Resenhas

Sobre “Horripilantes Contos De Fadas”

É dessas coleções infanto-juvenis que tem mais qualidade do que muito romance adulto por aí…


Eu realmente adoro essas coleções infanto-juvenis da Cia. Das Letras. É um formato gringo, traduzido para os leitores brasileiros, que mistura ilustrações com um modo descomplicado e engraçadinho de explicar de maneira rápida acontecimentos históricos e ciências exatas. Coleciono há muito os livros da coleção “Mortos de Fama” e “Saber Horrível” (essa da Melhoramentos), aí recentemente um amigo me presenteou com esse exemplar da “10+”, que traz dez Horripilantes Contos de Fadas.

Mais do que contar as historinhas, o autor nos mostra uma intensa pesquisa da origem de cada uma delas, a estrutura por trás dos contos e como eles tiveram sua lição moral transformada através dos tempos. Além disso, cada conto é apresentado de uma maneira diferente: um vem no formato de HQ, outro é contado sob a ótica do vilão, aí tem mais um que é contado como uma reportagem de jornal… São dez maneiras diferentes de rever histórias que sabemos de cor e, com isso, renovamos o nosso olhar para elas.

O que achei mais incrível nessa edição em especial é que, por se tratar de histórias e por investigar seu surgimento à fundo, o que temos é um grande “Como faz” da literatura de contos. O autor esmiúça a fórmula por traz dos contos de fadas, desmistifica o aspecto “encantado” dele quando mostra que de Chapeuzinho Vermelho à João e o Pé de Feijão, todos os contos basicamente usam dos mesmos elementos e chegam a um mesmo final.

É interessante também ver como a contação de história é algo tão antigo e que ainda sobrevive, o que mudou foi o formato. Quer um exemplo? Não se escreve mais conto de fadas, mas hoje temos os textões de Facebook, com mocinho, vilão, final feliz (nem sempre) e lição de moral.

A tradução é de Daniel Galera, o que por si só é motivo suficiente para se ler um livro. Para além disso, Horripilantes Contos de Fadas cativa e ensina com seu jeito inteligente de destrinchar e trazer nova luz à tudo o que você achava que já conhecia.

Brain Dump*

Sobre a dança das cadeiras dos ídolos pop

Amor eterno até o próximo hit de outra

Eu estava aqui pensando, acho que não dá mais para a gente fugir do fato de que os jovens estão aí assumindo nossas embaixadas de ícones e colocando outros ídolos em nossos altares.

Foi por esses dias, eu estava ouvindo Madonna no Spotify, aquela ouvidinha sem compromisso do trabalhador médio brasileiro, quando me vi dando skip em seis faixas seguidas que eram dos dois trabalhos mais recentes dela, o Rebel Heart e o MDNA. Falei “ué” para mim mesma. Eu costumava ouvir tudo dela sem nem pensar duas vezes. O que está acontecendo?

Nisso eu pensei “caramba, a Madonna nunca lançou mais nada que você ouvisse e desgraçasse sua cabeça por dias, tipo UAU, ISSO É MARAVILHOSO, EU NÃO VOU NEM QUESTIONAR POIS É DA MADONNA, É PERFEITO!”. E não é nem que ela não tenha lançado nada bom, é que o crivo com ela já é lá no topo e a gente já meio que blé, sabe? Você já está aí há muito tempo, a Madonna lança algo novo a gente mata no peito e responde: a gente quer novidade, as suas novidades não impactam mais.

E ela mesmo deve saber disso, a partir do momento em que faz uma canção cujo refrão é BITCH, I’M MADONNA, como se gritasse correndo atrás da gente enquanto estamos em fuga dentro de um carro com outras cantoras pop que agora amamos mais. Pelo jeito é bem isso o que está acontecendo, estamos em outro barco e deixamos Madonna à deriva, falando sozinha.

Eu falo sob a perspectiva de uma fã do pop sem carteirinha assinada com nenhuma diva, se você mata e morre pela Madonna é lógico que vai ser diferente pra você e parabéns por ainda ter algo em que acreditar. Nós que rodopiamos pelo Spotify sem fandom temos um trabalho incansável para saber a quem dedicar o nosso amor, nós enfrentamos uma batalha diária.

Imagino também que Madge tenha feito essa canção Bitch, I’m Madonna para esses pequerruchos que estão chegando agora na fila do pão e falando “Quem é essa senhora de tanga e meia-arrastão dizendo que o mundo é dela? O mundo é da Rihanna!”, ou algo do tipo.

Mas eu falava da nossa batalha diária. Que é decidir quem é a Madonna da vez. Eu parei pra pensar nisso. Eu fiquei mesmo preocupada! Após intensa pesquisa e ponderação, conclui que a Madonna atual desse povo é a Beyoncé, já que tudo o que ela faz é recebido com ataques cardíacos e gritos caninos de NOSSA, PERFEITO, RAINHA, DONA DO MEU BUMBUM, GUERREIRA DAS GUERREIRAS, ELA É MARAVILHOSA, ELA ACORDA DESSE JEITO —> PERFEITA. O que particularmente me irrita bastante (nem de Beyoncé eu gosto), mas a gente precisa reconhecer o mérito. E dar o braço a torcer: éramos do mesmo jeito com Madonna, anos atrás.

Ninguém te aguenta mais

Só que o tempo passa, rola uma dança das cadeiras nas nossas devoções culturais. Nada do que é bom de verdade deixa de o ser e nem deixa de ser relevante e icônico, mas o nosso ponto de atenção muda e isso é inegável. O prato do dia muda constantemente e quando você vê, já não resta mais nada além de gostosas lembranças que você só curte por cinco minutos — aí dá skip e volta pra 7/11 (I KNOW YOU CARE!).

E isso serve para divas pop e serve para quase tudo no universo da indústria do entretenimento. Eu inclusive até pensei mais nisso e vi outros ícones destronados e calculei baseado em meus conhecimentos empíricos e rasa visão de mundo quais seriam seus atuais sucessores. Não me corrijam se eu estiver errada, tentem me perdoar, eu sou nova por aqui e na minha cabeça sempre tenho razão (na minha cabeça eu sou um gênio).

Fifth Harmony são as novas Spice Girls. “Ai, mas eu nem conheço essas minas”, bom, aí é problema seu, vá se educar. Brincadeira. Mas é sério, elas são muito boas. E os tempos são outros. Igual nunca vai ser, mas pode ser tão bom quanto, considerando a nossa época, necessidades e imposições estéticas. Aceite. Apenas aceite.

Stop by now, thank you very much

Deadpool é novo Máskara. Meu coração se parte em mil pedaços, essa não foi nem eu que descobri, alguns jovens do meu convívio me alertaram. Não vi o filme do novo herói e negarei até a morte que alguém como RYAN REYNOLDS possa ser comparado ao inominável cute cute no meu coração JIM CARREY. Porém é necessário aceitar, vida que segue.

No meu coração, sempre serás #1

One Direction são os novos Backstreet Boys. Você pode chorar, pode agoniar, pode falar “nossa, eles eram muito melhores”, mas você sabe que isso é só o seu coração sendo saudoso. Hoje o 1D é tão grande quanto BSB era no seu tempo. As fãs loucas, os hits, os clipes perfeitinhos para as fãs, tudo está ali. Mudou o nome e a formação, só isso. O fenômeno da boy band que ensina as garotas a amar permanece vivo em novos quatro corpos jovens e perfeitos — se não é a música pop um tipo de vampiro que rouba a alma dos cantores ao se alimentar da sua.

Será que o Zayn um dia volta, assim como o Kevin um dia voltou?

E tem mais outras comparações que dá para relacionar, só que chega nesse ponto você começa a ficar um tanto amuada. Tão complicado envelhecer, a gente também perde um pouco da majestade quando nossos ídolos perdem o trono. Quando a Madonna corre atrás da gente, pode notar que da janelinha do carro nós não estamos rindo. Nós não estamos felizes. Madonna grita “Piranha, eu sou a Madonna” e do conforto do carro que acelera sem nos levar em direção alguma, respondemos “e eu, quem sou?”.

Puxado.

Resenhas

Sobre “O Irresistível Café de Cupcakes”

Olha, eu vou falar pra você… Depois de passar 18 meses escrevendo livros, você fica meio cabreiro pra ler um do mesmo gênero. Eu me enrolei pra começar esse aqui, mas com a chick lit é aquela coisa, me afasto porque preciso, volto porque te amo. É esse o ditado, não?

Brincadeira.

O Irresistível Café de Cupcakes é bem isso o que ele promete nessa capa linda e fofa: um livro lindo e fofo. Sim. Conta a história de Ellen, uma moça que está prestes a se casar com um político muito promissor, até que decide realizar o último desejo de sua avó e entregar em mãos uma carta. Para isso, ela vai até Beacon, uma cidadezinha do interior. E, lógico, com isso algumas coisas acontecem e a nossa mocinha acaba colocando suas escolhas e seu futuro em dúvida…

Créditos da imagem: Universo dos Leitores

Eu sei que o consenso geral é de torcer o nariz pra livro de mulherzinha, mas eu gosto e acredito de verdade que existem boas obras nesse gênero. O Irresistível Café… é uma delas. Ele começa meio lento, mas cativa. É divertido, fofinho e dá pra você suspirar entre uma página e outra. Confesso que rolaram até umas lágrimas no capítulo final, eu realmente me emocionei com a Ellen. Ela é uma personagem muito humana e a trama é totalmente crível. Achei lindo o desfecho que a autora encontrou, resolvendo os conflitos de maneira madura, sem apelar para aquele tom de conto de fadas que tende a não convencer se você tem mais de 20 anos de idade.

Falando na autora, tem um agradecimento dela no final do livro. Ali você fica sabendo que é seu livro de estreia — antes ela só escrevia contos, até que uma amiga a incentivou a escrever “um livro inteiro”. Daí surgiu O Irresistível Café de Cupcakes. Eu sempre gosto de saber dessas histórias, como foi que as pessoas se tornaram escritoras.

Detalhes finais, o livro é narrado na primeira pessoa pela mocinha, a Ellen. Ele tem 200 e poucas páginas, então é uma leitura bem rápida. Ainda estou lendo aquele livro de futebol que falei, mas agora surgiram muitos outros e estou lendo uns sete ao mesmo tempo. Tudo bem.

Ah, esse eu li pelo Kindle, tinha baixado há mil anos atrás no Kindle Unlimited.

Resenhas

Sobre “Fique Onde Está e Então Corra”

Resumo rápido do livro de John Boyne

Sabe aquele livro/filme d’O Menino do Pijama Listrado? Então. Mesmo autor, mesma vibe.

Imagina só.

Esse “Fique Onde Está…” fala de drama e superação. Conta a história de um menino que viu sua vida mudar drasticamente quando, ao completar 5 anos de idade, estourou a 2a Guerra Mundial e o pai se voluntariou como soldado. Logo, o que temos é uma história triste e dolorosa, se bem que nem tanto. O sentimento está ali, mas não é dramalhão puro, sabe? Não é pra você chorar rios de lágrimas a cada página, é mais pra ler o que o garoto passou e pensar “foda passar por isso”. Ou eu que já não sinto mais nada, a conferir.

De todo modo, um livro muito bem escrito, as frases perfeitas nas horas certas, o enredo crível, personagens cativantes e esse título incrível que dá um impacto bacana. Da capa não posso dizer muito, li via Kindle e não tive a experiência completa, lá o mundo ainda é em P&B.

Mas parece ser bonita. Você lê rapidinho, são menos de 250 páginas. Narrado na terceira pessoa, pela ótica do menino. Eu gostei. Indicaria pra quem quer ler um bom livro sem precisar gastar dois meses com isso (li em uma semana). Entusiastas de histórias de guerra e fãs de histórias cativantes em geral também encontrarão um bom lugar entre as páginas desse romance de Boyne. Agora vou ler um de futebol, me aguardem.