
- Esse texto não contém spoiler de nada. Relaxa, pelo amor de Deus.
Esses dias eu abri isso aqui para escrever sobre a nova minissérie do Drácula, aquela da BBC e tal. Negócio chique, Mark Gatiss e Steven Moffat, o luxo. Bom para quem gosta, perfeito para quem odeia. A série é feita para o tuiteiro: impecável, todo mundo odiou. Eu amei. Fiquei brava com o tuiteiro.
Acabou que desisti do texto no meio, porque percebi que minhas motivações para escrevê-lo estavam erradas. Eu queria escrever porque estava brava com o pessoal que não gostou. Moffat virou lixo de um dia para o outro. Foi o Rubens Ewald Filho morrer, pronto. Todo mundo quer o lugar dele. Tudo é ruim.
Como podem ter achado Drácula ruim (sim, eu vi o episódio final)? Que inferno, bicho. Agora, uma coisa. Eu vou escrever por isso? Esse vai ser o meu norte criativo? Direito de resposta que ninguém pediu, em nome de quem nem sabe quem sou eu na fila do pão?

Sabe?
Daí nem escrevi nada, foda-se, quem se importa? O Drácula não merece tanto esforço, eu não tenho toda essa energia para gastar. Passei por muita coisa esses dias. Vamos focar no lado bom da vida (kkkk) e parar de deixar o ódio (alheio, nosso, do mundo) ser o motor de tudo.
Veio o filme novo da Larissa Manoela e eu pensei que esse sim merecia um texto (meu!) porque eu não quero defendê-lo, eu quero apenas contar o valor dele para mim. E outra, ninguém está falando mal desse filme. Por que se o filme é da Larissa Manoela, “bom” ou “ruim” são juízos de valor irrelevantes. Lari Manu está naquele invejado posto no imaginário coletivo que ou você ama o que ela faz, ou você nem se dá ao trabalho de saber o que ela está fazendo.
É outro patamar. É uma paz enorme.
É ótimo.

Eu gosto da Larissa Manoela. Parece estranho porque eu tenho 35 anos, mas o fato é que se eu tenho 35 hoje é porque já tive 14 um dia, e é difícil superar isso. Quando se é uma mulher, então? Nem vivendo mil anos, eu acho.
Os filmes da Lari Manu são ótimos. Eles entregam absolutamente tudo o que você quer, sem que você se sinta culpada em receber essa indulgência em forma de entretenimento. Em Modo Avião, temos a comédia romântica adolescente em seu estado puro. O que quer dizer que por 90 minutos você pode se jogar no sofá e se deixar ser engolfada por uma trama leve e adorável com muitas risadinhas, suspiros apaixonados e looks incríveis.
Como eu disse, tudo. No filme ela é Ana, uma influencer digital viciada em internet (claro) que tem um choque de realidade e precisa reavaliar sua vida. Igualzinho a você, mas você continua dando murro em ponta de faca e não muda em nada nunca. Mas a Ana, a Lari Manu, ela muda. Vai pro interior, pra casa do vô, e começa a sua evolução pessoal baseada em não usar mais o celular e também em dar uns beijos em um rapaz ali da vila.

Cacetada. Tá chorando, né John Hughes? Por que eu tô.
Primeira produção da atriz com a NETFLIX, Modo Avião tem um roteiro redondinho, feito sob encomenda para a plataforma. Ao contrário dos filmes anteriores da Lari Manu, que se originaram de best sellers teens. Você nota a diferença porque a história de Modo Avião é um pouco mais direta. O que não quer dizer que é ruim. Mas não dá para comparar com o melhor filme dela, Meus Quinze Anos, por exemplo, que tem inspirações em Juno, Mean Girls e Clueless. Uma profundidade. Feito para o povo da plataforma, Modo Avião é mais rápido, aposta no conforto visual dos looks e na comicidade da linguagem memética. E no talento dramático da Larissa Manoela, lógico, que aproveita o reinado e faz miséria com cena rápida de breakdown no trânsito (quem nunca? eu sempre).
Assim, atriz.

Além disso, o filme ainda tem participações luxuosas de Katiuscia Canoro (Lady Kate iconic) e Erasmo Carlos(!!!!). Generoso por definição, aqui ele abaixa o tom um pouquinho e deixa Lari Manu brilhar, como se ele fosse apenas um senhor qualquer fazendo um freela de final de ano.
Um homem que fez o que fez em Paraíso Perdido, sabe? Puxa vida.
Mas o que estou querendo dizer é que é muito boa a carreira cinematográfica da Larissa Manoela. Nos dá algo em que acreditar ou, pelo menos, algo em que não pensar. Você pode ficar assistindo tranquila sem medo de ser feliz, sendo exatamente quem você é: essa garotinha de 14 anos um pouco preocupada com o rumo que as coisas estão tomando, mas não o suficiente para entender o plano geral das coisas e se desesperar a ponto de tomar uma atitude. Enquanto o filme estiver rolando na tela, está tudo em suspenso, o que quer dizer que está tudo bem.
E além do mais, meu Deus, os looks dela no filme.
No fim das contas, tá certo o tuiteiro. Quem é Drácula? Moffat? Moffat apenas sonha.
Errada tô eu.
Boa mesmo é a Lari Manu.





