Brain Dump*

Assisti a 30 filmes indicados ao Oscar 2020 e veja o que aconteceu

1917 – Dir. Sam Mendes (2019)
  • Esse texto não tem spoiler de nada. Caralho, deve ser exaustivo ser você!

Sentimentos! O que mais senti nessa maratona do Oscar foi, não vou mentir, sentimentos. O que não chega a ser novidade para ninguém. O ponto interessante aqui, a meu ver, é que hoje, manhã pós-Oscar, a cidade de São Paulo submersa em chuva e ódio lento, acordei e ainda me sinto eufórica, um pouco boba e, por que não?, com a sensação de que eu de alguma forma faço parte de algo grandioso.

Por que eu vi 30 filmes dos 53 indicados e eu fiz uma festa em casa para ver a premiação.

Sendo o cinema uma ilusão que nos embala e nos ajuda no que é essencial, ainda mais hoje: escapismo.

Eu sempre gostei de filmes. Como qualquer pessoa. Sempre acompanhei os lançamentos da sétima arte, até aí nada demais. Alguns anos atrás, tive a oportunidade de trabalhar na cobertura das premiações do entretenimento e aí as engrenagens começaram a girar de fato para mim. Por que até então parecia um processo aleatório e incompreensível. No entanto, quando você começa a acompanhar de perto os prêmios, você percebe como tudo segue um raciocínio lógico (ou pelo menos deveria seguir) e como cada prêmio da temporada vai construindo o que vai acontecer (ou deve acontecer) no Oscar, que é a premiação máxima.

Brad Pitt customizando com miçangas seu Oscar 2020 por Melhor Ator Coadjuvante

E na verdade, é aí que começa a ficar divertido. Há pelo menos três anos eu desenvolvi um sentimento muito forte de gameficação com o Oscar, onde tento ao máximo ver todos os filmes indicados. O que é invariavelmente impossível, mas devo dizer que tenho me aprimorado a cada ano.

O que nos leva a hoje, 2020, quando eu consegui ver 30 filmes dos 53 indicados, como falei. Nunca tinha ido tão longe. Uma das vantagens desse feito é, como já devem ter notado, ficar repetindo-o sem parar. Mas a principal vantagem, e é sobre ela que se debruça esse meu texto, é o quão gratificante e confortável é você sentir que tem embasamento sobre um assunto sobre o qual todos estão falando. E mais, o quanto você aprende e amplia sua visão de mundo quando se propõe a assistir, basicamente, todos os filmes que importam daquele ano.

Life Overtakes Me – Dir. Kristine Samuelson, John Haptas (2019)

Por exemplo, esse documentário Life Overtakes Me, tem na Netflix, sobre crianças que simplesmente “apagam” em situações de muito stress. Elas podem ficar assim por anos, do nada, como se estivessem em coma. Tem acontecido principalmente com crianças refugiadas na Suécia. A medicina ainda não entende como funciona, e o documentário tenta mostrar o quanto essa situação vem crescendo e como ela é pesada para as famílias dessas crianças. Eu nem sabia de nada disso até ver o doc.

Além disso, maratonar os indicados ao Oscar me faz ver filmes que eu normalmente não assistiria. O que me faz descobrir favoritos em lugares improváveis e aumenta a quantidade de gêneros cinematográficos para os quais eu tenho algum respeito. Nesse sentido, esse ano a grande surpresa para mim foi 1917, que eu jamais assistiria por ser filme de guerra, normalmente um gênero chatinho, mas que me cativou absurdamente tanto pela narrativa quanto pelo poder de sua fotografia.

Bastidores de gravação de 1917

Maratonar o Oscar é, de fato, bastante simples. Você só precisa abrir mão da sua vida pessoal ter um pouco de organização e disposição. Claro, a lista de indicados sai apenas um mês antes da cerimônia, mas antes disso você já pode estar atento e procurando assistir aos filmes que estão sendo mais comentados. Para me ajudar na organização, levei para o meu bullet journal a lista oficial e ia anotando quais já tinha visto, tendo uma visão melhor dos que eu ainda precisava ver e me programando a partir disso.

A parte de gameficação fica ainda mais divertida quando você faz essa maratona junto com outra pessoa. Assim como nos anos anteriores, para 2020 eu e minha melhor amiga, a Carol, combinamos de ver os filmes da lista, o máximo que conseguíssemos. Nem sempre juntas, claro, mas sempre que possível sim. Então, isso também rendeu um grande aprimoramento da nossa amizade, pois tivemos mais motivos para nos encontrar e também mais assunto para conversar no dia a dia.

No fim das contas, a Carol viu poucos filmes a menos do que eu. Mas ela venceu no bolão e acertou mais vencedores (emplacou 15, eu só acertei 12). Outro momento divertido que o Oscar nos rendeu, quando ontem nos reunimos para fazer as nossas apostas, tomar Mimosas, comer salgadinhos de padaria e assistir à premiação na minha casa.

Para além de toda essa festa do escapismo, o Oscar esse ano foi muito impactante pelos inesperados, mas extremamente merecidos, prêmios para o filme Parasita, inclusive o prêmio mais importante da noite, de Melhor Filme. É claro que em celebrações como essas a gente tende a ceder facilmente à frivolidade dos looks e dos rostinhos bonitos. Mas é importante lembrar o peso que tem uma premiação dessas e o quanto ela define os rumos da nossa cultura. Por isso, é um sopro de esperança quando acontece algo como o que aconteceu ontem: um filme em língua não inglesa vence.

Isso significa que estamos, ainda que muito devagar e muitas vezes sem vontade, rompendo a bolha do nosso mundinho colorido de ver apenas produções americanas sendo celebradas nas premiações. E isso é algo de que se orgulhar, eu acredito.

Elenco e realizadores de Parasita comemorando os Oscars recebidinhos

Tudo isso, veja, todo esse universo de informações, descobertas e oportunidades de pensar de outra forma nos é dado em eventos culturais como o Oscar. Dessa maneira, maratonar os filmes é uma oportunidade incrível de mergulhar nesse universo, que se renova e se expande a cada ano. Por isso é tão divertido. Por isso é tão bom fazer parte.

Sentimentos! Fiquei muito feliz em acompanhar os indicados tão de perto esse ano. Parece besteira e é um privilégio inegável, mas no fim do dia é tão bom. Se sentir parte de algo, aprender algo novo. Comer salgadinhos e beber Mimosas usando roupas chiques e chinelos.

Mal posso esperar para a próxima maratona. 🙂

Resenhas

“Modo Avião”, Larissa Manoela e o alívio quintessencial de poder ser isso aí mesmo que você está vendo, isso aí mesmo que você é

Credito: Aline Arruda/Netflix/Divulgação.Cena do filme Modo avião, da Netflix, com Larissa Manoela
  • Esse texto não contém spoiler de nada. Relaxa, pelo amor de Deus.

Esses dias eu abri isso aqui para escrever sobre a nova minissérie do Drácula, aquela da BBC e tal. Negócio chique, Mark Gatiss e Steven Moffat, o luxo. Bom para quem gosta, perfeito para quem odeia. A série é feita para o tuiteiro: impecável, todo mundo odiou. Eu amei. Fiquei brava com o tuiteiro.

Acabou que desisti do texto no meio, porque percebi que minhas motivações para escrevê-lo estavam erradas. Eu queria escrever porque estava brava com o pessoal que não gostou. Moffat virou lixo de um dia para o outro. Foi o Rubens Ewald Filho morrer, pronto. Todo mundo quer o lugar dele. Tudo é ruim.

Como podem ter achado Drácula ruim (sim, eu vi o episódio final)? Que inferno, bicho. Agora, uma coisa. Eu vou escrever por isso? Esse vai ser o meu norte criativo? Direito de resposta que ninguém pediu, em nome de quem nem sabe quem sou eu na fila do pão?

a audácia do tuiteiro

Sabe?

Daí nem escrevi nada, foda-se, quem se importa? O Drácula não merece tanto esforço, eu não tenho toda essa energia para gastar. Passei por muita coisa esses dias. Vamos focar no lado bom da vida (kkkk) e parar de deixar o ódio (alheio, nosso, do mundo) ser o motor de tudo.

Veio o filme novo da Larissa Manoela e eu pensei que esse sim merecia um texto (meu!) porque eu não quero defendê-lo, eu quero apenas contar o valor dele para mim. E outra, ninguém está falando mal desse filme. Por que se o filme é da Larissa Manoela, “bom” ou “ruim” são juízos de valor irrelevantes. Lari Manu está naquele invejado posto no imaginário coletivo que ou você ama o que ela faz, ou você nem se dá ao trabalho de saber o que ela está fazendo.

É outro patamar. É uma paz enorme.

É ótimo.

Modo Avião (2020) – Dir. César Rodrigues

Eu gosto da Larissa Manoela. Parece estranho porque eu tenho 35 anos, mas o fato é que se eu tenho 35 hoje é porque já tive 14 um dia, e é difícil superar isso. Quando se é uma mulher, então? Nem vivendo mil anos, eu acho.

Os filmes da Lari Manu são ótimos. Eles entregam absolutamente tudo o que você quer, sem que você se sinta culpada em receber essa indulgência em forma de entretenimento. Em Modo Avião, temos a comédia romântica adolescente em seu estado puro. O que quer dizer que por 90 minutos você pode se jogar no sofá e se deixar ser engolfada por uma trama leve e adorável com muitas risadinhas, suspiros apaixonados e looks incríveis.

Como eu disse, tudo. No filme ela é Ana, uma influencer digital viciada em internet (claro) que tem um choque de realidade e precisa reavaliar sua vida. Igualzinho a você, mas você continua dando murro em ponta de faca e não muda em nada nunca. Mas a Ana, a Lari Manu, ela muda. Vai pro interior, pra casa do vô, e começa a sua evolução pessoal baseada em não usar mais o celular e também em dar uns beijos em um rapaz ali da vila.

Cacetada. Tá chorando, né John Hughes? Por que eu tô.

Primeira produção da atriz com a NETFLIX, Modo Avião tem um roteiro redondinho, feito sob encomenda para a plataforma. Ao contrário dos filmes anteriores da Lari Manu, que se originaram de best sellers teens. Você nota a diferença porque a história de Modo Avião é um pouco mais direta. O que não quer dizer que é ruim. Mas não dá para comparar com o melhor filme dela, Meus Quinze Anos, por exemplo, que tem inspirações em Juno, Mean Girls e Clueless. Uma profundidade. Feito para o povo da plataforma, Modo Avião é mais rápido, aposta no conforto visual dos looks e na comicidade da linguagem memética. E no talento dramático da Larissa Manoela, lógico, que aproveita o reinado e faz miséria com cena rápida de breakdown no trânsito (quem nunca? eu sempre).

Assim, atriz.

Além disso, o filme ainda tem participações luxuosas de Katiuscia Canoro (Lady Kate iconic) e Erasmo Carlos(!!!!). Generoso por definição, aqui ele abaixa o tom um pouquinho e deixa Lari Manu brilhar, como se ele fosse apenas um senhor qualquer fazendo um freela de final de ano.

Um homem que fez o que fez em Paraíso Perdido, sabe? Puxa vida.

Mas o que estou querendo dizer é que é muito boa a carreira cinematográfica da Larissa Manoela. Nos dá algo em que acreditar ou, pelo menos, algo em que não pensar. Você pode ficar assistindo tranquila sem medo de ser feliz, sendo exatamente quem você é: essa garotinha de 14 anos um pouco preocupada com o rumo que as coisas estão tomando, mas não o suficiente para entender o plano geral das coisas e se desesperar a ponto de tomar uma atitude. Enquanto o filme estiver rolando na tela, está tudo em suspenso, o que quer dizer que está tudo bem.

E além do mais, meu Deus, os looks dela no filme.

No fim das contas, tá certo o tuiteiro. Quem é Drácula? Moffat? Moffat apenas sonha.

Errada tô eu.

Boa mesmo é a Lari Manu.

Resenhas

O sonho possível, enfim

Era absolutamente tudo. Quando “Com Amor, Vincent” chegou aos cinemas, imaginei que era tão incrível quanto natural. Como não fizeram um filme assim antes? Para fazer faltava tecnologia e a sensibilidade, no mínimo, mas o momento enfim tinha chegado.

O filme é lindo, um trabalho tão profundo quanto emotivo. A história de vida de Van Gogh é delicada e triste, envolve mexer em assuntos que são dolorosos e presentes até hoje, ainda mais hoje, além de todo aquele mistério sobre sua morte.

Existe também, é claro, a atualidade de sua obra, que faz com que seus quadros sejam hoje itens da cultura pop, desdobrados em produtos de consumo dos mais variados. Virar moda, aqui, é um privilégio todo nosso. É ótimo ver suas pinturas espalhadas por todos os lugares, nos mais variados formatos. É uma delícia, na verdade.

Mas o filme, como fizeram esse filme?

Para responder essa pergunta, e outras, estreia dia 30 de janeiro nos cinemas brasileiros o documentário “Com Amor, Vincent: O Sonho Impossível”. A missão é exatamente levar para o telespectador um pouquinho do que foi a produção da animação de 2017. Com distribuição da Elite Filmes, o doc explora os dez anos de luta para levar o filme às telas.

Sim, dez anos.

Tudo sobre “Com Amor, Vincent” impressiona, como sabemos vendo o filme, como confirmamos com esse documentário. Com entrevistas dos envolvidos e cenas inéditas de bastidores, em “Com Amor, Vincent: O Sonho Impossível” vamos descobrindo mais sobre essa obra que nasceu pelas mãos e coração de Dorota Kobiela, uma jovem cineasta polonesa. Novata no cinema, por quase uma década Dorota capitaneou essa empreitada, lidando com a falta de incentivo e de dinheiro, em um esforço monumental que teve a participação de 115 pintores e se transformou em animação com os 65 mil quadros que estes produziram.

Sessenta e cinco mil quadros. Quando finalmente foi lançado, o filme recebeu indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro de 2018, a aclamação definitiva de todos os anos de dedicação.

Em entrevista ao documentário, Dorota se emociona ao dizer que gostaria que Van Gogh um dia soubesse o quanto sua obra influenciou e motivou tantas pessoas ao redor do mundo, por todos esses anos.

Como fã do artista, gosto de pensar que é isso que estamos fazendo quando continuamos revivendo sua vida e obra, desdobrando sua arte em coisas nossas que carregamos conosco por todos os lados. Estamos deixando ele saber, de algum modo.

O sonho impossível se materializa assim, nesses momentos e nessas homenagens, como a de Dorota, que traz um pouco daquele universo que nos encanta há décadas e jamais deixará de encantar, posto que é eterno.

* O blog assistiu ao documentário “Com Amor, Van Gogh: O Sonho Impossível” a convite da Elite Filmes.

Resenhas

Meu 2019 em livros: 58 livros lidos e 2 publicados

The Marvelous Mrs. Maisel (2019)

Bom, eu de fato ainda estou lendo um livro e pretendia ler mais dois até o final do ano, mas o GoodReads mandou o resumo de leituras de 2019, então acredito que é hora de parar.

Que seja.

Em 2019 eu li 58 livros e escrevi/publiquei 2, o que dá um número respeitável que no fim das contas não muda a vida de ninguém – e muito pouco a minha. Falando primeiro dos livros que li em 2019, o GoodReads nos proporciona um belo infográfico com base nas nossas leituras do ano. Infelizmente não tenho todo o conhecimento necessário em tecnologia para trazer esse infográfico para cá, então vamos de improviso.

Em que momento eu li quase 13 mil páginas? O tempo passa rápido quando você está se divertindo, não se pode negar. De todo modo, nessas 12.522 páginas, esses foram os livros lidos por mim em 2019:

Minha meta para 2019 era ler 52 livros, o que daria cerca de um por semana. No fim, acabei lendo 58, um pouco mais, apesar de ter passado por semanas em que não lia nada. Tive períodos em que enjoei de ler e larguei os livros, principalmente quando estava focada em escrever os meus. No entanto, no último trimestre voltei com força total à literatura, o que me ajudou a recuperar o tempo perdido na meta, batê-la e superá-la.

Eu leio principalmente e-book e, a partir do próximo ano, pretendo abolir de vez os livros físicos da minha vida. Para mim já não faz mais sentido uma estante cheia de livros, quero eliminar esse tipo de peso (literal!) na minha casa. E, claro, ler no Kindle ou no app dele no celular, é infinitamente mais prático.

Outra coisa que fiz esse ano foi finalmente cancelar minha assinatura no Kindle Unlimited. Já assinava o serviço há anos e em 2019 percebi que estava lendo dele “por obrigação”, só porque já estava pago. Há tempos não via nada de interessante nas ofertas do serviço e ainda assim só lia de lá para não perder o investimento. O resultado era uma porção de leitura que não me acrescentava nada e me roubava tempo de ler os livros que realmente queria e não estavam na plataforma.

Assim, cancelei o Unlimited e criei uma lista de desejos dos livros que quero ler. Por ali, monitoro diariamente as variações de preço e, quando surge uma oferta, compro o livro, um livro que eu queira mesmo ler.

Tendo dito isso, sem mais delongas, vamos ao…

📚🏆 Prêmio Tati Lopatiuk de livros lidos em 2019 📚🏆

Mais impactante: O espetáculo mais triste da Terra, por Mauro Ventura
Se Não Desisti Foi Por Pouco: Te devo uma, por Sophie Kinsella
Encantador do Início ao Fim: Lendo de cabeça para baixo, por Jo Platt
Aqueceu o Coração: E Se Acontece?, por Melanie Harlow
Ensinou a Viver: Só garotos, por Patti Smith
Desgraçou Minha Cabeça: Você Nasceu Para Isso, por Michelle Sacks
Me Senti Jovem:  Escrito em algum lugar, por Vitor Martins
Apoie seu Artista Local: Nossas Cores, por Adriel Christian
Mulherão da P0rra: As Garotas, por Emma Cline

O Grande Favorito & Mais Amado de 2019:

🌟 Variações Enigma, por André Aciman 🌟

O ano de 2019 foi intenso para o André Aciman, para dizer o mínimo. O autor de “Me Chame Pelo Seu Nome” lançou a tão esperada continuação da trama de Elio e Oliver e o romance, com o título de “Me Encontre” foi… Uma decepção plenamente esquecível, para ser bem educada.

No entanto, Aciman é um romancista incrível. Isso não muda. E em “Variações Enigma“, romance que não tem nada a ver com o arco Elio/Oliver, isso se pode ver com perfeição. Uma experiência sensorial sobre o amor, Aciman consegue se superar a cada página desse livro de 2018. Tudo é doce, real e pungente na narrativa do autor. Seu personagem, Paul, fala diretamente conosco – falando de si mesmo, desnuda o nosso próprio coração.  Foi o melhor livro que li em 2019 e já entrou para os favoritos da vida.

💋🤓 Os meus livros em 2019 💋🤓

Eu comecei 2019 tentando encontrar um caminho para um projeto de 2018. Estava enrolada no desenvolvimento desse que seria meu décimo e último livro. Algumas conversas com a minha melhor amiga, e até uma abordagem no assunto com meu terapeuta, depois, eu consegui encontrar o caminho e finalizar o projeto. Assim, no final de abril publiquei “desaparecer“, uma história com um pé no sobrenatural e o outro no romance.

Depois disso, tinha prometido que não escreveria nunca mais. Mas isso, é claro, não queria dizer nada. Poucos meses, depois comecei a escrever outra história, simplesmente porque a inspiração parecia ser boa demais para ser jogada fora. Me diverti bem mais escrevendo essa trama, sem o peso de ser a última, sem a necessidade de provar nada. Meu compromisso era apenas escrever a história de amor mais farofa que poderia imaginar. E tenho muito orgulho do resultado. “Beijando Horrores” foi publicado em setembro.

Ambos os livros, assim como meus outros cinco romances, estão disponíveis na Amazon. Você pode saber mais sobre todos os meus livros aqui.

💞🤙 E para 2020? 💞🤙

Pois é, não sei. Ainda não saiu a meta literária para o próximo ano no GoodReads, o que ainda me dá um tempo para pensar. Eu imagino que para 2020 eu precise reduzir o ritmo de leitura, por conta de outros projetos pessoais, então no fim a minha meta para o ano deve ser algo entre 12 e 25 livros, mas ainda vou decidir antes de cravar o número final.

Quanto à escrever livros, esse é um plano ainda mais distante. E dessa vez é sério! Eu realmente acho que já escrevi tudo o que podia, e se for fazer algo em 2020, vai ser alguma fanfic super sem compromisso. E ainda, assim, não garanto nada.

Mas a gente vai se falando… E, ah, me encontre no GoodReads! Eu sempre posto por lá resenhas rápidas de todos os livros que leio.

Brain Dump*

Adam Driver: o enigma de John Hamm e seus desdobramentos na sociedade

Marriage Story (2019)

A questão agora era se Adam Driver é bonito ou não. Um debate que já existe desde a participação dele na franquia Star Wars (não me pergunte qual filme), uma questão capciosa e, mais do que tudo, um assunto que não importa.

Tenho a minha teoria. Conheci o ator assistindo a Girls (eu assistia a série, ele atuava nela, não confunda). Não lembro ter considerado ele exatamente bonito, mas ele tinha um impacto, pois era o cara que fazia a protagonista de gato e sapato e – posteriormente – se envolveu em outro arco amoroso que dava engulhos em qualquer telespectadora de bem.

Agora com Marriage Story, o ator voltava ao centro da polêmica. Afinal, ele é bonito ou não?

Acabei não dizendo a minha teoria. É que não formulei ela direito, mas o meu ponto é que quando você diz que é impossível um homem feio como Adam Driver ser par romântico de uma mulher linda como Scarlet Johansson, você despreza o fato de que deram uma enfeiada nela para esse filme, até onde é possível deixar uma mulher como Scarlet Johansson feia: lhe dando um corte de cabelo horrível que a desfavorece.

Você quer ser hipócrita, seja aí na sua casa. Não conte comigo para isso.

Por isso, não acho que o Adam ser bonito ou não seja uma questão nesse ponto, porque acho que os dois estão feios e bonitos na mesma medida no filme. Estão igualmente indefiníveis. São bonitos, mas meio feios. Como a gente, em um dia normal. Essa é a magia da arte que, quando se esforça, imita a vida.

Isso resolve, em partes, o enigma do filme, mas não responde a questão central do debate: Adam Driver é intrinsecamente bonito? Ele é bonito no geral?

Resolvi rever Girls para buscar essa resposta, como um arqueólogo que precisa olhar o primeiro vaso de porcelana da história para entender como foi que fizeram esse vaso de porcelana aqui.

Você está feliz, Noah Baumbach?

Girls – season 1 (2012)

Três episódios de Girls e 90 minutos de sono atrasado depois, essa arqueóloga está exausta. Estudo inconclusivo, o enigma prevalece. Tal qual o cachorrinho daquele meme, não dá para saber ainda. Minha conclusão é de que Adam Driver é um homem grande, certamente digno de atenção, mas cravar que ele é bonito é algo que requer uma certeza que não tenho. Ele é alto, isso é certo.

O que nos direciona a outra questão, como se a gente tivesse poucas. A beleza indefinida de Adam Driver se relaciona diretamente ao Enigma de John Hamm: é bom ator ou apenas alto?

Não tem como eu saber, porque não tenho conhecimento para isso e porque a ciência está preocupada com outras coisas (a cura do câncer, mais remédios para alergias) e não se dedica a esse tema em específico, que é o que nos importa agora. Tal desamparo científico torna a nossa luta empírica e mambembe, fazendo com que ela resulte em pouco menos do que frustração e brigas na rede social. Ou seja, não leva a nada.

Assumo minha limitação e digo que não sei se Adam Driver é bonito. Ninguém sabe – e se disser que sabe é por clubismo, por ser fã de Star Wars ou de BlacKkKlansman. Vamos assumir a nossa ignorância e deixar isso pra lá, gente.

BlacKkKlansman (2018)

Quem sabe quando ele fizer um filme do Batman a gente tenha uma resposta? A gente vai se falando…

Mas foi bom ter revisto Girls. Devo continuar, inclusive, porque é uma série confortável de se ver, quando você já viu inteira. Existe algo na futilidade de cada uma das personagens que aquece o coração, porque você precisa ser muito segura de si para se permitir ser fútil assim. E isso é incrível.

Decidi que vou continuar revendo Girls porque estou nessa fase de tomar decisões. Mudar o padrão estabelecido. Tal qual em 2013, quando decidi que ia parar de usar roupas jeans (peças inferiores, como calça, shorts, saia) e sustento isso até hoje. Sou assim, decido coisas importantes em um segundo. É o meu jeito.

Faz um tempo, decidi também que não uso mais nada estampado com imagens ou dizeres. Tipo camiseta de seriado ou filme, sabe? Ou então com frases aleatórias em inglês. Ai, não gosto mais. Sinto as pessoas me olhando e tentando entender a referência. Não gosto mais disso, me incomoda. Agora só uso roupas de uma cor só e sem estampa. Acho chic. Passa uma mensagem. A mensagem é: você só vai saber a minha mensagem quando eu abrir a minha boca. E é muito provável que eu não abra.

Isso vai em sintonia com a minha decisão de fazer cada vez menos. Meu projeto pessoal é me tornar uma incógnita. E é uma escalada. Primeiro as atitudes na vida prática, depois a minha postura nas redes sociais, e por fim mudanças no meu vestuário. Tudo culminando comigo sendo a pessoa mais introspectiva (e plena por dentro) possível. Por fora, quem sabe o que se passa? Ninguém. A ciência me ajudou com a cura do câncer, mas não vai te ajudar com isso.

Em breve, você vai olhar para mim e não vai saber se eu tenho algo a dizer ou não. Só vai saber se eu disser, mas eu não vou dizer.

Eu vou ser o Adam Driver da mensagem.

Fique de olho.

Resenhas

Nossa, Grace Kelly, com você é tudo na base da aclamação, do talento e da beleza

Ladrão de Casaca (To Catch a Thief) – 1955 – Dir. Alfred Hitchcock

Ontem eu cometi um erro – aqui eu peço a sua bondade em acreditar que ontem eu cometi apenas um erro – e coloquei a roupa para lavar às 22h30. Normalmente às 23h eu já estou no berço, porém o dia foi atribulado e eu me perdi nos horários. Desse modo, ontem era 22h30 e eu não podia ir dormir ainda, então precisei inventar algo e enrolar até a roupa terminar de bater e eu poder estender nos varais.

Não, eu não vou simplesmente deixar a máquina batendo e vou dormir com ela ligada. Vocês nunca leem nada sobre acidentes domésticos?

Não, eu não vou deixar a roupa lá batida e estender só amanhã cedo. Vocês são o quê, psicopatas?

Não, eu não aceitei a gentileza do meu marido se oferecendo para cuidar disso. Eu pareço alguém que aceita ajuda?

Enfim! Estando o erro cometido, não me restou outra alternativa senão tirar o melhor proveito dele aproveitando esse tempinho acordada para me entupir de cultura pop e eliminar o equivalente a 0,0001% da ansiedade causada por sentir que não assistimos ainda a todos os filmes e séries do mundo.

Fui ver um filme na Amazon Prime.

Ás vezes eu gosto de ver um filme muito velho que eu nunca tenha visto, pois acho que o cinema antigo traz um tipo de comicidade cafona que cativa e conforta como poucas peças da sétima arte são capazes. As roupas, os diálogos, as interpretações exageradas, o descaso na trama… É tudo muito bom em filme velho, aprendi isso com a minha amiga Carol.

Então ontem o meu escolhido foi Ladrão de Casaca (To Catch a Thief ) de 1955. A direção é do Alfred Hitchcock, o que garante um filme bom e horrível sempre na mesma medida. Ou seja, perfeito.

Atenção: 
este texto não contém spoilers do filme, pode ler tranquilo.

Bom, o filme conta a história de um ex-ladrão (kk) de jóias, que fugiu da cadeia e está na maciota. Aí, surgem novos roubos de jóias e passam a desconfiar que é esse rapaz que está roubando de novo. O rapaz, por sua vez, diz que não é ele, mas sim alguém copiando seu estilo. Em busca de se inocentar no caso e elucidar a situ, ele parte em busca de ocasiões onde o ladrão atacaria para ver se consegue pegar ele no pulo.

Isso foi o que eu entendi depois de ver 15 minutos de filme e me dar conta de que estava dublado em espanhol sem legendas. Aí mexi nas configurações e descobri que o filme não tinha legendas em português, de modo que optei por assistir ao filme todo em inglês, idioma original, e com legendas em inglês também, gastando em aproximadamente duas horas absolutamente todo o conhecimento de idiomas obtido via Duolingo que estava armazenado no meu cérebro.

Como a maioria das obras de Hitchcock, Ladrão de Casaca traz uma enternecedora comicidade involuntária que é potencializada pelo tempo. Não é que os filmes dele envelheceram mal, é que eles envelheceram muito. É muito engraçado ver mulheres falando todas lânguidas, sendo ousadas de maneira polida. É impagável ver o Cary Grant, um senhor de 51 anos, fazendo mais uma vez o papel do galã irresistível de apenas 30 aninhos. Nadando e saindo do mar encolhendo a barriga, sabe?

Eu quero dizer, que tipo de pessoa sai do mar e deita na areia pura? E só por dois segundos, sabendo que um informante estava ali e iria chamá-lo para em um canto escondido da praia(!) lhe entregar uma lista contendo o nome de todas as pessoas da cidade que têm jóias caras e podem ser roubadas pelo ladrão falsário(!)?

Sabe?

E o nome do personagem dele, o ladrão que não rouba mais, é The Cat.

Sabe?!

Para além disso, é adorável imaginar essa década de 50 estilizada de Hitchcock, onde todas as mulheres são vingativas e todos os homens são difíceis de se conquistar o coração.

A própria tradução do título do filme é boa demais. Ladrão de Casaca? Tá, mas qual casaca? Ele rouba jóias! Ele nem usa casaca, sabe? É bobo, mas eu gosto dessas coisas.

No entanto, nem todo o meu cinismo de assistir a um filme feito 64 anos atrás e achar defeitos nele como se fosse um produto feito em 2019 pela Marvel me protegeu do impacto que foi ver pela primeira vez um filme da Grace Kelly.

Meninas, a Grace Kelly…

Vocês conhecem a Grace Kelly? Pergunto isso porque muita gente é nova e não tem tempo de se educar, priorizando zerar as notificação dos apps no celular a conhecer o que quer que seja que amplie sua visão de mundo.

Resumindo bem para te ajudar, a Grace Kelly foi uma aclamada atriz americana, que posteriormente se casou com um príncipe(!) e virou a Princesa de Mônaco.

Antes de casar, ela fez 11 filmes, sendo que 3 são do Hitchcock. Ladrão de Casaca foi o primeiro filme dela que vi e o impacto foi real.

Tudo na Grace Kelly é perfeito. Tudo. O porte, a elegância, o corpo, o sorriso, o cabelo. Neste filme em especial, os vestidos, as jóias(!), as falas afiadas e a linguagem corporal que fazem de Cary Grant uma lamentável marionete peluda de dois metros de altura nas mãos dela. Tudo em Grace Kelly é leveza esperta, delicadeza malandrinha. Tudo é sutil, mas firme.

Em Ladrão de Casaca, Grace Kelly surge como Frances Stevens, uma mocinha absurdamente rica com jóias que The Cat, o personagem de Cary Grant, poderia roubar. Mas ele diz que não rouba mais, algo no que a Grace Kelly não acredita – e essa provocação dela cria a tensão sexual entre eles, que se envolvem nesse jogo de gato e rato (a semiótica, meu pai) que move o filme do seu segundo terço em diante.

Quando o Cary Grant diz “You’re here in Europe to buy a husband” e a Grace Kelly responde “The man I want doesn’t have a price” e o Cary Grant responde “Well, that eliminates me”, rapaz… Que grande momento para todos nós.

No fim das contas, como na maioria das obras dessa época, a trama começa bem, mas vai se perdendo pelo final e o filme termina de um jeito abrupto e beirando o insatisfatório. O que acaba nem sendo um problema, porque pouco antes disso Ladrão de Casaca nos entrega uma cena maravilhosa de um baile extremamente chique, onde tudo é perdoado porque todos os vestidos são tão lindos.

Uma curiosidade mórbida de Ladrão de Casaca é que o filme tem uma cena de perseguição em uma estrada de Mônaco, onde a personagem de Grace Kelly dirige em alta velocidade, em fuga com Cary Grant ao seu lado. Em dado momento, eles também param o carro e fazem um piquenique no veículo mesmo, parados no acostamento.

Quase 30 anos após o lançamento do filme, em 1982, Grace Kelly viria a morrer, aos 52 anos de idade, em um acidente de carro. Segundo foi noticiado à época, Grace sofreu um infarto enquanto dirigia e perdeu a direção, se acidentando e vindo à falecer. Posteriormente, foi revelado que a filha dela era quem estava ao volante e a menina, então com 17 anos, dirigia de maneira temerária, o que causou a tragédia.

De todo modo, o que se conta é que o acidente aconteceu nessa mesma estrada de Mônaco por onde Grace Kelly dirige em fuga em Ladrão de Casaca. O lugar da cena do piquenique, dizem também, foi onde seu carro finalmente parou, após a colisão.

Verdade ou lenda, o fato é que histórias como essas só contribuem para essa aura que vemos em Grace Kelly, como se tudo o que ela fizesse ou tocasse não pudesse ser nada menos do que hipnotizante e digno de consternação.

Os olhares, os sorrisos, os vestidos perfeitos em um corpo mais do que perfeito, a voz e o jeito de andar.

O tipo de encantamento que faz você ficar acordada feliz até as duas da manhã em um dia de semana, depois estender roupa de madrugada e finalmente ir dormir, sonhando com belezas irreais e carismas inalcançáveis.

E sentindo que tudo valeu a pena, como sempre valerá enquanto houverem filmes como esses, sejam eles de ontem ou de meio século atrás.

Resenhas

Episódio a episódio: The Crown, a 3ª temporada

Chega a ser patético o quanto The Crown me impacta, seja pela narrativa elegante, os figurinos maravilhosos ou mesmo por essa curiosidade de ver a vida alheia como uma novela. Sem falar na coisa de ser rei, de ser rainha, algo que como boa plebeia eu considero extremamente chique.

É triste ser colonizada como sou, eu fico simplesmente em surto e até choro em alguns episódios, como se esses velhacos milionários beirando a fossilização eminente fossem realmente relevantes para a minha vida prática. Não são. O que não me impede, é claro, de gastar horas vendo a série deles, chorando por eles, escrevendo posts sobre eles.

Essa temporada nova de The Crown foi muito aguardada, por trazer atrizes do calibre de Olivia Colman (até ontem ninguém, hoje em dia tudo) e Helena Bonham Carter (do nada, livre de Tim Burton). Interpretando a Rainha Elizabeth e sua irmã Margaret, respectivamente, as duas tinham a desafiadora missão de superar as atrizes que davam vida à essas personagens da vida real até a temporada passada. Deu certo?

Isso é o que você vai saber (ou não) a seguir, no meu “episódio a episódio” da temporada três de The Crown, que trago logo a seguir, como se não tivesse mais nada para fazer na vida.

⚠ Atenção! Antes que você prossiga a leitura, vale dizer que o conteúdo a seguir contém spoilers. Spoilers de coisas que aconteceram literalmente 60 anos atrás, mas ainda assim, para o leitor sensível e que não pode ser contrariado nem por um segundo: spoilers.

A terceira temporada de The Crown:

01 – Olding: A temporada nova já chega com os dois pés nos peitos com a morte do querido(!) e contraditório(?) Churchill. A Rainha tem um momento fofo com ele, dizendo que, na verdade, é lógico, o estimou muito e ele foi muito importante para ela. Temos aquele momento de adaptação de entender e nos chocar com os novos atores interpretando os personagens que já conhecemos, Olivia Colman não para de fazer beicinho e a Margaret de Helena Bonham Carter parece apenas uma Marla Singer com dinheiro, mas vamos dar um voto de confiança.

02 – Margaretology: Ah bom, agora sim. HBC tem seu momento de brilhar, em um episódio inteirinho para ela mostrar o quanto Margaret continua sendo maluquinha & deprimida, indo em uma missão de tentar agradar o então presidente dos EUA e garantir uma graninha para a Coroa. Também descobrimos que o casamento da Margaret com o arromb*do do fotógrafo continua sendo aquela coisa louca de ciúmes e descaso, o que magoa e coloca tudo em perspectiva.

03 – Aberfan: Onde somos informados que a Rainha não chora (também, pudera, não tinha animação da Disney na época). Uma puta tragédia mata mais de 100 crianças em um desabamento de uma mineiradora – e a Rainha demora meses para ir lá visitar a população em luto, sendo que nem derrama uma lágrima sequer. Puxado.

04 – Bubbikins: Chegando nesse ponto da temporada, você percebe que a narrativa está meio travada. Não existe uma ligação forte entre um episódio e outro, não está fluído. É como se fosse o Modern Love da aristocracia: cada episódio é uma história isolada. Neste em especial, temos um vislumbre ótimo da mãe do Philip, a sogra da Rainha, a Princesa Alice da Grécia. A idosa parece ser apenas maluca, no entanto ao ser forçada (por falta de dinheiro) a ir morar com a monarquia, você entende que vida sofrida ela teve. E aí, nisso, o próprio Philip, ou Bubbikins como a mamãe o chama, tem a chance de perdoar sua genitora. E se perdoar também.

05 – Coup: Aqui você larga a mão mesmo e pensa: bom, vamos reparar nos looks, porque essa coisa de política já deu. Pelo o que eu entendi, alguém foi deposto e aí estava armando um golpe para cima do primeiro-ministro – nessa temporada interpretada pelo mesmo homem que faz Austin Powers. Nisso, o pau torando nos partidos políticos e a Rainha faz o quê? Ela vai para a França ver coisa de cavalo, meu bem. Por que ela notou que os cavalos dela estavam indo mal nas competições, então ela pegou e foi pra uns países aí ver como cuidam dos cavalos, pois o método real estava defasado. Isso nos rendeu lindas cenas da Rainha comendo ao ar livre, cavalos legais de se ver correndo e… Ficou por isso? Não entendi muito bem. Ela precisou voltar às pressas para resolver a coisa do golpe (o que ela resolveu simplesmente falando duro com as pessoas) e os cavalos mesmo a gente não teve como saber se foram fazer cursinho para correr melhor ou se a ideia simplesmente ficou esquecida no churrasco.

06 – Tywysog Cymru: Depois dessa primeira metade de temporada absolutamente irregular e fraca em carisma, o episódio 6 chega nos fazendo gritar porque logo na primeira cena temos ele, o Príncipe Charles!!! Já crescido, simplesmente um homem, somos (re)apresentados ao cidadão que um dia partiria o coração da Lady Di e o nosso! E sabe o pior de tudo? Ele é um rapaz bonito, bom e totalmente adorável! É horrível isso! É isso que The Crown faz com a gente, faz a gente sentir empatia pelo Príncipe Charles! Nesse episódio, ele está lá tranquilo na facul quando a Rainha chama ele e o obriga a passar 3 meses no Paìs de Gales para aprender galês – e em galês e no País de Gales fazer sua investidura como Príncipe do País de Gales. Ou seja, manda ele nesse cursinho intensivo para ele poder ser apresentado à sociedade como príncipe e futuro rei (kk, a Rainha hoje já tem 93 anos e passa longe de cemitério). Nisso, tem todo o conflito que o Charles não queria nada daquilo, mas ele é tão cordato e extremamente educado que vai e aprende muito sobre o Pais de Gales e si mesmo, etc. Inferno. Inferno de episódio perfeito.

07 – Moondust : Dando prosseguimento à sua missão de dar enfoque às narrativas masculinas em uma série sobre uma Rainha, The Crown traz nesse episódio o impacto brutal que a primeira viagem do homem à Lua teve nos sentimentos do Príncipe Philip, aqui em crise de meia-idade e todo cheio de não-me-toques. A cena em que o marido da Rainha tenta entrevistar os astronautas, fazendo umas perguntas tão tontas de criança de 13 anos, foi uma das mais constrangedoras da temporada. Ao mesmo tempo, chega um padre novo na paróquia que abre um AAA espiritual para homens de meia-idade que estão perdidos na vida em relação a projetos & sonhos. Relutante a princípio, o Príncipe Philip acaba entrando no clube, finalmente entendendo que ir pra Lua é fácil, difícil é viver aqui na Terra. Força, homens.

08 – Dangling Man: Mais um episódio para fechar ciclos, aqui reencontramos o Duque de Windsor, lembra dele? O tio da Rainha, que abdicou da Coroa pelo amor de uma mulher e foi exilado em Paris. Pois, interpretado por Cid Moreira, o homem está nas últimas, então a Rainha vai até a França visitá-lo e se despedir. Um episódio muito bonito e emocional (depois de Aberfan, a Rainha já consegue chorar), onde também sabemos mais de Charles: o Duque revela à mãe do rapaz que eles se comunicavam por cartas e que Charles vê muito do Duque em si mesmo. Ou seja, um homem deslocado da família, incompreendido e que ainda vai acabar sendo escorraçado dali por querer ser quem é. Premonitório? Não, porque os roteiristas já escreveram sabendo o que aconteceu na história. Ainda assim, causa arrepios.

09 – Imbroglio: Tudo, absolutamente tudo o que eu sempre quis. Aqui a gente conhece sabe quem? Camilla Parker!!! Que na época era só uma jovem cabeluda e se chamava Camilla Shand, seu nome de solteira. Gente, eu nem sabia que o Charles era apaixonado por ela desde jovem! Pois bem, aqui mostra como eles gostavam um do outro e chegaram a se relacionar. Mas como a Camilla era meio da pá virada e tava saindo com o outro cara também, o Parker, a família real interviu e achou um jeito de separar o Príncipe desse que foi seu verdadeiro amor! Aí apressou o casamento da Camilla com o Parker e mandou o Charles em uma missão de 8 meses no Caribe! E o Charles ficou triste para um caralho porque ele amava a Camilla, mas ela não era “wife material”, sabe? Saco! Nossa, eu chorei demais nesse episódio. Um episódio bom, inclusive, para notar como a Rainha vai ficando cada vez mais dura e implacável com o passar dos anos. Nossa! A cena em que o Charles fala que está sendo silenciado, que ninguém deixa ele ser ele mesmo e ela responde na cara dele que ninguém quer ouvir a voz dele, puts! Imagina ouvir isso da sua mãe? Força, Charles. Kkkk, só eu mesmo, preocupada com o Príncipe Charles.

10 – Cri de Coeur: Já estava ficando um pouco angustiante ver Helena Bonham Carter como figurante de luxo, eu acho que os roteiristas pensaram isso também, então deram um episódio todinho para ela, mais um, e que episódio! Aqui Margaret finalmente entende que seu casamento é um fracasso, o safado do fotógrafo com uma amante que ele nem procura esconder. Ela surta em seu jantar de aniversário – que ele nem foi! – e a família real defende o cara, ainda por cima. Aí a Margaret despiroca mesmo, pega uma amiga e vai viajar para as praias, onde arranja um boy toy e se permite curtir a vida um pouquinho – vamos colocar dessa maneira. No entanto, nada é fácil, a imprensa descobre, vira tudo um grande escândalo e ela decide se divorciar do fotógrafo – apenas o segundo divórcio em toda a história da família real. Comoção! Cenas lindas, lindas, da HBC ao piano, linda demais de chapéu e cantando. No fim, o boy toy mete o pé também e ela acaba sozinha e tenta se matar, o que é triste demais. A cena da Margaret e a Rainha conversando sobre a relação delas é Emmy tape, você pode ter certeza. E o Emmy vem! Outra coisa, é a comemoração do jubileu da Rainha, o que quer dizer que já são 25 anos no poder. Puxa, como o tempo passa rápido quando a gente está se divertindo! A série termina nesse tom meio melancólico de retrospectiva e o peso amargo das nossas decisões, dando um ar de que o couro vai moer mesmo é na próxima season, onde o Charles vai conhecer a Diana e vai ser TUDO.

Ainda que de começo meio irregular, eu gostei bastante dessa nova temporada. Olivia Colman fez bonito assumindo o posto que antes era da perfeita Claire Foy – como sabíamos que ela faria. Interpretar a Rainha Elizabeth não é fácil, por todos os motivos, mas também porque ela fala menos a cada temporada e sobrou para Olivia, nessa, se fazer impactante tendo como recurso principal apenas olhares profundos e torcidas de boca.

Helena Bonham Carter também foi bem, apesar de ser estranho vê-la em roupas formais. Ela realmente brilhou no episódio final, espero que seja reconhecida por isso em premiações futuras.

Para mim, no entanto, e isso já deve ter sido notado, a grande surpresa (boa!) dessa season foi mesmo o Príncipe Charles. Interpretado absolutamente sem erros pelo orelhudo Josh O’Connor (quem é este homem? onde ele esteve?), ele dá um nó na gente, nos fazendo sentir empatia por um personagem que nos acostumamos a ver como vilão.

Para a próxima temporada, espero muito mais dele (provavelmente interpretado por outro ator mais velho, ô sorte) e muito mais de todas essas jóias, caras e bocas, dramas e dores de pessoas brancas, velhas e pornograficamente ricas.

Ansiosa desde já!

Brain Dump*

Ano que vem eu quero fazer menos

The Crown ( 2016 – )

Eu estava para dizer um milhão de coisas, e no fim pareceu que nada tinha importância, ainda mais quando colocado em perspectiva. A vida de quem busca validação em tudo é excruciante e tem dias longos. Às vezes, eu gostaria de garantir apenas um grande “ok” geral que me permitisse seguir no automático, sem ficar a cada 30 segundos checando mentalmente se está tudo bem.

De uma maneira magnética e inesperada, esse CD novo do Cigarettes After Sex, de cômico título “Cry”, me cativou como nada nunca antes.

São músicas extremamente melancólicas, o que em geral detesto, mas deve ter ali algum ASMR que me prende sem que eu precise me preocupar com a coerência do meu gosto musical.

Digo “inesperada” porque eu nunca tinha ouvido essa banda. E, no entanto, hoje, esse CD é só o que consigo ouvir quando quero focar ou me desconectar da vida para poder focar.

E enquanto me preparo para aceitar o peso enorme de ter meus desejos realizados, assisto a filmes e séries, me alimentando dessas narrativas paralelas. Existem momentos que são especiais para degustar a indústria da cultura, onde inesperadamente algum tipo de vibração boa emana da vida e faz com que esses produtos pop pareçam ser mais do que realmente são.

O que chamo de “momento de rara beleza”.

Tive um momento de rara beleza em alguma madrugada desse feriadão, quando decidi que não era muito tarde da noite para ver “O Operário”, aquele do Christian Bale em que ele está magro horrores.

“The Machinist”, Diretor: Brad Anderson (2004)

Tem dias que você fica horas rodando pelos catálogos de streaming e não escolhe nada. Tem dias que você bate o olho em um título e pensa “é esse”. Honestamente, eu nem sabia do que se tratava o filme – o que hoje é meu método padrão para consumir algo cultural: nem saber do que se trata.

Me vi hipnotizada pela magreza doentia do Bale e mais a trama tão paranoica e absolutamente triste. Depois fui ler sobre o filme e fiquei magoada em níveis brutais com o fato de não ter rendido sequer uma indicação ao Oscar para o ator.

Coisas que só comprovam que emagrecer para caralho, muitas vezes, não leva nada e está longe de ser a solução para tudo.

De qualquer modo, foi alguma coisa ficar vendo esse filme de madrugada e no escuro, tendo que aceitar o fato de que ele me estava me causando medo. E aí, me questionar “medo de quê, minha filha?”.

Sem dúvida, medo do que a nossa cabeça pode fazer a gente se tornar. E aí, sei lá como, o que vivenciei assistindo aquele filme, somado à atmosfera perfeita que me rodeava enquanto eu o assistia, fez com que ele se tornasse melhor do que provavelmente é, sendo alçado à categoria de filme inesquecível para mim. Assim, do nada.

Também tive o mesmo medo – e momentos felizes – em curtir (uso “curtir” de maneira totalmente livre, como se tivesse idade para isso) a nova temporada de The End of the F***ing World. Aliás, me espanta o quanto essa série é subestimada.

The End of the F***ing World (2017 – )

Nessa nova jornada, o que mais me emocionou foi como a série manteve o padrão e, ao mesmo tempo, mudou tudo ao fazer os personagens romperem com o que conhecíamos deles. Mais maduros, saindo da adolescência, Alissa e James são menos o esteriótipo do adolescente problemático “sociopata” e mais jovens adultos lidando com todas as merdas que tornaram eles as pessoas que são hoje.

Em uma palavra? Tudo.

Nesses momentos de rara beleza, seja assistindo a um filme ou série, caminhando sem rumo em um parque no sábado de manhã, deixando que a vida me convença que eu posso ser feliz na maneira com que quem eu amo me sorri, eu digo isso sem medo de ser piegas, eu decidi que quero fazer cada vez menos.

Estou exausta de correr na vida como um hamster dentro de uma roda, sempre vivendo tudo à milhão e sem viver de fato. Me espalhando em opiniões, posts e fotos que não me trazem retorno algum além da ansiedade de receber esse retorno. Por isso, decidi que quero menos, para poder aproveitar de fato o que tenho, e assim ter mais. Quero ler menos, consumir menos, ser mais sobre mim do que sobre a narrativa fictícia do outro. Quero estar em menos lugares ao mesmo tempo e estar por completo onde estiver.

Não quer dizer que eu vou virar uma ermitã. Não com esse celular que eu tenho, com tantos apps legais. E não se engane, eu ainda amo o escapismo que o entretenimento me traz, não vou abandoná-lo. De fato, é por amar tanto que eu quero menos, para poder sentir de verdade.

Se ainda é cedo para fazer planos de ano novo, eu não sei. De todo modo, me sinto feliz em fazê-los, em ver a minha vida como algo ordenado e claro, para o qual eu posso tecer planos. Algo que só foi possível após muita tempestade. Logo, nada mais justo do que aproveitar da melhor maneira possível.

Ou seja, assistindo a nova temporada de “The Crown”, que inclusive está incrível.

Brincadeira. 😉

Ano que vem eu quero fazer menos, e viver momentos de rara beleza cada vez mais.

Resenhas

KLEXOS, Corleone: faixa a faixa, finalmente chegamos

Qualquer um que tenha cruzado a Ponte da Fraternidade, fronteira entre o Brasil e Argentina, em uma noite de sábado com a simples intenção de comprar apenas alguns potes de doce de leite, mas chegando lá tenha encontrado todo tipo de iguaria alimentícia diferenciada e rica em sabores pode entender bem o conceito de ser surpreendido em sua euforia e expectativa.

Trazendo essa metáfora para uma vivência que contemple mais pessoas do que as que já tiveram a chance de estar ao Sul do nosso país, imagine uma viagem de carro onde você vai curtindo o caminho, o que já está ótimo, mas chegado ao seu destino, aí é que a diversão começa.

Foi assim que me senti ouvindo pela primeira vez KLEXOS, novo EP da iguaçuense Corleone.

Mas para falar sobre KLEXOS, preciso voltar um pouco antes na nossa viagem para dar à você o total conceito complexo do que é ter uma banda de rock na qual confiar e amar em pleno 2019.

A Corleone surgiu em 2006, você imagina, o mundo era outro. Em uma cena rock tão simples de coração quanto inventiva, em Foz do Iguaçu, no Paraná, a gente tinha todo tipo de banda e cada uma trazia algo de novo e interessante para as nossas noites do interior: Visão Alternativa, Poronga Joke, Receita Federaus, Pantufas Vermelhas, entre outras. E tinha a Corleone. Com um repertório básico de covers e algumas canções próprias, a banda foi trilhando seu caminho, com muita teimosia e sinceridade em um cenário que ia morrendo com o passar dos anos. E enquanto o mundo ia mudando e as bandas iam acabando, a Corle continuava.

Em 2017 chegou o primeiro EP real oficial, o It Must Be The Wave. Com uma pegada meio Arctic Monkeys da fronteira em suas seis faixas autorais, esse lançamento trazia um tom mais melancólico, mesmo nas canções mais pesadas.

Era como uma viagem de carro, você olhando pela janela, sentindo o vento no rosto e pensando na sua vida. Não com tristeza, mas com algum tipo de sentimentos mais contemplativo.

São seis músicas para mostrar para você a beleza de todos esses tons azuis. Deve ser a onda.

Já em 2018, chega o single Rinding the Storm. Aqui a banda acelera um pouco, mostrando que está a caminho de algo – e no caminho certo.

Mais uma vez, as letras vão além do simples exercício de alguma mensagem de amor, trazendo a densidade de um hino motivacional sem clichê nenhum. Je suis your brand new colors / Je suis your golden god tonight .

Momentos importantes e belos que nos trouxeram até aqui, essa linda segunda-feira de outubro de 2019, quando a Corleone lança seu segundo EP e a sensação é de que finalmente chegamos.

Em KLEXOS, a banda finalmente desce do carro e coloca os pés em seu destino final. São 5 faixas, todas enérgicas e cheias de vontade, mostrando que vale a pena estar vivo e que valeu passar todos esses anos batendo cabeça pela estrada.

Faixa a faixa, o que temos em KLEXOS é:

  1. Bixby: a música que abre o EP ainda traz um pouco da sonoridade dos trabalhos anteriores, mas já mostra a que veio quando acelera o que estamos acostumados a ouvir com a Corleone. O rifzinho no terço final da música é tudo para mim, e meu alimento dia e noite. Tá chorando por quê, Arctic Monkeys? Os meninos já foram embora.
  2. Bitter Water: Ao que tudo indica, essa é aquela música em que você volta do bar com duas Heineken, entrega uma para a sua garota e vocês dançam um pouco, rindo. Tão sexy quanto uma noite de sábado que já está garantida do que pode ser, porque você tem alguém a quem amar e ela é linda, eu gosto do ar correto de amor tranquilo e sexo garantido que essa música traz.
  3. Unicorn: Tentei confirmar com o pessoal, mas não há nada factual que comprove minha teoria de que são anjos no backing vocal dessa música. Eu acho que são – e dentro desse reduto cultural chamado “meu blog”, só a minha opinião importa. De todo modo, vale dizer, essa é a mais divertida do EP, e perfeita pela força com que mostra sua intenção.
  4. Tiger Her: Essa música fala sobre Roller Derby, superação dando no couro das adversidades, se vestir feito uma rockstar e ser o orgulho de um grunge dos anos 90. Eu amo o crescendo da melodia e como ela é motivacional sem ser piegas. Eu adoro o fato de ela ser uma homenagem para alguém especial – e se você descobrir sozinho quem é essa pessoa sem eu precisar dizer que sou eu, é um favor que você me faz.
  5. Dirty Glass: Encerrando o EP, temos essa canção cheia de raiva e peso, lembrando um pouco do motivo de ainda estarmos tentando. O desfecho perfeito, a canção tem tudo o que estamos acostumados a ouvir na Corle, mas com uma roupagem sutilmente diferente, mostrando que a evolução tem a ver, em primeiro lugar, com continuar sendo quem você é.

Produzido e gravado em São Paulo, no Estúdio Costella, KLEXOS tem o frescor de uma banda cheia de otimismo, entusiasmo e amor por sua caminhada. Depois de tanto andar por aí, finalmente chegamos. Gosto de saber que em pleno 2019, o rock não só não morreu, como ainda surge por aí e nos chacoalha pelos ombros nos tirando para dançar através de bandas como a Corleone.

Para você que tem essa vivência, é como cruzar a Ponte da Fraternidade e descobrir que o Casino ainda está aberto mesmo sendo tão tarde.

É o seu dia de sorte.


Ouça KLEXOS no Spotify. Saiba mais sobre a Corleone e acompanhe seu trabalho pelo Twitter, Instagram e Facebook.

Brain Dump*

#THINKTOBERTHINKTATI: Dia nada – Pra mim já deu

Não sou de encerrar projetos pela metade, mas sinceramente pra mim já deu. Não gostei dos temas e, embora acredite firmemente que é possível sim escrever sobre qualquer coisa, não vou ficar aqui gastando tutano em conteúdo que não acrescenta em nada.

Eu tenho o maior respeito pelo meu tempo e pelo meu esforço. Por extensão, também tenho respeito por vocês, três pessoas que formam minha audiência nesse blog.

Então, encerramos por aqui. E vamos focar no que interessa, escrever sobre o que realmente se tem vontade. E aprender com essa lição.

Grata.