
Era absolutamente tudo. Quando “Com Amor, Vincent” chegou aos cinemas, imaginei que era tão incrível quanto natural. Como não fizeram um filme assim antes? Para fazer faltava tecnologia e a sensibilidade, no mínimo, mas o momento enfim tinha chegado.
O filme é lindo, um trabalho tão profundo quanto emotivo. A história de vida de Van Gogh é delicada e triste, envolve mexer em assuntos que são dolorosos e presentes até hoje, ainda mais hoje, além de todo aquele mistério sobre sua morte.
Existe também, é claro, a atualidade de sua obra, que faz com que seus quadros sejam hoje itens da cultura pop, desdobrados em produtos de consumo dos mais variados. Virar moda, aqui, é um privilégio todo nosso. É ótimo ver suas pinturas espalhadas por todos os lugares, nos mais variados formatos. É uma delícia, na verdade.
Mas o filme, como fizeram esse filme?

Para responder essa pergunta, e outras, estreia dia 30 de janeiro nos cinemas brasileiros o documentário “Com Amor, Vincent: O Sonho Impossível”. A missão é exatamente levar para o telespectador um pouquinho do que foi a produção da animação de 2017. Com distribuição da Elite Filmes, o doc explora os dez anos de luta para levar o filme às telas.
Sim, dez anos.
Tudo sobre “Com Amor, Vincent” impressiona, como sabemos vendo o filme, como confirmamos com esse documentário. Com entrevistas dos envolvidos e cenas inéditas de bastidores, em “Com Amor, Vincent: O Sonho Impossível” vamos descobrindo mais sobre essa obra que nasceu pelas mãos e coração de Dorota Kobiela, uma jovem cineasta polonesa. Novata no cinema, por quase uma década Dorota capitaneou essa empreitada, lidando com a falta de incentivo e de dinheiro, em um esforço monumental que teve a participação de 115 pintores e se transformou em animação com os 65 mil quadros que estes produziram.

Sessenta e cinco mil quadros. Quando finalmente foi lançado, o filme recebeu indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro de 2018, a aclamação definitiva de todos os anos de dedicação.
Em entrevista ao documentário, Dorota se emociona ao dizer que gostaria que Van Gogh um dia soubesse o quanto sua obra influenciou e motivou tantas pessoas ao redor do mundo, por todos esses anos.
Como fã do artista, gosto de pensar que é isso que estamos fazendo quando continuamos revivendo sua vida e obra, desdobrando sua arte em coisas nossas que carregamos conosco por todos os lados. Estamos deixando ele saber, de algum modo.
O sonho impossível se materializa assim, nesses momentos e nessas homenagens, como a de Dorota, que traz um pouco daquele universo que nos encanta há décadas e jamais deixará de encantar, posto que é eterno.

* O blog assistiu ao documentário “Com Amor, Van Gogh: O Sonho Impossível” a convite da Elite Filmes.

