Desafio Literário

Tema de abril no #DLdoTigre2018: “Que meu amigo mandou ler”

É hora de colocar as amizades para trabalhar!

Olá, pessoal!

Venho trazer as indicações de leitura para o tema de abril no Desafio Literário do Tigre 2018. Para esse mês, pensei em colocarmos pra jogo aquelas dicas literárias dos nossos amigos. O que acham?

Dentro desse tema, não existe limitação quanto à gênero literário ou densidade da obra. Tudo é válido!

Para facilitar na hora de escolher qual livro ler, a dica é puxar pela memória aquelas indicações que os amigos vivem fazendo, os livros que te emprestaram para ler e as publicações em redes sociais de conhecidos contando os livros que leram e amaram.

Nas minhas dicas a seguir, trago quatro títulos que meus amigos vivem mandando eu ler — e um que eu, como sua amiga pessoal, vou mandar você ler!

Todo mundo fala de Elena Ferrante desde 2015, eu não aguento mais! E ainda não li nada dela até hoje, acreditam? Ferrante traz romances sobre e para mulheres, escritos com uma sensibilidade que tem arrastado multidões por seus lançamentos. “A Amiga Genial” é o primeiro volume da Série Napolitana da autora e, se formos começar por algum lugar, que seja daí.

Considerado a maior revelação da literatura de suspense no Brasil, Montes traz em “Jantar Secreto” a história de um grupo de amigos que organiza jantares misteriosos. Preciso ler pra ontem, muita gente já me indicou!

Esse quem recomenda sou eu! Acabei de ler e estou muito impactada. Além da história ser instigante por si só (quem não lembra da tragédia que foi o assassinato misterioso da menina Nardoni?), o livro de Pagnan é altamente viciante e de narrativa explosiva. Leia!

Amo (quase) tudo o que a Colleen Hoover faz e este, mais recente dela, todo mundo está dizendo que está lindo. O projeto gráfico é realmente uma beleza, pelo o que já pude ver. Se você gosta de histórias de amor daquelas bem sofridas, eis a dica.

Esse aqui também faz anos que me indicam. É um young adult desses bonitinhos, leves, para ler no intervalo entre uma leitura mais pesada e outra. Preciso muito ler!

E essas são as minhas dicas. Já escolheu seu livro do mês para o #DLdoTigre? Conta pra mim!


Ok. E o que eu faço agora?

Busque um livro dentro das especificações mencionadas no post ou escolha um dos indicados! Após a leitura, publique nas redes sociais com a hashtag #DLdoTigre. Boa leitura!

Descobri o #DLdoTigre2018 agora, posso participar?

Mas é LÓGICO que você pode! Nosso Desafio Literário não tem entraves. Se quiser participar, é só postar o card oficial dos temas nas suas redes, usando a hash #DLdoTigre2018, escolher um livro e você está dentro! Aqui nesse post você encontra o tal card e todas as informações de que possa precisar.


Esse post faz parte do Desafio Literário do Tigre, uma iniciativa criada por mim para ajudar você a ler mais! Acompanhe todos os posts relacionados a esse desafio pela tag. Curta a fanpage do #DLdoTigre no Facebook. Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário neste post e responderei tão breve quanto possível.

Processo Criativo

Morning pages: ajudando a desbloquear sua escrita

Photo by Daria Shevtsova on Unsplash

Exercitando a criatividade e organizando pensamentos assim que o dia amanhece

Sempre carrego comigo, e uso como ferramentas de trabalho, vários caderninhos, blocos de anotações, diários e agenda. Mesmo assim, de uns tempos pra cá, passei a sentir falta de ter um espaço onde pudesse escrever livremente sem me preocupar com formato, tema ou com a própria estética do material.

A ideia das morning pages já vem rondando minhas redes faz tempo. Com o conceito simples de ser um tipo de diário onde você escreve todos os dias pela manhã, a prática sempre é indicada em blogs gringos que leio. Mas confesso que ainda achava meio complicado entender conceito e propósito, então ia deixando de lado. Até surgir esse post salvador de vidas da Maki, do blog Desancorando. Foi ali que eu realmente entendi como funciona e comecei a fazer o meu morning pages.

Mas afinal, o que é o morning pages?

Meu caderno de morning pages: três páginas por dia de exercício livre de escrita

Explicando de uma maneira bem resumida, nada mais é do que um caderno (ou algumas páginas do seu diário ou agenda que já estejam em uso) onde você vai escrever todos os dias pela manhã, assim que acorda. Assim, sem pensar muito, você acorda, senta na mesa e escreve três páginas. Sem elaborar, sem se questionar muito, sem tentar dar um sentido para aquilo. Só vai.

E qual a utilidade disso? Bom, muitas, e com certeza ao começar a prática você descobrirá como ela pode te ajudar. Você pode descobrir no morning pages uma maneira de acalmar a ansiedade ao já ir escrevendo o que quer fazer no dia, pode ser uma maneira de desabafar seus medos, registrar o que sonhou ou até mesmo apenas para treinar a sua letra!

Não existe um roteiro do que você precisa escrever e, nessas, você descobre o que realmente estava precisando desabafar, tirar da frente, insistir ou inventar. Não existe um “não escreva isso” ou “fale apenas disso”. A ideia é mesmo escrever tudo que vem à sua mente, desencadeando um processo de escrita por impulso que pode te levar a lugares que você nem imaginaria, criativamente falando.

E qual o motivo de serem exatamente três páginas por dia? Não existe uma explicação fechada para isso, mas baseado na minha experiência, acredito ser por que esse é um tamanho bom de texto para você “destravar” daquela timidez inicial, romper a barreira psicológica do “isso tá difícil, melhor desistir” e chegar ao ponto desejado do “ei, isso tá legal, olha que ideia incrível surgiu aqui!”.

Sabe na academia, onde os 30 minutos iniciais de exercício são os piores e os 30 últimos são maravilhosos? É meio nesse esquema — e a questão é que você não pode ter os minutos finais sem ter aqueles difíceis do início. Em três páginas, você se aquece e se solta para conseguir ir além em suas ideias.

Também por isso é importante escrever todos os dias, fazendo disso uma rotina e habituando seu cérebro a se exercitar assim cedinho.

Somado a todos os propósitos a que essa prática pode servir, existe uma motivação que eu considero primordial: ela não deixa de ser, em última instância, uma chance de você gastar um momento de pura contemplação apenas consigo mesma. Como em uma meditação escrita, são dez minutinhos ou mais que você gasta só com você, longe de outros estímulos, apenas em silêncio com seu papel e caneta. E ter momentos assim na rotina corrida da vida é muito importante para a nossa saúde mental.

Para mim, a prática do morning pages tem ajudado muito a desbloquear a minha escrita, e é por conta disso que a indico aqui. Não é que eu use o meu caderninho para propositalmente tentar imaginar histórias novas — até por que, nada é exatamente no propósito no morning pages — , o caso é que o simples fato de estar ali escrevendo sem medo e sem freios te dá uma coragem de inventar histórias depois, quando você realmente for fazer isso.

Sem contar que, ainda com o cérebro meio “devagar” de sono, escrevo frases que jamais imaginaria e elas me inspiram e me ajudam em histórias que acabo criando no decorrer do dia.

Para fazer o morning pages, peguei um caderno desses pequenos, de 96 páginas, que tinha aqui guardado, presente de uma amiga. Uso a primeira caneta que vejo pela frente e minha única concessão à customização é marcar os dias com post-it com certa antecedência, até para eu saber até onde devo escrever diariamente.

Meu ritual é acordar cedo, como sempre faço, ir ao banheiro e na saída, já sentar no meu escritório (eu trabalho de casa) e escrever. Às vezes nem a luz eu acendo, se a iluminação do dia já está boa. Procuro não pensar muito, apenas ir escrevendo, colando uma ideia na outra, rindo de mim mesma, desabafando ou inventando planos. E até o final da terceira página, já me sinto aquecida mentalmente para começar o dia e o trabalho.

E é só isso mesmo que você precisa para começar. Um caderno, uma caneta e disposição para escrever sem medo. Recomendo muito que você tente, é um exercício incrível, fácil, que pode te mostrar coisas sobre você que você jamais imaginaria.

Que tal começar amanhã cedinho?


Queria agradecer a Loma e a Maki pelo apoio para começar. E mais uma vez coloco aqui o link do post da Maki, que tem absolutamente tudo o que você precisa saber sobre o morning pages.

crônicas

Dezoito de março, tudo sobre minha mãe

Eu e minha mãe, em sua primeira viagem à São Paulo, quando adoeci em 2014

Como tantas, uma história que precisa ser contada

Existe uma foto minha com a minha mãe que eu adoro. É do meu aniversário de sete anos, na festa feita na escolinha onde eu estudava. Minha mãe era também a professora da turma, então, mais do que justo, ela está ao meu lado na hora de cantar os parabéns.

Em 1991, felizes em meu aniversário

O meu vestido, em tricô rosa com seus detalhes em branco e sua gola em tecido fino, foi feito por ela. Me lembro das várias provas que fizemos nas semanas anteriores até que eu finalmente pudesse usá-lo naquele dia tão especial.

Minha mãe, linda e no auge da juventude, usa um look azul petróleo que até hoje nunca consegui imitar por completo, me faltando sempre esse porte ou esse bom gosto.

A coisa de usar dois relógios era moda na época, o cabelo assim em camadas e com as pontas aloiradas também. Com o sorriso mais lindo que se pode ter, no momento em que a cantoria acaba e eu faço um pedido antes de soprar as velinhas, minha mãe me beija o rosto como quem me conta um segredo, um segredo que eu sempre soube: lembro com exatidão que nesse momento ela dizia que me amava. Não “eu te amo” ou “eu amo você”. Era sempre “ti amo”, com ti bem pronunciado, como um código especial entre nós duas. É assim até hoje.

Tenho pensado muito ultimamente na necessidade de que contemos as histórias das mulheres que admiramos. Precisamos falar sobre mulheres, precisamos tomar esse espaço nas narrativas cotidianas. Precisamos falar sobre as mulheres como falamos sobre os homens, tornar essas pautas equivalentes em quantidade. Recentemente, com um grupo de amigas, a pergunta era qual pessoa era a sua maior inspiração. A minha, sem dúvida, é a minha mãe. No entanto, percebi que não sabia tantas histórias sobre ela.

Com meu pai, outro grande cara que merece ter sua história contada.

Como é óbvio de se imaginar, as histórias todas que sei da minha mãe vêm do olhar que tenho dela como filha. Não sei muito do seu tempo de garota, das suas histórias do tempo de solteira. Sempre vi a Neti, a mulher de temperamento forte e coração mole, como minha mãe apenas.

No entanto, conforme crescemos, aprendemos a nos distanciar desse olhar fraternal e a ver nossos pais mais como indivíduos comuns, passíveis de erros e acertos, assim como nós. Desde que saí de casa, oito anos atrás, passei a me ver mais como um indivíduo único, não apenas como a filha, a parte mais nova daquela família nuclear de onde vim. Ao mesmo tempo, a cada ano que passa, percebo mais e mais traços da minha mãe em minha personalidade. Nada que eu invente ou force, mas muitas vezes me vejo tendo o olhar dela para o cotidiano. Sua praticidade, a resiliência e a doçura inesperada que resolve em segundos um conflito que eu mesma criei.

Não sei muito sobre minha mãe antes do meu nascimento e isso é um erro, mas hoje, em seu aniversário, percebo que ela já passou mais tempo sendo minha mãe do que não sendo, então quem sabe meu erro não seja tão ruim assim.

Após minha primeira cirurgia, em 2014, quando do meu tratamento do câncer

O que sei da minha mãe e posso contar são essas histórias que vivemos juntas. Como quando estive doente e ela viajou de ônibus por quase um dia inteiro para então ficar por semanas dormindo em um sofá ao meu lado, em um quarto de hospital.

Como quando, incontáveis vezes, ela me mostrou que preciso ter calma diante do que não posso resolver. Acho que ainda não aprendi, mas ela segue me ensinando.

Quando eu era pequena, me magoava porque brigávamos e eu queria ficar uma semana sem falar com ela. Quando ela brigava com meu irmão, em dois segundos eles já estavam se falando de novo e eu via nisso uma prova inegável de que ela gostava mais dele do que de mim. Que besteira. Quanto mais me conheço, mais conheço minha mãe. E entendo que ela sempre foi boa, sempre foi justa, sempre foi coração e alma, corpo forte e trabalhador que nos sustentou com trabalho e amor por anos. E eu sempre fui uma menina brava, exigindo provas de amor sem conseguir enxergar que elas sempre estiveram diante dos meus olhos.

Meu marido, meu irmão, eu, minha cunhada e minha mãe. Meu pai não sai de casa por nada, gente.

Existem muitas histórias. Os almoços extremamente simples que a mim pareciam banquetes, posto que ela arrumava a mesa tão bonita. Como ela sempre estava tricotando ou costurando roupas para mim, me vendo bonita em lindos blusões de inverno e atrevidos biquínis de crochê no verão. Como ela sempre me protegia dos outros, eu com a minha timidez ridícula desde a infância, me escondendo em seu colo nas festas de família.

Esse não tem sido um ano fácil para mim. Me vi doente, de cama, mais vezes do que se pode considerar normal. Muitas vezes perdi a paciência e a fé, ligando para minha mãe em outro estado e chorando desesperada, sem pensar nela que só me ouvia à distância sem nada poder fazer além de me ouvir. Nesses momentos, seus conselhos sempre me acalmavam, mesmo eu podendo saber, a conhecendo agora como conheço a mim mesma, que nem sempre ela tinha certeza do que dizia. Mas ela tem fé e ela acredita. E ela torce por mim, então as coisas devem melhorar.

Eu sei que todas as mães são incríveis. Acredito firmemente nessa verdade que, como poucas, ainda mantém o mundo um lugar habitável. Mas preciso hoje falar da minha mãe. Seu nome é Ivonete Terezinha Lopatiuk do Amarante e ela faz 60 anos. Ela nasceu em Medianeira (PR) e se mudou pra Foz do Iguaçu ainda nova. Ela se casou com meu pai quando eles tinha vinte e poucos anos e eles tentaram morar em Curitiba por um tempo, mas não deu certo. Gosta de uma cervejinha e de um churrasquinho. Gosta de novela, mas sempre promete que essa nova que saiu agora ela não vai ver, senão vicia.

Ela já trabalhou como professora, como vendedora, já trabalhou fazendo pão pra vender e como moça da copa, em vários lugares. Hoje ela é diarista, mas está como mensalista para a família de uma amiga. Ela trabalhou como babá por muitos anos para várias famílias e até hoje vários jovens adultos a chamam com carinho de Tia Neti.

Passeando no litoral, mês passado.

Essa é a minha mãe. Ela parece brava, mas é extremamente emotiva e carinhosa. Feito eu. Quando angustiada com a vida, ela limpa a casa e trabalha para espairecer. Feito eu. Ela construiu uma vida simples e digna, baseada em seu próprio esforço e no amor que sente por todos que a rodeiam. Como eu espero estar fazendo. Considerando que me pareço a cada dia mais com a minha mãe, se um dia eu conseguir chegar à metade do ser humano que ela é, já serei uma pessoa realizada.

Quanto mais conheço a mim mesma, mais conheço minha mãe. Quanto mais conheço minha mãe, mais a amo e admiro sua força, sua história. E a sua história é bonita, como a de tantas mulheres que conhecemos. Essas histórias precisam ser contadas. E é por isso que, feito a menina de sete anos que fui, admirada por ter a mãe mais bonita da escolinha, hoje eu venho aqui, usando as únicas ferramentas que tenho, escrevendo, já que é a única coisa que sei fazer, para dizer que esse texto é para você, Neti. E também para dizer que eu ti amo. Muito. Eu ti amo pela vida inteira, mãe.

Resenhas

June, Mrs. Maisel e o prazer de gostar de algo

Parecia simples ter uma opinião até não conseguir mais tê-la

Correndo o risco de parecer preguiçosa ou até burra, devo dizer que é cada vez mais difícil para mim apontar motivos para gostar de algo que vão além do puro e simples gostar.

Sendo bem sincera com você, existem várias séries, filmes e livros que eu consumo e gosto, me vejo tentada a falar sobre, mas parece que para falar de algo na internet você precisa fazer todo um tratado sociológico daquilo. Não tenho forças.

Não quero inserir aquela peça de entretenimento em um contexto de estudo de narrativa. Não quero criar uma defesa para um conteúdo que consegue se sustentar com as próprias pernas e não precisa disso de mim. Quero apenas dizer que gostei. Porque gostar de algo, por si só, para mim, já é difícil. Não por eu ser exigente demais, eu nem sou, é só porque as coisas, sejam elas quais forem, demoram um pouco mais do que o normal para me atingir.

Fugindo do que deveria fazer, me vejo sempre chegando atrasada em todo hype. Chego sempre com pelo menos doze meses de atraso nas conversas da semana. Eu sei que pode parecer haver certa vaidade em dizer isso, observe eu não me importar, mas verdade é que eu me importo. No entanto, não há nada que eu possa fazer. O ritmo nas grandes cidades, etc, e, acima de tudo, prioridades.

Esse atraso tem seu preço, sobretudo na experiência que envolve consumir algo cultural. Afinal, ver uma série, hoje em dia, não é apenas dar play na TV. Existe todo um cenário, uma conversa, uma análise. Mesmo sozinho em seu calabouço, tendo um celular na mão você jamais assiste a uma série sozinho. Enquanto elas estão em alta, claro. Desse modo, quando vistas um ano depois, como eu faço, longe do hype e do barulho da multidão que exige que você assista a isso ou aquilo, uma série antes tida como excelente é, na maioria da vezes, apenas mediana.

Mas existem, é claro, aquelas que se destacam.

Isso aconteceu recentemente comigo quando peguei para ver The Handmaid’s Tale. Tendo seu primeiro episódio sido lançado um ano atrás, não preciso exatamente te convencer de que é boa, você já deve ter ouvido falar dela.

Acredito que a essa altura todos saibam de que se trata a série, tão indicada e premiada por conta da sua qualidade e crítica social inquestionáveis. Uma fábula com ares de distopia onde o lugar da mulher da sociedade é o de uma mera parideira de bebês para os que tem dinheiro e poder.

Para mim, ela pegou muito mais por conta dos grandes silêncios que sentíamos através dos grandes olhos azuis da June interpretada por Elizabeth Moss. Toda aquela dor que ela transmitia apenas olhando incrédula para seu mundo desabando.

Isso me afetou demais, de um modo que, por dias, era tudo o que eu queria assistir.

Veja, com várias opções de séries por aí, é comum que a gente misture todas, escolhendo uma para quando estamos contentes, outra para quando estamos tristes, uma terceira para quando precisamos de um presente depois de um dia difícil. Isso é totalmente ok, mas para mim deixou de funcionar assim que assisti ao episódio piloto de Handmaid’s.

Eu queria ver aquela temporada até o final, apenas ela e nada mais.

E assim o fiz, então ela me acompanhou por duas semanas (até que demorei, não é mesmo?) e essa imersão fez com que o meu carinho pela série aumentasse. Em muitos dias, era tudo o que eu precisava ver. Em outros, me deixava mal por ter visto, arrependida de ter terminado um dia feliz implantando toda aquela angústia no coração.

Mas a série traz uma angústia que precisa ser sentida, como uma ferida que precisa que você tire os curativos, olhe como está e a limpe.

Eu gostei de The Handmaid’s Tale por isso.

Vindo em um extremo oposto, está The Marvelous Mrs. Maisel, que peguei para ver assim que terminei Handmaid’s.

Mrs. Maisel também foi lançada há exatos doze meses, mas acho que não foi tão comentada assim — embora tenha ganho alguns prêmios. A série conta a história de Midge Maisel, uma dona de casa comum dos anos 50 que vê sua vida mudar quando seu marido a abandona. Divorciada, com dois filhos pequenos, Midge tem que correr atrás, arrumando um emprego e uma improvável carreira como comediante stand up.

Incrível como, a seu modo, essa série também fala sobre os direitos da mulher e o seu papel na sociedade. Sem fazer fan service gratuito e forçado (oi, The Post) para nada e nem ninguém em especial, Mrs. Maisel nos mostra com doçura e muito humor como é difícil ser mulher em uma sociedade que não nos aceita como somos e sempre está moldando um novo modelo que devemos seguir.

Fazer uma série de humor que não seja frívola é algo digno de nota. Em Mrs. Maisel eu encontrei um lugar onde podia gargalhar todos os dias enquanto me comovia com a história daquela personagem. Rachel Brosnahan, a atriz que interpreta a protagonista, é tão absurdamente cativante que chega a ser sobrenatural a maneira como nos põe de joelhos por sua Mrs. Maisel já no episódio piloto. Uma série boa assim não precisa de claque. Toda noite eu via dois episódios por vez e sentia meu coração ser preenchido por amor e entusiasmo.

Eu gostei de The Marvelous Mrs. Maisel por isso.

Chegando ao fim desse texto, vejo como as duas séries têm muito em comum, além do fato de terem agradado a mim, eterna atrasada em tudo, inclusive em gostar. Duas mulheres fortes, cativantes, apaixonantes e apaixonadas buscando por conta própria uma solução para o drama que a vida lhes impôs. Em uma época como a nossa, essa reflexão e esse incentivo são sempre válidos.

Deve ser por isso que gostei tanto delas. Calada maturando tudo o que aprendi nesses dois shows, decido que vou falar mais do que eu gosto por aqui. Com tratado sociológico incluso ou não. Provavelmente, não. Mas é isso.

Eu gostei disso, então é algo que merece ser dito. Por si só, o gostar justifica que se fale de algo.


Caso tenha ficado interessado nas séries, The Handmaid’s Tale é uma produção da Hulu e atualmente está sendo exibida no Brasil pela Paramount Channel. Já The Marvelous Mrs. Maisel é um produto da Amazon Video. Nenhuma está disponível na Netflix — às vezes a gente precisa se esforçar um pouco…

Resenhas

Leia mulheres: Dawn French e Anne Holt

Imagem: Dawn French (© Rob Greig) e Anne Holt (Ole Gunnar Onsøien / NTB scanpix)

Títulos da Fundamento mostram a diversidade da literatura feminina

Ainda de carona com as postagens do Dia da Mulher, falo hoje sobre dois livros que li recentemente e mostram o quanto a literatura feminina pode ser diversa.

Tanto na comédia como no suspense policial, gêneros quase que diametralmente opostos, temos aqui bons exemplos de como a literatura feita por mulheres é forte e enriquecedora.

Para começar, temos A Maravilha das Pequenas Coisas, da britânica Dawn French.

French é uma atriz e comediante britânica famosa pelas séries de TV French & Saunders e The Vicar of Dibley. Mas é provável que você a conheça mesmo por sua participação em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, onde ela interpreta a Mulher Gorda, o retrato que guarda a entrada da Torre da Grifinória ou por As Crônicas de Narnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, onde ela fez a Sra Castor.

Com forte veia de comédia, French traz em A Maravilha das Pequenas Coisas uma história hilária, de uma família improvável e comum ao mesmo tempo.

Lançado pela Fundamento recentemente, o livro de French tem o formato inesperado de diário, onde a narrativa de uma família é contada pelo ponto de vista de três de seus membros: a filha adolescente revoltada, o filho que pensa que sabe tudo da vida e a mãe, uma mulher tentando agradar à todos.

Achei esse modo de contar a história muito curioso. Aos poucos vamos nos identificando mais com este ou aquele personagem (eu adorei o filho, um dândi moderno que se considera um Oscar Wilde incompreendido) e nos vemos inseridos na história da família.

A grande graça de A Maravilha das Pequenas Coisas acaba sendo nem tanto as boas tiradas dos personagens, principalmente da mãe, que perdida se vê em uma situação definidora e passa por ela lindamente, mas sim a doçura com que percebemos a figura da família em nossa vida.

Com a mãe, a filha e o filho, cada pequeno mundo desse universo ajuda a formar um todo que enternece quando percebemos que toda família é maluca. E, por isso mesmo, toda família é maravilhosa.

French Dawn sabe como ninguém mostrar toda essa ternura com muito humor e, por fim, nos vemos rindo de passagens do livro que lembram a nós mesmos em nossas histórias com nossos irmãos, irmãs e, principalmente, com nossas mães, que sempre fazem de tudo para nos ver felizes.

Vinda de outra formação e experiência, temos a literatura da norueguesa Anne Holt.

Já falei aqui sobre ela, quando li dois dos seus outros livros lançados pela Fundamento: Números de Azar e Demônio ou Anjo. Grande nome da literatura de suspense, Anne Holt é uma das escritoras de tramas policiais mais bem-sucedidas da Noruega e já teve seus livros editados em 25 países.

Em 1222, seu lançamento mais recente no Brasil, temos a policial Hanne (protagonista também de Números de Azar e Demônio ou Anjo, além de A Deusa Cega) novamente em ação, dessa vez em um cenário totalmente atípico: ilhada na neve a 1222 metros de altitude, após um acidente isolar todos os passageiros, incluindo ela mesma, de um trem em um hotel. Todos precisam ficar ali até que uma impiedosa nevasca chegue ao fim. E, para piorar esse cenário, um assassinato misterioso ocorre no hotel.

Hanne é impelida a resolver o caso, embora seja uma policial já aposentada. E, contra toda a sua relutância, terá que tomar alguma atitude antes que mais crimes ocorram. É interessante observar como a autora soube trabalhar bem com a questão do envelhecimento da personagem. Conhecemos Hanne como uma policial ativa e jovem, em A Deusa Cega, de 1993, e assim a vemos nos livros seguintes da autora, podendo acompanhar a evolução da personagem. Em 1222, ela já é uma senhora de idade avançada, com limitações de mobilidade, mas ainda com a conhecida perspicácia e personalidade forte que a tornaram uma policial renomada.

1222 é, quem sabe, o melhor livro de Anne Holt. A autora parece muito à vontade e totalmente em seu elemento, construindo uma trama de suspense com todos os ingredientes que esse gênero costuma ter, e nem por isso sendo previsível ou tedioso. Pelo contrário, assim como é forte a personagem Hanne, é forte a escrita de Anne, que nos entrega mais um de seus livros incríveis e densos, perfeitos para uma leitura que faz o coração acelerar e o cérebro pensar.

Entre as gargalhadas de Dawn French e os arrepios de Anne Holt, sugiro que fiquemos com as duas. São dois livros que ensinam de maneira diferentes e acrescentam demais. Recomendo fortemente a leitura de ambos!


Livros recebidos em parceria pela Editora Fundamento. Você pode adquirir A Maravilha das Pequenas Coisas e 1222 através do site da editora.

Desafio Literário

Tema de março no #DLdoTigre2018: Contos curtos!

E eu sei que contos geralmente são curtos, mas é que esses…

Para o primeiro tema a ter seus livros sugeridos, escolhi “contos curtos” por dois motivos: são rápidos de ler, no que vão te motivar ao mostrar resultado rápido; e também são uma forma de incentivar autores nacionais.

É uma tendência que vem se firmando entre os autores que estão começando e querem mostrar seu material: ao invés de se debruçar por anos em longos romances, é cada vez mais comum vermos esses escritores lançarem contos curtos, de até 100 páginas, em edições únicas em plataformas virtuais como a Amazon.

Essa é uma estratégia ótima que traz benefícios para os dois lados. O autor tem a chance de mostrar seu material, recebendo por isso e tendo a resposta do público tanto por resenhas quanto por quantidade de vendas. E o leitor tem a chance de conhecer autores novos, ao mesmo tempo em que lê uma história curtinha, fácil de digerir e rápida de ser inclusa na lista de leituras do ano.

Foi dessa maneira que conheci muitos autores novos, dos quais sou fã hoje em dia. É importante dizer que esse gênero dos “contos curtos”, por assim dizer, também tem sido onde a literatura brasileira LGBT tem florescido, com histórias de romance gay, algo não tão comum na nossa estante. Mas isso vem mudando.

Minhas sugestões são todas baseadas em livros que já li. Logo após a imagem, trago um pequeno contexto sobre cada obra e o link de compra na Amazon. Se você assina o Kindle Unlimited, a maioria desses livros são de graça, inclusos na assinatura. Se você não tem kindle, mesmo assim é possível ter o aplicativo dele e ler pelo celular — falo melhor sobre isso aqui.

Vamos às indicações? Todos os autores indicados aqui são brasileiros.

Nesse universo alternativo trazido por Clara Madrigano, Watson deixou uma filha moça que trabalha com Sherlock Holmes em um caso envolvendo a morte misteriosa de uma criança especial.

História de amor entre dois rapazes, tem uma narrativa muito interessante que revela uma surpresa no final.

Uma história de amor bonita e delicada entre duas moças. A escrita da Olívia é muito suave, quase poética.

Sempre é tempo de histórias de natal! Essa coletânea foi lançada em dezembro do ano passado e traz contos natalinos de 5 expoentes da nossa literatura jovem. Uma história mais incrível que a outra.

Primeiro livro da série As Estações, aqui temos um conto curto de natureza fantástica, mostrando um amor com ares de conto de fadas.

Como disse, são apenas sugestões. Você pode ler outro livro que não seja esse — e pode, inclusive, ler outro livro que nem seja desse tema, mas de outro que escolher no Desafio.

De qualquer forma, dentro do tema “contos curtos” o que vale para participar é ler um livro de até 200 páginas.

O que eu faço agora?

Busque um livro dentro dessas especificações ou escolha um dos indicados! Após a leitura, publique nas redes sociais com a hashtag #DLdoTigre. Boa leitura!


Esse post faz parte do Desafio Literário do Tigre, uma iniciativa criada por mim para ajudar você a ler mais! Acompanhe todos os posts relacionados a esse desafio pela tag. Curta a fanpage do #DLdoTigre no Facebook. Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário neste post e responderei tão breve quanto possível.

Desafio Literário

Desafio Literário do Tigre — Edição 2018

Tudo o que você precisa saber para participar!

Entre 2013 e 2015 eu inventei um Desafio Literário no meu extinto blog “Elvis Costello Gritou Meu Nome”. Era bem legal porque era bem solto. Eu apenas criava uma lista de temas e você podia ler qual tema quisesse no mês, quantos temas por mês desse vontade, quantos livros quisesse.

Embora esse sistema “solto demais” pareça induzir ao caos, o que acontecia era justamente o contrário. Muitas pessoas (mais de mil!) participaram no decorrer dos anos e várias delas me contaram que se sentiam muito mais motivadas a ler com o meu Desafio porque essa amplitude de escolha funcionava melhor pra elas.

Veio a vida e me fez parar com essa iniciativa. O blog foi encerrado também… Mas esses dias, dando uma organizada no quartinho dos fundos do meu perfil no Facebook eu achei a fanpage do Desafio e tive vontade de retomar. Uma rápida pesquisa mostrou que ainda havia interessados, então aqui estamos.

Sei que já estamos em março, por isso a dinâmica esse ano será um tanto diferente.

A minha proposta é sugerir 10 temas para o ano, onde você pode ler um livro de cada tema por mês daqui até dezembro. Você escolhe o tema, você escolhe o livro, você escolhe quanto ler.

Mensalmente, eu trarei aqui dicas de livros para cada um dos temas. Não vai ser o “tema do mês” porque você é quem escolhe entre os dez temas, como eu disse, mas pode ser se você assim o desejar.

Para marcar as suas leituras ou resenhas (você resenha se quiser), você precisa apenas postar mensalmente sobre o assunto, mostrando a sua edição do livro ou algo do tipo, nas redes sociais com a hashtag #DLdoTigre2018.

Sem mais delongas, vamos ao card com os temas:

Logo mais eu publicarei aqui o primeiro post com dicas literárias sobre um dos temas, além de um breve contexto sobre o motivo de ele ser importante.

Os temas foram escolhidos entre os mais fáceis e alguns fora da zona de conforto. Mas, principalmente, a minha ideia é fazer com que essa lista faça você ler mais dos livros que já tem, que estão parados na fila de leitura e deixam você se sentindo frustrado achando que não lê nada. Eventualmente, teremos alguns que exijam obras mais recentes. Ainda assim, é tudo dentro desse propósito de ler mais e, ao mesmo tempo, organizar a própria fila de leitura.

Por fim, são temas que me agradam e esse foi o motivo principal de tê-los escolhido. Não porque sou egoísta ou porque acho que saiba melhor do que os outros o que deve ser lido, mas apenas porque, como alguém que lê em bastante quantidade, acredito poder indicar alguns temas e obras que ajudam a gente a se motivar e tornar a leitura um hábito possível mesmo com a correria que a nossa vida é.

Vamos começar?

Se você quer participar do #DLdoTigre2018, o que você precisa fazer agora é:

  • Postar o card com os temas em alguma das suas redes, usando a #DLdoTigre2018 e (se for o caso) marcando a fanpage no Facebook.

E depois?

  • Você já pode ir escolhendo um tema e um livro, ou pode aguardar meu post seguinte (em menos de 24 horas!) com o primeiro tema e dicas de livros.
  • Ao final da leitura, poste nas redes sociais sobre o livro que leu. Resenhando ou apenas contando um pouco sobre o que achou da leitura, sempre marcando #DLdoTigre2018 e/ou a fanpage!

E nos outros meses?

  • Seguimos assim, com você escolhendo um livro baseado em qualquer um dos temas ou seguindo o tema que eu vou escolher para o mês. E publicando sobre o livro em suas redes após a leitura, usando #DLdoTigre2018 e/ou marcando a fanpage.

Seguindo assim, de pouquinho em pouquinho, até o final do ano você terá lido pelo menos dez livros dos mais variados gêneros. Bem legal, não é?

Se você ainda tiver alguma dúvida sobre o Desafio, não deixe de me perguntar por aqui ou nas redes sociais. Me segue no Twitter e/ou no Instagram!

E boas leituras!

Disney101

#Disney101: A Pequena Sereia e Encantada

Encantada (2007)

Assistindo aos filmes da Disney depois de adulta

Voltamos com o projeto em 2018! Ainda tem muitos filmes que queremos ver e a fila só aumenta.

É provável que adicionemos alguns da Pixar por aqui, no futuro.

Nossa reunião rolou no sábado passado (03). A cidade já estava dominada de foliões, mas não vi nenhuma princesas disney pelas ruas. Preocupante. Depois do almoço, fomos para os filmes.

Não sei muito bem o motivo de terem sido escolhidos esses dois em especial para combinação da tarde. De qualquer modo, seguiu o esquema: um antigo e um novo.

Vou falar sobre eles a seguir.

A Pequena Sereia (1989)

Acho difícil afirmar se eu realmente já tinha visto esse filme. Ele é tão presente no imaginário popular que nem precisa ser visto para que saibamos quando é referenciado em conversas ou publicações na internet.

As canções são consideradas clássicas e os personagens são icônicos mesmo hoje em dia, passados tantos anos.

Na versão original, a história tinha um desfecho bem triste — algo sobre um final catastrófico para a princesa Ariel — , mas nessa versão de 1989 tudo é bonito, feliz e doce.

De fato, esse filme é bem de princesa mesmo. As motivações de Ariel são quase que puramente relacionadas ao seu interesse amoroso e a história gira apenas em torno disso.

Não é como as princesas modernas, que são todas desconstruídas e tal.

Em um universo até então dominado por princesas loiras, uma curiosidade interessante é que Ariel foi a primeira princesa ruiva da Disney. Sua cor de cabelo foi escolhida especialmente para distingui-la o máximo possível de Madison, a sereia interpretada por Daryl Hannah em “Splash: Uma Sereia em Minha Vida”, de 1984.

Ariel também foi a primeira princesa da Disney a aparecer de barriga de fora.

Bom, quem sabe ela não seja tão certinha assim, afinal.

De qualquer forma, o filme poderia ter sido ainda mais inovador, já que em um primeiro momento Jim Carrey chegou a ser cotado para o papel de Príncipe Eric.

Isso eu gostaria de ver.

E o que eu achei do filme? Eu gostei, embora não tenha me emocionado. Parece uma história tão antiga e conhecida que assistimos apenas para reconhecer as canções e falas. Mesmo assim, pelo valor que carrega, vale a experiência.

Encantada (2007)

Para mim, ainda é difícil entender como a Disney pode se levar tão a sério em alguns filmes e não se levar nem um pouco a sério em outros.

“Encantada” parece fazer parte do segundo time e isso sempre me causa espanto e empatia imediata.

Me era inédita a história da princesa Giselle (Giselle!!!) que cai dentro de um poço por artimanha da rainha má e vai parar no mundo real, em Nova York.

A brincadeira que o filme faz em começar primeiro como um desenho e depois ser trabalhado em live action é muito, muito legal.

Amy Adams faz uma (futura) princesa maravilhosa, exagerando na caricatura de propósito para que a gente possa mesmo sentir a real dimensão do que aconteceria se uma princesa da Disney surgisse assim do nada na cidade grande.

Eu estou em um ponto da minha vida em que não consigo não GRITAR a cada vez que vejo um trabalho da Amy Adams, pois a amo demais desde “Animais Noturnos”. De modo que esse filme foi uma grande realização para mim.

As canções, entretanto, são um pouquinho fracas. Exceto pela incrível “That’s How You Know”, com sua performance que honra e eterniza com louvor a cafona moda do flash mob, todas as outras são quase esquecíveis.

O triangulo amoroso do filme me lembrou “O Diário de Bridget Jones”, o que é ótimo. E, nossa, uma princesa em um triângulo amoroso!

Mais um fato legal de “Encantada” é que Idina Menzel, atriz e cantora eternizada por seu trabalho em “Frozen”, está no elenco principal. Neste filme, porém, ela não canta nenhuma música. Ao contrário do que se possa pensar, esse não foi motivo de mágoa para Idina, cujos talentos vocais são tão notáveis. Li no IMDB que ela ficou lisonjeada em ter sido escolhida para o papel apenas por seu talento como atriz.

Existe uma conversa de que “Encantada” pode ter sua “Parte 2” chegando em breve. Isso é raro da minha parte, sou reticente com continuações, mas torço muito para que essa aconteça. Ainda existe muito a ser contado das aventuras dessa princesa improvável no mundo real.

E, gente. Patrick Dempsey e James Marsden no elenco. Sabe?

Acho que já deu para perceber que eu gostei muito de “Encantada”. Foi mesmo o meu favorito da tarde.

Vamos ver o que nos aguarda nas próximas sessões!


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crônicas

Como forma de agrado

Foto: Death to Stock

O amor tem uma receita muito simples

Vou procurar aqui uma receita de torta salgada, bem simples, vou comprar os ingredientes e fazer para você. Eu não sei cozinhar muitas coisas, no entanto sei e me disseram que cozinhar é uma demonstração de amor.

Sei que isso é verdade porque por mim você aprendeu a cozinhar. E é por mim que você faz os mais deliciosos pratos, mesmo quando está cansado, com outras coisas para fazer. Você também tem que adivinhar o que eu quero quando chego faminta e digo que quero comer alguma coisa, mas não sei o que e nem quero dar trabalho. Você abre a geladeira, descongela carnes, inventa receitas na hora e depois coloca a comida na mesa, querendo saber se eu descubro os ingredientes que foram usados. E nem isso eu sei.

Eu sei que não estamos em uma competição, mas eu sempre sinto que faço tão pouco e que você merece sempre muito mais. Uma receita de torta salgada nem é difícil de fazer, eu li a receita, não é como se eu merecesse uma medalha por ter tido essa ideia, mas sei lá. Pelo menos hoje eu vou tentar.

Tem a ração especial do gato que diz na embalagem “Sirva como forma de agrado” e eu fiquei com isso na cabeça, afinal de contas é isso mesmo. É tudo como uma forma de agrado. Uma torta salgada como forma de agrado. Tomara que fique boa.


Texto publicado originalmente em 04 de setembro de 2013 no meu extinto blog “Elvis Costello Gritou Meu Nome”.

crônicas, Resenhas

Segunda-feira, quase cinco da tarde

Call Me By Your Name, 2017

Sem relógio no pulso, marquei encontro com a saudade

Mordemos em grandes dentadas tudo o que é jogado em nossa direção e engolimos sem mastigar direito. Sinto falta do silêncio da adolescência, uma tarde inteira que morria enquanto eu ficava sentada na beira da porta de casa lendo um livro que já tinha lido mil vezes.

Um livro que não me acrescentava nada, as palavras todas enfileiradas só me ensinavam isso: palavras.

Seis episódios de série de uma vez e eu nem lembro o que aconteceu no final do primeiro. Como vou estabelecer uma conexão assim?

Na segunda-feira, reencontrei aquela tarde perdida. Escolhi uma roupa que fingi ser bonita, me olhei no espelho e fingi gostar do que via, peguei a bolsa e fui para o cinema.

Quase cinco horas da tarde.

Incrível como tinha gente na fila, São Paulo é esse caos sem massagem. Cheguei cedo demais como sempre (espero só atrasar na morte) e fiquei por ali.

Calada, apenas olhares e expectativa. Um peão girando esperando a hora.

Tentei ler os jornais, sempre tinha alguém na frente. O inferno da timidez e da miopia, tanto não conseguia tomar a frente na vitrine quanto não enxergava as letras enormes da manchete, mesmo dali.

Comprei meio litro de água porque me falaram que ando esquecendo de tomar água.

E então, o assombro e as lágrimas.

Nada pode se comparar ao encanto de ver na tela grande o livro que você leu e amou. Mesmo que não saia exatamente como você pensava (nunca sairá, somos possessivos e arrogante demais com nossos amores), mesmo que mudem tudo e principalmente se não mudarem nada.

Os silêncios e os sons. A sensação de já ter lido aquele sorriso. Todo um universo que é só seu explode em reconhecimento e pertencimento quando, veja só você, na tela o ator fala com a voz que você pensou.

Me pego pensando se gosto tanto desse filme pelo o que ele é ou pelo o que ele me fez sentir, me levando ao passado e me lembrando quem eu costumava ser.

(Se é que existe como separar essas sensações todas e escolher com qual delas seguir.)

Quieta no cinema eu pensava que, meu deus do céu, como pode a gente sentir tudo isso.

Gostaria de reviver o tempo em que a minha atenção não se fragmentava em mil pedaços diariamente me deixando sem norte, como hoje. Gostaria de poder sentir novamente o doloroso entusiasmo solitário de ter apenas um filme para ver, em casa.

E tendo apenas a ele, ter apenas a mim.

Sinto tudo isso e sei, ao mesmo tempo, que sentir tudo isso é bobagem. Vivemos a vida que temos. Tudo está tão bom assim, é besteira dizer que os tempos de hoje são ruins só porque eles mudaram.

Ainda assim…

Sem relógio e sem aviso, em plena segunda-feira eu abri uma porta e aqueles dias antigos vieram me visitar. Quase cinco da tarde, me diga se isso é hora, depois era quase oito da noite e não importa.

Dentro de mim, aquela sensação ainda existe. Mesmo com todos esses anos.