
Títulos da Fundamento mostram a diversidade da literatura feminina
Ainda de carona com as postagens do Dia da Mulher, falo hoje sobre dois livros que li recentemente e mostram o quanto a literatura feminina pode ser diversa.
Tanto na comédia como no suspense policial, gêneros quase que diametralmente opostos, temos aqui bons exemplos de como a literatura feita por mulheres é forte e enriquecedora.
Para começar, temos A Maravilha das Pequenas Coisas, da britânica Dawn French.

French é uma atriz e comediante britânica famosa pelas séries de TV French & Saunders e The Vicar of Dibley. Mas é provável que você a conheça mesmo por sua participação em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, onde ela interpreta a Mulher Gorda, o retrato que guarda a entrada da Torre da Grifinória ou por As Crônicas de Narnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, onde ela fez a Sra Castor.
Com forte veia de comédia, French traz em A Maravilha das Pequenas Coisas uma história hilária, de uma família improvável e comum ao mesmo tempo.
Lançado pela Fundamento recentemente, o livro de French tem o formato inesperado de diário, onde a narrativa de uma família é contada pelo ponto de vista de três de seus membros: a filha adolescente revoltada, o filho que pensa que sabe tudo da vida e a mãe, uma mulher tentando agradar à todos.
Achei esse modo de contar a história muito curioso. Aos poucos vamos nos identificando mais com este ou aquele personagem (eu adorei o filho, um dândi moderno que se considera um Oscar Wilde incompreendido) e nos vemos inseridos na história da família.
A grande graça de A Maravilha das Pequenas Coisas acaba sendo nem tanto as boas tiradas dos personagens, principalmente da mãe, que perdida se vê em uma situação definidora e passa por ela lindamente, mas sim a doçura com que percebemos a figura da família em nossa vida.
Com a mãe, a filha e o filho, cada pequeno mundo desse universo ajuda a formar um todo que enternece quando percebemos que toda família é maluca. E, por isso mesmo, toda família é maravilhosa.
French Dawn sabe como ninguém mostrar toda essa ternura com muito humor e, por fim, nos vemos rindo de passagens do livro que lembram a nós mesmos em nossas histórias com nossos irmãos, irmãs e, principalmente, com nossas mães, que sempre fazem de tudo para nos ver felizes.
Vinda de outra formação e experiência, temos a literatura da norueguesa Anne Holt.

Já falei aqui sobre ela, quando li dois dos seus outros livros lançados pela Fundamento: Números de Azar e Demônio ou Anjo. Grande nome da literatura de suspense, Anne Holt é uma das escritoras de tramas policiais mais bem-sucedidas da Noruega e já teve seus livros editados em 25 países.
Em 1222, seu lançamento mais recente no Brasil, temos a policial Hanne (protagonista também de Números de Azar e Demônio ou Anjo, além de A Deusa Cega) novamente em ação, dessa vez em um cenário totalmente atípico: ilhada na neve a 1222 metros de altitude, após um acidente isolar todos os passageiros, incluindo ela mesma, de um trem em um hotel. Todos precisam ficar ali até que uma impiedosa nevasca chegue ao fim. E, para piorar esse cenário, um assassinato misterioso ocorre no hotel.
Hanne é impelida a resolver o caso, embora seja uma policial já aposentada. E, contra toda a sua relutância, terá que tomar alguma atitude antes que mais crimes ocorram. É interessante observar como a autora soube trabalhar bem com a questão do envelhecimento da personagem. Conhecemos Hanne como uma policial ativa e jovem, em A Deusa Cega, de 1993, e assim a vemos nos livros seguintes da autora, podendo acompanhar a evolução da personagem. Em 1222, ela já é uma senhora de idade avançada, com limitações de mobilidade, mas ainda com a conhecida perspicácia e personalidade forte que a tornaram uma policial renomada.
1222 é, quem sabe, o melhor livro de Anne Holt. A autora parece muito à vontade e totalmente em seu elemento, construindo uma trama de suspense com todos os ingredientes que esse gênero costuma ter, e nem por isso sendo previsível ou tedioso. Pelo contrário, assim como é forte a personagem Hanne, é forte a escrita de Anne, que nos entrega mais um de seus livros incríveis e densos, perfeitos para uma leitura que faz o coração acelerar e o cérebro pensar.
Entre as gargalhadas de Dawn French e os arrepios de Anne Holt, sugiro que fiquemos com as duas. São dois livros que ensinam de maneira diferentes e acrescentam demais. Recomendo fortemente a leitura de ambos!
Livros recebidos em parceria pela Editora Fundamento. Você pode adquirir A Maravilha das Pequenas Coisas e 1222 através do site da editora.

