Resenhas

Meu top 5 livros (de 38 lidos) até o momento em 2020!

Chegamos à metade do ano, o que em qualquer perspectiva que se olhe, já é um feito e tanto. No campo do entretenimento, os livros têm sido um bom alento, ajudando a gente a se distrair da nossa rotina enclausurada e quase sem futuro.

Para 2020, tracei duas metas literárias: não comprar livros físicos, lendo só por e-book, e ler no mínimo 60 livros no ano. Por enquanto, junho terminando, está indo tudo bem. Tenho lido prioritariamente títulos do Kindle Unlimited, serviço do qual voltei a ser assinante, e também tenho uma wishlist literária na Amazon, onde checo diariamente quais dos meus livros desejados está em oferta. Se estiver por menos de 10 reais, eu compro, e assim vou alimentando minha biblioteca virtual e tendo sempre algo diferente para ler.

Nesse ritmo, já li 38 livros esse ano, o que me coloca adiantada em minha meta. Olhando a lista dos livros lidos, percebo que li menos chick lit do que gostaria, apesar de ser meu gênero literário favorito. É que não tenho gostado de nenhuma, aí estou tentando outras paragens.

No mais, vamos de infográfico.

E agora, a parte realmente divertida: escolhi os 5 livros que mais gostei até agora em 2020. É até surreal ver esses títulos, alguns lidos antes da quarentena, e pensar que eu lia no metrô, na rua, etc. Agora todas as minhas leituras são em casa. Outro ponto é que li boas biografias, um gênero que há tempos não lia. Acho que tenho procurado histórias mais sérias, é isso.

Mas isso são questões. Vamos logo ao que interessa, os melhores do ano até agora.

Será que esses cinco se manterão no topo nos próximos meses? Honestamente, espero que não, afinal ainda quero encontrar muitos outros livros incríveis daqui até o final do ano.

De qualquer modo, segue a lista com os links do meu Top 5 na Amazon:

E você, o que tem lido nesses dias?

Resenhas, Séries

Queer Eye: todos os episódios, do pior para o melhor

Sim, esse texto contém spoilers. Também, pudera.

Reboot do reality show Queer Eye For Straight Guy, de 2003, a série americana Queer Eye surgiu em 2008. Repaginada, a nova versão chegou com a missão de ampliar a mensagem da série original. Onde Queer Eye For Straight Guy lutou por tolerância, Queer Eye vinha lutar por aceitação.

Com um lançamento tímido, Queer Eye acabou caindo nas graças do público e se tornando um fenômeno da Netflix. Entram na conta desse sucesso a clareza e leveza com que temas como racismo, homofobia, transfobia e outros são tratados na série, mas também conta muito, é claro, o carisma dos cinco Fabulosos, como são chamados, dessa edição: Antoni Porowski, especialista em comida e vinho; Tan France, especialista em moda; Karamo Brown, especialista em cultura; Bobby Berk, especialista em design; e Jonathan Van Ness, especialista em cuidados pessoais.

Em pouco mais de dois anos, Queer Eye já teve cinco temporadas, além de uma edição especial no Japão, reformando a vida e o guarda-roupa de pessoas pelo mundo afora em exatos 47 episódios. Ainda que a série busque ser um espelho de como as pessoas devem ser tratadas, sejam elas quem forem, nem sempre deu tudo certo. Alguns episódios e falas foram questionáveis, além de toda a temporada do Japão, que segue como um docinho um pouco difícil de engolir e muito criticado até hoje.

No entanto, olhando o quadro geral, Queer Eye já teve muito mais acertos do que erros. São muitas histórias de vida ganhando representação por meio do programa, muitas vivências sendo incensadas, ganhando a atenção que deveriam ter todos os dias. Por isso, por todos esses acertos, é que vale falar de Queer Eye, que vale ser fã de Queer Eye e vale, acima de tudo, torcer pela série e esperar que ela continue ainda por muitos anos trazendo narrativas que todos precisam conhecer.

Como fã da série, listo abaixo todos os episódios, do pior para o melhor, segundo um único critério: meu gosto pessoal. Para ser justa com os acertos da mesma forma que se é justa com os erros, nenhum episódio foi deixado de fora dessa lista, nem mesmo os questionáveis, muito menos os sublimes.

Mas é uma lista pessoal. Por isso, não fique bravo se as minhas escolhas não baterem com as suas. Até porque, Queer Eye é sobre aceitar as diferenças, lembra?

47. Dega Don’t (S1 E3)

Honrando as raízes do programa, esse episódio traz um makeover para alguém muito hétero, como esse ex-fuzileiro fã de automobilismo. Até funciona bem porque o personagem tem bom humor e se mostra aberto às mudanças propostas, mas o clima é estranho. Não ajudou muito, na verdade piorou tudo, a gag infeliz de simular uma batida policial no meio da estrada, fazendo o Karamo ser interrogado por um policial “brincalhão”. Karamo aliás, não tem descanso nesse episódio, tendo que ensinar ao personagem o básico sobre o motivo de, sim, vidas negras importarem. É certo que o consultor de cultura tem essa função quase social no programa, mas colocá-lo para dialogar com um cara que não é racista “por pouco” foi bem intenso e até insensível com o Fab5. Eu quero dizer, rolou até boné MAGA, o que dá um desgosto profundo na gente.

46. Big Little Lies (S2 E6)

Entre quase 50 episódios, alguns se tornam esquecíveis, enquanto outros ficam marcados na memória pelo tanto que você detestou. Big Little Lies atende com gosto a segunda opção. Afinal, como não se arrepiar de ódio ao lembrar de Arian, um cara que recebe a visita dos Fab5 para finalmente criar coragem de contar para a mãe que nunca se formou na faculdade? Seria um lindo caso de superação, se Arian não mentisse na sala para Bobby e logo em seguida mentisse na cozinha para Antoni. No meio do episódio, os Fabulosos já nem sabiam mais qual era a história real do cara, muito menos a gente. Mentiroso e esquivo, Arian não parecia estar pronto para (ou sequer desejar) a ajuda que estava recebendo, o que torna esse episódio um dos mais constrangedores da série toda. Sem contar que ele ficava melhor de barba, viu Jonathan?

45. When Robert Meet Jamie (S3 E4)

Aqui temos um episódio totalmente esquecível e sem carisma, onde um homem precisa retomar sua autoconfiança faltando poucos dias para seu casamento. Felicidades ao casal.

44. Soldier Returns to Home (S4 E7)

Voltando para casa, um soldado americano pede por ajuda para se reconectar com sua família. Um episódio quase esquecível, não fosse pelo crime do Antoni colocando ervilha no macarrão Carbonara, além da pintura antiga da parede da casa, que parecia… bom, parecia um pinto, o que resultou em risadas incontroláveis dos dois lados da tela.

43. Lost Boy (S3 E2)

Conflito de gerações! Vida ao ar livre! Nesse episódio, um quase hippie é repaginado para poder se aproximar de seu filho adolescente. Nada demais, realmente, exceto pela surpreendente e não-solicitada confissão do Bobby de que sua primeira experiência sexual fora em um acampamento como aquele. Risos.

42. Baby on Board (S3 E8)

Uma ajudinha para uma família prestes a receber mais um bebê. Única coisa adorável e digno de nota é a filhinha do casal, que na aula de culinária não tem medo de apontar para o Antoni e dizer “Você é meu namorado!”. A cara do Antoni de espanto, medo e constrangimento é impagável.

41. Ehrod & Sons (S3 E6)

Já deu para perceber que a temporada 3 foi sofrível, né? Bonitinho, mas sem tanto carisma, esse é o episódio em que um viúvo é ajudado a ter um novo ânimo para seguir sua vida cuidando das duas filhas pequenas. Um ponto lindo dessa história foi o Bobby decorando a sala com um baú de madeira para as crianças, com a caligrafia da falecida mãe das meninas esculpida na tampa. Aí eu chorei, na moral.

40. From Hunter to Huntee (S3 E1)

Um episódio maravilhoso onde uma mulher só usa roupa camuflada. Até a lingerie, tudo! É absolutamente perfeito. Esse episódio causou um pouco de revolta na população porque o Antoni levou a personagem para jantar, ao invés de lhe ensinar a cozinhar algo. Mas fazia sentido, um dos principais problemas era que ela não saia de casa nunca. Levá-la ver o mundo lá fora, além da sua rotina como caçadora, foi um presente que a emocionou a olhos vistos. Como estilo, esse episódio consolida a French Tuck como signature transformation do Tan, que apesar de todos os memes olha pra personagem, olha para a câmera e diz: “Cala a boca tudo mundo, eu vou dar a ela uma French Tuck sim“. Quem somos nós para discordar?

39. The Renaissance of Remington (S1 E6)

Como makeover e história de vida, provalvemente um dos menos marcantes. No entanto, é legal ver aqui o começo da construção de Bobby como o Fab5 que carrega o programa nas costas: ao transformar a casa “herança de vó” do personagem em uma residência moderna e cheia de personalidade, nosso amado Bobbers mostra a que veio.

38. Japanese Holiday (Especial Japão – E1)

A temporada especial no Japão é delicada de ser ranqueada, já que o choque de cultura é tão grande que tornou os episódios estranhos, meio enroscados, dificílimos de se apreciar por completo. De todo modo, esse é bonitinho por trazer uma mulher cujo sonho era viver um romance desses de filme. Com o makeover ela se sentiu mais pronta para batalhar por isso, mas o mais legal (e doce!) de ser ver foi mesmo ela flertando e sendo mimada horrores pelos Fab5.

37. Make Ted Great Again (S2 E8)

Uma graça de episódio, onde o prefeito de uma cidadezinha precisa de um boost de confiança para poder conquistar mais por sua população. No entanto, mais uma vez Jonathan comete o erro de tirar a barba do personagem e o resultado é terrível.

36. Fathers Knows Fish (S5 E8)

Um pai que dá duro em sua peixaria e sonha em abrir um restaurante próprio. O episódio é legal, mas parece ser mais um daqueles em que o personagem não está pronto ou quer receber o makeover. Entra em jogo também, claro, a tal masculinidade tóxica que impede os homens de colocarem os sentimentos à mostra. De qualquer forma, foi um pouco decepcionante ver como o pai não conseguiu de coração se reconectar com a filha mais velha, que saiu de casa e por isso o magoou enormemente. Deu para perceber que ele teimava em aceitar suas desculpas, o que deu um ar agridoce ao episódio.

35. How Wanda Got Her Groove Back (S4 E4)

Um episódio muito difícil, mas notável pelo esforço de uma mãe bailarina super rigorosa para conseguir se aproximar das filhas, que sofriam com seu alto nível de cobrança. Porém, o alívio é que episódios envolvendo dança sempre são divertidos e uma chance do Jonathan mostrar mais da sua personalidade carismática e fabulosa.

34. Stoner Skates by (S4 E3)

A filha do cara chama ele de “homem-criança”, então por aí você já vê. Mas é um episódio bonitinho, principalmente pelo surto do Antoni ao conhecer o corgi da casa. O especialista em vinhos e comida simplesmente perde a compostura, em um de seus momentos mais adoráveis na série.

33. Farme to Able (S4 E8)

A absoluta revolução que os Fab5 fizeram na vida desse fazendeiro recém-divorciado é de emocionar. Além de transformar o celeiro em uma marca, com um restaurante onde eram servidos os produtos vindos direto da fazenda, é de tocar o coração ver o quanto aquele homem estava precisando de um carinho como esse. E o impacto enorme que teve para a vida dele ser ajudado por “cinco caras gays”, coisa que ali naquela realidade era algo pouco usual. Esse episódio tem todo um clima gostoso e caseiro de dia de chuva, fazenda e comida feita com amor. E, ah, o pavor hilário do Karamo com animais e do Tan com lama foram tudo para mim.

32. Unleash the Sexy Beast (S2 E3)

Um fofo esse personagem, um pai de família que quer voltar a se sentir sexy depois de muito tempo não vivendo, mas apenas existindo. Muito do sucesso de um makeover vem do carisma do personagem, que aqui funciona muito bem, entregando um episódio daqueles que você assiste inteiro com um sorriso no rosto. “Como eu vou viver sem meus Fab5?”, ele pergunta chororso ao final do episódio. É o que a gente se pergunta ao final toda temporada, Leo…

31. Bellow Average Joe (S1 E7)

Considero esse um dos episódios mais delicados ao tratar de depressão. Joe é um comediante que deveria ter algum sucesso, mas não consegue ir para frente. “Se ele não trabalha e vive em casa, como não tem tempo de cozinhar?”, pergunta Antoni, ao que Karamo responde: “Ele está ocupado tendo depressão”. E é bem isso. Os fabulosos tentam ajudar e até conseguem em algum nível, criado um site para Joe divulgar seu trabalho. Infelizmente, meses depois ele deletou o site, alegando não estar conseguindo lidar com toda a atenção que o programa trouxe – um amargo lembrete de que curar feridas internas é uma caminhada mais longa do que participar de um simples makeover.

30. Camp Rules (S1 E5)

Bobby merecia o Oscar, o Grammy e o passe livre para tomar conta da minha vida após esse episódio onde ele reforma a casa de uma família cristã com seis filhos. O esforço brutal de dar conta dessa missão em apenas uma semana é algo que marcou demais os fãs da série, em um episódio extremamente satisfatório de se ver, principalmente se você tem mania de organização.

29. Father of the Braid (S5 E3)

Um pai que precisa aprender a viver sozinho agora que a filha vai casar. Esse é um dos episódios mais doces da série, além de ter momentos ótimos de redenção, como o personagem finalmente se livrando das roupas que a ex-mulher (folgada!) deixou na sua casa após o divórcio. É tocante também ver a felicidade do personagem com a “reforma” dos seus dentes: esse tipo de problema é um limitador para muitas pessoas, por isso é tão bonito ver as pessoas conseguindo voltar a sorrir confiantes após uma visita milagrosa ao dentista.

28. Hose Before Bros (S1 E8)

Uma das primeiras e mais impactantes atuações de Bobby, que aqui reforma apenas e tão somente uma estação de bombeiros. O clima feliz desse episódio zero drama e zero conflito é a essência do que a gente mais ama em Queer Eye: pessoas boas sendo ajudadas pelos nossos heróis. Obviamente, o inesperado crush do Karamo no bombeiro parecido com o Superman também cativou bastante o nosso coração.

27. Saving Sasquatch (S1 E2)

O cabelo maluco, a casa com potencial, mas uma bagunça. Esse é um daqueles episódios clássicos de homens externando em caos domiciliar o caos interno que querem a todo custo ignorar. A maior reforma nesses casos é sempre ajudar a pessoa a se reconectar consigo mesma, gostar mais de si. Esse episódio brilha por isso, transformando um cara tímido e altamente negativo em alguém capaz de dar uma festa em casa com discurso e tudo para falar sobre a importância do seu trabalho. Inspirador.

26. Sloth to Stay (S3 E7)

Outro episódio onde homens criados para esconder o que sentem têm a oportunidade de florescer. Aqui temos um gamer introvertido ao extremo que com a ajuda dos Fab5, consegue erguer a cabeça e ser mais participativo no seu grupo de amigos. Às vezes, tudo o que a gente precisa é de alguém nos motivando e nos permitindo acreditar que a gente consegue. Os Fab5 fazem isso.

25. Yass, Australia! (Bônus S2)

Como extra da segunda temporada, os Fab5 vão até a Austrália visitar a cidade de Yass, escolhida muito provavelmente por esse nome incrível. São muitas piadinhas enquanto vemos a reforma do bar e da pessoa de George, um fazendeiro local muito simpático. É gostoso de ver o clima de férias dos fabulosos nesse episódio (tão tranquilos que a reforma da casa quase atrasa), além da alegria de George por ter seus dentes reformados e poder sorrir no casamento da filha.

24. On Golden Kenny (S4 E5)

Um solteirão solitário recebe a ajuda dos Fab5 para reformar a casa e começar a socializar mais. Até aí tudo bem, o que quebra a gente é quando inventam de arrumar um cachorro para o cara e é de morrer a fofura com que dog e personagem se conectam. Um dos episódios mais preciosos da série no sentido de conseguir tocar o coração do personagem e da gente.

23. The Ideal Woman (Especial Japão – E3)

Uma desenhista de mangá tem a ajuda dos Fab5 e da comediante e atriz Naomi Watanabe para redescobrir sua feminilidade. Para além do conceito flutuante de “feminilidade”, aqui mais uma vez a história se sobressai por mostrar uma pessoa extremamente frágil e solitária recebendo carinho e atenção como todo mundo deveria ter acesso em dias normais. É bonito por isso.

22. Body Rocky or Bust (S5 E10)

Pesado! Um dono de academia de ginástica que simplesmente parou de se cuidar há pelo menos dez anos. O sentimento de fracasso, a vergonha por não ter “dado certo” e a comparação gigante com a irmã famosa (o plot twist, Deus!) são palpáveis, e por isso o makeover é tão impactante. Daqueles episódios de assistir e ficar de coração quentinho (além de, é claro, Tan France de Adidas, para delírio dessa fãnzoca das três listras).

21. DJ’s Repeat (S5 E6)

O cara mora em uma casa de dois pisos: no térreo mantém tudo arrumado e recebe a família, no segundo andar tem enlatados no armário de roupas. Meu pai amado, a bagunça! Apesar dos conflitos internos, todos abordados por Karamo, é um episódio divertido com o thirsty dos Fab5 com o corpo esculpido do DJ personagem dessa história. Além das vinhetas dolorosamente constrangedoras, e por isso adoráveis, de cada um dos fabulosos dizendo que tipo de DJ’s eles seriam.

20. A Decent Proposal (S2 E2)

Cachoeiras de lágrimas nesse episódio onde um cinéfilo desgrenhado quer se aprumar para fazer um pedido de casamento digno de Oscar para sua amada. E deu tudo certo, é um dos episódios mais lindos por isso. Além do alívio cômico do Antoni achando um pacotinho com dentes(?) na casa, e o Karamo dizendo que o Bobby não tem como ser romântico se ele sequer tem sentimentos. Eu amo um grupo.

19. To Gay or Not To Gay ( S1 E4)

Um gay “discreto e fora do meio” (risos) recebe os fabulosos para uma reforma geral com o intuito de encorajá-lo a sair do armário para sua madrasta e se reconciliar com o passado. Poderoso e emocionante, esse foi o primeiro episódio da série a trazer um gay para o makeover, mostrando a mudança de posicionamento com a série original, que só “reformava” homens héteros.

18. Silver Lining Sweeney (S5 E7)

É comovente a história da mãe que precisa aprender a aceitar ajuda das três filhas crescidas, além de lidar com o declínio da saúde do marido. E seria apenas um episódio choroso, não fosse pelo magnetismo pessoal da personagem, uma mulher divertida, vibrante e hilária em seus gostos pessoais abertamente cafonas. Um teste de resistência para Tan, mas um deleite para o resto do cast e todos nós.

17. A Tale of Two Cultures (S4 E6)

Culturas colidindo nesse episódio onde uma mulher latina poderosa e orgulhosa de suas raízes busca aprimorar seu estilo para passar mais confiança ao negociar por mais eventos culturais em sua vizinhança. Um episódio importante sobre xenofobia, onde Karamo tem uma participação crucial indo bater de porta em porta falar com os vizinhos que já hostilizaram a personagem. E temos um momento icônico, com as vovozinhas da família falando que a receita de avocado do Antoni está correta sim, o que é a sua redenção, depois de tanto meme com a obsessão pela fruta.

16. Preaching Out Loud (S5 E1)

Bobby já parece um pouco mais tranquilo quanto ao seu trauma igrejas e religião, então esse é um episódio onde ele consegue se soltar e fazer maravilhas. Aqui temos um pastor gay extremamente tímido com dificuldade de se relacionar e trazer mais gente para a comunidade da sua congregação. Apesar da conversa de igreja liberal pareça mais prometer do que realmente fazer pelos que foram e são historicamente oprimidos pela religião, as pessoas ali aparentam ter boa intenção. E além disso, a reforma no quarto do pastor, com aqueles vitrais absurdos, vale todo seu tempo de telespectador.

15. The Handyman can (S2 E4)

Um homem abandonado esteticamente e com uma paixão questionável pelo festival Burning Man pede ajuda para arrumar suas coisas antes de se mudar. O episódio como um todo não tem grandes surpresas, além do destaque para transformação suave aplicada por Tan e Jonathan. São os minutos finais, no entanto, com uma decisão inesperada do personagem, que tomam a gente pelo coração. O choro é inevitável, é um final feliz daqueles.

14. The Anxious Activist (S5 E5)

Graciosa demais a personagem desse episódio, uma mocinha que mora em uma república e se preocupa tanto com seu ativismo que acaba esquecendo de cuidar de si mesma. Aqui chama atenção o cuidado com o ecologica e politicamente correto em toda a transformação, desde as roupas vindo de brechó até os móveis feitos todos de materiais reaproveitados ou de segunda mão. E a garota é muito fofa, com um estilo incrível.

13. The North Philadelphia Story (S5 E4)

Esse é um daqueles episódios em que o Karamo brilha fazendo o que ele faz de melhor: mediar conflitos. Nesse caso, ele coloca frente a frente filho e mãe, que estavam distantes por desentendimentos do passado. É emocionante para a gente, mas principalmente para Antoni, que não fala com seus pais e parece especialmente tocado pelos conselhos de Karamo para Tyreek, o personagem da vez. Também vemos uma ligação importante dessa história com Bobby que, assim como Tyreek, já morou na rua. Da mesma forma que acontece em toda a quinta temporada, os Fab5 estão mais abertos a invadirem a área de especialidade uns dos outros, o que permite momentos incríveis de troca como esses do Antoni e do Bobby. E, ah, não perca a cena final, com uma thirst trap impagável do Antoni, de graça.

12. Crazy in Love (Especial Japão – E2)

Vivendo no Japão, Kan se sente excluído por sua sexualidade. A missão dos Fab5 é lhe proporcionar mais confiança para que ele possa viver a sua verdade e ainda apresentar o namorado para a família. É um episódio muito doce e especial, apesar da dureza do preconceito que deflagra. Kan é precioso demais e merece toda a felicidade do mundo.

11. Bedazzled (S2 E7)

Não sei se Elton John chegou a assistir esse episódio. Espero que sim. Sean é um rapaz extremamente educado, gentil e talentoso que toca piano nas redondezas e se monta para o palco segundo a orientação de sua vó, o que quer dizer que ele se veste como se tivesse 70 anos. Mas Sean quer usar cores mais vibrantes, materiais poderosos, e é aí que os Fab5 entram em ação, construindo uma das reformas mais inspiradoras da série.

10. Paging Dr. Yi (S5 E9)

Às vezes, no turbilhão das suas ambições, trabalho duro e vida cotidiana, pode acontecer de você esquecer de si mesmo. Esse episódio é muito sobre isso, ao mostrar a história de Dr. Yi, uma jovem pediatra prestes a começar no emprego dos sonhos em um hospital renomado. No processo de conquistar esse cargo tão sonhado, ela acabou deixando a educação da filha pequena com o marido, e hoje se sente “sobrando” no núcleo familiar. Os Fab5 entram em ação e fazem da história de Yi um despertar para muitas de nós que estamos por aí colocando tudo antes de nós mesmas.

9. Sky’s the Limit (S2 E5)

Os Fabulosos ajudam um homem trans se recuperando de uma mastectomia a dar uma festa de agradecimento pelo apoio dos amigos, em um dos episódios mais emocionais da série. Vale dizer que nenhum dos Fab5 era (ou é) totalmente versado em cultura trans para fazer esse episódio, mas não deixaram de mostrar que estão ali para aprender. Principalmente Tan, que com toda a delicadeza conduz o makeover de estilo de Skyler, dosando tudo o que o personagem “sempre quis” vestir como homem com o que fica melhor nele fisicamente para aquele momento. Um episódio para chorar muito, de alegria, definidor do quanto essa série é importante para levar visibilidade sobre as minorias para o público geral. Aliás, vale ler essa entrevista do próprio Skyler sobre como foi participar do programa.

8. Disable But Not Really (S4 E2)

Provavelmente o episódio mais crucial do Karamo na série como mediador de conflitos, aqui temos um ex-rebelde que precisa mudar de vida após ficar paraplégico em uma briga envolvendo arma de fogo. É função de Karamo facilitar os meios de curar essa ferida emocional e ele o faz da maneira mais incrível possível, ao mediar uma conversa entre Wesley e o homem que o deixou paraplégico. É tenso, mas libertador, ver Wesley conversar com essa pessoa, entender o seu lado da questão e, por fim, conseguir perdoá-la. Esse episódio, aliás, é todo sobre liberdade, uma liberdade que é viabilizada com a reforma de Bobby na casa de Wesley, a tornando ampla e acessível. A liberdade está também na consultoria de moda de Tan, que entende as necessidades de Wesley e pensa com ele em roupas que funcionem melhor para pessoas que estão em cadeira de rodas. Por fim, é libertador também para Tan, que em um momento de troca conta para Wesley que só “saiu do armário” para sua família quando entrou para o Queer Eye (e aí não tinha mais como esconder) – o que foi um momento decisivo e de impacto em sua vida. Não é um episódio fácil, mas conquistar a liberdade também não é. Episódios como esses, no entanto, nos dão a esperança de que é possível.

7. Black Girl Magic (S3 E5)

Jess é uma garota lésbica negra que, ao ser rejeitada por sua família, encontra abrigo no afeto de pessoas que realmente se importam com ela. Esse é mais um episódio extremamente emocional sobre aceitação e amor, onde o destaque é a personalidade cativante de Jess, uma garota doce e divertida apesar de todos os perrengues. Aqui também temos mais de Bobby e Tan se abrindo sobre suas batalhas pessoais, demonstrando uma vulnerabilidade que é o que torna esse cast tão precioso.

6. Groomer Has It (S5 E2)

“Eu tento de tudo, mas parece que a vida me atrapalha…” Uma van caindo aos pedaços era tudo o que Rahanna tinha em seu serviço de banho e tosa de pets, mas ali estavam todos os seus sonhos de ser uma empreendedora de sucesso. Antes, é claro, ainda eram necessárias algumas reformas externas e pessoais. Os Fab5 entram em ação e fazem esse um dos episódios mais bonitos e positivamente histéricos da série. Rahanna é uma garota negra e muito alta (quase dois metros de altura!), pelo o que sempre sofreu de baixa-estima. Além disso, um namorado infiel em um relacionamento estagnado não ajudavam. Karamo do your thing e coloca os dois para conversar. Vai dar certo? Não sabemos, mas o moço garante que sim. Enquanto isso, toda a marca de Rahanna é reformulada e um desfile canino (rindo) acontece para comemorar. Temos de volta a obsessão de Antoni por corgis e mais: além da reforma na casa, os Fab5 presenteiam Rahanna com uma van nova e equipada para ela continuar com seu empreendimento e finalmente decolar. Como Tan diz: é um exagero de gastos para um episódio? Provavelmente sim, mas Rahanna merece. Um episódio delicioso, cheio de risadas, gatos, cachorros, aprendizados e os Fab5 se emocionando com uma história como há tempos não víamos na série.

5. Bringing Sexy Back (Especial Japão – E4)

Olha, eu sei que o Especial Japão é problemático, mas será que a gente pode atentar para a densidade desse episódio aqui? Um casal juntos há sete anos, que já não se fala mais, se toca ou sequer faz sexo. Eles ainda se amam, só que perderam o jeito de se aproximar um do outro e nessa distância crescente se fez um muro que parece intransponível. Até os Fab5 chegarem, claro. O personagem é o marido do casal, um diretor de rádio que precisa superar sua excruciante timidez para dizer à mulher que ama que ainda precisa dela, ainda a deseja e que eles devem continuar juntos. É absolutamente lindo e perfeito, nos fazendo pensar em como deixamos as situações saírem do nosso controle pelo simples medo de tomar uma atitude. Felizmente para Makoto e sua esposa, ainda deu tempo de consertar.

4. Jones Bar B-Q (S3 E3)

É para chorar feito bebê com esse episódio inspirador sobre duas irmãs donas de uma van de churrasco e detentoras de um molho secreto que garante uma clientela fiel. Uma rápida cirurgia dental é o gatilho para incrementar a confiança de uma delas e nos fazer cair aos prantos em posição fetal com a conquista de uma felicidade tão simples e valiosa. Nos dois anos de série, nunca houve personagens tão cativantes e merecedores de apoio como as irmãs Jones.

3. Without Further Ado (S4 E1)

Chegando à quarta temporada, cada Fabuloso já é um fandom em si, por isso nada mais justo do que usá-los como personagens auxiliares. É o caso dessa pérola vibrante do entretenimento, onde os Fab5 viajam até a cidade natal de Jonathan e fazem o makeover de uma de suas professoras do tempo de adolescente. A alegria histérica de Jonathan em rever sua escola é contagiante, assim como são tocantes as histórias que ele compartilha de um passado não tão distante, quando a bomba explosiva de autoconfiança que ele é hoje ainda estavam em formação. E, é claro, como esquecer a reforma monumental que Bobby conduz na sala de descanso dos professores ou do momento apoteótico em que Jonathan corta o mullet balzaquiano da professora? Esse episódio também traz um ensinamento de moda muito precioso do Tan, que fala sobre você se vestir do mesmo jeito por anos, mesmo aquele estilo não te representando mais, porque é “seguro”. Que você precisa olhar pra si mesmo de tempos em tempos e rever seu estilo, porque a gente muda o tempo todo e estar vestido de uma maneira que nos representa contribui muito para a nossa autoestima. Isso me tocou muito, e toda a felicidade que esse episódio traz faz dele um dos meus favoritos, que revejo sempre.

2. You Can’t Fix Ugly (S1 E1)

Esse episódio é importante por tantos motivos! Sendo a estreia da série, é digno de nota como eles conseguiram imprimir com tanta propriedade qual era o espírito desse projeto, trazendo um reboot que atualiza e amplia o valor e o significado da série original. E o personagem não poderia ser melhor, um homem já idoso, desacreditado do seu potencial, buscando por um amor, mas achando impossível porque “você não pode consertar a feiura”. Acho que todo mundo já se sentiu assim, pensando que pode fazer de tudo, mas é “feio” mesmo e não tem conserto para isso. A forma como os Fab5 acolhem esse homem e mudam a vida dele – e o seu modo de ver a vida – é definitiva para ele e para nós: a partir dali não existe muita saída para o público. Ou você ama a série ou você não vai seguir com ela. Eu escolhi amar e nunca me arrependi.

1. God Bless Gay (S2 E1)

Mamma Tammye é uma devota religiosa com um filho gay, que abre os braços para receber uma reforma de estilo dos Fabulosos. Parecia só isso, mas a verdade é que a personalidade incrível de Tammye se sobrepõe a qualquer tentativa de protagonismo por parte dos Fab5. É Mamma Tammye quem ouve, ensina, dá conselhos e acolhe cada um deles, fazendo do episódio um dos mais catárticos da série. A maneira com que ela pega cada um deles pela mão e diz o motivo dele ser especial para o mundo é de se debulhar em lágrimas, o que todos fazem, mas especialmente Antoni, que quebra com tanto sentimento sendo colocado para fora. É um episódio muito importante também para Bobby, que começa nem pisando na igreja, por conta de todos seus traumas passados, mas acaba ele também se permitindo aceitar as diferenças e rever seus conceitos. Um episódio lindo e perfeito sobre aceitação e amor ao próximo, que mostra a religião como ela realmente deveria ser, onde sobram lições e esperanças para cada um de nós. Daqueles que você revê sempre que precisa renovar a fé nas pessoas, o que hoje em dia é uma necessidade quase diária.

Sem mais episódios para ranquear ou emocional para continuar, encerro aqui esse post, na esperança de que Queer Eye seja renovada ainda por mais 89 temporadas, e continue nos ensinando, mas também evoluindo e se tornando cada vez melhor.

E sempre com looks incríveis, a gente agradece.

Filmes, Resenhas

SAGA CREPÚSCULO: assisti aos 5 filmes e olha só o que deu

ATENÇÃO: Este artigo contém spoilers dos filmes da saga Crepúsculo, que você mesmo falou que nunca vai assistir.

Puxa vida. Como falar de Shakespeare? Como falar de Machado de Assis? Como falar dos Beatles ou de Janela Indiscreta? Como falar de Crepúsculo? Como falar dos clássicos?

É difícil. Mas a missão do escritor, do historiador e do pensador é essa, por isso eu, que sou escritora, historiadora e pensadora, fiz esse esforço colossal de me debruçar na mais densa dessas obras e peguei todos os filmes da saga Crepúsculo para assistir e resenhar aqui para você. Não foi fácil. A complexidade de tais filmes vai além do meu raso entendimento de vida. No entanto, assim é o trabalho do crítico pop. Que sou eu. Eu sou crítica pop. Ao final dessa aventura, muito foi aprendido, pouco foi compreendido e ainda mais foi questionado. Foi uma coisa louca. Trago tudo isso para você agora. A seguir. Vamos lá?

Crepúsculo (2008) – Dir. Catherine Hardwicke

Os livros da saga Crepúsculo, da americana Stephenie Meyer, já eram sucesso quando o primeiro filme da franquia foi lançado, em 2008. Estrelado pelos coitados Robert Pattinson, Kristen Stewart e Taylor Lautner, que nem sabiam no que estavam se metendo, o filme é geralmente o único que as pessoas já viram nessa história. Era o meu caso, Crepúsculo foi minha única reprise nessa aventura.

De cara, o filme já chama a atenção pelas cores pavorosas, tudo cinza e azul morte. Michael Bay ficaria orgulhoso, Hardwicke aqui nos faz ter calafrios, mas não pelos motivos que ela queria. A caracterização dos vampiros, como se tornou icônico, é de um pálido brutal e cômico. Brutal e cômico, aliás, são adjetivos que podem definir esse filme como um todo.

A história? Filha de pais separados, Bella (Kristen Stewart) decide passar uma temporada com o pai. Chegando na cidade, ela começa as aulas na escola dali e se encanta pelo misterioso Edward “The Hair” Cullen (Robert Pattinson), um adolescente que parece ter 30 anos de idade e é sério, babaca e infeliz como qualquer pessoa transitando nessa faixa de idade.

Correndo pelas beiradas, trotando feito um cachorrão grandão, está Jacob (Taylor Lautner), vizinho de Bella, um rapaz caloroso que parece querer mais do que amizade. Infelizmente, Bella está hipnotizada demais pelo gélido amor de Edward para perceber.

Não demora, Bella e Edward começam a se envolver, apesar de tudo parecer ser muito proibido, perigoso e peculiar (PPP). Logo Bella descobre o motivo de tanto mistério: Edward é um (say it!!!) vampiro. Cruzes! Isso seria suficiente para afastar Bella, mas Stephenie Meyer não leu tanto Shakespeare à toa: agora sim é que nossa heroína quer ficar com este homem PPP e viver esse romance muito PPP.

Nessas, o que era para ser uma bela história de amor acaba se tornando uma grande celeuma, pois outros vampiros começam a questionar o fato de Bella, uma humana, estar de trelelê com vampiros. Vocês vão comer ou não? Aquela coisa. A saída para o casalzinho continuar junto seria Bella se tornar vampira, mas essa é uma decisão um pouco complicada para uma garota de 16 anos e burra. O que fazer? Enquanto isso, o amor adolescente clama por uma resolução. Bella não pode nem beijar Edward direito, pois ele é muito voluptuoso e ela é virgem. Meu pai amado, é difícil demais ser jovem, Bella só queria dar uns beijos (e algo mais), eu hein.

Apesar do cafona de tudo, Crepúsculo é sim um bom filme. Não podemos desprezar suas cenas antológicas, como a batalha do beisebol e o Edward segurando o carro para não machucar a Bella. A trilha sonora é ótima. Por outro lado, a interpretação de Robert Pattinson é limitada e dolorosa, assim como a de Kristen Stewart, o que nos dá um norte de como esse casal era endgame desde o começo. Fato curioso é saber que RPatz nem sabia do que se tratava o filme e aceitou fazer parte dele apenas para estar do lado de Stewart, por quem tinha se encantado ao assistir Na Natureza Selvagem, onde a atriz tem pequena participação. Nascidos um para o outro, até certo ponto, os atores começaram a namorar já durante a produção de Crepúsculo, em uma história paralela cujos desdobramentos patéticos veremos mais à frente.

No fim das contas, em Crepúsculo, tudo se resolve de alguma forma, apesar de Bella não ter exatamente o que quer. Foi salva dos vampiros mais bravos e está com Edward, naquelas. O garoto ama sua humana, no entanto hesita em trazê-la para o vampirismo. E qual seria a saída, se eles querem transar? É brutal e cômico.

Lua Nova (2009) – Dir. Chris Weitz

Uma realidade mais quente nos aguarda em Lua Nova, filme seguinte da série e tido como o pior da franquia. Honestamente, eu já vi piores, mas eu também vejo muita coisa.

Dando prosseguimento à história, o filme traz um Edward sumido Em Busca de Se Encontrar e uma Bella toda grunge, as roupas cada vez mais horríveis, solitária demais. Essa solidão é a brecha para que ela se aproxime do vizinho Jacob, que cortou o cabelo, ficou grandão, parou de usar camiseta e está mais do que disposto a preencher a lacuna deixada no coração da nossa mocinha.

É aí que ficamos sabendo, embora já desconfiássemos, é que Jacob é um Lobisomem!!! Uma raça inimiga dos vampiros, então você imagina o climão. Desenganada pela literatura fantástica, Bella fica um pouco balançada, e Jacob não deixa de apontar os motivos pelos quais ela não deve se aliar aos dentuços. Atento aos prejuízos do webnamoro cósmico, o holograma de Edward persegue e protege Bella de todos os esses perigos, ainda que a estética fragilizada do ator não contribua para incrementar a nossa confiança.

No fim das contas, Bella segue deixando Jacob na gaveta das amizades e fica por isso mesmo. Por conta de uma série de cálculos, sonhos e demais metodologias equivocadas, Edward quase se mata, mas acaba retornando à cidade e propõe à Bella um acordo: ou ela se transforma em vampira depois da formatura, pelas dentadas de Alice, outra vampira do clã, ou se transforma pelas dentadas de Edward, assim que eles se casarem.

É o pedido de casamento mais esquisito da história, por isso Bella nem responde e o filme termina assim em aberto.

Eclipse (2010) – Dir. David Slade

Cacetada, bicho, qual a dificuldade em manter um mesmo diretor para dois filmes seguidos em uma franquia? Nessa em particular, isso não parece ter sido sequer uma questão. E vamos de terceiro filme, com uma abordagem totalmente diferente das anteriores.

Eclipse traz Bella preparando o terreno para se tornar vampira, ainda que um tanto incerta sobre isso. Para ajudar, Jacob intensifica a sedução, então nos vemos em um inóspito triângulo amoroso entre Bella, Edward e Jacob. Em linhas gerais, é uma mulher tendo que decidir entre um defunto e um cachorro. Existe uma terceira opção óbvia (sumir dali e ter um relacionamento saudável com um ser humano normal), mas a Bella sendo a Bella… A garota se transforma no poste mais mijado do cinema mundial, com dois seres sobrenaturais metidos em disputas patéticas por sua atenção.

E é claro que no meio disso as famílias se envolveriam, então temos uma grande disputa entre Lobos e Vampiros. Quem ganha com isso é só a Bella, a nossa querida sonsa que fica ali no meio sendo a Suíça do rolê e deixando que todos se matem por ela. Verdade seja dita, a garota consegue a luta e a união entre as raças, mesmo com aquele jeitinho blasé.

Algo que eu adoro nesse filme é como eles constroem a tridimensionalidade dos personagens secundários, simplesmente colocando pessoas aleatórias para conversar com a Bella e contar a história de suas vidas desde o século XV. Sendo o boneco de pano das duas raças, vampiros e lobos, Bella é levada de lá pra cá conforme a narrativa da história precisa ser contextualizada. O que ela tem a ver com isso é indiferente.

No mais, Edward continua negando sexo para Bella, achando que vai matar a garota com o pau centenário dele. Eu tenho lá minhas dúvidas, mas deixo para vocês as teorias. Terceiro filme e o máximo que tivemos foi uns beijinhos sem sal. Força, guerreira.

Por fim, Bella decide que vai casar, sim, com o Edward. Não adiantou nada tomar anabolizantes, Jacob.

Amanhecer – Parte 1 (2011) – Dir. Bill Condon

Ai, honestamente, é de partir o coração ver as fotos de bastidores desse filme e saber toda a merda que rolou depois, mas vamos que vamos.

Esse é o filme mais soft do casal, na medida em que Bella e Edward finalmente se casam e têm alguns momentos de paz, felicidade e amor, a história já abre com isso. Curiosamente, ninguém questiona o fato de uma menina de 18 anos estar se casando com um rapaz com pouco mais do que isso (atribuído). Normal. Grande festa na família, brindes pavorosos são feitos na festa e vamos de celebração.

De todos os lugares do mundo, a Lua de Mel se passa no Brasil. Isso aí era da época que o país ainda investia em turismo e divulgação internacional, cultura, etc. Outros tempos. É enternecedor ver Edward falando português, RPatz treinou e tudo. Já Bella não faz tanto esforço, está mais preocupada em consumir logo (e várias vezes) o casamento. Não é assim tão simples quando seu carisma e grau de sedução é quase nulo, como é o caso. As cenas dela de lingerie fazendo pose são de urrar de constrangimento. Ainda assim, temos momentos bem bonitinhos e sensuais (kk) do casal finalmente fazendo o que queria fazer desde o começo dessa infame história.

E é comendo um galeto, ainda no Brasil, que Bella se dá conta de que pegou barriga. Tudo acontece muito rápido quando uma humana engravida de um vampiro, aparentemente. Eles voltam para casa mais do que depressa, e agora a treta é manter a Bella viva durante essa gravidez de risco. Caso não tenha ficado claro, um bebê assim inter-espécies tem grande potencial de nascer um monstrengo perigoso. Quem diria. Cuidado aí no Tinder, meninas.

E o que tinha tudo para ser apenas mais um filme ruim se torna de extremo mau gosto com as cenas grotescas do parto de Bella, além da figura em si do bebê, um protótipo robotizado que já virou cult.

Para sobreviver ao parto, Bella é transformada em vampiro por Edward, que tentou evitar isso o quanto pôde. Não deu.

Amanhecer – Parte 2 (2012) – Dir. Bill Condon

Bill Condon fez uma pra Deus ver e se consagrou como o único diretor a assinar dois títulos da saga. Tudo isso pensando no sentido de unidade desse arco final da trama, onde a história de um livro foi dividida em dois filmes.

E olha, nem precisava tanto esforço. Chegando nesse ponto, a fórmula pronta de “Bella se envolve em enrascada com alguma raça sobrenatural aleatória” já anda com as próprias pernas, precisando de muito pouco para funcionar.

No filme final da saga, Bella acorda com fome. Agora ela é uma vampira, e das bravas. Cabe à Edward educá-la, para além das funções parentais do casal, agora com a menina Renesmee (que nome!) também crescendo à galope. O banho de loja da Alice deu resultados e agora Bella parece quase bem vestida, embora ainda com aquele jeitão jeca dela. Outra nota triste para esse filme, parece que dessa vez acertaram cabelo e maquiagem dos vampiros, mas agora de que adianta?

E, caramba, Bella e Edward finalmente podem transar propriamente e sem medo, já que são da mesma espécie. E dá-lhe fazer a cabaninha dos Cullen-Swan ferver na madrugada.

Tumultuando esse cenário idílico, lá vem de novo os Volturi, de olho na menina Renesmee, que é um bicho diferente por ser meio humana, meio vampira. Às vezes penso se não falta uma ocupação para os Volturi, um emprego de meio período que seja, para que eles tivessem o que fazer e parassem de arrumar treta.

Em todo caso, Bella e sua nova família (a anterior, com pai e tudo, foi prontamente deixada de lado) se unem em mais um confronto, meu senhor, quem é que aguenta mais um confronto. Acho que todo mundo pensou isso também porque, no fim, era tudo apenas um sonho vívido e nada aconteceu. Eu, hein.

Para coroar uma história terrível como um todo e ultrajante em vários momentos, Amanhecer Parte 2 fecha com um novo arco extremamente de mau gosto, que é a revelação de que a menina Renesmee é o imprinting do Jacob. Ou seja, a menina que acabou de nascer é a alma gêmea daquele Lobo marmanjo, que fica cercando ela por todos os lados. Incrível como ninguém acha isso problemático, o filme termina com Bella e Edward curtindo a vidinha de casados e com muita aventura para viver sendo vampiros, enquanto a filha deles é literalmente largada nas mãos do Jacob, seu guardião além-vida.

É no mínimo inacreditável, beirando o criminoso. Embora não seja meu lugar de fala criticar alienação parental no âmbito sobrenatural, na minha opinião esse imbróglio fecha essa história já complicada com um laço de fita feito de pura bosta.

Se é que podemos colocar assim.

Saldo final e outros sentimentos

Se você chegou até aqui, quero te parabenizar e agradecer. Sei que não é fácil, apesar de todo o meu talento como historiadora, pensadora, escritora, crítica pop e todas as outras coisas que inventei lá em cima.

Assistindo aos cinco filmes da saga, o saldo final que fica é que Crepúsculo é, antes de tudo, a batalha de uma garota para fazer sexo com o cara que ela escolheu. No meio do caminho, outros coitados tentam, raças entram em conflito, a humanidade em si não colabora, mas não tem jeito. Essa garota quer dar pro Edward e nada pode detê-la. Seria uma história comum de qualquer mulher tentando exercer sua sexualidade, mas colocaram uns vampiros e lobos no meio e deu nisso. E assim, temos uma história ridícula de um jeito hilário, cheia de falhas de roteiro, além de interpretações e caracterizações terríveis. E dolorosamente longa.

Bom mesmo, eu acho, é só o primeiro filme. Apesar das cores questionáveis, Crepúsculo tem sim uma história interessante, além de uma trilha sonora que amarra a trama e dá o tom anos 2000 da produção. Mesmo em sua cafonice, é uma peça perfeita. Já os filmes seguintes, parece que deram um murro no nosso estômago e vão empurrando a gente com pequenos chutes no baço, ladeira abaixo.

Por fim, é ainda mais triste saber que RPatz e Stewart namoraram durante a saga toda, para ela traí-lo publicamente um pouco antes do lançamento do último filme, quando já tinham quase quatro anos de namoro. É a última pá de cal nesse túmulo de vampiro, deixando tudo com um gosto amargo.

Mas é aquela coisa, né. Todo clássico tem seu lado triste. Você compara com Shakespeare, por exemplo. É complicado e, na dúvida, prefiro fazer como Robert Pattinson, Kristen Stewart e Taylor Lautner, esses coitados, e simplesmente tentar esquecer que tudo isso um dia aconteceu.

Apesar de todos os cinco filmes estarem disponíveis no Prime Video para você assistir quando quiser; foi onde assisti, aliás.

Ainda assim, sugiro esquecer. O segredo do clássico é ficar guardado na estante, mantendo a aura de intocável, sem jamais ser revisitado.

Façamos o mesmo com a saga Crepúsculo.