Resenhas

Resenhas rápidas: livros de maio

Imagem: Big Little Lies, série da HBO

Cinco livros que li recentemente em resenhas curtinhas

Nem dá para acreditar que faz pouco mais de dois meses desde o meu último post de resenhas por aqui. É verdade que eu tenho lido mais devagar por esses dias e, para ajudar, estou naquelas fases terríveis em que nenhum livro parece cativar o suficiente para que se conclua a leitura. Tenho começado muitos e terminado poucos. De todo modo, de março para cá, eu li esses aí abaixo. Vou falar rapidinho sobre cada um deles.

Uma amiga me emprestou, li alguns dias depois da morte de Carrie Fisher, então foi uma leitura bastante tocante. Embora eu não seja totalmente versada em Star Wars, é preciso apenas estar vivo e respirar para saber da enorme importância que Carrie Fisher tem para o cinema e para a cultura pop em geral. O livro é um apanhado feito pela própria Carrie com trechos de seus diários de início de carreira, trazendo fotos e muitas histórias de bastidores das gravações dos filmes que a tornaram um ícone mundial. Ver sua trajetória ser narrada por ela mesma, assim em retrospectiva como em uma despedida não-planejada, é de partir o coração. Fisher era das atrizes mais carismáticas e talentosas e perdê-la tão cedo (sempre seria cedo) é uma dor difícil de superar. Resta o alento de saber que teremos para sempre a sua obra para revisitar quando a saudade bater. Nisso “Memórias da Princesa” cumpre seu papel lindamente, entregando aos fãs saudosos mais um pouquinho da adorada Princesa Leia em um livro melancólico e ainda assim bem humorado, com sua intérprete revendo seu passado com o sarcasmo que lhe era característico e com sua infinita doçura também.

Esse eu peguei no Kindle Unlimited. É daqueles romances fofinhos que a gente lê quando quer dar uma espairecida. Conta a história de uma moça que ao perder a mãe, descobre que a mesma deixou uma lista de coisas que deve fazer para poder ter acesso à polpuda herança que lhe foi deixada. A lista, que traz objetivos de vida genéricos e vagos tais como “falar em público”, “ser professora”, “se apaixonar”, tinha sido escrita — e descartada — pela própria moça na adolescência, então rola aquele conflito de “minha mãe estava louca, eu nem quero mais fazer essas coisas hoje em dia”, mas por fim vem a lição de moral de que nunca devemos abandonar os nossos sonhos e etc. É um livro bonitinho, uma boa distração.

Nem acreditei quando vi esse no Kindle Unlimited! As tirinhas da Allie Brosh sempre estão pipocando aqui e ali na internet (e integram, inclusive, o único meme legalmente registrado do Brasil), mas eu sempre me enrolava para ler esse livro e conhecer melhor o trabalho dela. Hyperbole and a half traz algumas das histórias hilariantes da autora já publicadas em seu blog homônimo e também algumas inéditas. Fazia muito tempo que eu não gargalhava lendo um livro, o que aqui aconteceu em basicamente 90% da leitura. Allie é de uma simplicidade absurda, tão absurda quanto as coisas que lhe acontecem e ela narra com a maior naturalidade resignada. Não se trata de alguém contanto piadas ou querendo ser engraçadinho. Logo nas primeiras páginas você já sente que se trata de uma pessoa absolutamente real que já passou por muitas coisas malucas e sabe contar uma história. Acho que é isso que torna o livro tão maravilhoso: não é só o fato das histórias serem incríveis, Allie sabe contá-las como ninguém, com um humor e ironia capazes de te cativar já no primeiro quadrinho. Minha única ressalva é que por se tratar de quadrinhos com muito texto a leitura no ebook (principalmente no celular) perde um pouco na qualidade. Se quer uma dica, invista mais um pouquinho e compre o livro físico. Vale muito a pena.

Sou a pessoa mais lenta para me inteirar das novidades, então aqui estou eu, 2017 à tarde, descobrindo Sophia Amoruso, a fundadora, CEO e diretora criativa da Nasty Gal, loja virtual de mais de 100 milhões de dólares, com mais de 350 funcionários e que começou como um brechó online hospedado no eBay. Motivada pelo lançamento da série da Netflix de mesmo nome e baseada neste livro, quis ler antes de começar a assistir e calhou de estar em promoção na Amazon (infelizmente uma promoção de curta duração). Comecei a ler e BANG, meu mundo se abriu. Eu sei que Amoruso não é uma unanimidade (se nem Jesus Cristo…) e temos vários pontos a criticar em sua trajetória e personalidade mas… Para mim, foi um baita abrir de olhos ler esse livro onde ela narra sua trajetória e dá vários conselhos profissionais de um jeitinho todo esperto e ácido. De verdade, foi muito inspirador descobrir como essa garota construiu um império “do nada” e sentir que, dadas as devidas proporções, eu também posso ser capaz de lutar pelos meus sonhos e construir algo. O livro é mais uma auto-ajuda moderninha e descolada do que uma biografia — esse tom biográfico de romancear fatos ficou para a série — e pode servir para te animar a fazer acontecer aqueles projetos engavetados. Se for motivação o que você estiver precisando, não custa nada tentar. Ao menos será uma leitura diverta, garanto.

A minha vontade é gritar para todo mundo ouvir o quanto eu amei a série Big Little Lies, que estreou esse ano na HBO. Aguardava ansiosa todo domingo pelo novo episódio e chorei muito quando a primeira temporada terminou (os boatos de uma segunda temporada ainda são apenas, isso mesmo, boatos). Comprei o livro (em versão física, tamanha a minha paixão!) que originou a série antes mesmo de terminar a temporada e me segurei para só começar a lê-lo após o episódio final. Se você quer um comparativo livro vs. série já adianto que não seria capaz de escolher um ou outro como melhor. Além da questão de gosto, as diferenças de trama são bem sutis e é claro que ter um recurso VISUAL para contar uma história sempre será uma vantagem desleal que uma série ou filme tem para com um livro. Em contrapartida, o que o livro perde em rápida contextualização, ganha em nos dar a chance de conhecer muito mais a fundo os personagens. Por isso, esse é um dos casos que eu recomendaria assistir primeiro e ler depois — é uma chance de se matar logo a curiosidade sobre a história (e curtir uma boa série) e depois se aprofundar com calma na complexidade da trama. Fanzoca que sou, gostei por igual desses dois modos de contar essa história de mulheres suburbanas que escondem pequenos segredos pessoais e enormes escândalos domésticos. Recomendo demais tanto livro quanto série, ambos produtos incríveis de entretenimento que lidam com muita lucidez e zero romantismo temas delicados como bullying, violência doméstica e agressão sexual.

E é isso! Já estamos quase na metade do ano e ainda falta ler 14 livros para eu alcançar minha meta de leitura de 2017. Nesse ritmo não sei se consigo, mas juro que estou tentando!