
Sem querer ser a leva-e-traz do mundinho literário, mas você soube da última? Resolvi tirar a poeira dos babados mais antigos que acercam os nossos heróis dos livros e trazer para você uma listinha básica deles. Aproveite!
- J. D. Salinger perdeu uma namorada para Charles Chaplin
O autor de “Apanhador no Campo de Centeio” sempre prezou por levar uma vida discreta, mas alguns escândalos sempre conseguem escapar mesmo quando você é o mais discreto dos romancistas. Quando tinha 20 e poucos anos, Salinger sofreu de amor ao namorar Oona O’ Neil e ser trocado por Chaplin alguns meses depois. O ator era 36 anos mais velho que Oona e a “roubou” de Salinger, deixando o autor furioso. Salinger mostrou que não sabia perder ao escrever uma carta raivosa e completamente desrespeitosa para Chaplin, explicitando em detalhes sórdidos como ele imaginava que seria a vida sexual de Chaplin e Oona — baseado no que ele conhecia dela. Que babaca.
- Jack Kerouac era um andarilho mesmo
Durante a época em que morou em Northport, Long Island, o autor de “On The Road” era sempre visto perambulando pela cidade descalço, bêbado e puxando um carrinho de mão. Alcoólatra a vida toda, sua única companhia nessa vida andarilha era um vinho barato chamado Thunderbird, que era também a sua bebida favorita.
- Virgínia Woolf levou um tapa de Rodin, o escultor
Só de imaginar que Woolf e Rodin estiveram juntos no mesmo lugar já é um choque, mas a coisa não para por aí. Quando menina, muito antes de escrever o clássico “Ao Farol”, Woolf visitou o estúdio do escultor francês junto com algumas amigas. Explicitamente instruída a não mexer nas peças inacabadas que Rodin mantinha ocultas enroladas em faixas, ela fez o quê? Exatamente, foi lá e desenrolou uma das esculturas proibidas. Surgindo do nada como um bombeiro vendo o circo pegar fogo, Rodin avançou para Woolf e lhe deu sonoro tapa no rosto na frente de todo mundo. Ah, se já existisse Facebook naquela época, imagina o textão…
- Arthur Conan Doyle acreditava em fadas
Eis um mistério que nem Sherlock Holmes seria capaz de resolver: como seu criador podia ser tão ingênuo? Quem sabe a fase literária mais infame de Doyle, em 1920 ele publicou “The Coming of The Fairies”, uma acalorada defesa de duas adolescentes inglesas que afirmavam ser amigas de um grupo de fadas minúsculas e aladas. As fotos das meninas brincando com os supostos seres místicos eram claramente forjadas -e, mais tarde, expostas como falsas-, mas Doyle não se privou jamais do seu direito de ser trouxa. Por toda a década de 20 ele continuou a proclamar a existência real de fadas em artigos e palestras — a despeito de absolutamente ninguém o levar a sério.
- Edgard Allan Poe foi educado em um cemitério
Isso com certeza explica muita coisa. Quando estudou em um internato na Inglaterra, a classe de Poe era ao lado de um cemitério e acabou sendo seu maior campo de estudo. Mesquinho para comprar livros didáticos, o professor do futuro poeta e romancista levava seus alunos para aulas práticas no meio das tumbas e jazigos. Segundo se conta, cada criança escolhia um túmulo como “seu” e aprendia subtração ao descobrir a idade do morto diminuindo o ano de nascimento do ano da morte dele. A ginástica ficava por conta da pá de madeira que cada aluno ganhava já no primeiro dia de aula — quando um novo defunto chegava, os meninos ajudavam a escavar a cova e já garantiam o esforço físico do dia.
- Charles Dickens era superticioso pra caramba
O que “Grandes Esperanças” tem de lindo, seu autor tinha de esquisito. Tocava em tudo três vezes para “não dar azar”, considerava sexta-feira seu “dia de sorte” e sempre saia da cidade quando o último fascículo dos seus romances era publicado no jornal. Mas a mania mais maluca era mesmo acreditar que o alinhamento dos campos magnéticos do planeta (?) ajudava a promover a criatividade (??) — o que ele garantia ao fazer a sua parte e sempre dormir com a cabeça virada para o Pólo Norte. É. Vai entender…
- A vida sexual de Liev Tolstói era um livro aberto (mesmo)
Pelo jeito tínhamos aqui alguém que gostava bastante de se gabar… Na noite de núpcias, o escritor russo compartilhou sua extensa história sexual com a esposa Sophia, de apenas 18 anos, encorajando-a a ler todos os seus diários pessoais antes de irem para a cama. Eles tiveram 13 filhos.
- Lewis Carroll inventou a lombada
Não aquela das ruas, mas a dos livros. Entre seus vários inventos, foi o autor de “Alice No País das Maravilhas” que teve a ideia de imprimir o título do livro na lombada da capa protetora, para que o se pudesse ser facilmente encontrado na estante. Ah, Carroll também inventou um modelo próprio de triciclo.
- Mark Twain era uma chaminé ambulante
Só de ficar do lado do autor de “As aventuras de Tom Sawyer” você já podia ter um ataque de tosse. O romancista fumava desde os oito anos de idade, com uma incrível marca de entre 20 e 40 charutos por dia. E foi neste ritmo até o dia da sua morte. Apesar de poder se dizer um especialista no pigas, Twain não era um purista do fumo: preferia as marcas de charuto mais baratas e vagabundas que podia encontrar.
- Oscar Wilde se vestia de menina
Acontece que o sonho da mãe de Wilde era ter uma menina. Ao dar à luz ao pequenino futuro autor de “O Retrato de Dorian Gray”, a progenitora não se fez de rogada: vestiu Wilde com vestidos, saias, laços e fitas durante toda a infância do menino. Não venha concluir apressadamente que isso tem alguma ligação com homossexualidade, hein? Ernest Hemingway, por exemplo, passou pela mesma situação na infância — e isso sim pode explicar um pouco do seu machismo extremo na vida adulta: supercompensação, será?
Fonte: A Vida Secreta dos Grandes Autores, de Robert Schnakenberg.

