Brain Dump*

Diga adeus ao passado

Foto: Death to Stock

Aceite que terminou

Tudo vai virar passado. Essas amizades e a necessidade de mim que elas têm, os assuntos e os feitos, as pequenas vitórias e os retumbantes ataques de riso.

Sobrarei só eu e os livros. E os jogos e o futebol. Teimosias de caráter que fortalecem quem eu sou e me afastam dos outros.

Hemingway olhava todas as suas amizades de fora, nenhuma chegou a lhe alcançar.

Murakami, quieto e sábio, modesto e esperto, apertava com força na palma da mão a gilete que continha cada crítica. Do que sangrava, escrevia mais, o rosto plácido e confiante guardava para si toda a dor.

King não deixou passar nada, blindado por seu incrível ego.

Sozinha com meus escritos, me afundo em crateras sentimentais que abafam o som que vem lá de fora. Fica só um zumbido. Ninguém vai me achar.

Prontamente esquecida em um mundo que não para, beijo o chão e me despeço. Lindas atualizações das quais não faço parte, atravesso a rua e o caminho já é totalmente outro.

Na minha cabeça, a tatuagem já está lá. Eles não vão saber meu nome até que eu vá embora.

Tudo vai virar passado, dois segundos antes de virar eterno. Diga adeus e agradeça (é, agradeça): Não foi dessa vez.