
Toda vez que eu entro em uma livraria eu penso nisso. Se é isso o que eu realmente quero, se isso me traria a felicidade definitiva. Se um dia eu vou conseguir conquistar isso e – mais importante – se conquistando isso um dia, vai ser como eu imagino e vai me dar a satisfação que eu penso que dará.
Os meios estão mudando. Um livro físico, hoje, já é um artigo quase ultrapassado. Cresce a quantidade de pessoas que têm e-book reader, um item muito mais prático e moderno para a leitura. Ainda assim, não se pode desprezar o encanto e o alcance de um livro “de verdade”, de papel, palpável e feito para durar. Ter um livro publicado assim, por uma editora, é um sonho para mim.
Mas sonhos são diferentes de ambições. Ambição, eu penso, fala muito mais sobre desejos que você almeja e pelos quais luta de maneira prática. Nesse ponto, a conversa fica muito mais delicada. Já tentei inúmeras vezes tornar o meu sonho realidade. Conversas e tentativas diversas com as mais diversas editoras. Contratos que ficaram em aberto com pessoas que diziam que podiam me agenciar.
No fim, nunca dá em nada. Já ouvi mais “não” do que você imagina. Vai cansando. Acabo preferindo trilhar sozinha e a meu modo o meu caminho. Não é plenamente satisfatório porque não contempla tudo o que sonho. Ter meus livros publicado online e com algum sucesso não me impede de pensar “e se…?” toda vez que entro em uma livraria. O que pode ser bem frustrante.
Talvez me falte ser mais ambiciosa do que sonhadora. De qualquer modo, a minha energia é valiosa, e eu prefiro gastá-la produzindo. O que virá disso, só o tempo vai dizer.
Enquanto nada acontece, escrevo.


