Resenhas

Meu 2019 em livros: 58 livros lidos e 2 publicados

The Marvelous Mrs. Maisel (2019)

Bom, eu de fato ainda estou lendo um livro e pretendia ler mais dois até o final do ano, mas o GoodReads mandou o resumo de leituras de 2019, então acredito que é hora de parar.

Que seja.

Em 2019 eu li 58 livros e escrevi/publiquei 2, o que dá um número respeitável que no fim das contas não muda a vida de ninguém – e muito pouco a minha. Falando primeiro dos livros que li em 2019, o GoodReads nos proporciona um belo infográfico com base nas nossas leituras do ano. Infelizmente não tenho todo o conhecimento necessário em tecnologia para trazer esse infográfico para cá, então vamos de improviso.

Em que momento eu li quase 13 mil páginas? O tempo passa rápido quando você está se divertindo, não se pode negar. De todo modo, nessas 12.522 páginas, esses foram os livros lidos por mim em 2019:

Minha meta para 2019 era ler 52 livros, o que daria cerca de um por semana. No fim, acabei lendo 58, um pouco mais, apesar de ter passado por semanas em que não lia nada. Tive períodos em que enjoei de ler e larguei os livros, principalmente quando estava focada em escrever os meus. No entanto, no último trimestre voltei com força total à literatura, o que me ajudou a recuperar o tempo perdido na meta, batê-la e superá-la.

Eu leio principalmente e-book e, a partir do próximo ano, pretendo abolir de vez os livros físicos da minha vida. Para mim já não faz mais sentido uma estante cheia de livros, quero eliminar esse tipo de peso (literal!) na minha casa. E, claro, ler no Kindle ou no app dele no celular, é infinitamente mais prático.

Outra coisa que fiz esse ano foi finalmente cancelar minha assinatura no Kindle Unlimited. Já assinava o serviço há anos e em 2019 percebi que estava lendo dele “por obrigação”, só porque já estava pago. Há tempos não via nada de interessante nas ofertas do serviço e ainda assim só lia de lá para não perder o investimento. O resultado era uma porção de leitura que não me acrescentava nada e me roubava tempo de ler os livros que realmente queria e não estavam na plataforma.

Assim, cancelei o Unlimited e criei uma lista de desejos dos livros que quero ler. Por ali, monitoro diariamente as variações de preço e, quando surge uma oferta, compro o livro, um livro que eu queira mesmo ler.

Tendo dito isso, sem mais delongas, vamos ao…

📚🏆 Prêmio Tati Lopatiuk de livros lidos em 2019 📚🏆

Mais impactante: O espetáculo mais triste da Terra, por Mauro Ventura
Se Não Desisti Foi Por Pouco: Te devo uma, por Sophie Kinsella
Encantador do Início ao Fim: Lendo de cabeça para baixo, por Jo Platt
Aqueceu o Coração: E Se Acontece?, por Melanie Harlow
Ensinou a Viver: Só garotos, por Patti Smith
Desgraçou Minha Cabeça: Você Nasceu Para Isso, por Michelle Sacks
Me Senti Jovem:  Escrito em algum lugar, por Vitor Martins
Apoie seu Artista Local: Nossas Cores, por Adriel Christian
Mulherão da P0rra: As Garotas, por Emma Cline

O Grande Favorito & Mais Amado de 2019:

🌟 Variações Enigma, por André Aciman 🌟

O ano de 2019 foi intenso para o André Aciman, para dizer o mínimo. O autor de “Me Chame Pelo Seu Nome” lançou a tão esperada continuação da trama de Elio e Oliver e o romance, com o título de “Me Encontre” foi… Uma decepção plenamente esquecível, para ser bem educada.

No entanto, Aciman é um romancista incrível. Isso não muda. E em “Variações Enigma“, romance que não tem nada a ver com o arco Elio/Oliver, isso se pode ver com perfeição. Uma experiência sensorial sobre o amor, Aciman consegue se superar a cada página desse livro de 2018. Tudo é doce, real e pungente na narrativa do autor. Seu personagem, Paul, fala diretamente conosco – falando de si mesmo, desnuda o nosso próprio coração.  Foi o melhor livro que li em 2019 e já entrou para os favoritos da vida.

💋🤓 Os meus livros em 2019 💋🤓

Eu comecei 2019 tentando encontrar um caminho para um projeto de 2018. Estava enrolada no desenvolvimento desse que seria meu décimo e último livro. Algumas conversas com a minha melhor amiga, e até uma abordagem no assunto com meu terapeuta, depois, eu consegui encontrar o caminho e finalizar o projeto. Assim, no final de abril publiquei “desaparecer“, uma história com um pé no sobrenatural e o outro no romance.

Depois disso, tinha prometido que não escreveria nunca mais. Mas isso, é claro, não queria dizer nada. Poucos meses, depois comecei a escrever outra história, simplesmente porque a inspiração parecia ser boa demais para ser jogada fora. Me diverti bem mais escrevendo essa trama, sem o peso de ser a última, sem a necessidade de provar nada. Meu compromisso era apenas escrever a história de amor mais farofa que poderia imaginar. E tenho muito orgulho do resultado. “Beijando Horrores” foi publicado em setembro.

Ambos os livros, assim como meus outros cinco romances, estão disponíveis na Amazon. Você pode saber mais sobre todos os meus livros aqui.

💞🤙 E para 2020? 💞🤙

Pois é, não sei. Ainda não saiu a meta literária para o próximo ano no GoodReads, o que ainda me dá um tempo para pensar. Eu imagino que para 2020 eu precise reduzir o ritmo de leitura, por conta de outros projetos pessoais, então no fim a minha meta para o ano deve ser algo entre 12 e 25 livros, mas ainda vou decidir antes de cravar o número final.

Quanto à escrever livros, esse é um plano ainda mais distante. E dessa vez é sério! Eu realmente acho que já escrevi tudo o que podia, e se for fazer algo em 2020, vai ser alguma fanfic super sem compromisso. E ainda, assim, não garanto nada.

Mas a gente vai se falando… E, ah, me encontre no GoodReads! Eu sempre posto por lá resenhas rápidas de todos os livros que leio.

Brain Dump*

Adam Driver: o enigma de John Hamm e seus desdobramentos na sociedade

Marriage Story (2019)

A questão agora era se Adam Driver é bonito ou não. Um debate que já existe desde a participação dele na franquia Star Wars (não me pergunte qual filme), uma questão capciosa e, mais do que tudo, um assunto que não importa.

Tenho a minha teoria. Conheci o ator assistindo a Girls (eu assistia a série, ele atuava nela, não confunda). Não lembro ter considerado ele exatamente bonito, mas ele tinha um impacto, pois era o cara que fazia a protagonista de gato e sapato e – posteriormente – se envolveu em outro arco amoroso que dava engulhos em qualquer telespectadora de bem.

Agora com Marriage Story, o ator voltava ao centro da polêmica. Afinal, ele é bonito ou não?

Acabei não dizendo a minha teoria. É que não formulei ela direito, mas o meu ponto é que quando você diz que é impossível um homem feio como Adam Driver ser par romântico de uma mulher linda como Scarlet Johansson, você despreza o fato de que deram uma enfeiada nela para esse filme, até onde é possível deixar uma mulher como Scarlet Johansson feia: lhe dando um corte de cabelo horrível que a desfavorece.

Você quer ser hipócrita, seja aí na sua casa. Não conte comigo para isso.

Por isso, não acho que o Adam ser bonito ou não seja uma questão nesse ponto, porque acho que os dois estão feios e bonitos na mesma medida no filme. Estão igualmente indefiníveis. São bonitos, mas meio feios. Como a gente, em um dia normal. Essa é a magia da arte que, quando se esforça, imita a vida.

Isso resolve, em partes, o enigma do filme, mas não responde a questão central do debate: Adam Driver é intrinsecamente bonito? Ele é bonito no geral?

Resolvi rever Girls para buscar essa resposta, como um arqueólogo que precisa olhar o primeiro vaso de porcelana da história para entender como foi que fizeram esse vaso de porcelana aqui.

Você está feliz, Noah Baumbach?

Girls – season 1 (2012)

Três episódios de Girls e 90 minutos de sono atrasado depois, essa arqueóloga está exausta. Estudo inconclusivo, o enigma prevalece. Tal qual o cachorrinho daquele meme, não dá para saber ainda. Minha conclusão é de que Adam Driver é um homem grande, certamente digno de atenção, mas cravar que ele é bonito é algo que requer uma certeza que não tenho. Ele é alto, isso é certo.

O que nos direciona a outra questão, como se a gente tivesse poucas. A beleza indefinida de Adam Driver se relaciona diretamente ao Enigma de John Hamm: é bom ator ou apenas alto?

Não tem como eu saber, porque não tenho conhecimento para isso e porque a ciência está preocupada com outras coisas (a cura do câncer, mais remédios para alergias) e não se dedica a esse tema em específico, que é o que nos importa agora. Tal desamparo científico torna a nossa luta empírica e mambembe, fazendo com que ela resulte em pouco menos do que frustração e brigas na rede social. Ou seja, não leva a nada.

Assumo minha limitação e digo que não sei se Adam Driver é bonito. Ninguém sabe – e se disser que sabe é por clubismo, por ser fã de Star Wars ou de BlacKkKlansman. Vamos assumir a nossa ignorância e deixar isso pra lá, gente.

BlacKkKlansman (2018)

Quem sabe quando ele fizer um filme do Batman a gente tenha uma resposta? A gente vai se falando…

Mas foi bom ter revisto Girls. Devo continuar, inclusive, porque é uma série confortável de se ver, quando você já viu inteira. Existe algo na futilidade de cada uma das personagens que aquece o coração, porque você precisa ser muito segura de si para se permitir ser fútil assim. E isso é incrível.

Decidi que vou continuar revendo Girls porque estou nessa fase de tomar decisões. Mudar o padrão estabelecido. Tal qual em 2013, quando decidi que ia parar de usar roupas jeans (peças inferiores, como calça, shorts, saia) e sustento isso até hoje. Sou assim, decido coisas importantes em um segundo. É o meu jeito.

Faz um tempo, decidi também que não uso mais nada estampado com imagens ou dizeres. Tipo camiseta de seriado ou filme, sabe? Ou então com frases aleatórias em inglês. Ai, não gosto mais. Sinto as pessoas me olhando e tentando entender a referência. Não gosto mais disso, me incomoda. Agora só uso roupas de uma cor só e sem estampa. Acho chic. Passa uma mensagem. A mensagem é: você só vai saber a minha mensagem quando eu abrir a minha boca. E é muito provável que eu não abra.

Isso vai em sintonia com a minha decisão de fazer cada vez menos. Meu projeto pessoal é me tornar uma incógnita. E é uma escalada. Primeiro as atitudes na vida prática, depois a minha postura nas redes sociais, e por fim mudanças no meu vestuário. Tudo culminando comigo sendo a pessoa mais introspectiva (e plena por dentro) possível. Por fora, quem sabe o que se passa? Ninguém. A ciência me ajudou com a cura do câncer, mas não vai te ajudar com isso.

Em breve, você vai olhar para mim e não vai saber se eu tenho algo a dizer ou não. Só vai saber se eu disser, mas eu não vou dizer.

Eu vou ser o Adam Driver da mensagem.

Fique de olho.