Resenhas

18 livros para ler em 2018

Crédito da imagem: Anthony Tran via Unsplash

Dicas e novidades de todos os gostos para incluir na sua lista

Procurando inspiração para turbinar sua lista de leitura para o ano que se inicia? Ah, que bom, porque eu trouxe aqui uma lista de livros legais para você incluir nas suas metas para 2018!

Antes de começar, já aviso que todos os livros indicados estão linkados pelo título para a Amazon. Indico que você compre por lá porque eles têm um sistema bem prático para você gerenciar suas metas de leitura. Você pode criar, em seu perfil, sua própria wishlist literária e assim ir acompanhando as oscilações do preço — aí você compra quando estiver mais em conta! Essa lista da Amazon permite, inclusive, que outras pessoas comprem para você de presente e você receba o livro em casa, de surpresa. Se por acaso você tentar comprar o livro nesse período, o site avisa que já tem um a caminho pra você e não estraga o presente.

A minha lista é essa, falando nisso. Hehehe.

Separei minhas indicações entre para se apaixonar, para desgraçar a cabeça, para ser jovem, para relaxar e para pensar. Acho que isso engloba tudo, certo?

Espero que sim. Vamos começar?

Minha vida (não tão) perfeita, de Sophie Kinsella:
Sophie Kinsella é a rainha do famigerado chick lit, a chamada “literatura de mulherzinha” que traz histórias de amor carregadas de humor e açúcar. Para quem não sabe ou não lembra, ela é a autora de “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” também. “Minha Vida (Não Tão) Perfeita” é o novo dela, que promete entregar tudo o que já conhecemos e amamos em sua obra: dramas, confusões e uma boa dose de amor. Traz a história de Cat Brenner, uma publicitária que parece ter uma vida perfeita (pelo menos é o que ela mostra no Instagram), até que uma reviravolta faz tudo mudar.

A Melhor Coisa que Nunca Aconteceu na Minha Vida, de Laura Tait e Jimmy Rice:
Este livro não é um lançamento, eu mesma o li em 2016. Mesmo assim, acho que vale a indicação, pois é fofo demais. Foi escrito por dois amigos, cada um assumindo um dos personagens principais e fala sobre uma segunda chance para o primeiro amor. Holly e Alex eram amigos na adolescência e, onze anos depois, já na casa dos trinta anos de idade, eles se reencontram por acaso. E aí, existe a chance da história de amor deles finalmente acontecer. É tudo muito bonito e divertido, principalmente na escrita do Jimmy Rice, que constrói um Alex extremamente humano e adorável.

Confesse, de Colleen Hoover:
Estou louca para ler esse livro, lançamento mais recente de Colleen Hoover, autora das séries Slammed e Hopeless. Para além da capa maravilhosa, “Confesse” é um romance sobre arriscar tudo pelo amor — e sobre encontrar seu coração entre a verdade e a mentira. Tem tudo para ser incrível.

Uma História Simples, de Leila Guerriero:
Eu absolutamente recomendo para TODO MUNDO esse livro-reportagem da Leila Guerriero. Foi das coisas mais impactantes que li em 2017 e o mais louco é que é uma história real. Em janeiro de 2011, a jornalista argentina viajou até um povoado de seis mil habitantes, no interior do país, com o objetivo de contar a história de uma competição de dança típica tão secreta quanto prestigiada, realizada anualmente desde 1966: o Festival Nacional de Malambo de Laborde. Lá ela conheceu um dos competidores e ficou totalmente impactada pela trajetória e pela dança dele. Largou tudo e foi acompanhar a carreira do cara por um ano. Daí nasceu “Uma História Simples”, uma história real e cativante até a última gota sobre determinação, paixão e dança. Um dos livros mais maravilhosos que já li na vida.

Cama, de David Whitehouse:
Esse livro destruiu minha cabeça! Fala sobre um moço, Malcolm Ede, que ao completar 25 anos de idade decide simplesmente não sair nunca mais da cama, como protesto silencioso pela vida mediana que leva e a perspectiva de ter um futuro medíocre com emprego, namorada e tédio. E é isso! Aí começa o drama, da família que passa a orbitar ao redor dele, das promessas de futuro jogadas fora para as pessoas que o amam. O livro é contado pela ótica do irmão mais novo de Malcolm, que não entende como o primogênito pode ser tão egoísta — ao passo que Malcolm acha que está fazendo um verdadeiro ato heroico e político. Anos se passam e Malcolm nunca mais saiu da cama, algo agora impossível já que ele atingiu a marca de 600 quilos. A vida de Malcolm se resume a comer e dormir, a cama já faz parte do seu corpo, literamente. Sua família foi destruída por sua escolha. É grotesco e triste. E é lindo. É literatura do absurdo e choca demais.

Em Águas Sombrias, de Paula Hawkins:
Depois do sucesso estrondoso de “A Garota No Trem”, chegou outro arrasa-quarteirão de Paula Hawkins. “Em Águas Sombrias” segue a fórmula certeira de trazer como protagonistas mulheres em crise, indo ainda mais fundo dessa vez ao contar a história de um suicídio que não é o que parece, em uma trama que bota o dedo na ferida ao falar de violência sexual, relacionamentos abusivos e machismo. Na minha opinião, não é tão bom quanto “A Garota No Trem”, mas ainda assim é bom demais.

Tash e Tolstói, de Kathryn Ormsbee:
É cada vez mais coisa do passado o estigma de que literatura jovem precisa necessariamente ser algo fútil, vazio de mensagem ou conteúdo. Entretenimento pode e deve ensinar algo e, em alguns casos, aliar cultura pop com conhecimento “de gente grande” só torna tudo mais divertido. É o caso de “Tash e Tolstói”, que conta a história de uma adolescente apaixonada por livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tolstói. Youtuber anônima, ela vê sua webserie inspirada em Anna Kariênina viralizar da noite para o dia. E agora precisa lidar com a fama súbita. O que Tolstói faria?

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação (Vol. 1), de Felipe Castilho:
Lançamento febre da CCXP 2017, “Ordem Vermelha: Filhos da Degradação” é o mais recente e audacioso projeto de Felipe Castilho, autor que se consagrou ao renovar as figuras do folclore brasileiro de maneira jovem e inédita com a série “O Legado Folclórico”. Trazendo o gênero fantasia para um patamar nunca antes visto no Brasil, “Ordem Vermelha…” inicia a série de quatro livros que traz heróis improváveis lutando pela liberdade de um povo. Épico medieval sobre resistência e luta, Felipe coloca o Brasil no mapa dos grandes lançamentos de fantasia que tanto agradam o mercado jovem e faz literatura “pra gringo ver” e brasileiro nenhum botar defeito.

Tartarugas Até Lá Embaixo, de John Green:
Após um hiato literário de seis longos anos, John Green volta à carga com seu livro mais pessoal e emotivo. Para quem não lembra, Green, além de youtuber consagrado, é também autor do mega hit literário e cinematográfico “A Culpa é das Estrelas”. A história de “Tartarugas…” acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido — quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro — enquanto tenta lidar com o próprio transtorno obsessivo-compulsivo. QUERO.

Quinze dias, de Vitor Martins:
Mais um brasileiro fazendo bonito. Vitor Martins é mais conhecido como youtuber e webceleb com ótimo conteúdo sobre filmes, livros e séries, daqueles que sempre arrancam um sorriso da gente quando postam novos vídeos no Youtube. Recentemente lançou seu primeiro romance, “Quinze Dias”, uma história linda e cheia de humor sobre Felipe, um menino prestes a curtir suas férias escolares na santa paz de sua casa, quando o inesperado acontece: a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. O menino entra em desespero porque Caio foi sua paixãozinha na infância e ainda hoje, já adolescente, ele não se sente lá muito seguro em lidar com isso. Versando sobre temas como bullying, aceitação e amor-próprio em um universo adolescente, o livro é um encanto, cheio de referências pop e amor.

Caleidoscópio, de Arthur Chrispin:
Nosso Rubem Fonseca carioca, Chrispin é mestre nos romances policiais. Caleidoscópio, seu mais livro mais recente, mais uma vez mergulha no mundo do crime em Terra Brasilis ao contar a história de Viviane que, ao ser assassinada, levou com ela outras três vidas. Falando sobre o mundo doloroso e amargo da vida policial, Chrispin entrega mais uma trama surpreendente e trágica, uma de suas especialidades. Ainda que de tema pesado, classifico como livro para relaxar porque livro bom relaxa.

Manual da faxineira — Contos escolhidos, de Lucia Berlin:
Comecei a ler em 2017, pretendo terminar em 2018. Esse livro é incrível, o que é esperado se formos pensar que foi escrito por uma mulher incrível. Lucia Berlin usou sua experiência pessoal e vida nada comum (aos 32 anos, já tinha passado por três casamentos, superado alcoolismo e trabalhado como faxineira, professora e enfermeira até se tornar professora universitária) para escrever esses contos que, transformados em livro, a consagraram como uma mestre do gênero, sendo comparada a Raymond Carver e Grace Paley. São história cotidianas, humanas e, por isso mesmo, tocam fundo no coração.

Eneaotil: Mãe é pra quem a gente pode contar tudo mas não conta nada, de Leonor Macedo:
Esse eu preciso ler, já me enrolei demais. São crônicas publicadas originalmente no saudoso blog “Eneaotil”, da Lele. A Leonor Macedo, para quem não conhece (sinto muito por você), foi mãe aos 19 anos e solteira. Nisso, resolveu escrever sobre as aventuras do dia a dia com o filho. Hoje o menino já está beirando os dezoito anos (meu Deus, o tempo…). O livro traz mais de 100 dessas crônicas reunidas, entre textos do blog e inéditos. São escritos que vão desde quando Lucas tinha menos de dois anos até seus 15 anos, completados em 2016. Eu sei que você vai dizer que não dá para relaxar com um livro sobre as agruras da maternidade, mas eu te digo que com esse dá sim. Porque a escrita da Lele é leve, divertida e traz uma alegria enorme. Faz bem demais lê-la.

Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi, de Joachim Meyerhoff: 
Comecei a ler na última semana de dezembro esse lançamento da Editora Valentina e estou absolutamente apaixonada. Sabe aqueles livros que trazem memórias de infância do personagem? Eu adoro livros assim, são tão bucólicos e poéticos. Esse em especial tem uma temática super interessante, contando a história de um menino que cresceu ao redor de uma clínica psiquiátrica, ele era filho mais novo do diretor dessa clínica, e mostra como isso afetou de maneira definitiva seu modo de ver o mundo. Afinal, quando se cresce em meio ao diferente, como saber o que é normal? Muito, muito bom!

Diários de Sylvia Plath, de Sylvia Plath:
Lançamento de final de ano, essa nova edição luxuosa da Biblioteca Azul traz os diários de uma das poetas mais aclamadas do século XX, transcritos dos manuscritos originais, além de um caderno de fotos da autora. É item de desejo mesmo. Sylvia Plath é das autoras e poetisas mais importantes da literatura e merece muito ser reverenciada e ter sua obra revivida SEMPRE com lançamentos como esse. Leitura obrigatória.

Exames de Empatia, de Leslie Jamison:
Gosta daqueles livros mais “teóricos”, com discussões filosóficas e psicológicas sobre os mais diversos assuntos? Eu também! Por isso, “Exames de Empatia” já está na minha lista. Nele Leslie Jamison realiza uma investigação poética, dolorosa e incisiva sobre violência, sexo, doença, autoestima e capacidade de expressão. Com enfoque feminista, um dos ensaios se propõe a desbancar o que se costuma estereotipar como “dor feminina”. Mal posso esperar.

O Ódio que Você Semeia, de Angie Thomas:
Livro de estreia de Angie Thomas, “O Ódio Que Você Semeia” já foi direto para a lista de bestsellers do The New York Times. Falando sobre preconceito, racismo e crimes de ódio, o romance conta a história de Starr Carter, uma menina de 16 anos que inicia uma revolução pessoal quando seu amigo de infância é morto em um confronto policia. De partir o coração e de fazer pensar.

Mindhunter: O Primeiro Caçador de Serial Killers Americano, de John Douglas e Olshaker Mark:
Todo mundo viu a série da Netflix, certo? Com riqueza de detalhes, o livro mostra os bastidores de alguns dos casos mais terríveis, fascinantes e desafiadores do FBI. John Douglas trabalhou por mais de duas décadas no FBI, desde antes mesmo do termo “serial killer” existir. Assim como Jack Crawford em “O Silêncio dos Inocentes”, em sua carreira ele confrontou, entrevistou e estudou dezenas de serial killers e assassinos, incluindo Charles Manson, Ted Bundy e Ed Gein. E é isso que temos nesse livro, que estou ansiosa para ler, aliás.

E essas são as minhas dicas! Gostaram? Conta aí nos comentários quais foram as suas escolhas. Que 2018 seja cheio de livros incríveis na sua vida!

Resenhas

Leituras do ano: 62 livros lidos em 2017

Veja meus favoritos e como faço para ler tanto!

Para 2016 eu tinha definido: leria 35 livros no ano. Li 32. Até que cheguei perto, não é? Mas foi mais por pura coincidência numérica, já que no decorrer daquele ano eu desencantei da leitura em muitos momentos.

Eu estava mais focadas em outras atividades, entre elas escrever meus próprios livros, o que demanda uma energia criativa que quase não deixa espaço para que você embarque com tudo em outras histórias, como deve ser com a leitura de um livro.

Para 2017, então, eu insisti na meta dos 35 livros, prometendo melhorar. Não defini nenhum aspecto prático além deste: Eu leria pelo menos um capítulo por dia.

O truque é que, quando o livro é bom, você não consegue ler só um capítulo. Como em muitas outras atividades que nos jogam no desconhecido, quando se trata de ler um livro a gente tem medo é de começar. Preguiça até, muitas vezes. Fica enrolando… Mas a partir do momento que você começa, tudo fica mais fácil.

Perto do ano acabar, o GoodReads me avisa que o desafio está terminado. Eu li 62 livros no ano. Uau!

Uma grande loucura, pois nem pensei muito nisso. Acho que tive a sorte de pegar livros bons que me empolgaram na leitura. Assim como em 2016, também estive trabalhando nos meus romances, mas de algum modo dessa vez eu consegui usar melhor minha energia para balancear minha motivação. Aprendi a listar minhas atividades e prioridades no dia (pontos para o bullet journal!) e com isso ficou mais simples ter como tarefa diária o ato de ler. Minha cabeça se programou para isso.

Relendo aqui o meu post de leituras de 2016, vejo que focar na leitura como uma atividade como outra qualquer era exatamente o meu objetivo para 2017. E não é que deu certo?

Acho que o segredo é esse. Saber dosar. Não preciso passar a tarde lendo, posso ler só umas dez páginas e ir fazer outra coisa. E também aprendi que não preciso me fechar em apenas um estilo, mesmo ele sendo meu favorito. Esse ano eu li de tudo e intercalei livros densos com romances leves, histórias curtinhas com novelas mais longas. Isso dava um alívio na leitura, instigava a curiosidade.

Acima de tudo, esse foi o ano em que aprendi que não tem demérito nenhum em considerar leitura um livro de poucas páginas. Porque eu sei o quanto custa mentalmente escrever dez páginas que sejam de uma história. Então, é livro sim.

Também larguei mão de achar que só podia ler ebook. Eu estava muito paranoica sobre “gastar com livros”, sabe? Como se livro digital fosse sempre de graça… Não é. E, às vezes, faz um bem danado se presentear com aquele livro que está todo mundo falando e você morrendo de curiosidade. Me deixei levar por uma capa bonita na livraria, um impulso de “não tô fazendo nada mesmo” e acabei tendo boas surpresas.

Em 2017 eu deixei de resenhar no Medium e passei a fazer resenhas rápidas no Facebook mesmo, em um álbum dedicado a isso. Esse foi um passo importante para agilizar e dar valor à leitura. Registrando assim com rapidez, me sentia animada ao dar aquela tarefa como feita e iniciar outra.

Essas foram atitudes que tomei para ler mais esse ano. Não que ler seja um esforço doloroso, algo que faça por obrigação. Pelo contrário, é dos meus passatempos favoritos. A questão é que somos tão instigados por tantas outras opções de atividades, o dia todo e todo dia, que acabamos deixando de lado as que já estamos acostumados. E depois, nos sentimos culpados por não estar dando tanta atenção a isso quanto deveríamos. Esse ano eu quis corrigir isso.

Acho que consegui; e com isso fui presenteada com histórias incríveis, muitas delas já eternas no meu coração. Já pensou se eu tivesse me fechado de vez para isso?

Desses 62 livros, alguns marcaram muito, alguns nem tanto, e outros mais que todos. Por isso, sem mais delongas (risos), listo aqui o já tradicional…

Prêmio Tati Lopatiuk de livros lidos em 2017

Mais impactante: Cama, de David Whitehouse
Se Não Desisti Foi Por Pouco: Alriet: Quando O Amor Acontece, de Grazi Fontes
Encantador do Início ao Fim: O ar que ele respira, de Brittainy C. Cherry
Aqueceu o Coração: Quinze dias, de Vitor Martins
Ensinou a Viver: Romancista como Vocação, de Haruki Murakami
Desgraçou Minha Cabeça: Uma História Simples, de Leila Guerriero
Me Senti Jovem: Outros Jeitos de Usar a Boca, de Rupi Kaur
Apoie seu Artista Local: Ao vivo em Goiânia: quatro contos de patroa, de Seane Melo
Mulherão da P0rra: #GIRLBOSS, de Sophia Amoruso

E por fim…

O Grande Favorito & Mais Amado de 2017:

O Lado Feio do Amor, de Colleen Hoover!

Gostaria de destacar também a série “Elementos” da Brittainy C. Cherry. Li os quatro livros da coleção esse ano, chegando a comprar o último na pré-venda (nunca tinha feito isso por autor nenhum). Ela é uma romancista maravilhosa e, além de proporcionar histórias lindas, me fez aprender muito com seus livros, como escritora.

Aqui a lista completa das minhas leituras:

As minhas resenhas (curtinhas!) para cada um desses livros está aqui nesse álbum.

Esse gráfico bonitinho que você viu é feito no GoodReads. Tendo perfil lá, você pode definir uma meta de leitura para o ano e ir acompanhando seu progresso. Em dezembro, o site te mostra o resultado final.

Se você quiser, também é possível ir lá agora e cadastrar os livros que leu esse ano: basta você lembrar quais foram e colocar como lidos em 2017. Não esqueça de fixar qual foi sua meta em “2017 Reading Challenge”, uma das opções do menu no seu perfil.

Aliás, me adiciona lá? Vamos trocar dicas de leitura!

Para 2018, pretendo firmar o compromisso de ler ao menos 65 livros. Vamos ver se consigo manter esse ritmo e aprimorá-lo um pouquinho. Quero acreditar que sim!

Resenhas

A literatura de Anne Holt

Anne Holt — Foto: Ole Gunnar Ønsøien/NTB scanpix

Uma questionadora que é fenômeno de vendas, suas obras chegam ao Brasil pela Fundamento

Uma das escritoras escandinavas de mistério mais bem-sucedidas do mundo, com mais de 6 milhões de livros vendidos, Anne Holt acredita que a realidade é dura e merece ser contada com essa mesma dureza. Sucesso com seus romances policiais onde uma mesma personagem se desdobra para resolver casos de assassinato e violência, seus livros estão aí para provar que ela segue à risca o que diz.

Lançamentos recentes da Editora Fundamento, “Demônio ou Anjo” e “Números de Azar” trazem a detetive Hanne Wilhelmsen tendo que lidar com diferentes crimes em uma corrida contra o tempo e também contra condições nem sempre favoráveis. Tendo lido os dois livros de uma vez só, posso dizer que ambos entregam o que prometem: muita ação, violência e suspense. No entanto, eles vão além e entregam um pouco mais, algo difícil de se encontrar na literatura detetivesca (e na literatura como um todo): um toque de conscientização sobre temas delicados como maternidade e violência sexual contra mulheres.

Em Demônio ou Anjo, temos o caso de uma mulher que é brutalmente assassinada dentro do local de trabalho, um orfanato. Desde o primeiro momento, temos em paralelo a voz da mãe de uma dessas crianças nos contando como seu filho foi parar nessa instituição. Como o caminho dessa mãe e do assassino vão se cruzar, é o que veremos mais adiante nessa leitura de final surpreendente. Aqui, Holt usa o crime como pano de fundo para uma narrativa maior, que é falar do destino das crianças largadas à próprias sorte em casas de apoio — e da luta das mães que, sem apoio externo algum, são forçadas a deixarem seus filhos para que outras pessoas cuidem e ainda são condenadas por isso pela sociedade.

Números de Azar é a terceira aventura da detetive Hanne Wilhelmsen e dessa vez as coisas são ainda mais violentas. Em meio ao verão de Oslo, um serial killer escolhe sempre o dia de sábado para atacar, deixando um rastro de sangue e números misteriosos marcados nas paredes das casas onde ataca. Cabe à Hanne se antecipar ao criminoso e descobrir sua identidade antes que o próximo final de semana chegue. Aqui temos cenas fortes de violência sexual e é preciso ter estômago forte para prosseguir com a leitura, muitas vezes sendo impossível evitar as lágrimas.

Segundo Anne Holt, esse incômodo é proposital e necessário.

A intenção não é escrever desta maneira tão dura para comover, o que acontece é que a realidade é difícil e você tem que contá-la assim. Fico feliz em saber que o sentimento do leitor ao ler seja este, porque este é o caso. O que acontece é assim tão difícil.

— Anne Holt em entrevista ao El Diario.

Hanne Wilhelmsen, a detetive de Anne Holt, é uma mulher forte e determinada, mas também com muitos questionamentos internos. Se não mede esforços para cumprir seu trabalho e levar até o fim suas investigações, por outro lado, deixa escapar o fio da meada da sua vida pessoal, negligenciando relacionamentos e a si mesma. Outro ponto interessante dessas histórias, Wilhelmsen é lésbica e tem dificuldade em assumir publicamente seu relacionamento de anos com a namorada, com quem divide o lar. Mais um ponto incomum nesse nicho de literatura, sobretudo por ser tratado com respeito e sem apelação (algo que, vamos falar a verdade, poderia acontecer se não fosse uma mulher a escritora).

Se trata, sem dúvida, de uma autora incomum e é uma alegria saber que vende tanto. Embaladas em histórias empolgantes e escritas com esmero, temos questões importantes para serem debatidas. Isso só comprova que entretenimento não precisa ser algo “vazio” de significado, mesmo quando à primeira vista parece ser. Apenas um livro, alguns dirão. Mas a conscientização começa por aí e é incrível ver uma mulher tendo a voz que Anne Holt tem para levar esse debate à diante.


Você pode adquirir os livros de Anne Holt clicando aqui e aqui.