
Aceite que terminou
Tudo vai virar passado. Essas amizades e a necessidade de mim que elas têm, os assuntos e os feitos, as pequenas vitórias e os retumbantes ataques de riso.
Sobrarei só eu e os livros. E os jogos e o futebol. Teimosias de caráter que fortalecem quem eu sou e me afastam dos outros.
Hemingway olhava todas as suas amizades de fora, nenhuma chegou a lhe alcançar.
Murakami, quieto e sábio, modesto e esperto, apertava com força na palma da mão a gilete que continha cada crítica. Do que sangrava, escrevia mais, o rosto plácido e confiante guardava para si toda a dor.
King não deixou passar nada, blindado por seu incrível ego.
Sozinha com meus escritos, me afundo em crateras sentimentais que abafam o som que vem lá de fora. Fica só um zumbido. Ninguém vai me achar.
Prontamente esquecida em um mundo que não para, beijo o chão e me despeço. Lindas atualizações das quais não faço parte, atravesso a rua e o caminho já é totalmente outro.
Na minha cabeça, a tatuagem já está lá. Eles não vão saber meu nome até que eu vá embora.
Tudo vai virar passado, dois segundos antes de virar eterno. Diga adeus e agradeça (é, agradeça): Não foi dessa vez.

