Longe de mim querer parafrasear Mallu Magalhães, mas eu me sinto ótima. Recentemente tive uma experiência interessante envolvendo algo que popularmente ficou conhecido como “sexto sentido”, kk. O que aconteceu foi que, coisa de um mês atrás ou mais, eu estava quieta em casa vendo TV e tive a sensação real de que algo muito bom estava para acontecer comigo.
Foi uma coisa sem explicação e, digo mais, inédita. Eu senti isso e senti também uma vontade imensa de chorar de alegria, como de fato chorei mesmo. Foi inevitável.
De um modo geral, não sou muito dada a misticismos. Por isso, recebi com alguma incredulidade aquela sensação que me dizia que um bom agouro se avizinhava em minha vida pessoal.
No entanto, por mais cético que você seja, é impossível lutar contra a inexorabilidade das insondáveis linhas escritas para você pelo destino. Depois daquele dia, aconteceram algumas coisas que me mostraram que o meu sentimento que veio do nada estava certo. Eu tive alguns momentos complicados, mas todos eles vieram para preparar o terreno para situações e mudanças que me deixaram em cenário muito melhor do que o que eu tinha então.
Assim, hoje, eu me sinto ótima. Eu já estava bem, não obstante, algo no universo rotacionou no sentido da minha felicidade. Tudo isso culminando neste quadro atual, onde estou mais feliz ainda, mais do que jamais estive.
Misticismo, destino ou apenas evolução natural da vida. Não tenho como saber e, contanto que funcione, isso é o que menos importa.
“A Maldição da Residência Hill” é um bom exemplo de produto de entretenimento que mescla fantasmas com ARTE.
Tenho uma história envolvente recheada de misticismo barato envolvendo fantasmas (ou ghosts, no original do nosso desafio).
Sempre fui muito medrosa nesse sentido, ao mesmo tempo em que adorava me embalar na perigosa euforia de ler livros do Stephen King — um autor que tem como principal objetivo borrar as calças do leitor, seja pela mente, seja pelo coração.
Hoje eu vejo que ler tantos (e quase todos) do King (já notaram como parece pedante o autor se chamar REI?) foi o que amaciou os meus nervos para, muito recentemente, lá pelo meio de 2018, eu começar a encarar sem tanto medo os filmes de fantasma. Muito dessa transformação também é crédito do meu amigo pessoal Bruno Frika, que foi me dando o caminho das pedras nesse seara. Sendo um grande entendido dos filmes horripilantes, Frika foi me indicando títulos e assim eu comecei a ver todos, percebendo que não são tão assustadores assim. De fato, estando a situação do país como está, às vezes o filme de medo é a coisa menos assustadoras que você vê no dia, comparado com as notícias no jornal.
Dessa forma, hoje eu posso dizer que o tal do filme de fantasmas é um dos meus gêneros favoritos dentro da indústria cinematográfica. Não obstante, eu continuo sendo uma pessoa que morre de medo de assombração. Tal dualidade entre ser fã e mesmo assim temer aparições de entidades do além dá um gostinho da minha personalidade conflituosa e complexa.
O que me torna tão diferente e tão igual a todos nós.
Bom, eu acho que isso pode ser divertido. Estava buscando por alguma inspiração para escrever mais no blog, agora que terminei o livro, e vi esse desafio no instagram do Sad Ghost Club:
O Sad Ghost Club é um perfil majoritariamente de desenhos, no entanto o desafio do Thinktober criado por eles aceita todo tipo de arte, como vemos no enunciado dessa mesma imagem:
Hey ghosties! I invite you all to take part in THINKTOBER! I’ll be making an image a day for all of October, (eep!) relating to these daily prompts! So if you wanna join me, all you gotta do is MAKE SOMETHING! No rules, it doesn’t have to be a drawing, you don’t have to do every day, and you can be as vague or specific as you like! October is also #mentalhealthawareness month so some of the prompts have that in mind and I hope you’ll all join me in raising that positive awareness!! Yay!!! Let’s get creative! 🥳✨💛
Assim, o que pensei é usar esses temas como incentivo para todo dia criar um post aqui. Usando o prompt do dia, farei algum texto curto, crônica ou até conto, o que me der vontade.
Vamos ver no que vai dar! Você pode acompanha todos os textos desse desafio por aqui pela tag #ThinktoberThinkTati!
Falar sobre a origem do meu ship #Messuárez ou do trabalho jornalístico que tenho feito no decorrer dos últimos anos cobrindo essa perigosa amizade seria como falar da origem do mundo, Big Bang e a extinção dos dinossauros: é tudo muito antigo e confuso, não vale a pena.
O jovem hoje só quer saber do agora.
Vindo desse contexto histórico preguiçoso e apressado (diria “dinâmico”, vendo pelo lado positivo), é com um fervoroso ataque de pelanca emocional que recebemos cada nova atualização dessa duplinha. A última da vez: de férias em Ibiza, Messi e Suárez estavam (já acabou a folga) vivendo o sonho (“living the dream”, no original), indo a festivais de música, descansando à tarde na piscina, esquecendo de passar protetor solar e esticando seus corpos atléticos no chão forrado de toalha – mas ainda super quente – de embarcações de luxo onde tudo é de graça porque já foi pago muito antes.
Como qualquer casal com dinheiro o suficiente para não precisar se esconder, mas sabendo que o mistério é bom para apimentar a relação, Messi e Suárez têm um calendário fixo de maneiras gostosas para aproveitar cada momentinho de folga.
Esses homens dão a vida por suas carreiras profissionais, a reforma trabalhista só aleja o pobre, eles podem e vão curtir cada benefício que seus salários astronômicos proporciona.
Sonhos gelados em 2016
Quando esfria eles vão para a Disney, o que parece correto e até mesmo óbvio. Quem não gostaria de ter seu amor abençoado pelo Mickey? Dizem que do alto de alguns castelos de princesa é onde finalmente podemos ser nós mesmos.
Quando a vida parece muito cinza, eles colocam seus matching shortinhos e viajam o mundo em busca de um lugar ao Sol em qualquer ponto do planeta que tenha hotéis child friendly. Até ontem(!), o meu momento favorito desses dias idílicos era a temporada de verão de 2017, quando eles passaram uns dias no iate do Fábregas e ressignificaram o short Adidas como arapuca do desejo.
Chegando separados para não dar B.O.
Vivendo o sonho, com o nenê no colo.
Qual o comprimento do seu short Adidas, leitor? Cabe a reflexão após essas fotos.
Foram momentos bacanas de muito corpo à mostra e risadas sem ter fim. Eu também sempre me espanto com a popularidade dos chinelos Havaianas ao redor do mundo, apesar de que o ponto do texto não é esse.
No entanto, apesar de todo o carisma dessas lembranças, a temporada 2019 das férias #Messuárez veio com tudo e quebrou paradigmas – e também alguns copos, acho.
Em Ibiza até ontem, nossos garotos tiveram momentos que foram TUDO, como o tal festival de música onde vimos Messi dançando e sendo bobo com a Anto, além de memoráveis vídeos sigilosos de Suárez e Messi conversando enquanto todos dançavam (perdi o link, mas teve isso).
Os beijos ficam para depois, às escondidas.
Fez um sucesso absurdo também a coisa da briga na boate. Assumindo uma nova faceta em sua taciturna personalidade (será crise de meia-idade?) (hoje a crise é a cada dez anos, li num livro), Messi deu uma de troublemaker e reagiu com perplexidade e mutismo (classic messi) quando em uma casa noturna uns barriga de cavalo aleatórios vieram puxar briga. Com seu bbzinho Suárez por perto e Anto sempre de radar ligado, Messi saiu de lá escoltado por seguranças. Como todo acontecimento histórico, a notícia fez a população refletir. No caso, a reflexão foi: nossa, quem iria querer brigar com o Messi, ele é tão bonzinho!
Por favor, não confunda bottom com bonzinho.
Esse é um erro que muitos cometem.
De modos que essa temporada 2019 foi muito emocionante e intensa, nos mais variados sentidos (vou deixar assim porque não sei apontar mais de um). Como biógrafa do casal, me sinto feliz em ter esse conteúdo sendo produzido. Ontem a cereja do bolo foi mesmo a foto dos dois juntos no iate, publicada primeiro no perfil do Suárez e depois no perfil do Messi (eles sempre fazem isso).
Vou colocar a foto aqui de novo, porque eu quero e porque ela tem várias questões que trataremos logo a seguir.
ai papai
Honestamente, é algo intrigante como o Messi pode usar shorts tão curtinhos sendo que, dizem, ele guarda um segredo tão grande. Mas esse é um problema de logística que eu deixo para vocês elucidarem sozinhos em seus momentos de folga, quem sabe no ônibus voltando do trabalho ou em casa enquanto preparam o miojo.
Outra questão é como o Suárez sempre emagrece rapidinho quando quer – e ele só não quer quando o Barcelona exige. Voltando hoje para os treinos, já temos fotos do jogador fininho e bronzeado se exercitando. Aos colega de trabalho, ele segredou: mano, e o messi que quase levou uma na orelha na balada esse final de semana? kk
Quer dizer, eu acho que ele fez isso. Mas eu sou ficcionista.
E assim encerramos a temporada de férias! Infelizmente, a menos que você seja herdeiro, nem todo o dinheiro do mundo vai evitar que você precise trabalhar em algum momento. Por isso, agora guardamos essas memórias em nossos corações e seguimos em frente para temporada 19/20 do futebol espanhol, que promete ser uma bosta como sempre é.
Alegria!
Em tempo: ainda não tive notícia se o Messi já voltou para Barcelona. O último post dele até o momento é dessa foto dos dois juntos esquentando as costas no piso quente, o que é até melancólico, um réquiem de bons momentos e também a confirmação de uma mensagem implícita: esse é o homem da minha vida e é por ele que eu sigo aqui.
Mas eu sou ficcionista.
Leia minha trilogia “O Evangelho de Leo Messi”gratuitamente no Wattpad e fique por dentro de toda a trajetória amorosa do casal #Messuárez. Baseado em fatos reais (sou ficcionista).
Se querem mesmo saber o que aconteceu, eu perdi um pouco o rumo desde aquela noite, mais precisamente na cena em que o Taron Egerton abre as portas, luxuoso em seu traje alaranjado, e você fala: rapaz… E então não acontece nada do que você pensa.
Não que o ponto seja esse. Como se o inesperado fosse uma novidade — e não uma constante. Oras, nada nunca acontece como você pensa. Não é essa a questão. Mas houve algo de especial em ver aquele filme pela segunda vez em uma semana, entrando bêbados no cinema e embalados em uma alegria que não tinha motivo algum, além de todos.
E aí, como eu dizia, Taron Egerton em trajes alaranjados, depois em mais outros de muitas outras cores. As músicas e os sorrisos, o ódio da vida adulta, divagações sobre talento & oportunidade, você ergue a cabeça e continua não por perseverança e nem por teimosia, mas por… Por quê? Algo sobre o jeito com que você fala comigo quando eu me mostro frágil, algo sobre a maneira com que você me acolhe justo quando eu acredito que não exista mais saída alguma.
Estamos falando de momentos sublimes escondidos dentro de cenas cotidianas. Você do outro lado da rua, encostado no muro e fumando. Eu olho para você sem ser vista, eu na fila para comprar pipoca. Somos dois mundos diferentes, duas existências diferentes, que se conectam no instante em que você olha para mim e sorri. Você sorri. Somos um do outro novamente. Atravessa a rua e vem na minha direção. Me beija com o ar gelado da noite, eu gosto tanto do seu beijo, compramos mais cervejas.
Está tudo muito complicado, os gatos estão a cada dia mais malucos e carinhosos. Corto os tomates em quatro e depois em grossas fatias, fazemos daquele jantar às 23h de uma quarta-feira uma ocasião única de paz em que preferimos não pensar nos problemas maiores.
Eu não sou o homem que eles pensam que eu sou em casa. É claro que não. Eu não finjo nada para os outros, mas eu guardo o meu melhor para você. Ás vezes eu penso nisso, como pudemos criar um mundo tão nosso, de um amor que quase dói, tão forte que dá a volta e se torna frágil.
Noite de video game, você diz algo absurdo só para me fazer gargalhar.
Noite de séries, me enrosco nos seus pés e rimos das mesmas exatas cenas.
Deus me pune pelas coisas mais banais. Tivesse chegado tarde na festa, o cachorro não teria mordido minha mão. O sangue pinga no chão, vou embora correndo, fugindo para o seu colo. Você me recebe, eu aos prantos, coberta de razão e exagerada, emotiva e emocional, sempre, meu Deus, sempre, um tom acima da média e do necessário.
Você cuida de mim, me ouve.
Mesmo estando tudo muito complicado.
Também fiquei pensando nisso. Tudo está sempre fora do lugar, o tempo todo. Que mania de ver o mundo assim! A gente passa a vida toda encarando cada dia como um dia atípico. Será que é tão difícil perceber qual é o padrão aqui? Esses dias, acho que foi ontem, olhei para você e finalmente entendi que o normal é essa loucura mesmo: quando não é um problema é outro, sempre muda o ponto de tensão — mas no fim está tudo bem. A gente dá um jeito. A gente consegue achar alguma diversão no meio do caos. A gente consegue dar as mãos e fugir dali, mesmo sem sair do lugar.
Veja o Elton John, por exemplo. Que complicado, tudo! Mas os trajes e as músicas e o ódio da vida adulta. Ajuda um pouco, não ajuda? Enquanto gastávamos nossa energia achando que tudo estava fora do lugar, nos tornávamos mais fortes para entender a realidade do que somos.
Somos fortes, somos bons. Nos amamos.
E aí, faz até sentido: mesmo com toda essa bagunça, está tudo bem. Estamos bem. Tão felizes como uma noite de cinema, no meio da semana, para ver um filme que instantaneamente amamos, um filme que fala de nós sem jamais contar a nossa história, como nós sabemos que um dia contaremos.
Vamos falar um pouco sobre este palhaço e alguns outros.
Não vou dizer que desci a Rua Augusta a 120 por hora, mas eu entrei voando baixo no metrô indo para o trabalho, dia desses. Nem atrasada eu estava, mas estar atrasada ou não é apenas um mero detalhe se dentro da sua cabeça você está sempre à mil.
O rapaz se postou na minha frente, coletinho do metrô, caneta, papel numa prancheta, no intuito de falar comigo. Eu driblei ele na moral, não adianta não, Maurão, o drible ainda é mais importante que o passe no cotidiano do brasileiro médio. Mas você acha? O rapaz não se fez de rogado, foi atrás e perguntou mesmo assim em que estação eu descia, era para uma pesquisa, ele disse.
Eu falei o nome da estação e segui. Nem tinha parado, na real. Cortei a conversa antes mesmo dela começar. Senti que ele ficou me olhando como em um comercial de perfume, onde tudo acontece muito devagarinho. Eu indo embora, ele sendo deixado, atônito e tudo. O vento passando por nós, o vento é mais encanado que vocês, em algumas estações de metrô. Faz tudo voar longe.
Fui grossa? Um pouco. Foi sem querer. E aí também pensei, poxa, o cara aguenta. Se ele for morrer por isso, o problema é mais dele que meu.
Eu também já passei por tanta coisa, e tô aqui viva.
Viva igual o Pennywise.
ai, penny, só você (filme 2, backstage)
Saiu o trailer do filme 2, né meninas. O trailer de IT — A Coisa 2, eu digo. Fica um título tão esquisito, né? Parece um poema dadaísta.
It a coisa dois.
Gosto desse filme como gosto de tantos outros, porém existe uma mística em colocar tanta criança talentosa e adulto impactante em uma história duvidosa do Stephen King e ver isso virar blockbuster. Eu gosto de ver o Bill Hader trabalhar, se pudesse dava um emprego pra ele aqui em casa. Estou mesmo precisando de diarista ou alguém que me motive a fazer ginástica. Não acho que ele poderia fazer isso, mas também não acho que eu poderia pagar mesmo se ele pudesse, então fica meio que na mesma: não dá em nada, é só uma ideia.
Bill Skarsgård, James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, Finn Wolfhard…Estou ansiosa por esse filme, pensando como podem juntar essa rapaziada toda na mesma sala e dizer ACTION!, em um grito único e poderoso que faça a magia do cinema acontecer.
Este será um filme incrível, contanto que você baixe suas expectativas e entenda que não vai ser um filme que vai trazer a satisfação que você busca em sua vida pessoal.
O filme pode ajudar um pouquinho, mas ele não vai tapar o buraco emocional que você cava no seu peito desde os sete anos de idade. Esse buraco que só aumenta, com você há décadas usando a mesma pequenina pá na intenção de tapá-lo.
O filme pode ser bom, sim, entretanto.
Esse texto está muito longo? Ainda tem mais um pouco, mas pense que você já passou da metade. Seria besteira parar agora.
ai bill, só você (filme 2, backstage)
Indo em um ritmo muito mais devagar, eu outro dia subia uma avenida ampla e bela, mas qualquer, nesse país chamado Avenidas Amplas & Belas da Região Onde Ficam a Maioria das Agências de Publicidade de São Paulo.
Foda. Era uma ladeira lascada, eu pensava na vida e meus pensamentos todos iam ficando pelo chão, escorrendo com o calor e deixando pegadas emocionais que nem Freud explicaria. Calcule. Às vezes, quando você canta uma música com toda emoção, mexendo a boca sem falar nada, brincando que a voz do cantor é a sua, é possível experimentar um tipo de liberdade que só é comparável a chegar em casa e ficar de cuecas. Naquele momento, entretanto, eu nem estava de cuecas em casa e nem cantava sem voz música nenhuma. Mesmo assim, me sentia livre feito o diabo.
E, na verdade, naquele momento não aconteceu nada digno de nota comigo. Nadinha mesmo. Eu estava apenas andando na rua, sem maiores expectativas. Só que é maluco isso. É horrível ficar triste por um motivo, é maravilhoso ficar feliz sem razão alguma.
Subindo a ladeira, eu pensava que vivos estamos todos: eu, você, o Pennywise. Não é ótimo, ainda que bastante básico? Tem filme novo vindo aí. Não vai tapar o buraco da sua alma — e nem deveria, então olha que beleza. Você não pode depender de um filme para isso, pois só depende de você.
E que bom.
E eu sei que a reação imediata para “só depende de você” é um mar de lágrimas, mas vamos lá. Você consegue ser melhor que isso. Sério. É ótimo tomar a responsabilidade emocional pela sua vida. Você constrói uma barreira onde ninguém pode te atingir, a menos que você permita. E você não permite mais.
Não se trata de ser uma pessoa malvada ou insensível, se trata de conseguir olhar a vida em um panorama amplificado e conseguir dar a devida dimensão para cada coisa. Colocadas em perspectiva, nenhuma situação no mundo pode te magoar sem o seu consentimento para isso.
Sabendo disso, é uma alegria estar vivo. Estar vivo e vivendo, planejando coisas, correndo, sempre atrasada, mil coisas na cabeça. Viva como Pennywise, trabalhando mais que o Bill Hader.
Voando baixo ou então subindo lentamente pelas muitas avenidas dessa cidade que vamos dando o nome conforme a conhecemos melhor.
I took a trip, it set me free. Forgave myself for being me
Voltando aqui para falar várias coisas, e depois, quem sabe, ir embora sem dizer nada.
Talvez você pense, “bom, Madonna com 60 anos e tá lá, se reinventando e criando coisas novas” e pense “eu também posso”. Ela tem mais dinheiro que a gente, fato. Mas nós também podemos dar os nossos pulos, voando mais leves por conta dos bolsos vazios.
Bicho, eu ando transtornada de maneira pouco saudável com esse feat. dela com o Maluma, ainda mais depois da apresentação de ontem na premiação da Billboard. Que poder é esse?
“about last night” — kkkkkk aquelas
Madonna, eu te desejo tudo de bom, saiba, caso você esteja lendo isso. Deus te conserve, embora o mundo em geral não te mereça.
E nesse ponto você começa a ver que não é sobre a Madonna, mas sobre a gente mesmo. No limiar de completar 35 anos de idade, me dou conta de que comecei esse Medium no limiar de completar os meus 32 anos de idade — e aí penso, o que estou fazendo além de deixar pegadas digitais por todos os cantos? Está na hora de assumir alguns marcos e fixar permanência em alguns lugares. Por enquanto. Até tudo mudar de novo.
Mas calma, esse não é um post sobre eu escrevendo um post.
Outra coisa que tem me deixado meio nervosa é a série Chambers. Tem na Netflix. Estou no sétimo episódio e não aguento mais ver gente cortando a própria carne assim à sangue frio com uma faquinha de pão. O clima todo é meio assim Stephen King, uma coisa meio obscura sem razão, o que também me deixa triggered, mas por motivos diferentes.
“E eu quero é que esse canto torto feito faca corte a carne de vocês”, teriam dito os produtores de Chambers
É que eu estava falando com o meu terapeuta sobre como acabei de publicar meu décimo livro (Compre “desaparecer”, já disponível na Amazon em formato digital e um preço RIDÍCULO) e como eu nunca mais quero escrever livros. E então ele disse “Por quê?”, mas não apenas perguntando “Por quê?”, mas sim usando outras palavras mais misteriosas e murmúrios angustiantes e eu respondi, bom, é porque…
Honestamente, já estou cansada de escrever sempre a mesma história, eu vejo agora, no fundo todas as histórias são as mesmas histórias: as dos livros, as dos contos, dos blogs, das redes sociais, etc.
Da sua vida, ele disse, e eu falei que eu estava em um ponto da minha vida em que não podia chorar agora. Rimos (não), mas o ponto é que eu pensei (e disse): todas as histórias que eu escrevo são as mesmas histórias, o que aponta que ou eu sou uma péssima escritora, ou eu tenho um estilo muito forte, como o do Stephen King, que escreve sempre a mesma história há anos. Aí meu terapeuta riu mesmo e me deixou nessa incógnita, se eu sou um lixo ou o Stephen King.
Veja, se os dois extremos são esses, é quase como se eles fossem a mesma coisa e não houvesse diferença, afinal. Não que King seja ruim, pelo amor de Deus, mas o que diferencia o bom do ruim senão o nosso olhar sobre ele?
Pense nisso.
Mas isso aí também não é um problema, você vai vivendo e descobrindo coisas sobre si mesmo, aprendendo a conviver com elas e, em um último passo, maior e mais intenso, se apropriando delas e gostando delas ao entender que elas são quem você é. No limiar dos 35, olhando para todas essas pegadas que deixei em blogs, livros, redes sociais que já não são mais o que eram, vou fazendo o que posso e gostando cada vez mais de quem eu sou. E isso é ótimo.
E nisso faz todo o sentido, Madonna no palco roçando no Maluma como se não houvesse nada com o que se preocupar além de express yourself (a atitude, não a música) e você pensando: bicho, é isso. Essa mulher venceu. Eu vou vencer também. Ao meu modo, repetindo histórias, sendo eu mesma, rindo porque estou em um ponto da minha vida em que não posso chorar. Mas vou.
Bom, eu vou tentar contar isso da forma mais breve e menos deslumbrada possível: eu voltei a gostar de assistir a filmes.
É lógico que quando mais novo você tem aquele afã (as palavras que escolho, socorro) de ver todos os filmes possíveis e você tem opiniões sobre cada filme visto. Você tem autoridade até para traçar paralelos entre obras, intuir o que o roteirista quis dizer, listar detalhes na trama que só você viu, apontar erros e acertos do diretor…
Depois de um tempo, você só quer saber que porcaria de filme é esse que todo mundo está falando. E quando tem um tempo livre, quando poderia estar descobrindo algo novo, reassiste “Brokeback Mountain” ou “Frozen” pela enésima vez, se achando muito esperto.
Só que a vida tem seus meios de fazer você ficar andando em círculos cíclicos (seria isso uma redundância?). Então, você está sempre retomando velhos hábitos.
Nada disso importa, voltei a ver filmes como um passatempo consciente e prazeroso. Voltei, Deus que me defenda, a ter opiniões sobre filmes.
No entanto, mesmo esse ímpeto de ter opiniões acaba inviabilizado pelo fim do romantismo que acerca a coisa de ter opinião. Ninguém se importa com opinião!
Desse modo, no fim vira uma coisa um pouco amarga, pois ao mesmo tempo que voltei a ter opinião, também amadureci o suficiente para saber que quem é que liga pra minha opinião?
Eu quero dizer, de que importa eu achar que “Roma” é um filme incensado por contar a história de uma mulher, sendo que quem conta a história dela é um homem? Com o país nessa situação? Com tanto app pra atualizar no celular? Ninguém liga pra nada.
Além disso, me sinto como naquela entrevista do Daniel Johns que o jornalista fala “nossa, você não usa mais metáforas pra suas letras” e o Daniel responde “bicho, eu não tenho mais paciência pra ficar sendo lírico, eu quero falar diretamente sobre o que eu sinto”.
Então, como é que eu vou ser uma crítica de cinema se ao invés de dizer que “Cuarón tinge de masculinidade uma história feminina que poderia ser grandiosa, amordaçando com ternura a personagem que ele pretendia dar voz”, quando na verdade tudo o que eu quero falar é “mais um homem que acha que sabe melhor do que a mulher sobre os sentimentos dela”???
Esses dias, eu estava entrando para uma sessão de cinema e aconteceu uma coisa. Quarta-feira, quatro da tarde e eu no cinema. Você vai me odiar, mas pode ficar tranquilo que eu me odeio mais.
E além de tudo, mesmo essa mamata já acabou.
Estava eu entrando na sala de cinema, o filme era “The Wife” (ASSISTAM (essa é a minha crítica do filme)), e nisso um velho parado em pé em frente à uma das poltronas. Ele olha pra mim e manda:
“essa fita promete ser bárbara, hein?”
E eu pensei: rapaz, É ISSO.
No fim das contas, não importa a cartela de cores que o diretor de fotografia quis usar, as cenas gravadas sem ensaio, se é uma retomada do cinema mudo. Foda-se. Ninguém liga. O filme é bom? Fez você sentir algo? Você gostou do filme? Então é só isso o que importa.
Minha opinião hoje se resume a ser o mais direta possível sobre o que o filme me fez sentir. Sem o lirismo das resenhas juvenis, sem tentar descobrir a grande mensagem por trás daquela trama – a grande mensagem misteriosa que só eu, a cinéfila, fui capaz de descobrir.
Foda-se. Hoje só me importa se a fita é bárbara ou não.
Oliver Sacks morreu, então é bom que você procure em outros livros as razões para o seu cérebro funcionar do jeito que funciona. Enquanto terapia ainda não é uma possibilidade, uma saída possível é distrair a cabeça ficando por dentro de casos ainda mais terríveis que o seu, a pobre menina triste por nada.
Estou lendo esse agora, de um neurologista que escreve sobre temas complexos da mente humana usando palavras amenas. De um modo geral, até onde chegou minha leitura, é tudo um emaranhado de conceitos tão subjetivos quanto perder o amor de alguém. É difícil.
Espremendo bastante, você consegue entender. Como eu disse, como perder o amor de alguém.
De tudo, dois casos narrados no livro me chamaram a atenção até o momento. Vou falar deles, do modo como eu os compreendi.
O primeiro caso é do rapaz que perdeu a capacidade de aprender coisas novas. Soa meio desesperador, e realmente é. Esse rapaz sofreu um acidente que deixou sequelas no cérebro. Desse modo, ele agora não aprende nada que lhe é ensinado e nem consegue depreender nada do que acontece com ele. Por exemplo, ele pode baixar um app no celular, mexer e usar em um dia. No outro, já não lembra mais como faz. Ele pode se envolver com alguém, mas não é capaz de conduzir aquela relação, pois não aprende nada sobre a pessoa.
É como se a mente dele tivesse estacionado. Funciona, mas não evolui, posto que não agrega mais o que de novo surge.
Nesse livro a abordagem do estudioso é entender como o que sentimentos é registrado pelo cérebro. Tudo bem você sentir dor, mas como é que você sabe que está sentindo dor? Quando é que tomamos consciência do que sentimos? Quando nosso cérebro reconhece um sentimento? Quer dizer, o sentir por sentir não seria nada, se a gente não pensasse sobre ele. Você pode romancear e dizer que seu coração foi partido, mas como é que seu cérebro sabe que você se magoou tanto?
Então, o neurologista do livro fez um experimento com o rapaz que não aprende. Durante uma semana, fez com que o moço fosse sempre na mesma cafeteria comprar café. Lá, era atendido em dias alternados por três garçons diferentes: um malvado, um bonzinho e um neutro.
Descobriu-se que, mesmo que hostilizado, por não aprender com sua experiência, o moço não era capaz de evitar, por exemplo, no dia seguinte, de ser atendido pelo malvado que lhe atendera de maneira rude no dia anterior. Ele não aprendera que aquela pessoa era cruel, então não aprendera a evitá-la.
Da mesma forma, se notou que ele podia ser atendido eternamente pela pessoa boazinha, sem reconhecer seu carinho, pois não aprendia que ela era capaz de ser melhor para ele do que os outros.
Ao fim da semana de testes, o autor mostrou para o rapaz retratos dos três garçons que lhe atenderam. E pediu que o moço apontasse qual lhe parecia mais confiável, embora o moço não lembrasse dos seus rostos e não lembrasse das interações que trocaram (lembrar também é um aprendizado, perceba).
Mesmo sem ter conhecimento, o moço apontou o garçom bonzinho como aquele que lhe parecia uma pessoa melhor. Ele não lembrava da experiência que tivera com ele, mas de algum modo sentia que aquela pessoa era a mais confiável entre as três. Ele não era capaz de aprender coisas novas, mas de algum modo, em seu coração, ele sabia.
Ele não aprendia nada, no entanto ainda resistia em seu cérebro a capacidade de sentir.
O outro caso era o da mulher incapaz de sentir medo. Dito assim até parece que ela era uma heroína que saía pela madrugada defendendo os cidadãos incautos, eu sei. O ponto, no entanto, era outro.
Essa moça nasceu com uma falha no cérebro que a tornava inapta para reconhecer expressões faciais que demonstravam medo. Ou seja, ela conhecia a dor, a raiva, o amor, a felicidade. Mas se você a encarasse com medo, ela não era capaz de entender, pois não conhecia essa sensação. Nasceu sem ela.
No livro, o neurologista conta que essa moça sofrera muito durante toda a vida, sendo vítima de vários golpes e de pessoas que se aproveitavam de sua “inocência” e “coração aberto”. Por ser como era, a moça se tornara uma pessoa muito expansiva, solta. Ela beijava, conversava, abraçava e interagia com toda e qualquer pessoa que lhe surgisse na frente. Ela confiava em todos. Sem medo, lembra?
Para ela, o medo era um conceito entendível, que já lhe fora explicado diversas vezes. Ainda assim, ela não era capaz de senti-lo. Como você aprende a sentir algo? Isso não existe, não se você não tem esse sentimento dentro de você. Ou você sente ou não sente, não tem como forçar. E assim, a mulher sem medo vivia sua vida de maneira totalmente exposta.
Perigoso, se você for pensar.
No entanto, diz o autor, ela era a pessoa mais feliz que ele já conhecera. Apesar dos prejuízos (materiais e sentimentais) que a falta de medo já haviam lhe causado, ela compensava em alegria o que de ruim acontecera. Mesmo as experiências negativas não eram capazes de prepará-la para o futuro. Ela não podia evitar de se meter em enrascadas, pois o aprendizado não trazia o medo consigo. O medo não existia para ela. E, assim, ela viveu uma vida inteira sem saber os riscos que corria, sem aprender com o que de mau lhe acontecia. E sem sofrer por isso.
São dois casos que me fizeram pensar. Em como o sentimento vai do coração até o cérebro. E do que realmente vale sentir algo, se você não é capaz de compreender esse sentimento. Será que a gente é capaz de compreender tudo o que se passa no nosso coração? Será que sentir ou deixar de sentir algo pode nos levar a uma vida melhor?
Eu não tenho essas respostas. Infelizmente. Sigo lendo, então.
O livro que estou lendo se chama “O Mistério da Consciência”, de António Damásio. Eu ainda não terminei de ler, então é provável que ainda escreva novamente sobre ele, se eu continuar aprendendo algo com a leitura. Você pode encontrar o livro para a venda através deste link.
“The Lady of Shalott”, de John William Waterhouse (1888)
Não espere que ser feliz não tenha um preço
Sonhei que você chegava na minha casa, abria o portão e sorria. No sonho você tinha a idade que eu tenho hoje, metade da que realmente tem nesses dias. Você usava um jeans azul escuro e uma blusa de tricô de um verde militar escuro também, seu cabelo muito bonito completava o tom da elegância simples que você emanava. Na cozinha da minha casa, casa esta que você ainda nem conhece na vida real, você dava risada tentando conter uma goteira que vazava pelo teto. “Meu amor, vai inundar tudo!”, você dizia e ria, porque já passou muito por isso.
Encostados na janela da varanda da casa de um amigo, fomos surpreendidos por nós mesmos contando um ao outro segredos sobre nossos sonhos mais imediatos. Dei um gole na cerveja e confessei que ando sentindo muito medo, pois ando feliz demais. Você riu de mim (um claro sinal de que eu estava errada e isso me alivia como poucas coisas na vida) e disse que não havia motivo para ter medo. É bom ser feliz, pensei. Eu deveria aceitar essa felicidade, me cobrei, não sem julgamento.
Eu deveria, não é mesmo? Passo o dia subindo e descendo escadas tentando entender que a minha vida é esta e que não há problemas em ser feliz. Por muito tempo, fui levada a acreditar que queria demais, emprego, reconhecimento, coisas. Não preciso, na verdade. Meu trabalho paga as minhas contas e não tem problema se eu jogar video game por uma hora entre uma entrega e outra. Minha casa é bonita e eu posso ter uma casa bonita sem pensar que não a mereço. Meu casamento é feliz e tenho dois gatos lindos. Eu só preciso acreditar que valho essa felicidade toda.
Existe um senso comum de que você precisa sofrer muito para depois ser feliz. Se você é uma pessoa que acha que merece tudo de ruim que lhe acontece, é como se a hora em que ser feliz é permitido nunca chegasse. Minha mãe, no meu sonho com a minha idade, dizia que vai inundar tudo. Acho que vai mesmo. Já está inundando tudo essa felicidade: minha casa, meu casamento, meu coração. Os sonhos todos sendo revelados entre um gole de cerveja e outra, gargalhadas antes de dormir e depois sozinha na rua, lembrando.