A primeira coisa que eu penso quando penso na palavra strength (força, no original), é na música God Give Me Strength, do Elvis Costello com o Burt Bacharach. Sempre achei essa música muito curiosa e até cômica, pois o que está se dizendo literalmente é “Deus, me dê forças!!”, o que é engraçado pela dramaticidade, se você for pensar.

Elvis Costello sempre foi conhecido por suas parcerias, onde tiver duas pessoas com um atabaque e um violão ele se junta e tira um pagode. Não seria diferente com os medalhões da música chique. Por isso, em 1998 ele lançou Painted From Memory, um álbum em colab com ninguém menos do que o ilustre pianista Burt Bacharach.
Com 12 faixas, o CD versa sobre a dor de ser um homem, trazendo outros título tão interessantes como Toledo, The Sweetest Punch, The House is Empty Now, e a minha favorita, I Still Have That Other Girl (olha que filho da puta?).

Desse álbum é que temos God Give Me Strentgh, uma música escrita e performada pela dupla. De uma poesia quase gospel, a canção tem sua intenção resumida por seu título: é isso mesmo, uma pessoa pedindo pelas forças celestiais, posto que já está no seu limite.
Uma situação com as quais muitos aqui podem se relacionar, sendo que eu mesma a vejo como uma canção para a qual eu posso facilmente erguer os braços e gritar “minha músicaaaa”, etc.
Quando você pensa na letra, aliás, é até de se espantar com a beatice, já que o Elvis Costello não é disso. Conhecido por suas letras raivosas, ciumentas e mundanas, foi com grande espanto que recebemos essa canção ecumênica. É de se apostar na boa influência de Bacharach na índole de Costello para tal milagre, acredita-se. De todo modo, não se pode deixar de considerar que as pessoas podem mudar. Em sua caminhada inevitável para a melhor idade, Costello tem mais e mais apostado em temas amenos e litúrgicos, voltados para a família, mostrando que água mole em pedra dura tanto bate até fura.
O que não é segredo para ninguém.
Now I have nothing, so God give me strength
‘Cos I’m weak in her wake
And if I’m strong I might still break
And I don’t have anything to share
That I won’t throw away into the airThat song is sung out
This bell is rung out
She was the light that I’d bless
She took my last chance of happiness
So God give me strength
God give me strength
E se ainda restassem dúvidas, você vê que a música é do Costello mesmo quando ele diz “Ela tirou minha última chance de felicidade”, pois nada é mais corno amargurado do que isso — e ser corno amargurado constitui 70% da obra do músico inglês.
Agora, a música é boa? Não sei, esse é um conceito relativo. Eu particularmente gosto bastante, mais pelo improvável da coisa do que pela qualidade da obra. A qualidade da obra eu deixo para o julgamento de vocês, que são críticos. Eu sou apenas uma pessoa amargurada cansada, dramática e cômica, erguendo os bracinhos e pedindo “Deus, me dê forças!”.
Uma coisa é certa: baita música chique. Sofrer de smoking é diferente.



