Processo Criativo

Como eu publiquei 3 livros de uma só vez

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Não parece fácil e realmente não é — mas também não é impossível

Tem essa história que eu sempre conto de como sempre escrevi sobre tudo, mas não escrevia ficção porque tinha vergonha (!) de escrever diálogos. Aí meu marido me disse que isso era a única coisa que me impedia de criar coisas maiores, o que era uma grande besteira. Então, eu simplesmente parei com essa bobagem de ter vergonha e comecei a escrever romances, histórias de ficção.

Incrível como as suas maiores limitações geralmente são apenas coisas da sua cabeça. Difícil mudar isso, mas tendo essa noção, o caminho da mudança fica muito mais suave.

O primeiro livro que escrevi na vida se chama All Across The World. Ele foi um trabalho bruto e brutal, quase físico, já que, enquanto o escrevia, eu estava em tratamento de quimioterapia de um câncer de intestino. De certa forma, escrever era um alívio no meio da realidade dura que eu vivia então. Ele foi publicado no Wattpad e eu escrevia um capítulo e já publicava, uma clara atitude de quem está louca de remédios. A revisão era pífia, o planejamento era inexistente. Eu queria apenas escrever enquanto estava viva.

All Across The World gerou entrevistas para portais de notícias, um fandom (que resiste bravamente até hoje), mais de 18 mil visualizações no Wattpad e duas continuações: uma direta, que saiu como All Across The World 2 e um tipo de spin off, intitulado Perto.

São romances novelescos, chick lit sem medo de ser piegas. Moça encontra rapaz. Tem muito do meu coração ali, bastante erros de principiante e etc, mas o mais importante é que esses livros carregam a minha verdade mais profunda: a certeza de que para escrever um livro você não precisa ser o Bukowski ou a Ferrante. Você não precisa ter tudo pronto. Não precisa saber de tudo ou fazer milhões de cursos para te dar alguma confiança.

Você só precisa começar. Ter uma ideia e trabalhar por ela.

Pode ser que leve anos, mas você consegue.

Essas são as primeiras capas de AATW, meu primeiro livro. A primeira, claramente feita no paint por mim. A outra foi feita depois, pelo Tico. ❤

Nesse ponto, preciso esclarecer que All Across The World surgiu como uma fanfic do Daniel Johns, ex-líder da silverchair e atual artista andrógino do pop eletrônico (Jesus!). Eu me inspirei muito nele nos meus dias de doença porque ele cantou muito sobre seus problemas de saúde (artrite, anorexia, depressão) e ele, tipo, SOBREVIVEU. Eu também queria sobreviver.

Então, inventei Nicky, essa moça paulistana que conhece um cara misterioso e se apaixona por ele, até que um dia… Nada de novo, mas para mim era um mundo sendo descoberto. E consegui imprimir a minha marca ali, criando uma história cativante, divertida e adorável (isso foi o que me contaram).

Capas originais do livro dois. Mais uma vez, a primeira capa eu fiz no paint. Anos depois, o Tico faria essa nova para mim. ❤

O segundo livro surgiu logo em seguida, continuando aquela história. Nicky estava de volta com aventuras ainda mais loucas. Criei algumas tramas paralelas para dar sustentação e, nisso, um personagem que tinha surgido apenas para criar um conflito acabou crescendo muito. Com o final do livro dois, achei que ele merecia um desfecho só dele. Foi aí que surgiu “Perto”.

Capa original de Perto. Essa eu não importunei o Tico e fiz no PicMonkey!

“Perto” foi importante para mim como escritora porque foi o primeiro romance “não-fanfic” que escrevi. Aqui eu já estava um pouco mais experiente — e não estava mais doente — então pude trabalhar um pouco mais a minha ideia, escrever com mais calma e desenvolver melhor os personagens e a minha escrita.

Todos esses três livros foram publicados no Wattpad em menos de dois anos. Como eu disse, eu tinha muita pressa em estar viva.

Eu ainda escreveria mais dois contos (“Invisível” e “Malvarrosa”) no Wattpad, até criar coragem de começar a publicar na Amazon.

Então, fiz o caminho inverso, fui do fim para o começo: peguei esses dois últimos contos e levei para lá como teste. Deu certo, escrevi um terceiro (sexto?) livro, este inédito, Despertar, e publiquei direto na Amazon.

Tendo passado quase quatro anos, com esses seis livros escritos (e mais uma curta fanfic #NeyMessi, pois uma vez fanfiqueira, sempre fanfiqueira!), eu sentia que estava na hora de criar uma história totalmente nova. Quem sabe até uma trama que não fosse uma história de amor, algo totalmente diferente do que já fiz, sabe?

Porém, eu sentia também que faltava alguma unidade na minha obra, porque essa trilogia de AATW estava jogada no Wattpad e os outros livros estavam bonitinhos na Amazon. Parecia que algo estava fora do lugar, incompleto e injusto.

Foi quando me dei conta de que para andar para frente, eu precisaria parar um pouco e dar uma boa olhada para trás. Antes de seguir naquele turbilhão de um novo romance, precisava parar e deixar a casa arrumada. A solução me veio com clareza: eu teria que trilhar o caminho das pedras novamente, pegar aqueles primeiros livros e revisá-los adequadamente para levá-los para a Amazon e deixar minha bibliografia unificada.

Escrever um livro é difícil, reescrever é infinitamente pior. Em agosto de 2017 eu comecei esse processo, que fez com que eu me odiasse, risse de mim, sentisse orgulho e vontade de morrer, tudo ao mesmo tempo.

Em um primeiro momento, a principal preocupação da revisão era tirar o verniz de fanfic da história, então eu mudei nomes de alguns dos personagens e adaptei características que os tornavam caricatos nesse sentido.

Depois, tratei de tirar algumas referências que já soavam datadas, além de, é claro, corrigir enganos e até alguns erros de digitação. Por último, tentei ver o livro como um todo (algo inédito no caso dos dois primeiros, que foram escritos capítulo a capítulo) e tornar a história mais coesa. Foi o momento de tomar a história novamente pelas mãos e ver o que podia mudar, o que tinha que ser cortado.

Nisso muita coisa mudou e foi eliminada, porque quando você escreve um capítulo por semana (e as pessoas esperam a semana toda por esse capítulo), você acaba fazendo-o mais extenso do que deveria, para “durar mais” para o leitor. Em um livro único, essas partes a mais precisavam ser enxugadas, em prol de tornar o livro mais dinâmico. Os capítulos também precisavam ser menores, para dar ao leitor a sensação de que ele leu mais rápido (sim, tem isso), então houve essa reestruturação também.

Para além desses aspectos práticos, foi também um tremendo exercício de olhar para a minha escrita, ver o quanto eu tinha mudado, o que eu pensava de início e como poderia seguir adiante depois de tudo isso. Foi um processo muito trabalhoso, intenso de sentimentos, mas valeu a pena porque eu queria isso. Eu quero isso, então não desistiria jamais.

Ainda pensando na necessidade de desvincular da fanfic (“All Across The World” é o nome de uma música da silverchair), eu precisava de um título novo para os dois primeiros livros da série — “Perto” seguiria sendo “Perto”. Isso é um assunto muito delicado, mudar o título de um livro é como tirar a toalha de uma mesa posta. Conversando com o fandom, chegamos juntas a um novo nome, que condizia com a história e com o meu alinhamento como escritora: Encantamento. Uma palavra só, como em todos os meus livros posteriores. Uma palavra forte e bonita, como a história que ela agora passaria a dar nome.

Meus amigos Tico & Jules mais uma vez entraram em ação e produziram novas capas, tão lindas quanto ver um sonho se realizar com o suor do seu trabalho.

E então, passados quatro anos desde a primeira página escrita e oito meses desde o começo da revisão mais terapêutica que já fiz na vida, eu tinha meus primeiros três livros prontos para serem publicados na Amazon e ganharem o mundo (sendo o mundo tão vasto quanto um Kindle pode dizer).

É com muito orgulho que os apresento agora para você.

Encantamento 1, Encantamento 2 e Perto. Mais uma vez, capas do mais do que talentoso Tico.

Orbitando em missões espaciais pelos confins do universo, astronautas podem ver mesmo da Lua que eu sou a pessoa mais feliz deste planeta. Ao meu lado, meu marido pode ver o quanto estou feliz. Julie, minha melhor amiga, tem recebido incontáveis áudios meus onde eu apenas grito, com uma calma que não tenho, um infinito “aaaaaaaaaaaaaaa” febril e entusiasmado.

Essa é a minha maior realização. E, ao mesmo tempo, é só a primeira.

Com o lançamento desses três livros, encerro um ciclo. Essa foi a minha primeira “era” como escritora. Foram as minhas primeiras experimentações, a época de dar a cara a tapa.

E o que eu aprendi? Escrever não é fácil, mas você precisa tentar. Publicar não é impossível, mas você precisa correr atrás. Seus amigos de verdade continuarão ao seu lado mesmo você só tendo um assunto por quatro anos seguidos. Todo trabalho vale o esforço quando chega ao final.

Escrever pode curar sua alma ao estraçalhar ela todinha. E vai ser bom para você.

Por último? Ah, sim. Eu aprendi que escrever diálogos não é nenhum bicho de sete cabeças. Aliás, hoje eu até escrevo contos inteiros só de diálogos!

Com esses seis livros na rua, eu volto para dentro de casa. E recomeço a criar. Limpo a estante dessas velhas ideias e personagens que me acompanharam por tantos anos e abro espaço para o novo. Dou a vocês essas histórias, para que as conheçam ou as revisitem.

É tudo lindo e maravilhoso, tudo feito com um amor que sempre tive e uma coragem que eu nem sabia que tinha.

Obrigada a todos que estiveram comigo nessa jornada.

Alex, Julie, Tico, Carol e Daniel Johns (poxa, lógico): eu não conseguiria sem vocês.

Aguardem novas histórias. E curtam muito essas, enquanto isso.


Encantamento 1, Encantamento 2, Perto, Invisível, Malvarrosa e Despertar. Você pode encontrar todos os meus livros à venda em formato digital na Amazon. Já Amor em Jogo, a minha fanfic #NeyMessi, você lê gratuitamente no Wattpad.

Estou produzindo meu oitavo livro, ainda com o título provisório de “A Mulher Que Todo Dia Desaparecia”. Não prometo data, mas a intenção é publicar ainda este ano pela Amazon.

Resenhas

Leia mulheres: Lindsey Kelk e Sarah Rayner

Imagem: Lindsey Kelk / Sarah Rayner (divulgação)

Apostando na delicadeza, escritoras da Fundamento trazem novo ar para a literatura mundial

Quando se fala em literatura feminina, é comum ainda o pensamento de que tal gênero verse apenas sobre o que se considera o “universo feminino”, como relacionamentos amorosos, algumas futilidades e questões sentimentais diversas. Limitada assim, por muito tempo, a literatura feita por mulheres, como um todo, foi vista com certo demérito, como se falar sobre sentimentos ou futilidades fosse algo menor ou até mesmo simples.

No entanto, quanto mais o mercado se abre para as escritoras, mais elas provam que podem produzir obras incríveis de todo o tipo, quebrando inclusive o estigma de que “literatura feminina” é algo fútil e raso. Afinal de contas, não existe gênero quando um livro é bem feito. E, quando a narrativa é boa, ela se impõe independente do tema sobre o qual verse.

É o que podemos observar nas obras de Lindsey Kelk e de Sarah Rayner, duas autoras com vertentes diferentes dentro da literatura e, ainda assim, com muitos valores e qualidades em comum. Falando sobre o universo feminino, os dois nomes da Editora Fundamento nos apresentam narrativas incríveis e poderosas sobre mulheres comuns e maravilhosas, como todas as mulheres são.

É sobre o que falaremos a seguir.

Vamos começar por “Eu Amo New York”, da britânica Lindsey Kelk.

A trajetória de Kelk como escritora é inspiradora, para dizer o mínimo. Jornalista de formação e trabalhando como editora de livros infantis, ela teve a ideia para seu primeiro romance ao voltar à Londres após passar um feriado em Nova York.

Foi assim que escreveu “Eu Amo Nova York”, precisamente a história de Angela Clark, uma londrina editora de livros infantis que, após uma grande decepção amorosa, decide de supetão ir para Nova York para fugir de seus problemas.

Coincidências à parte, Kelk usou sua paixão pela cidade de Nova York para construir uma chick lit adorável, onde narra as agruras da mocinha em conflito com seu futuro e presente ao ter seu passado destruído — tudo isso enquanto afoga as mágoas em compras, chocolates e romances de uma noite apenas.

O sonho de toda garota, dirão alguns.

Mas a narrativa de “Eu Amo Nova York” é boa, a protagonista cativa e o livro mostra uma coesão incrível, sem apelar para saídas fáceis e indo para caminhos imprevistos. Existe algum tipo de força em romances assim, escritos com o coração e sem pretensões. E foi com esse romance inaugural que Kelk, então com vinte e poucos anos, bateu de porta em porta nas editoras. Como não poderia deixar de ser, ela teve seu livro negado e seu talento questionado inúmeras vezes: sugeriram que ela fosse ghost writter e até que mudasse de nome — um agente chegou a dizer que Lindsey Kelk parecia “o som de um gato ficando doente”.

Sem jamais desistir, ela acabou conseguindo um contrato de três livros com a HarperCollins, gigante da literatura feminina. Foi o início de sua carreira como romancista.

Hoje, até o momento, Lindsey Klerk já escreveu 13 livros. “Eu Amo Nova York” acabou virando uma série de livros com sete títulos contando as aventuras da nossa heroína Angela Clark nos mais diversos pontos de planeta. Para uma garota com uma escrita “de mulherzinha”, você pode perceber que ela conseguiu ir bem longe — e, certamente, conseguirá ainda muito mais.

Vindo de uma formação e uma vivência diferente, mas com a mesma sensibilidade para tratar de narrativas sobre mulheres, está Sarah Rayner e seu sensível “Um Momento, Uma Manhã”.

Antes de se tornar escritora, Rayner trabalhava como redatora de publicidade. O contrato com uma editora veio em 2001, dois títulos foram lançados, mas foi só em 2010, com seu terceiro livro, “Um Momento, Uma Manhã” que ela alcançou o posto de bestseller.

Também, pudera. O livro vendeu 300 mil cópias apenas no Reino Unido e muitas mais pelo mundo contando uma história delicada e emocionante sobre três mulheres que tem seu destino interligado por uma fatalidade que acontece no trem que elas pegam todas as manhãs.

Abruptamente no trem das 7h44, a caminho do trabalho, um homem morre de um ataque cardíaco fatal. Karen (a esposa), Ana (melhor amiga de Karen), e Lou (uma desconhecida que presencia tudo), são as vítimas indiretas dessa tragédia, sendo afetadas em diferentes níveis. A forma com que vão lidar com isso também difere entre elas, mostrando que não existe jeito certo ou errado de lidar com um sentimento.

Romance pegado nas relações humanas, a narrativa alterna os pontos de vista dessas três protagonistas, dividindo a história em dias, minutos e horas. Sem cair no dramalhão e com uma maestria que impressiona, Rayner parece mesmo ter atingido seu ápice criativo em “Um Momento, Uma Manhã”. Deve ser mesmo verdade aquela crença de que para ser bom, você precisa praticar. Em seu terceiro livro, a autora finalmente se encontra e nos entrega o seu melhor. Se trata de tratado tocante sobre perda, amizade e superação, uma história delicada contada por Sarah de forma empática e inteligente.

Comparado com “Eu Amo New York”, o título de Sarah Rayner é um tanto mais profundo e maduro. Mas, de algum modo, a literatura das duas se completa. Nem tanto ao norte, nem tanto ao sul, é ótimo ter esse panorama amplo para que possamos escolher com propriedade para onde queremos navegar. Se nas ondas doces da descoberta pessoal ou nas águas profundas do redescobrimento interno.

Seja como for, uma mulher sempre poderá lhe contar essas histórias.


Livros recebidos em parceria pela Editora Fundamento. Você pode adquirir Eu Amo New York e Um Momento, Uma Manhã através do site da editora.

Disney101

#Disney101: A Bela Adormecida e Malévola

Malévola (2015)

Assistindo aos filmes da Disney depois de adulta

Nunca deixo de me encantar com as coincidências desse projeto. Nesse dia, tinha feito um caderninho todo temático da Malévola para presentear meu amigo. E quais filmes ele escolheu, sem saber disso? Pois é, Malévola e A Bela Adormecida.

Assistimos a essas duas obras primas do áudio visual enchendo a cara de Ben & Jerry’s em uma linda tarde ensolarada de sábado em que optamos por ficar enfurnados em casa vendo filme ao invés de sair e curtir a Paulista.

Em minha opinião, isso é que é viver.

Mas vamos às minhas impressões sobre os filmes.

A Bela Adormecida (1959)

Como qualquer ser humano com acesso básico a higiene, educação e civilidade, eu obviamente já conhecia a história da Bela Adormecida. A triste narrativa da princesa que ao nascer é amaldiçoada por uma bruxa, no que é condenada a cair no sono eterno quando completar 16 anos de idade.

No entanto, nunca tinha visto o filme. Nesse ponto do projeto, sem apontar culpados (bom, a Disney é a culpada), devo dizer que já estou exausta de princesa cuja única motivação é macho. Eu sei, era assim no começo, os tempos eram outros, hoje as coisas estão mudando (um beijo, Frozen), mas ainda assim fica esse ranço. Seguimos.

A versão de 1959 de A Bela Adormecida é muito importante para a história do cinema. Foi uma produção caríssima, a mais cara da história da Disney, que mesmo tendo lucrado muito não chegou a cobrir por completo seus custos. Por isso, entre outros motivos, após este filme o estúdio só voltaria a fazer contos de fadas exatos trinta anos depois, quando em 1989 lançou A Pequena Sereia.

Baseado em um conto de cinco ou seis parágrafos, A Bela Adormecida, o filme, teve sua trama encorpada para que pudesse ser levada às telonas e demorou cerca de dez anos para ficar pronto. Houve um cuidado especial da produção em criar a Princesa Aurora o mais diferente possível da Branca de Neve (1937), outra princesa com história similar, vítima de um feitiço que só pode ser quebrado com um beijo.

Bela Adormecida é das princesas com menos fala da história da Disney, tanto por seu destino cruel quanto por sua personalidade frívola. A moça descobre aos 16 anos que tem família, que é uma princesa, que está prestes a sucumbir a uma maldição, mas a única preocupação dela é se o moço que encontrou na Floresta poderá reencontrá-la. Eu sei, 16 anos, quem nunca, é uma fase que olha… Ainda assim, foi um pouco difícil de tolerar.

Dito isso, é preciso destacar que se trata de um filme lindo visualmente, sendo um dos mais especiais por ter Walt Disney envolvido diretamente em sua feitura. É um marco do cinema e por isso merece ser visto. Até por que, sem ele, não teríamos os desdobramentos que viriam depois.

O que nos leva ao segundo filme da tarde.

Malévola (2014)

Eu queria que a Angelina Jolie pessoalmente me perdoasse por todas as vezes que a vi como uma mulher detestável quando ela apenas, verdadeiramente, tinha a coragem que eu nunca tive. Nunca duvide de uma mulher poderosa.

Malévola foi uma obra quase totalmente pessoal de Jolie, fã desde a infância da vilã de A Bela Adormecida. Envolvida com o projeto desde seus primeiros passos, a atriz foi responsável pela produção executiva do filme e participou ativamente também das escolhas de roteiro, figurino, maquiagem e trilha sonora. Foi ela quem escolheu Lana Del Rey para dar nova voz ao clássico Once Upon a Dream”, música ícone da trama. Foi Jolie também quem trouxe a referência de Lady Gaga na era Born This Way para o look da sua personagem.

Mas a história? Malévola traz uma versão revisitada de A Bela Adormecida, contando a história pela ótica da vilã, a própria Malévola, interpretada por, claro, Angelina Jolie.

Com essa mudança de visão, muda também o foco, e a história ganha um respiro moderno. Não se trata apenas da humanização de uma vilã, mas de mostrar que toda história tem dois lados. E nem sempre é como a gente pensa…

Sem o cansativo véu da princesa indefesa, Malévola conta a história de uma mulher forte, poderosa, capaz de tudo para se vingar, mas que ainda guarda algum sentimento bom, apesar das muitas rasteiras da vida. É mesmo um filme muito fácil de relacionar a Angelina Jolie, uma mulher tão linda quanto forte, que por seu pulso firme é vista com um certo distanciamento que a torna inatingível.

Para mim, foi o favorito da tarde. Tanto por estar mais alinhado com nossa pauta atual, como por trazer algum tipo de humanização da própria Jolie, que teve ali a chance de realizar um sonho e mostrar mais de quem ela é de verdade.

O filme teve sequencia anunciada recentemente, com lançamento ainda sem data definida.

Já o nosso próximo encontro de #Disney101 deve ocorrer em algum sábado deste mês de abril. Vamos acompanhar.


Acompanhe meu projeto com minhas impressões sobre os filmes da Disney através da tag Disney101. Ajude a levar esse texto para mais pessoas clicando nas palmas ao final da página. Obrigada!

Processo Criativo

Bloqueio criativo e camadas de realidade: dicas na hora de criar histórias

Photo by Danielle MacInnes on Unsplash

Um pouco do que aprendi em uma aula de youtube

Ouvindo o maravilhoso podcast #ImaginaJuntas das meninas Jeska Grecco e Carol Tchulim (e do Gus Lanzetta), fiquei sabendo que o Lucas “da Fresno” Silveira estava promovendo um curso online sobre música. Achei incrível, pois sempre fui muito fã de Fresno – considero o Lucas um dos compositores mais primorosos do Brasil, além de um excelente cantor.

Foi como cheguei à Universidade Invisível, o tal curso online. Se trata de uma plataforma virtual onde você pode aprender sobre tudo o que envolve o processo de criar música: a parte criativa, a questão de produção e até a etapa final, de se vender para o seu público.

É um curso mais voltado para músicos (e para os que querem se tornar músicos), no entanto, a parte de criatividade e inspiração, ministrada pelo Lucas, é muito interessante para escritores em geral, a meu ver.

Ao se cadastrar no site (as aulas são pagas, mas esse cadastro inicial é aberto ao público, sem taxas) você tem direto a assistir uma master class do Lucas Silveira, onde ele dá dicas ótimas sobre processo criativo. São 67 minutos de aula. Eu assisti a essa aula e dela pude depreender muitos tópicos importantes, os quais trago alguns aqui para vocês como aperitivo, baseados no meu aprendizado deles. Lembrando que para ver a aula completa (e se matricular no curso) é só acessar o site da Universidade Invisível.

O que mais me chamou atenção na aula como um todo foi a questão do bloqueio criativo e das camadas de realidade. É disso que vou falar a seguir.

Photo by Maaria Lohiya on Unsplash

Uma das coisas mais interessantes que o Lucas disse foi que a inspiração vem de uma ideia, a ideia vem de uma experiência de vida e a experiência de vida vem VIVENDO. Parece óbvio para você? Na verdade, não é tão óbvio assim quando a gente pensa em expressões famosas como “bloqueio criativo”.

É muito comum a gente sentar para escrever e não vir nada. Nada, nem uma frase sequer. Isso acontece, geralmente, não por não sermos bons, mas porque não estamos “abastecidos” o suficiente de vivências para transformar em um texto. Como alguém zerado de histórias pode produzir alguma? Como falar da vida se você não está vivendo-a?

Uma dica do Lucas é que quando o tal bloqueio pintar, você tente se perguntar se esse “branco” de ideias não é um branco na sua vida em geral. Existencialista demais? Que nada. Tente pensar aí: será que você não está trabalhando demais, preocupado demais com tudo e sem tempo de respirar e olhar a vida lá fora? Por que são essas coisas que nos trazem ideias para histórias: olhar a vida.

Mesmo um drama sci-fi que se passe em Marte e tenha como personagens extraterrestres mudos de vinte pernas pode ter sido originada de uma conversa de bar que você teve com um primo e ele te disse “nossa, parece que sou um ser bizarro de vinte pernas, ninguém me ouve!”.

Ou essa mesma inspiração pode vir de algum contato imediato de terceiro grau que você tenha vivido essa semana, é claro.

Quando a gente fala em “vivência”, não significa que você precisa todo dia escalar uma montanha, encontrar um ET ou dançar na chuva para dizer que tem uma história diferente para contar. Falando com base em minha própria experiência como escritora, as maiores inspirações que já tive vieram de acontecimentos cotidianos banais, diálogos bobos. Coisas que nem aconteceram comigo diretamente. Acredito que com você também seja assim.

É claro, têm dias que o texto não sai porque você está com a cabeça cheia de problemas ou tempo curto para desenvolver, mas, de um modo geral, um bom escritor (ou compositor ou contador de histórias, em seu sentido mais amplo) é uma pessoa que vive em constante estado mental de inspiração. Isso quer dizer que você precisa estar sempre de antenas ligadas, observando o que acontece ao seu redor e guardando esses momentos para costurar na colcha de retalhos que vai ser o seu texto.

O conceito de que um texto fictício nada mais é do que uma costura de acontecimentos reais contados de forma romanceada é algo muito frisado pelo Murakami em seu livro “Romancista Como Vocação”, aliás. Romanceando ou não, projetando ou não, escrevemos sobre o que vivemos ou observamos. Nunca se sabe de onde virá uma boa ideia para um texto que você está querendo escrever. Por isso, é tão importante estar atento e sair do seu casulo, que muitas vezes é fundamentado no medo de tentar (algo para um post futuro, sem dúvida).

Quando você é um produtor de conteúdo, precisa estar sempre ligado no que acontece ao seu redor. Um escritor se difere dos demais quando consegue ver algo que a maioria não vê, em algo que todos estão vendo. Por exemplo, e esse é um exemplo do Lucas, você pode andar na rua e se deparar com uma pessoa esperando a condução em um ponto de ônibus. E tudo bem, vida que segue. Já outra pessoa pode ver a mesma cena e se sentir inspirada por ela a escrever uma poesia, uma letra de música. E qual a razão dessa cena tão corriqueira despertar a atenção de uma pessoa e não de outra?

Tudo depende do olhar. Nada é o mesmo, cada um enxerga as coisas de um modo diferente e tira algo de diferente de cada situação. É o que podemos ver naquele famoso caso de “copo meio cheio ou meio vazio”, sabe? Tudo depende de como você encara as coisas e, nisso, você pode ver algo que ninguém viu, porque você está prestando atenção e está impulsionado pela sua inspiração e pela sua criatividade.

São as chamadas “camadas de realidade”, como o Lucas chama.

Onde alguém viu apenas uma pessoa esperando o ônibus, outro viu o argumento inicial para um livro de trezentas páginas. Onde ele viu isso? Ele despiu aquela cena de sua camada prosaica e descobriu uma outra camada mais poética. Nenhuma das duas camadas está errada. Ambas são verdadeiras e todas as duas servem — depende apenas do seu propósito para elas no momento.

Com isso eu não quero dizer que você precisa ver poesia em tudo, mas sim que você pode vê-la em algo que normalmente não veria, se estiver disposto a isso. Despida da camada de “apenas um dia comum”, pode ser que você encontre ali outra camada mais profunda, a camada que a sua poesia e a sua criatividade podem usar como tela para criar algo maior.

Quando você tem um olhar treinado, é capaz de ver essas camadas de realidade e fazer uso delas para a sua arte. Mas o olhar treinado só vem da tentativa e da prática, então não deixe de tentar.

Comece agora.

Vença o bloqueio criativo desacreditando dele e acreditando em você. Se muna de experiências, olhe lá fora, ouça as pessoas e se abra para o novo. Você já tem tudo o que você precisa para começar a escrever. Basta começar.


Os conceitos trazidos nesse artigo englobam apenas um trecho curto da master class do Lucas Silveira, que fica disponível por pouco tempo, então recomendo que você corra para assistir enquanto ainda está no ar! O curso já está em pré-venda na Universidade Invisível. Como dito, são lições focadas para produção musical, mas acredito que todos podem aprender muito sobre processo criativo, sendo músicos ou não.

Este não é um conteúdo pago pela Universidade Invisível (quem me dera!).


Desafio Literário

Tema de abril no #DLdoTigre2018: “Que meu amigo mandou ler”

É hora de colocar as amizades para trabalhar!

Olá, pessoal!

Venho trazer as indicações de leitura para o tema de abril no Desafio Literário do Tigre 2018. Para esse mês, pensei em colocarmos pra jogo aquelas dicas literárias dos nossos amigos. O que acham?

Dentro desse tema, não existe limitação quanto à gênero literário ou densidade da obra. Tudo é válido!

Para facilitar na hora de escolher qual livro ler, a dica é puxar pela memória aquelas indicações que os amigos vivem fazendo, os livros que te emprestaram para ler e as publicações em redes sociais de conhecidos contando os livros que leram e amaram.

Nas minhas dicas a seguir, trago quatro títulos que meus amigos vivem mandando eu ler — e um que eu, como sua amiga pessoal, vou mandar você ler!

Todo mundo fala de Elena Ferrante desde 2015, eu não aguento mais! E ainda não li nada dela até hoje, acreditam? Ferrante traz romances sobre e para mulheres, escritos com uma sensibilidade que tem arrastado multidões por seus lançamentos. “A Amiga Genial” é o primeiro volume da Série Napolitana da autora e, se formos começar por algum lugar, que seja daí.

Considerado a maior revelação da literatura de suspense no Brasil, Montes traz em “Jantar Secreto” a história de um grupo de amigos que organiza jantares misteriosos. Preciso ler pra ontem, muita gente já me indicou!

Esse quem recomenda sou eu! Acabei de ler e estou muito impactada. Além da história ser instigante por si só (quem não lembra da tragédia que foi o assassinato misterioso da menina Nardoni?), o livro de Pagnan é altamente viciante e de narrativa explosiva. Leia!

Amo (quase) tudo o que a Colleen Hoover faz e este, mais recente dela, todo mundo está dizendo que está lindo. O projeto gráfico é realmente uma beleza, pelo o que já pude ver. Se você gosta de histórias de amor daquelas bem sofridas, eis a dica.

Esse aqui também faz anos que me indicam. É um young adult desses bonitinhos, leves, para ler no intervalo entre uma leitura mais pesada e outra. Preciso muito ler!

E essas são as minhas dicas. Já escolheu seu livro do mês para o #DLdoTigre? Conta pra mim!


Ok. E o que eu faço agora?

Busque um livro dentro das especificações mencionadas no post ou escolha um dos indicados! Após a leitura, publique nas redes sociais com a hashtag #DLdoTigre. Boa leitura!

Descobri o #DLdoTigre2018 agora, posso participar?

Mas é LÓGICO que você pode! Nosso Desafio Literário não tem entraves. Se quiser participar, é só postar o card oficial dos temas nas suas redes, usando a hash #DLdoTigre2018, escolher um livro e você está dentro! Aqui nesse post você encontra o tal card e todas as informações de que possa precisar.


Esse post faz parte do Desafio Literário do Tigre, uma iniciativa criada por mim para ajudar você a ler mais! Acompanhe todos os posts relacionados a esse desafio pela tag. Curta a fanpage do #DLdoTigre no Facebook. Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário neste post e responderei tão breve quanto possível.