Resenhas

Meu 2020 em livros: 60 livros lidos e 1 publicado

Em 2020, eu infelizmente não tive a elegância de Pirlo, mas aos trancos e barrancos, ao menos sobrevivi. O que já é muito.

Falando sobre livros, eu tinha colocado como meta ler 60 em 2020, e foi exatamente o que fiz, na risca. Nem um livro a mais, nem um livro a menos. O que só confirma que esse foi um ano em que fizemos apenas o mínimo para continuar seguindo.

De qualquer forma, foram boas leituras. Também escrevi algumas coisas e publiquei outras. Vamos falar de tudo isso aqui, na Central Sobre a Minha Vida que é esse SÍTIO NA INTERNET.

Comecemos falando sobre os livros que li e o meu já costumeiro ranking anual.

Chega a ser bizarro olhar a lista de livros de 2020 e pensar que a leitura de muitos deles aconteceu em uma realidade que não existe mais: dentro do metrô, em uma padaria tomando café, etc. Ler também tem muito disso, misturar o momento que você está vivendo com a história que se apresenta ali. E depois, quando você lembra de um livro que leu, lembra também de como você estava quando isso aconteceu.

Essas são as leituras e as lembranças que vou levar de 2020:

Como disse, minha meta de 2020 era ler 60 livros. Para isso, eu continuei usando o método de ter uma lista fixa na Amazon, e ir monitorando diariamente quais dos meus livros desejados entravam em oferta. Desse modo, fui adequando minha fila de leitura conforme surgia um preço bom. Também voltei com o Kindle Unlimited, porque consegui uma promoção. Diante disso, dá para dizer que, no geral, gastei pouco e li muito.

E assim construímos o pódio a seguir:

🏆📚 Prêmio Tati Lopatiuk de livros lidos em 2020📚🏆

5º lugar: Vermelho, Branco e Sangue Azul, por Casey McQuiston.

Esperei quase um ano até que esse livro entrasse em promoção e valeu a pena. Eu me emocionei e me surpreendi muito com a história desse amor jovem e proibido entre o filho da presidente dos EUA e o Príncipe da Inglaterra. A narrativa perfeita, divertida e leve, me inspirou muito nos meus próprios escritos.

4º lugar: Contato De Emergência, por Mary H. K. Choi.

Esse livro me marcou muito pela poesia inesperada da narrativa, tudo tão delicado e bonito! É sobre duas pessoas que se encontram em um momento crítico de suas vidas e, sem dar por isso, vão construindo juntos uma amizade e amor slow burn.

3º lugar: Eu, Elton John, por Elton John.

Me diverti horrores com essa leitura. Já sabia que Elton John é um grande artista, só não imaginava que ele era tão bom em contar histórias. E que histórias! O livro é enorme, mas você lê em um estalo, de tão divertido e fluído.

2º lugar: Scar Tissue, por Anthony Kiedis.

Outra biografia que me cativou muito. Não precisa ser fã do Kiedis ou de Red Hot Chili Peppers para se deixar levar por esse livro. Em uma narrativa meio onírica, absurdamente carismática, Kiedis vai contando seus feitos e a gente segue junto, hipnotizado.

lugar: Por que crianças matam – A história de Mary Bell, por Gitta Sereny

Um dos livros mais pesados que já li e acho que o mérito dele é justamente esse: trazer essa história terrível sendo contada de maneira tão inteligente e sensível que você não consegue parar de ler. A vida de Mary Bell, que aos 11 anos matou duas crianças, de 3 e de 4 anos, é revista em cada detalhe, nos ajudando a entender (jamais justificar) os motivos das suas ações.

✏⚽ Os meus livros em 2020 ⚽✏

Quanto à minha escrita, 2020 foi um ano em que eu tive muitas ideias, mas pouca energia para fazer algo com elas. É claro, foi um ano atípico, e por mais que o frenesi por se sentir produtivo tenha me atingido como atingiu tantas pessoas, por outro lado eu precisei lidar com o fato de que nem sempre a gente está com cabeça para criar.

No campo das realizações concretas, escrevi e publiquei uma fanfic, o quinto volume da minha série “O Evangelho Segundo Leo Messi”.

Trazendo uma versão ultrarromântica e, diriam, verídica, do que aconteceu na noite da renovação de votos de casamento de Luis Suarez, Aconteceu Naquela Noite está disponível de graça no Wattpad. Você pode ler aqui.

Já nos planos, projetos e sonhos em andamentos, a gente deixa para 2021. O que nos leva ao próximo tópico.

💡❤ Metas e projetos para 2021 na literatura ❤💡

Primeiro de tudo, quero concluir o meu romance Verão do Amor, sobre o qual já falei aqui quando do NaNoWriMo. A escrita está bem avançada, o que é tão reconfortante quanto desesperador e, sendo sincera, não quer dizer absolutamente nada. Espero tê-lo pronto até maio. Em alguns momentos, me pergunto em maio de que ano, mas vai dar tudo certo.

Eu tenho fé.

Além disso, pretendo escrever um conto curto, só para voltar a exercitar esse formato. Ainda não sei sobre o que seria esse conto, porém não tenho pressa. Um dia de cada vez. Não é como se a gente fosse sair daqui tão cedo.

E nas metas de leitura para 2021, venho com uma perspectiva diferente para o próximo ano: quero ler menos. Pois é. Estou cansada da minha própria obsessão. Quanto mais leio, mais me cobro sobre o que nunca vou ser ou conquistar, então é melhor focar em mim e tentar resolver isso de maneira mais consciente. Um livro de cada vez. Menos de quatro livro por mês.

Para 2021, quero ler apenas 30 livros.

Eu acho que vai ser ótimo. Nos vemos lá. Me encontre no GoodReads para saber em tempo real como isso está indo. 🙂

Processo Criativo

#NaNoWriMo ou o mês em que escrevi TODOS os dias

Bom, primeiro que é engraçado dizer “o mês em que escrevi TODOS os dias”, porque eu escrevo todos os dias sempre, o meu trabalho é escrever. É literalmente a minha profissão, fora de brincadeira. No entanto, nesse contexto aqui, o que quero contar é que em novembro eu escrevi todos os dias para o meu livro, o meu novo projeto, o meu livro de número 14, que ainda está em construção e teve um avanço enorme com o NaNoWriMo.

E o que é o NaNoWriMo, me pergunta você, os olhos vidrados, a sola do pé coçando porque nesse calor tá assim de mosquito embaixo da mesa. Eu explico. Não os mosquitos, essa eu deixo para a ciência. Já o NaNoWriMo, eu meio que consigo explicar.

NaNoWriMo, este é o site, o povo adora uma sigla, nada mais é do que o National Novel Writing Month, um desafio anual de escrita literária que acontece na internet durante todo o mês de Novembro. O projeto consiste em fazer os participantes escreverem um texto de 50 mil palavras entre 1º de Novembro até o dia 30 do mesmo mês.

Para ajudar nessa missão, a plataforma oferece vários conteúdos inspiradores e também técnicos, além de ferramentas para ajudar você no monitoramento da sua evolução na meta, e mais bagdes e conteúdos fofinhos que não acrescentam em nada, mas ficam lindos na tela. A ideia geral é que um conteúdo com 50 mil palavras já é um livro, então a promessa é de que, participando do desafio, no primeiro dia de dezembro você já tenha um livro pronto para publicar. E publique.

Claro que, na prática, não é tão simples assim. Ter 50 mil palavras não quer dizer que você tem um livro. No entanto, ter um rascunho de 50 mil palavras já é um começo e algo bem difícil de conquistar, e por isso considero esse desafio tão válido.

A iniciativa existe desde 1999 e eu já tentei participar outras vezes, sem sucesso. Dessa vez, decidi meio no improviso e rolou. Mais do que bater as 50k palavras, eu quis usar a plataforma para me ajudar a ter algum senso de organização na minha escrita para esse meu novo livro em questão, que andava bem caótica.

Então, peguei esse meu rascunho, já com 37 mil palavras, e decidi retrabalhar nele durante o NaNoWriMo. Assim, passei o mês reescrevendo basicamente tudo e descobrindo, palavra por palavra, aonde aquela história queria me levar.

Aqui e nas imagens a seguir, prints do meu perfil no NaNoWriMo.

Para ajudar também, e isso o NaNoWriMo não faz, mandei esse rascunho inicial para uma leitora beta, que me retornou com vários pontos onde eu poderia desenvolver melhor a história. Assim, eu tinha bastante no que trabalhar.

Vale dizer que o NaNoWriMo é muito (parece ser muito) sobre números, bater a meta, mas a verdade é que essa gameficação de ter que atingir 50 mil palavras impulsiona você a escrever mesmo naqueles momentos em que está meio blé e “sem inspiração” (já explico as aspas). E isso desbloqueia a sua criatividade não só para esses momentos, mas para quase todos.

Cada pessoa tem um processo diferente. Normalmente quando escrevo um livro, gosto da coisa romantizada de escrever durante 22 horas seguidas e depois ficar dez dias sem lembrar que existe o rascunho. Foi esse ritmo que fez, em parte, o meu rascunho começado em agosto estar tão longe de sua conclusão no começo de novembro. No entanto, quanto mais escrevo, seja profissionalmente, seja por hobby, mais entendo que enxergar a escrita como arte possível apenas pela inspiração é algo muito bonito, mas pouco prático. Em algum ponto do processo, você precisa arregaçar as mangas e se forçar um pouquinho para fazer acontecer.

Isso ficou muito claro para mim com o NaNoWriMo. Me forçando a escrever todos os dias, não é que eu chegava no meu rascunho e escrevia 100 palavras quaisquer só para bater meta. Na verdade, o que aconteceu é que passei a desdobrar o ato de escrever em mais possibilidades entre primeiro escrever tudo e depois revisar tudo, que era o meu ritmo padrão. Nem sempre eu tinha ideias de como avançar com a história, então eu voltava em algum ponto já definido e desenvolvia melhor, acrescentava uma cena, explicava melhor um contexto. Em outros dias, já chegava animada para um novo capítulo e avançava na trama — e avançava com mais qualidade, porque ali nos dias anteriores “sem inspiração” eu já tinha construído a “cama” para essas novas ideias.

A minha rotina de escrita seguiu a mesma durante todo o mês. Como acordo às 5h, era das primeiras coisas do meu dia, e me dava duas horas para escrever até começar a trabalhar (estou de home office). Nem sempre eu escrevia por duas horas inteiras, teve dias em que eu pensava por duas horas inteiras e escrevia três frases. Nesses momentos, lembrava sempre do que li na newsletter do Vitor Martins, de tentar escrever por pelo menos dez minutos. Muitas vezes, esses dez minutos viravam quinze, trinta e até 45, e assim ia. Às vezes, se tornavam dois turnos em horários distintos. Eu acho que nunca teve um dia em que escrevi apenas por 10 minutos de fato, mas muitos dos dias em que escrevi por horas não teriam acontecido se eu não tivesse me esforçado por aqueles dez minutos iniciais.

Por isso eu coloco aspas em “sem inspiração”, já que a inspiração é, na verdade, um conceito muito subjetivo e, mais do que tudo, uma ferramenta que precisa ser alimentada. É claro que ficar sentada bebendo uma cerveja pensando na história que você um dia vai escrever quando tudo der certo é uma delícia, mas a verdade é que essa inspiração só vai servir a você se você colocá-la em ação. Caso contrário, você só está se frustrando, desperdiçando a sua energia e as suas ideias em projetos que nem tem a coragem de começar. Porque, no fim, não importa se você acha que não sabe como colocar aquela ideia no papel, não importa se você acha que ainda não é o momento porque você não sabe como começar. Você precisa tentar de qualquer forma, porque é só fazendo que você descobre como fazer.

Além disso, o fato de escrever todos os dias mantém a história muito fresca e presente na sua memória. Como eu escrevo pela manhã, era muito comum passar o dia atenta a detalhes, músicas, filmes, conversas e histórias que eu presenciava e descobrir maneiras de aproveitar isso no meu texto.

Nos finais de semana, eu tentava mudar um pouco e escrever à noite. O que me mostrou que sou uma pessoa zero noturna, pois nesses dias minha história evoluía bem menos.

Ainda assim, sim, escrevi todos os dias. Em alguns dias, mais de 2 mil palavras, em outros, só 100. Em muitos, apagando 500 palavras e escrevendo 95, mas ainda assim, evoluindo.

E então, ontem, dia 30 de novembro, o NaNoWriMo chegou ao fim e o meu rascunho inicial de 37 mil palavras tinha se transformado em uma história muito mais aprofundada de 53.252 palavras.

Para além dos números e da meta batida, eu terminei o desafio pessoalmente muito satisfeita comigo. E sabendo muito mais, imensamente mais, sobre meus personagens e minha história, o que vai me possibilitar seguir a diante com muito mais facilidade e qualidade.

Eu avancei consideravelmente na história, corrigi rotas, aprendi mais sobre mim e sobre o meu processo de escrita. E agora? Pois é, esse é o próximo passo.

E agora?

Os meses após o NaNoWriMo são conhecidos na comunidade como “What Now?”. Nesse ponto, a ideia é que se foque em revisar o projeto e, estando pronto, publicar. Com alguma margem de erro, 50 mil palavras equivale a um romance de 150 páginas, o que já está ótimo para uma publicação regular.

No meu caso, no entanto, publicar ainda está bem longe nesse processo. Geralmente meus livros têm, de fato, 50 mil palavras. Para esse projeto, porém, eu sinto que ainda vou precisar de mais para concluir a história. Até por ter me aprofundado mais na escrita, descobri que existem alguns arcos que ainda preciso arrematar antes de dizer que o livro está pronto para suas muitas revisões, leitura de critique partner e leitura sensível, passos imprescindíveis antes da obra chegar ao público.

Assim, o que vou fazer agora é tirar uns dias de folga (se é que eu vou conseguir, estou tão envolvida!), tentar arejar meus pensamentos e voltar com tudo para concluir esse projeto. E isso, então, seguindo a rotina que aprendi com o desafio, e principalmente a regrinha dos dez minutos.

Tudo isso para dizer que, sim, valeu muito a pena participar do NaNoWriMo e que pretendo levar ele comigo de alguma forma não só para esse projeto, mas para tudo o que envolve a minha escrita.

E pensar que, em outubro, esse era um rascunho prestes a ser jogado fora simplesmente porque eu não via como continuar, por mais que amasse a história. Acho que o que o NaNoWriMo deixa de lição maior para mim é nunca desistir de algo que você quer de verdade, de todo coração. Você só precisa buscar os meios para fazê-lo, e eles estão todos por aí, incluindo dentro de você, apenas esperando que você se aproprie deles.