fazer nesse post resenhas mais curtinhas, de um parágrafo só, para esses livros que passaram pela minha lista de leitura entre setembro e esse comecinho de outubro. Alguns eu gostei demais e queria nunca ter terminado de ler. Outros foram só dor & sofrimento para concluir a barrinha de 100% lido. Vamos a eles, começando do que terminei hoje mesmo até o que terminei há um mês:

  • Boneco de Neve — Jo Nesbø: Esse livro tem uma resenha ótima de um usuário no GoodReads, algo como: “se você tiver que escolher apenas um livro para não ler esse ano, escolha Boneco de Neve”. Sarcasmo à parte, o livro é um thriller muito engenhoso e cabeçudo, mas que não empolga muito. É tipo um “O Silêncio dos Inocentes” sem carisma, onde um policial alcoólatra e problemático (zzzzz, eu sei) caça um serial killer que mata sempre no primeiro dia de neve do ano. A ideia é boa, o modo como ele desenvolve é interessante, no entanto a trama se enrola demais e acaba tornando a leitura cansativa, arrastada. Eu não gostei tanto, por isso três de cinco estrelas. Diria que você deve ler se estiver com muita vontade de se sentir inteligente sem necessariamente se divertir com isso.
  • Quarto — Emma Donoghue: De vez em quando você precisa ter a sua cabeça desgraçada. Se for por um belo rostinho, você o faz com gosto e mais de uma vez. Estou falando aqui do combo filme + livro e não de vida amorosa, que fique claro. No começo do ano estive em uma maratona de filmes do Oscar com uma amiga, foi quando assistimos ao filme “O Quarto de Jack” (que acabou levando o prêmio de Melhor Atriz)e a história do menininho que vivia enclausurado com a mãe foi algo que tomou meu coração de assalto já no primeiro minuto de filme. Levei meses pra criar coragem para ler o livro que originou o filme e te digo que ninguém nunca estará preparado para uma história tão pesada e tão linda ao mesmo tempo. O que mais encanta em “Quarto” é que ele é narrado em primeira pessoa pelo próprio menino, uma criança de cinco anos apenas. E isso de maneira alguma empobrece ou limita a narrativa, é tudo tão lindo e puro que dói, você se sente dentro da história, parte dela. É mágico. É dos livros mais perfeitos que já li na vida. É triste, bonito e faz chorar, mas você termina a leitura com um sorriso no rosto de saber que existem histórias contadas de maneiras tão sublimes. Em tempo: entre filme e livro, fique com os dois. Os dois são perfeitos.
  • Um Útero É do Tamanho de um Punho — Angélica Freitas: Bom, nesse dia eu queria ler um livro rápido e não me prender muito, então peguei esse de poesia. É um livro bem curtinho, com poesias feministas e com temas atuais. Você termina de ler e pensa “uau, é assim a vida hoje em dia”, olha pela janela do ônibus, pensa no seu amor e confirma: é assim a vida hoje em dia. Um bom livro para ler entre um livro e outro.
  • Invisível — David Levithan e Andrea Cremer: Foi aqui que meu amor por Levithan começou a esmorecer. Não sei o que esperava de “Invisível”, mas certamente não foi o que encontrei nas intermináveis 322 páginas dele. Eu achei que seria mais um de seus livros divertidos sobre paixões adolescentes e pessoas super bem-resolvidas, no entanto fui surpreendida por um exercício de literatura fantástica muito pouco crível e extremamente raso. Pode ser que eu estivesse sem paciência também. Não é improvável. Ainda assim, fui até o fim dessa história de um garoto amaldiçoado pelo vô a ser invisível desde nascença, só para provar para mim mesma que não dava pra ler esse livro — eu provo que não dá pra ler um livro lendo ele até o final. Não tente entender.
  • Austenlândia — Shannon Hale: Estou parecendo um Rubens Ewald Filho rancoroso e amargo, eu sei. Culpo minhas escolhas ruins neste mês e “Austenlândia” foi uma delas. Incrível como um livro de apenas 240 páginas consegue ser tão ruim, preciso dizer que nisso a autora se superou. Eu entendo que chick lit não tem esse compromisso com a erudição ou até mesmo com o ato heróico de fazer sentido, só que aqui a coisa vai além. É a história de uma moça solteirona que ganha uma viagem para um tipo de spa onde recriam a época dos livros da Jane Austen. Teria tudo pra ser divertido, mas é tão bobo e tão cheio de ponta solta que você fica “q” o livro inteiro. Foi horrível. Não recomendo.
  • A Garota No Trem — Paula Hawkins: Agora me imagine girando com os bracinhos pro ar, gritando com enorme alegria no coração: “meu livrooooo”. Eu amei esse livro. Muito mesmo. Eu estou contando os dias para o lançamento do filme dele (dia 27/10, a saber). Ele é maravilhoso, ainda que angustiante e triste & doloroso. “A Garota No Trem” é sobre uma moça solitária e totalmente perdedora, que todo dia passa de trem à caminho do trabalho pelas mesmas ruas e fica olhando os moradores das casas por onde passa. Acaba criando história para aquelas pessoas, inventa nomes e situações até que… Alguma coisa acontece e ela se vê no centro da cena de um crime e tudo leva a crer que ela é a culpada. E, de tão na bad que ela está, até ela fica em dúvida quanto à própria inocência. Eu fiquei mal lendo esse livro, me senti extremamente mexida, angustiada mesmo com a história. E quando terminou eu quis ficar deitada em posição fetal abraçada ao Kindle, lamentando o fim de mais um livro incrível. Ainda bem que vai ter o filme!

E foram essas as leituras do mês! Agora estou lendo uns livros mais sérios, então aguardem resenhas muito inteligentes e rebuscadas em um futuro próximo (ah, não…).

Em tempo: todos os livros estão disponíveis no Kindle Unlimited.